Posse

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Página para leitura introdutória do Estudo desta quinta-feira, 24/09/2015, no Centro Kardecista “Os Essênios”.

22 – POSSE

Aquilo de que abrimos mão é o que verdadeiramente nos pertence.

Quem se nega aos outros não tem a posse de si mesmo.

Jesus, sobre a Terra, não tinha uma pedra onde repousar a cabeça. No entanto, tudo lhe pertencia.

A pessoa que se sacrifica em benefício de alguém é sempre a maior beneficiada.

Sejamos condescendentes com as quedas alheias, mas não sejamos tolerantes em excesso com as nossas.

Quem tropeça e vai ao chão não deve ficar a espera de quem apareça para levantá-lo; reúna as energias que lhe sobraram e ponha-se de pé por seu próprio esforço e vontade.

Apenas caem os que estão de alguma forma tentando caminhar.

Aproveitemos as experiências da queda para avançarmos com segurança, evitando repetir os erros que cometemos, na certeza de que nos erguermos da queda consciente será sempre muito mais fácil.

A queda pela inteligência é mais penosa do que a queda pelo sentimento.

Quem tropeça no seu orgulho e cai, porque não admite que caiu, demorará longo tempo para levantar-se.

Paulo, o inesquecível apóstolo da Boa Nova, nos concita a caminhar à frente, mesmo de joelhos desconjuntados.

Sejamos o bom samaritano de nós mesmos e nos levantemos, porque o mundo está repleto de sacerdotes e levitas que, vendo-nos estirados no chão, seguirão adiante indiferentes…

Livro “Lições da Vida” – Irmão José pelo médium Carlos A. Baccelli.

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Espada simbólica

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Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“Aprendestes que foi dito: olho por olho e dente por dente. – Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal que vos queiram fazer; que se alguém vos bater na face direita, lhe apresenteis também a outra; – e que se alguém quiser pleitear contra vós, para vos tomar a túnica, também lhes entregueis o manto; – e que se alguém vos obrigar a caminhar mil passos com ele, caminheis mais dois mil. – Daí àquele que vos pedir e não repilais aquele que vos queira tomar emprestado.” (Mateus, cap. V, VV 38 a 42)

O convite nos foi feito para que pudéssemos nos conquistar moralmente. Para que aceitemos o desafio e não entabulemos discursões estéreis. Caminhando mil passos se for necessário demonstrando a perseverança e a paciência da criatura diante das adversidades. Destacando que o mais importante não é a prática exterior, mas a modificação e sacrifício dos vícios em detrimento das virtudes na criatura.

Joanna de Ângelis, através da psicografia de Divaldo, no livro Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda, cap. 15 – A Vingança, nos diz que “A fatalidade da vida é alcançar a harmonia plena, mediante o equilíbrio do amor a si mesmo, ao próximo e Deus.” Equilíbrio esse difícil de ser conseguido, pois quando prepondera mais o amor a si, somos egoístas; quando acreditamos que amamos mais o nosso próximo, temos uma compreensão distorcida da humildade e quando acreditamos amar mais a Deus, demonstramos uma submissão sem compreensão.

Temos mais dois outros fatores que influenciam neste equilíbrio: os arquétipos, que trazemos de outras encarnações e as inimizades. Estas podem ser explicitadas nas situações em que nos inimizamos com o próximo, quando ele se inimiza conosco ou quando a inimizade é recíproca. No caso dos arquétipos, podemos entende-los, de forma sucinta, como “marcas” que trazemos de reminiscências de outras encarnações e que de tempos em tempos eclodem, mais explicitamente, permeiam a encarnação sendo o modelo primordial de comportamento. Este (arquétipo) é a maior dificuldade que possuímos. Primeiro em entender e depois em resolver. Em virtude desta dificuldade, começamos por nos debatermos e atacarmos a nós mesmos: são as autoflagelações e atacar os outros: são as agressões gratuitas, a vingança e o ódio.

Reencarnamos para vivermos situações de reajuste moral. Mesmos as que, a princípio, só provocam ajuste físico. Debatemo-nos quando não conseguimos entender. Quando isto se processa por muito tempo geramos a mágoa, quando esta faz moradia, criamos o ressentimento. Quando o outro nos faz o mal, não obrigatoriamente é porque haja uma vinculação espiritual, mas porque o outro não está bem consigo mesmo e resolve por atacar aquele mais próximo que se apresenta (mesmo que aparentemente) mais feliz ou que esteja em condição de inferioridade perante ele.

