Vida de Isolamento

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Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“769 – Concebe-se que, como princípio geral, a vida social esteja na Natureza; mas, como todos os gostos estão também na Natureza, porque o gosto pelo isolamento absoluto seria condenável, se o homem encontra aí a sua satisfação? Satisfação egoística. Há, também, homens que encontram uma satisfação em se embriagar; tu os aprovas? Deus não pode ter por agradável uma vida pela qual se condena a não ser útil a ninguém.” (O Livro dos Espíritos)

O Evangelho Segundo o Espiritismo em seu capítulo XVII, item 10, O Homem no Mundo, ajuda-nos há reflexionar melhor sobre o que vem a ser a conduta humana perante a sociedade. Associando-se o referido item as questões 769 a 772 de O Livro dos Espíritos, teremos como base, a nossa conduta social.

Vemos movimentos antagônicos na sociedade atualmente. Criaturas que excessivamente buscam o convívio social como forma de se auto-anestesiar da cobrança estabelecida pela consciência, traduzida na busca de uma conduta racional, equilibrada e também amorosa para consigo e para com o próximo; como também, criaturas que fogem do convívio social por se ressentirem e não quererem estar mais expostas ao sofrimento produzido pela falta de amor que prolifera, segundo estas, nas relações humanas.

“A saga da evolução é longa e, por vezes, dolorosa, deixando-lhe sulcos profundos, que noutras fases, sob estímulos inesperados dos sofrimentos, ressurgem como angústia ou violência, desespero ou amargura que não consegue explicar. Constituir-lhe-ão arquétipos a exercerem grande influência no seu comportamento psicológico durante várias existências corporais, assinalando-lhe a marcha ascensional.” (Livro Vida: Desafios e Soluções, Divaldo P. Franco/Joanna de Ângelis, cap. Significado do Ser Existencial – Objetivos da Vida Humana).

É interessante o comportamento da criatura diante das adversidades. Temos a má tendência a nos abstermos das coisas, situações ou pessoas quando não nos correspondem aos desejos. Desejos estes inconfessáveis para nós mesmos em alguns momentos. Estes são os mais difíceis de serem trabalhados. São situações que nos permeiam a existência e que ora ou outra nos visitam enriquecendo de significado as experiências necessárias para evolução. Trazemos tais arquétipos que nos movimentam e dinamizam diante dos fatos transformadores da existência proporcionando uma larga faixa de experiências e aprendizado que ao ver de muitos não mereceriam tanto gasto de energia, mas que para nós, por estarmos vinculados a situação de aprendizado daquela situação, tornam-se o Golias de nossas vidas e nos sentimos como Davi.

Isto se reflete também nas relações humanas. Somos iguais a crianças que tivemos a mão queimada e todas às vezes que sentimos um calor mais forte temos a sensação de voltarmos ao momento de perigo e dor que tivemos outrora. Nas relações humanas encontramos os diversos tipos de pessoas: as que nos querem bem e fazem de tudo para nos ver bem; as que nos querem bem, mas desde que ajamos da forma que elas imaginam; as que são indiferentes a nós; as que se inimizam conosco e que por mais que nos esforcemos não conseguimos mudar tal situação e por fim, aquelas que se inimizam conosco e que também nos inimizamos para com elas.

O que acontece é que não existe rótulo em ninguém dizendo quais são as reais intenções da criatura para conosco. Para os mais experientes da vida, verificamos o alto poder dissimulador de emoções e desejos e somando-se aos arquétipos, faz com que a criatura passe a não acreditar nas palavras ditas pelos outros e passe a acreditar que não existem mais relações verdadeiras de amizades. Neste ponto assinalamos as comunicações mediúnicas que trazem um terreno vasto sobre tal assunto. O trair a confiança tornou-se objeto similar nos dois planos. Ao desencarnar a criatura, acaba por aprofundar o entendimento sofre fatores obscuros, pouco ou não compreendidos de sua existência. Identifica a razão de dores e a representação correta de alguns personagens em sua encarnação.

Mas isto não pode e não deve ser impedimento para uma existência harmônica e feliz com o próximo. Pois se de um lado encontramos pessoas que se traem, pois a primeira e maior traição é a si mesmo, não tendo coragem de ser que realmente o é, encontramos de outro lado corações amoráveis e fieis que são capazes dos maiores movimentos de desprendimento pelo próximo. São os anônimos que saem no silêncio da noite a cobrir os desvalidos; são os abnegados que visitam os hospitais acolhendo como seus familiares de outros, que ali estão em profundo abandono; são os pais, mães e filhos amoráveis que renascem no mesmo lar e solidificam o amor transbordando para os outros da coletividade. Existem sim, aqueles que estão ao nosso redor para nos apresentar as dificuldades do caminho e nos impor a sua forma amarga de viver, fazendo até em alguns momentos que a nossa esperança sinta-se combalida; mas também existem aqueles que são verdadeiros focos de luz a nos iluminar a caminhada, que faz com que nosso dia se torne mais feliz e tranquilo, semeando a esperança, a ventura e a paz.

