Saudade

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Página para leitura introdutória do Estudo desta quinta-feira, 29/10/2015, no Centro Kardecista “Os Essênios”.

27 – SAUDADE

É natural a saudade pelos entes queridos que demandaram outros caminhos além da morte.

No entanto, essa saudade não pode ser convertida em doença. Em inanição espiritual diante da luta que prossegue.

Converter a saudade em esperança no trabalho enobrecedor é a melhor maneira de se aprender a conviver com ela.

Quando não se transforma em desespero, saudade é manifestação de amor na constante lembrança daqueles que nos são incentivos à vida.

As lágrimas da saudade nunca devem ser as do desespero.

A saudade dos que amamos deve ser o nosso pão de cada dia no anseio de reencontrá-los.

Porém, para que nos seja alimento à esperança, a saudade carece de assemelhar-se em nós às rosas que desabrocham entre os espinhos.

Invés de amargura no coração, que a saudade daqueles que partiram nos conduza ao serviço do bem, com base nos exemplos dignificantes que eles nos legaram.

Muitos espíritos se submetem ao sacrifício da desencarnação prematura no intuito de despertar os que amam no mundo para as realidades da vida imperecível.

A saudade excessiva é egoísmo que enceguece, impedindo que o homem enxergue os que, à sua volta, permanecem na expectativa do seu carinho.

A saudade no coração que confia é feito o orvalho na corola da flor recendendo a perfume nas manhãs banhadas de sol.

Livro “Lições da Vida”
Irmão José pelo médium Carlos A. Baccelli.

A infância

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A propósito do dia das crianças, divulgamos 5 minutos de esclarecimento sobre a infância. Ouçam:

Inspiração ou Intuição

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Por: Francisco Aranda Gabilan      Nº 760     Maio de 2000

Determinadas matérias tratadas na exposição da Doutrina Espírita muitas vezes perecem sem importância, mas nunca será demais saber o exato sentido e praticar a correta aplicação dos termos.

É o que acontece com a aplicação das expressões INTUIÇÃO e INSPIRAÇÃO: há alguns companheiros da exposição doutrinária, seja na área do ensino, seja na da divulgação, que acham (e, o que pior, passam adiante) não haver nenhuma diferença entre ambas.

Mas, com licença de suas luzes, há diferença – e muita! São coisas diferentes, com diferentes sentidos e de efeitos diferentes.
Vejamos, não com nossas próprias convicções – pois que, como diz o ditado popular, “santo de casa não faz milagres” – mas trazendo o quanto nos ensinam os entendidos e doutrinadores.

·                  INSPIRAÇÃO:

o       Uma definição leiga: “Inspiração – sugestão, insinuação, conselho”, ou “Inspirar – incutir, infundir, insuflar, introduzir” (Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, Vol. 2 Ed. Enciclopédia Britânica). Atende-se para a etimologia (origem) dessa palavra, que vem de inspirare, ou “introduzir ar”, quase o mesmo que assoprar.

o       Agora, a doutrina: “A inspiração é a equipe dos pensamentos alheios que aceitamos ou procuramos” (Seara dos Médiuns, “Faixas”, Emmanuel. F.C. Xavier, FEB – 4ª edição, pg. 125, discorrendo sobre o capítulo “Evocações” do O Livro dos Médiuns).

o       Léon Denis (O Problema do Ser, do Destino e da Dor, FEB, 1993, cap. 21, pg. 334), sobre a inspiração: “uma das formas empregadas pelos habitantes do mundo invisível para nos transmitirem seus avisos, suas instruções (…). Pela mediunidade o Espírito infunde suas ideias no entendimento do transmissor”.

o       “É o recebimento espontâneo de ideias, pensamentos, concepções, provindo de Espíritos…” (Dicionário Enciclopédico de Espiritismo, Metapsíquica e Parapsicologia, Ed. Bels. 1976, 3ª ed., João Teixeira de Paula).

o       Ressalte-se: é espontâneo, logo, não precisa evocação, nem pedido de auxílio; é um socorro imediato e de bom grado.
Em conclusão claríssima: Inspiração é a transmissão dos pensamentos e mensagens de uma mente para outra, “um assopro” do desencarnado para o encarnado possa livremente dispor de uma determinada figura, de uma ideia, de um quadro mental.