Oferecer a outra face também é “Ser precavido, resguardar-se do mal dos maus, cuidar de não se envolver em contendas, evitando os entreveros estabelecidos pelos belicosos, também é atitude recomendada pela Sua [de Jesus] conduta. No entanto, jamais fugir do testemunho, ou debandar do holocausto quando seja convidado, não revidando mal por mal, nem se vingando nunca, mesmo que surjam oportunidades propiciatórias ao desforço.” (Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda, cap. 15 – A Vingança)

É sempre mais fácil para a maioria de nós nos deixarmos levar no que a sociedade atual chama de “a força das coisas”. É como se para a maioria fosse normal reagir e não agir diante dos fatos. Aquele que não pensa reage de forma maquinal ao ataque, o ser que compreende as verdades imutáveis age para se defender dos ataques e solucionar a problemática gerada em virtude  do ocorrido. Quando começamos por nos precatar diante do “mal dos maus” começamos por não mais cair nas armadilhas de lobos entendendo que uma palavra basta para começar ou por fim em uma contenda. Precisamos analisar o que estamos querendo construir para o nosso futuro. Também não sabemos com que intenção o outro nos ofende. Tal ato pode significar uma forma de atentar contra a própria vida. Como a criatura não tem coragem de fazer nada contra si mesmo, tenta armar a mão do adversário para que seja, aparentemente, uma morte mais louvável. Fora aqueles que se sentem felizes em estarem na condição de vítimas, pois segundo eles, são mais amados.

Não podemos esquecer que a taça de fel nos é apresentada a todos, na encarnação. São os testemunhos que precisamos vivenciar para aprendermos a fazer direito a lição que fizemos errado outrora. Nestes momentos, precisamos mais do que nunca, fortalecermo-nos em fé para que possamos superar os entreveros que nos são apresentados. E quando formos atacados na honra e nas afeições, pois tais criaturas não recuam diante da calúnia, tenhamos a certeza que não somos vítimas e que se chegou o momento do nosso reajuste com as Leis Divinas o outro também terá o seu. Enxergando o momento como instrumento reparador não como arma perigosa a nos desferir o golpe fatal. Assim torna-se mais fácil superar o momento e adquirir o aprendizado.

“O ódio somente desaparece mediante a terapia do amor incondicional, que o dilui, porquanto se enfrentam no mesmo campo de batalha, que é a consciência.” (Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda – O Ódio). Vivemos esta batalha no íntimo do ser todos os dias. Ora pendemos mais para o amor, ora para o ódio. Quando a compreensão das verdades imortais forem cristalizadas em nós faremos com que esta batalha não mais aconteça e somente o amor viva em nossos corações.

Tribuna Espírita – Julho/Agosto

Que é Deus?

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Octávio Caumo Serrano

Para os espíritas esta pergunta não é novidade. É a de número 1 já na primeira edição de O Livro dos Espíritos, lançada em 18 de abril de 1857, com 501 questões. A definição dada pelos Espíritos, que só repetimos como reforço, foi: “Deus é a Suprema Inteligência, Causa Primária de todas as coisas. Para acreditar em Deus é bastante lançar a vista sobre as obras da Criação.”

As discussões sobre a existência de Deus, com tentativas de provar que Ele não é uma realidade, demonstram como os homens inferiores deste mundo de provas e expiações são pretenciosos. Não percebem que não têm condições de entender nem a si próprios e procuram explicar algo sem que disponham dos atributos mínimos para iniciar o raciocínio.

Baseiam-se nas equivocadas deturpações religiosas, as mesmas que tentam imaginar Deus como humano; velho, sábio, meditativo, olhando para cada um de nós como fiscal de grupo escolar que acompanha o que faz o aluno no recreio. Falamos de ação e reação, como se Deus permanecesse à frente de uma luneta olhando para cada um de nós fazendo anotações de tudo o que construímos ou destruímos para nos dar, consequentemente, prêmios ou castigos.

