Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“Toda a mensagem de Jesus é um confronto com a existente no mundo. Seu subjetivismo é objetivo e real, porque se assenta em parâmetros de lógica que fogem ao imediatismo, transferindo-se dos simples acasos para uma causalidade extrafísica, cujas conexões lentamente são identificadas pela pesquisa espírita, Parapsicologia e pelas demais doutrinas de investigação da vida transpessoal.” (Livro: Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda – Divaldo Franco/Joanna de Ângelis)

Encontramos em O Livro A Gênese, cap. I, item 62 uma bela simbologia sobre a crença na vida futura e como isto pode influenciar positivamente a conduta e a nossa forma de agir perante a vida. Em virtude do conhecimento espírita não podemos mais alegar ignorância sobre a realidade dos fatos que nos acontecem e que estão ao nosso redor.

Falando ainda por parábolas, disse-lhes Jesus: O reino dos céus se assemelha a um rei que, querendo festejar as bodas de seu filho, – despachou seus servos a chamar para as bodas os que tinham sido convidados; estes, porém, recusaram ir. Encontramos uma menção clara aos hebreus que antes do advento de Jesus era o único povo que não era idólatra e politeísta. Já haviam tido contato com a mensagem através de Moisés. Em tese, estariam prontos para compreenderem a mensagem de Jesus.

Assim também ocorre na nossa vida diária. Acreditamos que os mais cultos são os que estão mais propensos a compreender a mensagem de Jesus. Não obrigatoriamente. O sentimento de orgulho e infalibilidade nos ronda e faz morada todas as vezes que nos afastamos de Deus e buscamos a matéria. Não afirmamos com isso que devemos ter uma vida contemplativa. O espírito Verdade disse a Kardec, quando este o perguntou se a proteção se estenderia as coisas materiais da vida e o espírito Verdade lhe responde: “Neste mundo, a vida material importa muito, não te ajudar a viver, seria não te amar.” (Livro Obras Póstumas, Segunda Parte – Previsões Concernentes ao Espiritismo, Meu Guia Espiritual), entendemos que o que não podemos e nem devemos é gastar todas as nossas energias com a parte material esquecendo que na parte espiritual absorvemos energias inefáveis de gozo eterno, mas que a vida material tem importância e deve ser cuidada.

O rei despachou outros servos com ordem de dizer da sua parte aos convidados: Preparei o meu jantar; mandei matar os meus bois e todos os meus cevados; tudo está pronto; vinde às bodas. – Eles, porém, sem se incomodarem com isso, lá se foram, uns para a sua casa de campo, outros para o seu negócio. – Com o advento de Jesus a mensagem que poderia não estar muito clara com Moisés, apresentou-se sem mesclas para o povo daquela época. A festa da mensagem divina estava pronta. Bastava àqueles quererem participar. Mas isto significava uma mudança de conduta. E eles não queriam mudar. Por isso preferiram ir à casa de campo ou cuidar de seus negócios. Assim somos nós espíritas atualmente. Quantos não abrimos mão dos gozos materiais e alegamos que não podemos cuidar do espírito, pois temos obrigações materiais? Esquecemo-nos de quão prazeroso e felicitador é o contato com o divino. Com o Deus que habita em nós.

Os outros pegaram dos servos e os mataram, depois de lhes haverem feito muitos ultrajes. Os cristãos foram e o são ultrajados e ofendidos até a presente data. Vemos cidadãos comuns que se arvoram como juízes dos irmãos e semelhante ao que se fazia aos cristãos da época, julgam seus irmãos em praça pública, amarram-lhes em postes e desferem o golpe fatal. Algumas destas vezes, pessoas isentas de culpa sobre os fatos que lhe são imputados.

Sabendo disso, o rei se tomou de cólera e, mandando contra eles seus exércitos, exterminou os assassinos e lhes queimou a cidade. Estamos todos vinculados a Lei de Ação e Reação. Observamos de há muito quantos cataclismos naturais que dizimam populações inteiras ou quase sua totalidade, sendo que os que ficam tem muito trabalho para se refazerem. Não estamos falando em Justiça Divina, tal como a visão materialista projeta, mas Justiça Divina como consequência dos nossos atos de outrora.

Então, disse a seus servos: O festim das bodas está inteiramente preparado; mas, os que para ele foram chamados não eram dignos dele. Ide, pois, às encruzilhadas e chamai para as bodas todos quantos encontrardes. – Os servos então saíram pelas ruas e trouxeram todos os que iam encontrando, bons e maus; a sala das bodas se encheu de pessoas que se puseram à mesa. A doutrina espírita se apresenta como renovadora de almas. Todos somos chamados a dela participar. Ricos e pobres, bons ou maus, intelectuais ou não. Todos somos apresentados a verdade inconteste que é a sobrevivência da criatura humana após a morte do corpo. Todos fazemos parte deste banquete celestial.

Entrou, em seguida, o rei para ver os que estavam à mesa, e, dando com um homem que não vestia a túnica nupcial, – disse-lhe: Meu amigo, como entraste aqui sem a túnica nupcial? O homem guardou silêncio. – Então, disse o rei à sua gente: Atai-lhe as mãos e os pés e lançai-o nas trevas exteriores: aí é que haverá prantos e ranger de dentes; – porquanto, muitos há chamados, mas poucos escolhidos. O primeiro pensamento que pode nos tomar é que este Rei é louco. Ele estava querendo que qualquer um viesse à festa, como ele passa a implicar com a roupa do convidado? A roupa nesta situação, a túnica nupcial, tem o simbolismo da pureza de coração e de cumprir a lei segundo o espírito, de acordo com as verdades imutáveis que governam a criatura humana. Assim é a vida, assim somos nós. O banquete celestial está pronto. O nosso Mestre Rabi nos convidou de há muito para participarmos, basta que queiramos usar a túnica nupcial e nos apresentarmos prontos para a festa.

Jornal O Clarim – Agosto de 2015