O Livro dos Espíritos oportunamente nos esclarece (questão 772) que temos a necessidade do convívio, especificamente da troca através das palavras, mas que não deveremos nos furtar ao silêncio. Pois através dele, entramos em contato com os benfeitores da humanidade e com espíritos amigos que vem ao nosso encontro esperando que silenciemos emocionalmente a matéria pra que possamos ouvir o que o espírito tem a dizer. Sabemos que a própria mudança de conduta imposta pela consciência reta de um novo ideal abraçado – A Doutrina Espírita nos faz caminhar de encontro ao agrupamento que deseja a histeria dos prazeres fulgases, mas sabemos também, que passamos a fazer parte de outra sociedade, que aspira ao bem e esforça-se pela prática do bem e deseja ardentemente a mudança interior.

Viver no mundo sabendo ser do mundo. Vivendo o mundo interior em plenitude para sabermos que parte do mundo (sociedade) queremos nos relacionar. Somos solicitados a todo o momento a fazermos escolhas. Precisamos ponderar em qual sociedade queremos estabelecer raízes e fincarmos a nossa árvore de vida.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – agosto de 2015

Uma experiência prática

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Octávio Caúmo Serrano    caumo@caumo.com

Nos meus primeiros contatos com o Espiritismo, em 1971, fomos certo dia, em grupo de trinta pessoas, visitar um leprosário porque fazia parte das experiências de aprendizado. Conviver com a dor para agradecer pela vida.

Chegamos às dez da manhã e, num auditório, ouvimos a preleção do senhor Catelli, homem de setenta anos, cego e leproso, que lá vivia há cinco décadas e presidia a entidade espírita. Ali, ouvi as mais tocantes palavras desde que sou gente. Fiquei extasiado com as vibrações que impregnaram o ambiente.

Num jardim, juntamos panelas num almoço comunitário. Após breve descanso, começamos visitar os pavilhões dos doentes, guiados pelo Seu Catelli. De bengala, ia nos conduzindo e parando à frente de cada leito; chamava o interno pelo nome e lhe dirigia palavras de saudação, alívio e esperança, rindo e brincando. E nós, atentos aprendizes da caridade, seguíamos aquele mestre para sorver suas atitudes e orientações.

Quando a visita terminou, eu estava tão feliz como nunca estivera nos trinta e sete anos de vida, apesar de estar frente a tanta dor e tristeza. Dirigi-me ao homem e perguntei:-Sr. Catelli. Viemos aqui crentes que lhes traríamos algum conforto, mas nós é que estamos levando de vocês uma alegria como nunca sentimos. Meigamente, ele me disse: – Meu filho, você não está levando nada de nós. Quando decidiram nos visitar, sabendo que somos pessoas sofridas, produziram em vocês um amor tão intenso para ofertar-nos que além de suprir-nos ainda sobrou muito para levar de volta com vocês para repartir entre os que amam!

Nessa hora, compreendi a oração de Francisco de Assis: “É dando que se recebe; é perdoando que se é perdoando.” “Onde houver ódio que eu leve o (meu) amor; onde houver tristeza que eu leve a (minha) alegria.” Assim devemos entender todo o Evangelho de Jesus. Para ofertar é preciso ter! Seja ódio ou amor!

Jornalista e poeta

Jornal Correio da Paraíba, 7/8/2015

Centro Espírita: Igreja ou Escola.

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Octávio Caúmo Serrano  caumo@caumo.com

A maioria dos que nos dizemos espíritas apenas por ser frequentadores de uma instituição, ainda não entendemos o que é realmente essa reunião que se realiza dentro dos Centros. Alguns simplesmente deixamos de ir a outras igrejas porque descobrimos a sabedoria do Espiritismo que ensina com mais profundidade sobre o Evangelho de Jesus, além de informar sobre a reencarnação para explicar as razões das diferenças entre as criaturas. Se vivêssemos apenas uma vez deveríamos ter todos os mesmos quinhões e atributos oferecidos por Deus: Cremos que pela bondade dele, todos seríamos ricos, bonitos, saudáveis e inteligentes. Afinal é o que todo pai quer para um filho. Só a multiplicidade de vidas na matéria para justificar a diferença entre as criaturas.

Mas apenas conhecer é pouco. Com isso sabemos de Espiritismo, mas ainda não somos espíritas. Anotemos lição do sábio Mahatma Gandhi:  “Acreditar em algo e não viver é desonesto!” E ele dizia mais: “Você deve ser a própria mudança que deseja ver no mundo.”