Deveríamos nos contentar, ao reconhecer nossa pequenez, em saber que Deus é a Lei.  Ele deixa o homem livre para mergulhar nela, seguindo o lado edificante com o cumprimento das recomendações divinas, ou emaranhando-se em perturbações desagradáveis, por fazer tudo ao contrário. Pela Lei devemos ser calmos. Ao perder o controle sobre nós mesmos produzimos enfermidades. A cura não vem necessariamente por remédios mundanos, mas pela volta do homem à Lei da qual ele se afastou.

Supomos que o departamento de informática do Criador tem programas inimagináveis para controlar alguns gatos pingados que somos os sete bilhões de viventes na matéria deste planeta. Somos um bilionésimo – apenas para dar pálida ideia – do que existe no Universo. Até agora falamos da matéria densa sem preocupação com os da quintessência, muitíssimo mais numerosos e que são criados permanentemente. Aprendamos a compreender a nossa insignificância, apesar de merecer igualmente o grande amor de Deus.

Damos receitas para que as pessoas se aprimorem, supondo que Deus se vê em dificuldades quando o homem não age como parceiro do Criador para o melhoramento dos mundos. Imaginamos que se os homens não colaborarem para o progresso ele não se fará e criará um obstáculo para que Deus possa dar sequencia à sua legislação.  Quanta ingenuidade! O progresso já está pronto desde o início à disposição do homem que mergulhará nele quando entender.  Como os mares da Terra que existem mesmo que os homens neles não nadem ou os peixes neles não vivam. O homem é muito pequeno para atrapalhar a tarefa divina. Só consegue entravar a sua própria evolução.

Na verdade, se Deus não nos criou prontos e perfeitos, é porque queria dar aos filhos a oportunidade de se realizarem por si mesmos. Encheu o mundo da sua misericórdia e brindou o homem com o dom da vida. Por isso respiramos, caminhamos, digerimos, pensamos e envelhecemos como desejamos. Não fizemos o ar, não criamos a água, não inventamos o trigo. Nenhuma só fruta que há no mundo é uma invenção humana. O máximo que o homem faz é aprimorá-la com a permissão de Deus que quer testar sua inteligência e gratidão, criando híbridos resistentes às pragas e às variações de clima. Por isso diz um provérbio chinês: “Qualquer tolo sabe quantas sementes há numa fruta, mas só Deus sabe quantas frutas há numa semente.” O mesmo se dá com a clonagem. Como o homem consegue criar um ser vivo partindo de uma célula de outro já existente, imagina que criou a vida. Só que ele ignora que não haverá vida no novo ser sem que ele tenha uma alma. E alma é algo que o homem ainda não aprendeu a criar.

O Espiritismo veio dar um pouco de clareza à lei de Deus, dirigida aos que já despertaram e demonstram algum discernimento. Ao ler os Capítulos I, II, III e IV de O Livro dos Espíritos – Deus, A Criação, o Mundo Corporal e o Mundo Espírita  poderemos entender rudimentos sobre Deus e a sua obra.

A confusão ainda sobre Deus é tão grande, que até nossos irmãos católicos dizem na prece Santa Maria, mãe de Deus; confundem Deus com um de seus filhos e nosso irmão planetário maior, Jesus, o Cristo! O mesmo que afirmou que todos nós somos deuses e que não deveríamos nos maravilhar com o que Ele fizesse porque também o faríamos e até mais, se o quiséssemos. Deixou claro que até Ele, Jesus, ainda está em progresso e, portanto, ainda distante de Deus. Ao dizer “Deus e o Pai somos um” ele criava uma figura para dizer que suas ideias seguiam uma estreita semelhança com a Lei Maior. Ele foi quem melhor entendeu as Leis do Criador.

Conselho dado a Kardec em O livro dos Espíritos na questão 14, serve também para nós. Paremos de querer discutir e entender Deus, porque nos falta atributos para tal, e cuidemos mais da nossa própria evolução. É para isso que reencarnamos mais uma vez!

Tribuna Espírita julho/agosto 2015

Felicidade

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Página para leitura introdutória do Estudo desta quinta-feira, 17/09/2015, no Centro Kardecista “Os Essênios”.

