A Vinha do Senhor, para nós que seguimos as lições deixadas por Allan Kardec, pode ser entendida como o Centro Espírita. É ali onde as pessoas se reúnem para fazer o bem, nas suas múltiplas modalidades, de acordo com as condições de cada instituição, local onde atua, público que atende e possibilidade que tem para realizar os diferentes trabalhos necessários à comunidade que assiste.

No Centro Espírita encontramos os trabalhadores da primeira, da quinta, da undécima e de todas as demais horas. Há jovens, outros mais maduros e pessoas já no quarto final de sua existência. Uns que chegaram há tempo, outros recém-desembarcados no porto do amor e da caridade, dispostos a fazer o que sabem e o que podem.

Ali encontraremos o presidente, que empresta seu nome como pessoa física responsável pela entidade, quem ajude na faxina, quem receba os espíritos, os palestrantes e professores, recepcionistas, os atendentes e encaminhadores para tratamento, passistas, preparadores da sopa, encarregados do bazar, dos enxovais, do aprimoramento espiritual para os que já sentem o afloramento mediúnico que precisa ser disciplinado, o encarregado da livraria, da biblioteca, e tantos outros colaboradores para as múltiplas atividades que podem ser encontradas nesses abençoados locais. Todos voluntários e sem salário amoedado.

– Qual desses serviços é o mais importante? – Palestrante, médium, atendente fraterno, Presidente, faxineiro? – Qual? Respondemos que nenhum trabalho é mais importante do que o outro. O conjunto é como a engrenagem de uma aeronave, onde cada pequeno parafuso é importante para que ela não despenque e se mantenha em equilíbrio. Sem um local higienizado, não há condições para se fazer o trabalho naturalmente. Dito isto, todos recebem o mesmo salário espiritual, imaginamos.

Não. Nem todos recebem igualmente. Uns recebem mais do que outros. Os que recebem mais são os que fazem seu trabalho com alegria, gratidão, felizes por servir e contentes por ter despertado, o que ainda não aconteceu com a maioria. A porta estreita da entrada do bem está cada dia menor e os que conseguem passar por ela devem agradecer aos Céus. São privilegiados!

Recebe um salário espiritual maior o que é humilde, faz do seu compromisso uma prioridade de vida; sempre está pronto para servir, substituir um confrade em impedimento; apresenta-se espontaneamente quando percebe que há trabalho sem trabalhador. É fiel na vigilância do que já sabe e vive no dia a dia, consciente que o trabalhador deve testemunhar nas vinte e quatro horas. Mais do que o próprio trabalho que faz, ele dá testemunho com seu procedimento em qualquer lugar onde esteja. Na rua, no trabalho, na escola, no templo. Ele é sempre igual e é gentil sem afetação e sereno com naturalidade. Esse é o que recebe o salário mais alto, tenha chegado à primeira ou à última hora. Além de divulgar, ele próprio, pela conduta, é a mensagem viva.

Honremos a Vinha do Senhor dos Espíritas, o nosso Centro, onde semeamos o colhemos permanentemente. Saibamos reconhecer a importância da nossa colaboração e aprendamos a constatar como somos protegidos e blindados contra o atual estado apocalíptico em que vive o mundo. O caos grassando à nossa volta e nós mantidos em calma. É a fé demonstrada em todos os momentos da existência.

Verifique como é a sua atuação no Espiritismo e confirme se não deseja receber um salário espiritual maior; os bônus-hora mencionados por André Luiz, cuja consulta no livro próprio, Nosso Lar, seria muito esclarecedora para o leitor. Para ganhar mais é preciso trabalhar mais. Seja na Terra, seja no Céu! Há séculos que nos aconselham a aproveitar a vida porque ela é uma só. É verdade! E é eterna! Pois então aproveitemos. Só que, diferente do que eles nos recomendam, juntemos o mais que pudermos tesouros no Céu. Os da Terra, o ladrão rouba, a ferrugem corrói e a traça consome. São efêmeros e simples ouropéis. Morrem por si próprios; só os valores da alma é que são eternos.

Jornal O Clarim – novembro de 2015