·                INTUIÇÃO:

o       Consulte-se Plantão, que fundamenta a intuição na preexistência (reencarnações anteriores), segundo a síntese trazida por Adolfo Bezerra de Menezes, em A Loucura Sob Novo Prisma = Estudo Psiquíco-fisiológico, FEB, 8ª Ed. – 1993, cap. 1, pg 19: “Antes de virmos a esta vida, já tivemos outras, e no tempo intermediário, que passamos no mundo dos Espíritos, adquirimos o conhecimento das grandezas a que somos destinados; donde essa reminiscência, a que chamamos intuição de um futuro, que mal entrevemos, envoltos no véu da carne”.

o       Segundo Ney Lobo, em Filosofia Espírita da Educação e Suas Conseqüências Pedagógicas (Ed. FEB, 1993, pg. 92), “A intuição é instrumento de prospecção do fundo anímico do educando, das camadas sedimentares de perfeições e imperfeições acumuladas nas existências anteriores”.

o       No livro Allan Kardec, Zêus Wantuil (ex-presidente da FEB), cuidando da mediunidade atribuída ao Codificador, afirma que “a intuição é a fonte de todos os nossos conhecimentos(…)”, referindo-se aos conhecimentos que o Ser angaria ao largo de todas as suas experiências anteriores (cap. 3, pg. 41).

o       Dentre as várias abordagens do Livro dos Espíritos sobre a intuição , colhemos apenas a contida na questão nº 415, quando Kardec pergunta aos Espíritos qual a utilidade das visitas feitas durante o sono, se não nos lembramos sempre delas: “De ordinário, ao despertardes, guardais a intuição desse fato, do qual se originam certas ideias que vos vem espontaneamente, sem que possais explicar como vos acudiram. São ideias que adquiristes nessas confabulações”. (46ª edição, FEB, tradução de Guillon Ribeiro).

o       E, afinal, o próprio Kardec, em A Gênese, Cap. XI, Doutrina dos Anjos Decaídos, item 43 (20ª ed. FEB, idem) falando das emigrações e imigrações dos seres espirituais ao largo dos tempos, afirma que alguns “são excluídos da humanidade a que até então pertenceram e tangidos para mundos menos adiantados, onde aplicarão a inteligência e a intuiçãodos conhecimentos que adquiriram (…)”. E, pouquinho mais adiante, no mesmo item, Kardec é categórico: “A vaga lembrança intuitiva que guardam da terra donde vieram é como uma longínqua miragem a lhes recordar o que perderam por culpa própria”. Com o mesmo sentido dizem os espíritos, na questão 393, sobre a “lembrança” (pela intuição) que os Espíritos têm de suas faltas passadas ao reencarnar.
Nada_mais_claro_resta: A intuição é o conjunto de conhecimentos próprios adquiridos ao largo das múltiplas experiências do Ser, que lhe aflora à mente espontaneamente, sem necessidade de ninguém lhe transmitir nada, pois que tais conhecimentos pertencem ao seu universo peculiar e subjetivo de conhecimentos.

Portanto amigos, quando formos pedir “ajuda” aos Espíritos, peçamos que eles nos inspirem bons pensamentos, não que nos “intuam”; quanto à intuição, é melhor pedirmos a Deus (e até aos Espíritos, por que não?!) que nos ajude a organizar nossos próprios conhecimentos para usarmos no momento preciso e, sobretudo, em favor do esclarecimento do próximo. Ou melhor ainda, ouvir a sábia orientação de Emmanuel, no livro O Consolador, questão 122, quando lhe foi perguntado “que se deve fazer para o desenvolvimento da intuição”, respondendo: “O campo do estudo perseverante, com o esforço sincero e a meditação sadia, é o grande veículo de amplitude da intuição, em todos os seus aspectos”.