21 – FELICIDADE

Não olvidemos que, neste exato momento, muitos estão à espera da felicidade que lhes devemos.

Não pensemos tanto em nossas necessidades, a ponto de esquecermos as dos outros.

Aprendamos a promover a felicidade alheia, valorizando as pessoas às quais nos vinculamos afetivamente.

Ninguém tem o direito de anular alguém para ser feliz.

A felicidade construída à custa do sofrimento do próximo não é felicidade.

Quantos adoecem porque não sabemos dividir com eles o coração?

Não utilizemos os outros como trampolim para os nossos sonhos e ambições.

Ensina-nos o Evangelho que a alegria de dar é muito maior que a alegria de receber.

Não há felicidade maior que a de fazer alguém feliz, porque, à sombra de uma pessoa feliz, o felizardo maior permanece no anonimato.

Não queiramos outro aplauso que não seja o da consciência tranquila.

No mundo, contam-se aos milhares os famintos de pão, mas é incalculável o número de mendigos de felicidade que nos estendem as suas mãos vazias.

Livro “Lições da Vida” – Irmão José pelo médium Carlos A. Baccelli.

Velho, mas atual. Confiram

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O DOLOROSO PARTO DE UMA NOVA ERA

“Existem razões para crer que a Idade Moderna terminou. Muitos sinais indicam que estamos atravessando um período de transição em que algo está morrendo e algo está nascendo, num parto doloroso.
Está ocorrendo uma amálgama de culturas. Uma era está sucedendo a outra e, como nossa civilização não tem um estilo próprio unificado, nem um espírito próprio, nem uma estética própria, qualquer coisa pode acontecer. Tudo é possível, mas nada é certo.
Como em período de transição anteriores, estão sendo agora derrubados até os mais consistentes sistemas de valores e existe uma tendência a citar as opiniões alheias, a imitar e amplificar, em vez de afirmar com autoridade ou integrar.
O sinal central e característico deste período é a crise, ou a transformação da ciência como base da concepção moderna do mundo.
O vertiginoso desenvolvimento desta ciência, com sua fé incondicional na realidade objetiva e sua completa dependência das leis gerais e racionais do conhecimento, conduziu ao nascimento da civilização tecnológica moderna.
Mas a relação com o mundo, que a ciência moderna promove, parece agora ter esgotado sua potencialidade. Torna-se cada vez mais claro que está faltando alguma coisa a esta relação, pois não se consegue ligar à mais intrínseca natureza da realidade nem à experiência natural do homem e, na realidade, é mais uma fonte de desintegração e de dúvidas do que de integração e de sentido.
Produz um estado de esquizofrenia em que o homem, como observador, está se alienando completamente de si mesmo como ser. Embora atualmente saibamos infinitamente mais a respeito do universo do que nossos antepassados, parece cada vez mais claro que eles sabiam algo que nos escapa.
Quanto mais a fundo são descritos nossos órgãos e suas funções, tanto menos conseguimos captar o espírito, o propósito e o significado do sistema que eles formam em seu conjunto e constitui nosso próprio “eu”.
Assim, estamos numa situação paradoxal. Desfrutamos de todas as conquistas da civilização moderna, mas não sabemos para onde ir. O mundo de nossas vivências parece caótico, desconexo e confuso.
Em nossa percepção do mundo parece não haver forças integradoras, nem significados unificadores, nem uma verdadeira compreensão interior dos fenômenos.
Esse estado de coisas tem consequências sociais e políticas. Esta singular civilização planetária, a que todos pertencemos, nos põe em confronto com desafios globais, perante os quais reagimos sem esperança, porque ela globalizou apenas a superfície de nossas vidas.
E, ao que parece, quanto menos respostas esta era de conhecimento racional oferece às perguntas básicas do ser humano, tanto mais profundamente as pessoas se aferram às velhas certezas de sua tribo. Por isso, as culturas individuais, cada vez mais misturadas pela civilização contemporânea, estão tentando com renovados impulsos readquirir ou reforçar sua identidade, reconhecendo-se em suas próprias características internas e ressaltando as diferenças que as separam das outras.
Daí resulta que os conflitos culturais são, logicamente, cada vez mais perigosos e mais difíceis de resolver do que em qualquer outro período da história.
