Octávio Caúmo Serrano   caumo@caumo.com

Quando alguém sai desta vida, há os que dizem que ele desencarnou. Entre os espíritas não se admite os verbos morrer ou falecer. Isto pelo fato de ser a reencarnação uma das leis básicas do Espiritismo, como o é de muitas outras doutrinas, especialmente orientais, para expressar a continuidade da vida após a morte e posterior retorno do espírito ao corpo físico para continuar seu aprimoramento e aprendizado. É só o que explica a diferença entre os homens.

Certa vez conversando com o presidente de uma instituição kardecista disse-lhe que meu irmão morrera já havia alguns anos, quando ele prontamente me corrigiu: – morreu ou desencarnou? Respondi: – primeiro morreu depois desencarnou; espero! Antes de cessar o fluido vital que o anima o corpo não morre; e sem a morte não pode haver o desencarne.

O importante é saber que apesar da morte material, quando o corpo decomposto volta à natureza e se une aos diferentes elementos, não significa que a alma tenha se livrado do físico. Poderá estar ainda apegada aos gozos deste mundo o que dificulta a sua liberação da parte grosseira. Por isso, muitos morrem, mas não desencarnam; vivem como fantasmas ambulantes presos aos vícios, à família, ao trabalho, não se dando conta que isso não faz mais parte da sua rotina. Seu mundo agora é outro, mas ainda não perceberam e a mente os conserva humanos.

O grande conselho que a doutrina dos espíritos nos dá é que sejamos desprendidos dos bens terrenos enquanto estamos neste mundo. E bens terrenos não são apenas os materiais, mas também os do sentimento; o apego desequilibrado ao filho, ao cônjuge, aos pais ou aos amigos, ao trabalho e ao lazer, porque mais tarde haverá o trauma da separação.

Como “não somos um ser humano numa experiência espiritual, mas um ser espiritual numa experiência humana”, segundo muitos pensadores, é mais inteligente viver também como espíritos, não só como corpos, a fim de que ao morrer possamos imediatamente desencarnar sem que nossa mente sinta fome, frio, angústia e outros problemas. Viver no mundo sem ser do mundo, de modo a não sentir desconforto no dia em que voltarmos à casa de origem, nem ficar perambulando pelas esquinas da vida, imaginando que ainda moramos na matéria grosseira.

Dizem que a felicidade não é deste mundo, mas é aqui que se adquire a passagem para a viagem final. Para isso temos de usar os tesouros do Céu. Mesmo quem não creia nisto, um dia viverá sua própria experiência. A lei é uma só e é igual para todos; não depende de raça ou religião!…

Jornalista e poeta

Jornal Correio da Paraíba – 24/07/2015