Octávio Caúmo Serrano caumo@caumo.com

Enunciado bíblico nos dá conta que “a felicidade não é deste mundo.”

A primeira pergunta que nos vem à mente é: a que mundo ele se refere? Ao mundo planeta, ao mundo evolutivo que atingimos ou ao mundo das nossas prioridades?… A que mundo?

A felicidade já foi cantada e recitada por grandes pensadores que procuram definir-nos o que é essa tal que procuramos tanto e nunca a temos. Analisemos, por exemplo, o poeta santista Vicente de Carvalho quando diz no soneto Velho tema que “essa felicidade que supomos, árvore milagrosa que sonhamos, toda arreada de dourados pomos, existe, sim: mas nós não a alcançamos porque está sempre apenas onde a pomos e nunca a pomos onde nós estamos.” Fala dos pomos saborosos e carnudos!

O precursor da bossa nova, João Gilberto é outro que diz que “a felicidade é como a pluma que o vento vai levando pelo ar; voa tão leve, mas tem a vida breve; precisa que haja vento sem parar.” Uma efemeridade! Silvio Britto, em A terra dos meus sonhos, canta que “felicidade só se tem, quando se doa…”! Só assim a vida é boa.

Nosso maior erro é buscar a felicidade fora de nós. Condicioná-la às conquistas. Vemos a felicidade no carro novo, no apartamento de luxo, na viagem do sonho, na conquista de um amor. Não nos damos conta que nada disso nos pertence e só nos pode dar resquícios de alegria que podem terminar num abrir e fechar de olhos.

Qual seria, então, a receita para ter felicidade duradoura já, neste mundo? A resposta é simples: dê felicidade. Quem dá é dono para sempre; quem recebe, nem sempre tem. Experimente odiar e sinta o mal que lhe causa; mas faça o bem e perceba que prazer irá sentir; independente do reconhecimento do beneficiado.

A felicidade é deste mundo para quem a busca de maneira correta e nos lugares e momentos certos. Sorria e será feliz. Aborreça-se e ficará deprimido. Sonhe pequeno e sempre realizará seu sonho. Imagine conquistas irrealizáveis e passará a vida inteira sofrendo com a ansiedade diante das metas inatingíveis!

É por isso que pobres e ricos são igualmente infelizes. A riqueza exterior não nos dá o que procuramos, porque o que buscamos já mora dentro de nós! Chama-se paz. Seria bom se soubéssemos lidar com ela! Viver no mundo seria menos sofrido!

Jornalista e poeta

Jornal Correio da Paraíba de 26/06/2015