O fim da era do racionalismo foi catastrófico: apetrechados com as mesmas armas supermodernas de outrora, frequentemente obtidas das mãos dos fornecedores de sempre, e acompanhados pontualmente pelas câmaras de TV, os membros de variados cultos tribais estão em guerra entre si.
Durante o dia, trabalhamos com as estatísticas e, ao anoitecer, consultamos a astrologia e nos assustamos com histórias truculentas sobre vampiros.
O abismo entre o racional e o espiritual, a técnica e a moral ou universo e o singular se torna cada vez mais profundo.
Os políticos, logicamente, estão preocupados em garantir a sobrevivência de uma civilização ao mesmo tempo global e multicultural. Eles indagam como fazer para pôr em funcionamento mecanismos de convivência pacífica, respeitados por todos, e quais devem ser os princípios gerais a estabelecer. A necessidade de responder com urgência especial a estas perguntas foi ressaltada pelos dois mais importantes acontecimentos políticos da segunda metade do século 20: o colapso da hegemonia cultural e a queda do comunismo.
A ordem mundial artificial das décadas passadas desmoronou, mas ainda não surgiu uma ordem nova e mais justa.
A principal tarefa política dos últimos anos deste século é, portanto, criar um novo modelo de coexistência entre as diferentes culturas, povos, raças e esferas religiosas, dentro de uma única civilização interconectada.
Esta tarefa é sobretudo extremamente urgente, pois estão aumentando de forma mais séria do que nunca outras ameaças contra a humanidade, provocadas pelo desenvolvimento unidimensional da civilização.
Na busca de fontes mais naturais para a criação de uma nova ordem mundial geralmente recorremos às ideias básicas da democracia moderna: respeito pelo ser humano como indivíduo, tanto homem como mulher, e por suas liberdades e direitos inalienáveis, bem como pelo princípio de que todo o poder vem do povo.
Sinto porém, com cada vez mais força, que estas ideias não são suficientes, mas devemos ir mais além e mais fundo. A solução que elas oferecem ainda é moderna e tem origem num clima do Século das Luzes, bem como numa visão do homem e de seu relacionamento com o mundo que foi característica da esfera euro-americana durante os dois últimos séculos.
Contudo, hoje em dia, as soluções clássicas da era moderna não dão por si mesmas uma resposta satisfatória aos problemas apresentados.
O mesmo princípio de que os direitos inalienáveis do homem foram concedidos pelo Criador nasceu da noção tipicamente moderna de que o ser humano era o pináculo da criação e o senhor do mundo.
Este moderno antropomorfismo pretende, inevitavelmente, dizer que o Criador, que, segundo se afirma, outorgou ao homem seus direitos inalienáveis, começa a desaparecer do mundo.
O Criador, que estava muito além da compreensão e do alcance da ciência moderna, foi sendo gradualmente empurrado para a esfera privada das pessoas e mesmo para a esfera das fantasias privadas, isto é, para um lugar onde os deveres públicos não se aplicavam mais.
Na minha opinião, a ideia de que os direitos e as liberdades do homem devem ser parte integral de toda ordem mundial legítima precisa ser aplicada num lugar diferente e de um modo diverso atual.
Para ser algo mais que um slogan repetido e não respeitado pela metade do mundo, esta ideia não pode ser expressa na linguagem desta era agonizante, caracterizada pela fé numa relação puramente científica com o mundo.
Hoje, a única verdadeira esperança das pessoas reside, provavelmente, na renovação da certeza de que estamos enraizados na terra e, ao mesmo tempo, no cosmos. A consciência deste enraizamento nos dá a capacidade de autotranscendência.
Nos foros internacionais, os políticos podem reiterar mil vezes que a base para uma nova ordem mundial é o respeito universal pelos direitos humanos, mas este não significará nada se o imperativo não vier do respeito pelo milagre do ser, do universo, da natureza e de nossa própria existência.
No mundo atual, multicultural, o único caminho seguro para a coexistência pacífica deverá ser inspirado pela autotranscendência, porque a transcendência é a única alternativa real para a extinção.
Penso que o homem só poderá se realizar na liberdade, se não esquecer que esta é um dom de seu Criador”.
(VACLAV HAVEL , JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO – 23/04/95 – PAG.A2)
Vaclav Havel, já falecido (Praga, 5 de outubro de 1936 — Praga, 18 de dezembro de 2011) foi um escritor, intelectual e dramaturgo checo. Foi o último presidente da República  Checa.