E-mail: fagabilan@uol.com.br

O rico de verdade

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Octávio Caúmo Serrano   caumo@caumo.com

Com a morte de minha esposa, há três anos assumi o comando do Centro Kardecista “Os Essênios”, de Manaíra, João Pessoa, fundado em 1997; sessenta dias após chegarmos a esta cidade. O nome é homenagem ao povo que vivia junto ao Mar Morto, onde estão as ruínas do Qumran, local do achado em 1947 dos Manuscritos com hábitos dessa comunidade, semelhantes aos cristãos. Anteriores ao Cristo, viveram entre 140 a.C e 70 d.C. Segundo historiadores como Martin Larson, Robert Eisemann, John M. Allegro e tantos outros, a história do cristianismo é na realidade a história dos essênios. Viviam para servir. Diziam que só deveríamos temer uma guerra: A dos filhos das trevas contra os filhos da luz, travada no coração do homem. Ninguém nos faz mal a não ser nós mesmos. Não somos felizes porque nos perdemos por valores supérfluos e provisórios.

Ensinavam que o homem deve sonhar dentro da sua capacidade e necessidade, para que consiga sempre realizar o sonho. Quem tem ambições inatingíveis morre perseguindo o que jamais conseguirá obter. O verdadeiro rico não é quem tem muito, mas quem precisa de pouco. Lembro-me de um grego famoso, Diógenes, que fez voto de pobreza e só usava um manto, uma lamparina, um tonel onde dormia e uma caneca amarrada à cintura. As ver um menino beber água num riacho fazendo uma concha com as mãos jogou fora a caneca e disse: “Quanta coisa supérflua ainda trago comigo!”

Vemos entre nós quem possui centenas de roupas e sapatos, esquecendo-se que tem apenas um corpo e dois pés. Tem o que daria para vestir dezenas de pessoas ou o que lhes bastaria por muitas encarnações. Não pode ir a uma festa repetindo o traje da anterior, mas pode ir a todas as festas repetindo a mesma vaidade, a mesma ignorância e o mesmo complexo de superioridade; a mesma mediocridade e ilusão sobre si mesmo porque não se conhece. Há quem valorize a embalagem mais do que o produto. Rico é quem é simples. Libertemo-nos do inútil e seremos mais felizes! Jesus, Gandhi, Madre Teresa e Chico Xavier, são alguns que demonstraram isso na prática!

Jornalista e poeta

Jornal Correio da Paraíba – 7/10/2015

Vinculações mentais

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Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante – walkiria.wlac@yahoo.com.br

Aprendestes que foi dito aos antigos: “Não cometereis adultério. Eu, porém, vos digo que aquele que houver olhado uma mulher, com mau desejo para com ela, já em seu coração cometeu adultério com ela.” (S. Mateus, cap. V, vv.27 e 28.)

Esta passagem de Mateus encontra-se encabeçando o capítulo VIII, item 5 de O Evangelho Segundo o Espiritismo: Pecado por pensamento – Adultério. Quando lemos este capítulo, a primeira vista, podemos ter a impressão que ele trata somente da visão restritiva do adultério que está vinculada ao casal, mas existe um sentido mais amplo, pois conforme definição do dicionário. Proibirem a palavra adultério também significa: “Viciar dolorosamente a qualidade de uma coisa, juntando-lhe outras mais ordinárias que passam despercebidas à simples vista.”

Partindo da visão restritiva caminharemos para a visão mais ampla do significado. As relações humanas são constituídas de vários aspectos. Nós criaturas humanas trazemos vários elementos que nos constituem, alguns destes não temos interesse ou realmente não desejamos que os outros conheçam. Joanna de Ângelis fala-nos das máscaras que utilizamos nos mais variados agrupamentos para poder conviver com as pessoas. Então são personalidades diversas que tem representatividade na família, no trabalho, no centro espírita, no grupo de amigos, etc. O que ocorre é que estas máscaras, com o passar do tempo e do próprio conhecimento crístico em nossas vidas devem ser reduzidas ao ponto que seremos as mesmas pessoas em todos os locais.

Casamos com a imagem que o outro projeta para nós e com a parte desta imagem que queremos enxergar. Quando agregamos a isso outros interesses que não são de cunho emocional elevado ou desejo de junção para aprendizado mútuo e progresso, tais uniões se tornam estéreis, sucumbindo ao mais sutil vento que possa vir a soprar como prelibar de uma intemperança maior.

Particularmente discordamos da afirmação que as criaturas estão se relacionando pior com relação ao casamento hoje do que antigamente. O que ocorre é que estão chamando de casamento uniões desprovidas de profundidade que levam as criaturas a processos de tristeza e crises; mas ao contrário, as uniões granjeadas na simpatia mútua fazem com que as criaturas se elevem moralmente, fortalecendo sim, neste momento de processo evolutivo que se traduz de forma tão dolorosa em virtude de todas as agruras sociais que vivenciamos.