Quando vamos às escolas tradicionais aprendemos as disciplinas específicas de cada curso: português, matemática, física, química, história. Conhecemos para depois aplica-las na nossa vida e não apenas para fazer provas e passar de ano. Estudar sem aprender faz com que sejamos reprovados. Aprender na teoria sem usar na prática em nossa vivência, de nada vale.

O mesmo deveria ocorrer com o Espiritismo. Após participar das reuniões do Centro e encantar-nos com as lições, deveríamos perguntar a nós mesmos o que devo fazer com esse conhecimento? Como posso aplicar isso na prática em meu próprio benefício? Essa teoria que o Centro me informa deve ser vivenciada para que eu não apenas saiba, mas seja. Quando eu aprender sobre a caridade não é apenas para saber, mas para aplicar na minha vida a caridade que me é ensinada. Por que, perguntaremos se ainda não entendemos claramente o que é o Espiritismo? Cada um cuide de si. Não dou conta de resolver meus problemas e ninguém me ajuda, por que vou me preocupar com os problemas dos outros?

Pensamos assim porque ainda não entendemos como funciona o Evangelho ensinado por Jesus. Ao fazer, fazemos para nós. Basta que entendamos esse princípio elementar para mudar nosso comportamento. Para oferecer algo a alguém precisamos primeiro produzir em nós. Para que o outro veja meu sorriso, tenho de sorrir. Para que o outro sinta meu abraço tenho de abraça-lo. Para oferecer amor ou ódio primeiro os produzo na minha intimidade. Eu que escolha o que quero criar para oferecer porque uma grande parte fica em mim. Talvez nem afete o outro, mas em mim sempre ficará registrado.

Os expositores, orientadores, divulgadores pela escrita ou oratória são pessoas que despertaram quando um dia tomaram contato com essas verdades. Quer ser feliz, faça o bem. Não há outro caminho. Eles ouviram alguém lhes dizer esses segredos; decidiram testar e perceberam como é gostoso ser bom. Causa prazer ver aquele a quem ajudamos olhar-nos com ternura e gratidão. É o maior salário que alguém pode receber; é a felicidade vivida na prática; não dependemos de ninguém para ser feliz; apenas de um sofredor a quem possamos servir, de um triste a quem possamos alegrar, de um faminto a quem possamos alimentar, de um doente a quem possamos aliviar.

Não guardemos entesourados os conhecimentos que o Centro Espírita nos transmite. Passemos adiante, de preferência com atitudes práticas e não apenas com discursos, porque nem sempre o outro sabe o que fazer com as teorias. Mas certamente entenderá quando nos vir exemplificar. A imagem, a ação, vale por mil discursos; é mais importante que qualquer teoria. Muitas pessoas admiram a super – intuição que tinha Jesus Cristo. Tudo sabia com antecedência, mas jamais deixou de servir, de curar e de orientar; admirávamos a mediunidade do Chico e não percebíamos a grandeza da sua dignidade. Seu desprendimento é algo a ser copiado; Admiramos a fala eloquente de Divaldo Franco, mas não nos esqueçamos da sua grande obra que não é fruto da psicografia: A mansão do Caminho!

Jornal O Clarim – agosto de 2015

O homem ante a vida

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RIE_Agosto_2015

 

O brilho do homem se vê no polimento do caráter.

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

Ao discorrer sobre o item 9 do capítulo XVII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, “Superiores e Inferiores”, uma orientação do Cardeal Morlot, de 1863, em Paris, veio-nos à mente: as molduras mais bonitas para ornamentar o retrato de um homem são a modéstia e a humildade.

Ensina-nos François-Nicolas-Madeleine, nome do mencionado cardeal, que somos chamado na vida a ocupar posições de comando ou de obediência. Ambas são experiências necessárias para o desenvolvimento do ser humano. Devemos ter em mente que seja qual for nossa posição haverá sempre alguém acima de nós e alguém abaixo. O mais poderoso monarca, que comanda todo um povo, ainda assim terá alguém que lhe é superior; hierarquicamente, moralmente, intelectualmente ou espiritualmente.

Quando estivermos investidos do comando, saibamos gerir, supervisionar, exigir, mas sempre com educação e respeito ao subordinado. Nossa função inclui ajudá-lo e fazer com que aprenda e execute cada tarefa sempre de maneira melhor. Caso estejamos na posição contrária, somos nós quem devemos obedecer, respeitando nosso superior, sabendo das responsabilidades que tem, porque também terá de prestar contas a alguém. Se quem trabalha exige receber, quem recebe deve trabalhar. E fazer além do que nos compete é o que nos dá mérito para galgar posições melhores, num futuro imediato ou distante; incluindo futuras reencarnações.