Amiga Mediunidade

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Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“O médium haverá de se conscientizar de que a mediunidade é para ele uma honra, uma outorga divina que deverá emulá-lo a uma entrega feliz e prazerosa de si mesmo. O mundo precisa de médiuns entusiasmados, interessados em fazer com que a faculdade neles brilhe como um sol, conscientes de que são, na Terra, os legítimos representantes dos Emissários de Jesus, diferentemente daqueles que, diante de convite, se tornam apáticos, envergonhados como se a mediunidade neles não coubesse bem, sendo-lhe um transtorno incômodo e pesado.” (Livro: Qualidade na Prática Mediúnica, questão 85, 2º parágrafo)

Bendito seja o Pai Amado que nos permite a dádiva de viver. Ter a possibilidade de aqui estarmos novamente. Revivermos outros momentos que estabelecem ligação moral com os de outrora é fato libertador da criatura. Permite-nos quantas vezes for necessário estar em contato com o nosso passado que dormita em estado de calmaria na consciência até que o desabrochar da rosa se complete.

Quando vivemos a vida de relação, mas não colocamos o nosso entendimento sobre as bases aclaradoras da doutrina, titubeamos com relação ao entendimento do pós-morte e mesmo que um secreto pensamento nos advirta que existe muito mais além-túmulo o orgulho nos tolda a visão e precisamos através de anestesias morais nos desvencilharmos dessa consciência que cobra e reflete o que somos em essência. Muito se tem falado sobre a destinação do homem e mais ainda, como ele deveria se comportar no pós-morte. Mas a pergunta que realmente deve pairar na nossa mente é: o que estamos fazendo de fato hoje para construirmos um porvir melhor?

Neste momento a mediunidade se apresenta como uma ferramenta de trabalho para nos mostrar que o porvir é fruto constante do nosso plantio atual. Que a criatura frente a si mesmo nas comunicações mediúnicas verifica o que está acontecendo consigo, quais as consequências e quais os meios de mudar a situação. Hoje a mediunidade traz o entendimento de que estamos encarnados com uma finalidade que não é sofrer. Na verdade, o Mestre Rabi já nos apresentou esta perspectiva há mais de dois mil anos quando nos ofertou as curas espirituais de quantos se apresentavam a ele e que através destas mesmas curas encontraram alento de vida e possibilidade de mudança de conduta.

A mediunidade caracteriza-se das mais variantes formas e não tem um médium igual ao outro. As características de personalidade, intelectualidade e moralidade influem definitivamente na sua prática. O ser humano burila-se através dos fatos mediúnicos. Vivenciam-nos e impregnam-se do hálito do amor divino que constitui a esperança no porvir através do aconchego amoroso da espiritualidade maior quando do acolhimento dos que se encontram perdidos dos sentimentos divinos de amor e paz.

Catalogando as criaturas em médiuns ostensivos e não, verificamos que no primeiro grupo encontram-se aqueles que articulam com mais facilidade um intercâmbio com mundo espiritual. Destes, uma parcela executa o trabalho em bases doutrinárias de respeito e cordialidade. Enxergando nos desencarnados a si mesmo, que naquele momento buscam ajuda e desejam que os outros tenham respeito pelas suas dores.

Alguns equivocados sobre o assunto afirmam que o médium sofre por ser médium. Manoel P. de Miranda (psicografia de Divaldo P. Franco) no livro Mediunidade: Desafios e Bênçãos, cap. 8, Qualidade no exercício mediúnico, nos afirma: “Tropeços, instabilidade, desgostos, sofrimentos não são dos médiuns exclusivamente. Todas essas e outras ocorrências fazem parte do processo de evolução dos Espíritos comprometidos com as Soberanas Leis.” Sempre poderemos contar com o afeto, a gratidão e ajuda dos Espíritos que nos utilizam nas comunicações mediúnicas.