O Evangelho nos diz que não devemos separar o que Deus uniu. Mas sabemos que em virtude de vinculações mentais que estabelecemos não com o que a criatura mostra, mas como tal qual é, uniões são formadas e nos encontramos, em determinado momento, envolvidos com desnecessário nesta situação: o adultério. O Livro dos Espíritos na questão 281 nos traz: “Por que os Espíritos inferiores se comprazem em nos induzir ao mal? “Pelo despeito que lhes causa o não terem merecido estar entre os bons. O desejo que neles predomina é o de impedirem, quanto possam, que os Espíritos ainda inexperientes alcancem o supremo bem. Querem que os outros experimentem o que eles próprios experimentam. Isto não se dá também entre vós outros?”

É interessante, vivemos situações que buscamos, sejam decorrentes de atos desta encarnação ou de outra. Por vezes nos encontramos num casamento feliz, equilibrado, estamos centrados, mas como a questão nos fala, criaturas que não estão felizes consigo mesmas e não querem estar sozinhas começam a nos apresentar as facilidades do caminho nos desestimulando a viver a vida que estamos vivenciando. O equilíbrio para alguns representa causticante calor, porque algumas criaturas querem viver no ápice o tempo inteiro, esquecendo-se de que se isso fosse possível o corpo responderia através das doenças, em virtude das substâncias exaradas nestes momentos de excitação.

Como também e neste momento caminhando para o entendimento da palavra adultério de forma mais ampla, verificamos que adulterar é enganar o outro. É agir de caso pensado, fazendo com que o outro incorra em erro. Alguns que fazem isso afirmam que todos possuímos o livre arbítrio e que cada um é capaz de discernir o que deve ou não deve fazer, como se assim pudesse se isentar da culpa. Mas somos responsáveis também pelo induzimento ao erro cometido pelo outro. Se o outro falir por nossa indução, somo co-responsáveis pelos erros cometidos.

O Evangelho no referido capítulo, no item 7 nos fala sobre as consequências do mau pensamento mesmo que nenhum efeito tal pensamento produza. Destacamos a seguinte frase da explicação a esta pergunta: “Todo pensamento mal resulta, pois da imperfeição da alma…” Naquele que nem sequer pensa no mal, já há progresso realizado; naquele que pensa, mas não realiza o progresso está em vias de se fazer e naquele que pensa, mas não faz porque o outro não se permitiu enredar nas redes do mal ou porque as próprias Leis Divinas pouparam o outro, esta criatura ainda está no início do processo de entendimento.

Todos os nossos atos provocam ressonância, mesmo aqueles que só a nossa consciência é testemunha. São pensamentos que se associam a outros pensamentos e concretizam em atitudes o que desejamos nos refolhos da alma. Não nos espantemos quando vemos criaturas que possuíam um comportamento e mudam repentinamente. Para alguns representa o início do processo de diminuição positiva das máscaras, assumindo-se tal qual é. Pois para avançarmos rumo à perfeição, primeiramente precisamos nos enxergar como somos para valorizarmos aquilo que possuímos de bom e reconhecermos e trabalharmos naquilo que precisamos melhorar. A doutrina espírita está em nossas vidas como rota consoladora a nos mostrar o caminho a seguir e de que forma chegaremos à perfeição.

Jornal O Clarim – Outubro de 2015

Clientelismo

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Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“A sombra coletiva, no entanto, prossegue inquietando, e os indivíduos, açodados pelo ego não superado, esperam o Messias que os liberte dos vícios e da indolência sem o auto esforço, que lhes conceda felicidade sem a ocorrência de vexames, sem lutas, esquecendo-se que, mesmo que tal absurdo se fizesse normal, não poderia impedir-lhes a ocorrência da morte física, o enfrentamento com a autoconsciência e com a Realidade. ” (Livro: Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda, cap. 28 – Mediunidade)

A questão da transferência para outro a solução de problemas que pertencem a própria criatura é algo que perpassa os tempos. Assim foi a época do Mestre Jesus quando queriam que os profetas, por estarem em contato maior com Deus (segundo o que o povo hebreu acreditava) trouxessem respostas prontas para as situações vividas. Jesus tendo ciência dos enfrentamentos com relação a isso deixou-nos as seguintes passagens:

A árvore que produz maus frutos não é boa e a árvore que produz bons frutos não é má; – porquanto, cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto. Não se colhem figos nos espinheiros, nem cachos de uvas nas sarças. – O homem de bem tira boas coisas do bom tesouro do seu coração e o mau tira as más do mau tesouro do seu coração; porquanto, a boca fala do de que está cheio o coração. (S. LUCAS, cap. VI, vv. 43 a 45.)