Há coisas muito difíceis e desconfortáveis para o ser humano, com as quais ele tem muita dificuldade de lidar: educação e disciplina são dois itens que exigem de cada um de nós esforço de adaptação e reforma interior sempre muito grande. O normal é fazer do jeito que gostamos, mas temos de policiar-nos e considerar que não moramos sozinhos no mundo. Nosso direito termina, já ensinam as leis, quando começam os direitos do nosso semelhante.

Sentar-se à mesa com compostura e alimentar-se com bons modos, submeter-se às regras do local onde estamos e seguirmos os hábitos da família que nos hospeda, sem imiscuir-nos na sua intimidade, são algumas das atitudes que caracterizam o homem educado. Se não somos chamados a opinar, sigamos as regras e vivamos segundo nos oferecem os anfitriões.

Viver em comunidade é algo muito difícil. Queremos que os outros sejam como nós e gostem das mesmas coisas que nós, na triste ilusão de que somos os donos da verdade, que servimos de exemplo para os demais e que a nossa maneira de ser e de viver é a única correta. Não nos passa pela mente que toda indagação tem dez respostas; e que todas elas podem ser corretas, dependendo das circunstâncias.

No Espiritismo toda pergunta deve ser respondida com a expressão: – Depende! Não há regras comuns porque cada um tem sua história e necessidade pessoal. Exemplo: – O casamento é uma coisa boa? Resposta: – Depende. – Depende do quê? Poderão perguntar. Depende do que você busca no casamento. Liberdade do jugo familiar? Ter como prioridade ser feliz, sem incomodar-se com o parceiro? Formar um lar para receber espíritos em nova provação ou apenas ter uma cozinheira e empregada sem pagar salário, férias, décimo-terceiro, FGTS, INSS, e todos os demais encargos demandados? Se tem a intenção de fazer o outro feliz, a possibilidade de o casamento dar certo é maior do que quando vamos para a união só pensando em nos dar bem. Cheios de direitos!

Como trabalhador espírita, dirigente de um Centro e palestrante em muitos outros, sempre observo o comportamento dos espíritas; ou que se julgam espíritas, mas não conseguem, mesmo tendo a intenção de sê-lo. Colegas da mesma instituição que não se falam e que têm ciúmes uns dos outros; que chegam a se tratar com rispidez e sempre que possível espalham maledicência em relação aos outros. Entraram para o Espiritismo, mas nem um só grama de Espiritismo chegou às suas almas. São, muitas vezes, teóricos brilhantes que em suas palestras e orientações dão as mais bonitas receitas de fraternidade e amor ao próximo; mas ficam apenas no discurso. Não conseguem perdoar nem suportar um companheiro mais difícil; sem considerar que é comum sermos nós mesmos esse participante mais problemático.

Cada função tem sua própria responsabilidade. Quando comandamos, tenhamos em mente que a autoridade e riqueza são delegações das quais se pedirão contas ao final do mandato. Não apenas a autoridade de um presidente de um país, mas a de um simples chefe de serviço, mesmo que comande uma única pessoa. E o comandado deve, igualmente, desempenhar a sua função com seriedade, honestidade e respeito. No centro espírita, além dessas qualidades a gentileza e o amor são fundamentais.

Vemos nas instituições espíritas companheiros prepotentes porque conhecem uns versículos a mais dos Evangelhos e se apresentam com muita pompa como se fossem guias para a humanidade. Ao conversar com eles, percebe-se o orgulho vazando pelos poros. São tão soberbos que ficam quase inatingíveis. Sentem-se como guias da humanidade. Têm todas as receitas para melhorar o mundo, mas, infelizmente, não conseguem melhorar a si mesmos. Os anos passam e eles ensinam, ensinam, ensinam, mas não aprendem uma única palavra do que ensinam. Como papagaios, não percebem que somos todos meros repetidores de ideias já pensadas. Nada há de original naquilo que ensinamos. Ignoramos, também, que nossa maior tarefa nesta encarnação é a autorreforma e não o conserto dos outros.

É bonito quando uma pessoa é superior por sua beleza, riqueza e inteligência e, ao mesmo tempo, é modesta, humilde e gentil. O quadro do caráter fica mais bem emoldurado e forma com o retrato um conjunto totalmente harmonioso. E para conseguir isso, não dependemos de ninguém. É tarefa pessoal que não pode ser transferida.

Que Deus abençoe o nosso esforço de renovação íntima para sairmos daqui melhores do que chegamos. Caso contrário, nada valerá a pena!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – agosto 2015

El hombre ante la vida

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Octávio Caúmo Serrano               caumo@caumo.com

El brillo del hombre se ve en el pulimento de su carácter.

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