Outros defendem que os processos de patologia e até de loucura são decorrentes da mediunidade. Encontramos no Livro dos Médiuns, livro basilar para todo aquele que deseja se empenhar neste trabalho de forma correta, em seu capítulo XVIII – Dos Inconvenientes e Perigos da Mediunidade, especificamente no item 221 a explicação sobre tais indagações. Entendemos por bem, sim é esclarecer que a criatura não será um doente por ser médium. Antes reverterá processos de doença em virtude da execução do trabalho. Não por sermos seres privilegiados, mas porque ao executarmos o trabalho com amor nos candidatamos ao processo de cura. O real processo de cura que ocorre de dentro para fora através da mudança de conduta e realinhamento com as Leis Divinas.

A própria loucura tão bem explicada por Bezerra de Menezes, que assume o pseudônimo de Max no livro A Loucura sob Novo Prisma que nos explica que existe a loucura física e a loucura psíquica, sendo esta última à obsessão propriamente dita. Se reencarnamos com matrizes espirituais para determinados distúrbios não será a mediunidade a causa da concretização. O desenvolvimento de qualquer situação desairosa na criatura decorre das vinculações estabelecidas desta mesma criatura com as Leis Divinas e o processo de desalinho moral estabelecido outrora que fará com que a criatura seja reconduzida ao processo de evolução constante.

Ser médium serve como referencial de vida para aqueles que compreendem o trabalho executado e de que forma este trabalho pode fazer a diferença nas atitudes tomadas perante a vida. Estar com o outro num contato mais íntimo, nos quais, nós médiuns, mergulhamos em seus pensamentos e eles de sua parte mergulham nos nossos imantando-se dos nossos fluidos e transmitindo os seus sentimentos. Processo que se estabelece com toda criatura que realiza o trabalho da mediunidade. Amiga mediunidade, companheira de todas as horas que nos mostra carinhosamente o caminho a seguir. Fiel representante das Leis em nossas vidas, orienta-nos de que forma deveremos realizar a modificação íntima, pois esta é a proposta da Doutrina em nossas vidas: renovação constante rumo a perfeição.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Setembro de 2015

A ingratidão

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Octávio Caúmo Serrano

Quem nunca foi vítima deste mal? É tão comum, que há quem diga que o favor é a véspera da ingratidão! Que preocupação isto deve nos causar? Na verdade nenhuma; a não ser que o autor sejamos nós. Se habitualmente cometemos esse deslize, apressemo-nos em corrigir-nos. Mas o outro!… Não é problema nosso.

Aprendamos a interpretar a lei de ação e reação, base para as alegrias ou tristezas, com conselhos que nem sempre compreendemos. Ficamos magoados com o mal que nos fazem, quando deveríamos nos preocupar com o mal que fazemos aos outros! Somos responsáveis por nossas ações porque é em nossa consciência que se instala o remorso. Vale para a ira, a vingança ou a ingratidão.

Quem faz um favor, deve alegrar-se por ter feito o bem.  Todo o mérito dessa atitude fica registrado na alma e causa felicidade ao pensar como foi bom ser útil. Nunca desperdicemos uma oportunidade de servir e nem esperemos a gratidão do beneficiado para sentir o sabor de alegria que o ato proporciona. Vale lembrar o provérbio chinês: “Fica sempre um pouco de perfume na mão de quem oferece flores!” Se o outro é mal-agradecido, um ingrato, problema dele. Passamos a ter no Céu um crédito por algo não recebido na Terra. Quem sabe a troca seja até vantajosa! Ajudará a saldar outras dívidas em momento mais importante.

Freud, o psicanalista, explicava que quem deve um favor tem pressa de tornar-se inimigo, porque estará isentado da retribuição. Afastando-se do benfeitor, não ficará inferiorizado pelo favor recebido e nem terá necessidade de retribuir-lhe ou encará-lo como benemérito. É feio, mas é comum. Dizem que a ingratidão é a defesa de quem não sabe lidar com o afeto. Fiquemos atentos aos favores recebidos para não sermos ingratos. E quanto ao bem que fazemos, não esperemos por retribuições ou agradecimentos. Cada um dá o que tem e faz como sabe, segundo a sua capacidade, convicção e interesse! Sirva e siga em frente.

Jornalista e poeta

Jornal Correio da Paraíba – 08/09/2015

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