Pode parecer simplória e até rudimentar tal comparação. Pois imaginar que uma árvore produza frutos diferentes daquilo que ela é, seria irreal. Mas o contexto em que se apresenta é diferente. Nos dias atuais, com exceções dignas feitas, as criaturas vivem sem aprofundar as relações interpessoais, em geral, isto favorece ao conhecimento equivocado dos outros e de nós mesmos. Pois para fazermos parte de determinados agrupamentos sociais e até familiares começamos por nos moldarmos aquele agrupamento e a trilogia: atos, valores morais e razão fica prejudicada.

Os nossos atos decorrem dos valores morais que possuímos, estes por sua vez são forjados no juízo de valor que fazemos (razão). Destaque para os valores morais no sentido que eles são sedimentados em virtude de aprendizado de outras encarnações; das informações que nos são ministradas, acadêmicas ou não e fruto do aprendizado da convivência social. Quando mesmo a razão nos fornece os materiais necessários para um justo juízo de valor, mas os nossos valores morais estão mesclados com interesses egoísticos começamos por produzir atos que não se coadunam com a consciência. Fazendo assim, que a má árvore produza aparentemente bons frutos para o agrupamento que fazemos parte. Sabemos o que é o certo, mas produzimos o errado que é tido como certo pelas pessoas que nos rodeiam, pois isto supre os interesses momentâneos.

Tende cuidado para que alguém não vos seduza; – porque muitos virão em meu nome, dizendo: “Eu sou o Cristo”, e seduzirão a muitos. Levantar-se-ão muitos falsos profetas que seduzirão a muitas pessoas; – e porque abundará a iniquidade, a caridade de muitos esfriará. – Mas aquele que perseverar até o fim se salvará. Então, se alguém vos disser: O Cristo está aqui, ou está ali, não acrediteis absolutamente; – porquanto falsos Cristos e falsos profetas se levantarão que farão grandes prodígios e coisas de espantar, ao ponto de seduzirem, se fosse possível, os próprios escolhidos. (S. MATEUS, cap. XXIV, vv. 4, 5, 11 a 13, 23, e 24; S. MARCOS, cap. XIII, vv. 5, 6, 21 e 22.)

A sede de novidade é grande na criatura. Somando-se a isso a dificuldade em lidar com as frustações, temos como resultado a busca incessante, em forma de clientelismos, das pessoas nas instituições religiosas, especificamente as espíritas, tentando encontrar nos palestrantes e nos médiuns principalmente respostas para as suas agruras, como se tais criaturas fossem detentoras de respostas sobrenaturais e que pudessem de alguma forma resolver os problemas da humanidade, como por um passe de mágica.

Somos criaturas falhas, que também experienciamos os nossos momentos de dificuldades e que transmitimos as mensagens evangélicas de acordo com o arcabouço moral que possuímos. Quando não conseguimos realizar algo, não significa que não possa ser realizado. Só não pode ser realizado naquele momento ou da forma como gostaríamos. Assim também o é com relações as dificuldades vividas durante a encarnação. Tudo segue um encadeamento lógico, necessário para a nossa evolução. Não podemos e não devemos estender a outros ombros situações que pertencem a nós resolver. Encontraremos sim, o apoio necessário para avançarmos, a orientação pontual sobre temas que possuímos dúvidas, mas jamais como deveremos fazer. Somos responsáveis por nós mesmos.

Antigamente elegíamos estátuas de barro para glorificar, hoje, algumas criaturas equivocadas o fazem com relação aos palestrantes e aos médiuns. Da mesma maneira existem criaturas tão equivocadas que se auto intitulam salvadores da humanidade ou o próprio Cristo como a passagem evangélica nos traz. Assim, vemos pessoas desistindo do movimento espírita (a caridade esfriando), pois não elegeram como móvel norteador a doutrina, mas as pessoas que proferem esta fé vida.

