RIE_Novembro

Mediunidade não é privilégio de encarnado. Somos todos médiuns e o seremos por toda a eternidade.

A maior prova de que todos os espíritos são médiuns é a possibilidade da interferência de outros em seu pensamento, sugerindo-lhes atitudes boas ou más, conforme a afinidade entre o seu padrão moral e o do outro. E isso se dá independentemente de estar ou não encarnado.

Para nós a humanidade vive em dois planos simples: o dos encarnados e o dos desencarnados. E os mortos de hoje serão os vivos novamente. É o pensamento comum, embora alguém já filosofasse se não seriam os vivos os mortos e os que estão mortos aqueles de verdade vivos.

Há Espíritos que argumentam que nós vivemos no interior do planeta. E quando discordamos, que estamos sobre o solo, presos pela lei da gravidade, eles dizem que a Terra que vemos é pequena parte da Terra. Com os olhos físicos, vemos seu corpo, mas não vemos o seu espírito. Explicando melhor, não vemos as várias camadas espirituais que a compõem, das mais grosseiras às mais sutis, onde vivem espíritos de múltiplas hierarquias, pelas diferentes evoluções.

Dizer que conhecemos a Terra é como alguém olhar para nós pensando que por ver a nossa fisionomia num retrato, nos conhece. Mas não nos conhece realmente porque não vê nossa alma nem pode ler nossos pensamentos ou aferir nossos sentimentos. Nada sabe do nosso passado espiritual. O que se vê com o olho carnal é a embalagem, não o que somos. O que vemos da Terra é a sua parte “encarnada”.

Nas camadas mais próximas da crosta vivem espíritos tão materializados que se sentem humanos como os que estão na carne. Precisam alimentar-se, divertir-se, fazer o mal e quase sempre são manipulados pelo plano das trevas para desestabilizar as almas bem intencionadas que desejam melhorar. Tais forças combatem o Cristo como seu pior inimigo!

Os que estão nessa faixa, mas já com relativa espiritualização, servirão de médiuns para receber instruções dos que estão em condição imediatamente superior. Como os médiuns encarnados que trazem notícias dos benfeitores para auxiliar no progresso da humanidade. O que está no primeiro Céu recebe orientações dos benfeitores do segundo Céu e assim sucessivamente. Por isso dissemos que Jesus que está no plano divino, habitado pelos Espíritos puros, mais próximos de Deus, é um dos médiuns governadores de mundos que recebem instruções diretamente do Criador.

Independentemente do progresso natural, sabemos que há Espíritos que vêm ao planeta em missões, como fez Jesus por diferentes oportunidades. Emmanuel já estaria reencarnado em São Paulo desde o ano 2000. O professor Denizard já era um espírito de grande conhecimento e sabedoria, pois antes da vinda do Cristo ao plano físico ele já era Allan Kardec, sacerdote entre os druidas, nas Gálias, povo bastante evoluído. Outros espíritos, como Sócrates, Luther King e Bezerra de Menezes já seriam espíritos de mundos adiantados que reencarnaram no planeta com a missão de ajudar a humanidade ainda muito atrasada. A doutrina de Sócrates, para dar um exemplo, é esboço do Espiritismo que nos chegaria pelo Codificador.

Chico Xavier disse certa vez que na espiritualidade, após seu desencarne, gostaria de atuar novamente como médium. Essa prática, além de trazer informações importantes para os que o rodeiam, beneficia o próprio médium com o conhecimento dessas revelações. Grande parte da sabedoria do Chico deveu-se aos contatos mediúnicos com os seus orientadores.

Como consequência desse conhecimento que a espiritualidade nos traz, fica claro que ao sair do plano físico não vamos imediatamente para camadas muito superiores ao umbral da Terra, já que até a sonhada cidade do Nosso Lar se localiza ainda em camadas inferiores do planeta.

Se Chico Xavier, Teresa de Calcutá, Dulce da Bahia, Mohandas Gandhi e outros benfeitores que renunciaram a si próprios para amar o semelhante estão ainda em planos próximos da Terra, onde trabalham mais do que o faziam aqui, porque já conhecem a alegria de servir, imaginemos quanto esforço precisamos fazer nós os egoístas e orgulhosos, para subir algum degrau e pelo menos perceber que desencarnamos, sem ficar vagando pelas sombras. Se Jesus afirmou que tudo o que Ele faz nós um dia faríamos, e até mais, é porque até Ele está em evolução. E lembremos que quando a Terra foi formada, há bilhões de anos, Jesus já era um Espírito tão adiantado que passou a ser o Governador do novo mundo.

Certa vez perguntaram a José Raul Teixeira, o nosso lúcido confrade fluminense, para onde vamos quando morremos? Ele respondeu: – Para lugar nenhum. Por que temos de ser levados para algum lugar e depois ser trazidos de volta? Abandonamos o corpo que será sepultado ou cremado e permanecemos no planeta, dentro do estado vibratório que ainda nos encontramos. Na maioria das vezes, materializados como os encarnados.

Fica claro, portanto, que a evolução não cessa ao longo da eternidade e que a morte não liberta ninguém, se nós não nos livrarmos por transformações que definam exatamente aquilo que nos convém, com o desapego aos bens da Terra enquanto estamos presos a eles. “Onde puseres o teu tesouro, ali estará o teu coração”, nos ensina o Evangelho de Jesus.

Fala-se muito na transição planetária, mas não percebemos que cabe a cada um sair do mundo de provas e expiações e entrar no mundo de regeneração, por seus próprios méritos. A promoção não virá como brinde, mas por conquista. É questão de afinidade.

Finados. Tempo de visitar os parentes, que não moram nos cemitérios, embora seja ali que os homenageamos. Muitos deles continuam vivendo na nossa casa e em nossa companhia. Felizes os que já conseguiram libertar-se para alçar novos voos. Portanto, que a nossa saudade seja uma lembrança feliz, sem mágoa, sem revolta, sem tristeza, porque eles estão vivos e jamais conseguirão morrer. Como todos nós, eles também são imortais e estão evoluindo!

Neste mês em que são mais lembrados, enviemos aos mortos nossas bênçãos de amor para que se descubram e possam prosseguir na sua caminhada, livres dos vícios do mundo.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Novembro de 2015