Quanto maior o conhecimento e o discernimento mais fácil torna-se a compreensão da criatura diante da vida e mais fácil torna-se a caminhada. Necessitamos redobrar a vigilância, para como o Evangelho nos alerta no cap. XX, item 4 – Missão dos Espíritas: “Só lobos se prendem em armadilhas de lobos.” Se algo de sobrenatural pode acontecer, será a presença constante do Mestre Jesus em nossas vidas. Faz mais de dois mil anos de presença física entre nós, mais foi tão intensa que é como se ainda ele convivesse conosco. E ainda convive, sua presença amorosa e lumirífica nos envolve a todos constantemente. Tenhamos fé em Deus. Acreditemos que não estamos desamparados e que por mais turbulosa que a passagem sobre a Terra nos pareça, tenhamos a certeza que não estamos sozinhos, que o Mestre amado nos acompanha os passos bem de perto, nos sustentando e amparando. Não precisamos endeusar ninguém. Temos Deus em nossas vidas, temos Jesus a nos mostrar o caminho a seguir.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Outubro de 2015

Doação ou faxina

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Doação ou faxina            Octávio Caúmo Serrano

“Não faça ao outro o que não quer que lhe façam.”

As pessoas são sempre chamadas a colaborar com entidades que prestam algum tipo de assistência aos carentes. Pode ser com dinheiro, alimentos, roupas ou brinquedos e aparelhos em condições de uso. Normalmente as instituições não têm oficina de consertos nem pessoas que se dediquem aos trabalhos de reparo de alguma oferenda com defeito.

É neste aspecto que precisamos contar com o bom senso e o respeito das pessoas que fazem as ofertas. Que antes de oferecer ao Centro Espírita, por exemplo, verifiquem se a peça é imprestável ou irrecuperável. Se assim for, coloque no lixo reciclável em vez de entregar à instituição beneficente.

Quantas vezes recebemos livros didáticos, pornográficos ou estranhos ao Espiritismo, como doação. Em diferentes oportunidades recebemos roupas sujas ou resgadas, sem botão, zíper quebrado e alimentos vencidos sob o nome de donativos. Ficou claro que a pessoa fez limpeza e pegou tudo o que não prestava e entregou ao Centro. Mandou para o endereço errado.

Aprendi muito com a minha saudosa esposa que a vida inteira costurou para os pobres e fazia casaquinhos, sapatinhos, tocas e outras peças de crochê. Se o trabalho estivesse sendo finalizado e ela encontrasse um ponto falho no crochê ou tricô, ela desmanchava e começava de novo. E se alguém estranhasse o seu rigor, ela explicava: – Só ofereço a uma criança pobre aquilo que usaria no meu próprio filho.

Tinha também colaboradoras para fazer shorts e camisinhas para bebês ou crianças de orfanatos. Se as costuras não estivessem rigorosamente como ela recomendava, devolvia ou ela mesma desmanchava e refazia. Mas nunca deu nada de qualquer jeito com a desculpa que era para um pobre. Enfeitava com bolsos, porque, dizia ela, criança gosta de guardar neles balas ou bolinhas de gude, e ela mesma se imaginava a criança rindo contente com a mão no bolso. Creio que ela ficava mais feliz do que os próprios pequenos que recebiam os donativos.

Todas as pessoas que fazem este tipo de trabalho, construindo com as próprias mãos e não apenas como mandante ou administrador, sabem o que estou falando porque, fatalmente, sentem a mesma alegria. Veem sempre a roupa recheada com a criança que irá usá-la a desfilar garbosa.

Você que não faz nenhum trabalho pessoalmente, mas que colabora com as instituições, tenha sempre respeito por quem recebe, como fazia minha mulher, imaginando que cada criança é o seu próprio filho e você gostaria de enfeitá-lo com o melhor e o mais bonito.

Não confunda doação com limpeza. Se quiser libertar-se de algo imprestável saiba que o Centro Espírita, ou qualquer instituição beneficente, nunca será o endereço recomendado. Lixo se manda para o lixo!

Jornal O Clarim – Outubro de 2015

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