Corpo e Alma

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Octávio Caúmo Serrano  caumo@caumo.com

Surpreende o aumento das doenças nestes tempos. Embora parte da explicação está na longevidade e no aumento da população, há outros fatores a ser considerados.

Nunca se viu tanto diabético, problemas com colesterol e triglicéride, câncer de mama, de próstata, de reto, de pele, estresses e depressões, cérebros atrofiados, viroses de toda ordem que é impossível defini-las. Some-se à angústia dos juros, pros ou contra, e ao cultivo do corpo em prejuízo da alma. Produtos de beleza feitos sabe-se lá com quê, alimentos “lights” e “diets” cheios de conservantes e artificialidades. Além dos ingeridos pelas vias normais, há venenos que se introduzem no organismo pelos poros, com os cremes de beleza, hidratantes, antirrugas, modeladores, etc. Somos esculpidos e as almas já nem se encaixam mais nos corpos.

Adoçantes sintéticos, agrotóxicos de toda ordem. Dia desses, em meu banheiro, era insuportável o gosto de inseticida que saia da torneira ao escovar os dentes. Estudos mostram que as quantidades de produtos para tratamento de nossas águas estão dez vezes acima do recomendado e do usado em países da Europa. E dizem que é potável!

Há um soneto de Olavo Bilac, Corpo e Alma, que diz: “Se tens uma alma e se essa alma criatura, que te foi dada como um grande bem, quer um dia ascender, ganhar altura, ser um astro no além…Tu tens um corpo e um corpo que procura rastear na lama que do instinto advém. Quando sem dó tragá-lo a cova escura, será lama também.” “Nessa finalidade, atende, ó louco! Corpo e alma são teus: a lesma e o astro; Um quer subir e o outro andar de rastro. Pois o que me surpreende e em que me espanto, É que do corpo que é nada, cuidas tanto E da alma que é tudo cuidas pouco!”

Dizem que não somos um ser humano numa  experiência espiritual, mas um ser espiritual numa experiência humana. Conviria investir mais no definitivo que no provisório. A forma a terra destrói; é efêmera; a essência ascende às alturas; é eterna!

Jornalista e poeta

Jornal Correio da Paraíba – 16/12/2015

 

 

Postura Espírita

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São Francisco de Assis já nos anos 1200 da nossa era dizia: “Tome cuidado com a sua vida, porque talvez ela seja o único Evangelho que o teu irmão irá escutar”.

Quem se serviu muito dessa frase foi Madre Teresa, a nobre senhora inglesa que decidiu abrir mão de todo o luxo para viver na sofrida Calcutá, na Índia, cuidando dos miseráveis da região. Dizia, com pequena variação, “vê como vives; talvez sejas o único Evangelho que o teu irmão tem pra ler”. Outros de diferentes doutrinas também a citaram.

Atualmente, além dos exemplos desses missionários, temos a doutrina dos Espíritos a explicar-nos com todas as letras sobre o que representa a vida na Terra.  Nós que hoje estamos encarnados vivemos um tempo de aprendizado e moralização e compete a nós decidir se andamos mais depressa ou mais devagar.

Já está no Livro dos Espíritos, que o mundo material poderia deixar de existir sem prejuízo da nossa evolução no mundo espiritual. Todavia, como ensina André Luiz, o tempo de encarnação na Terra é muito importante porque permite progresso mais acelerado, já que lutamos contra as dores refletidas também na matéria. As dificuldades são as provas para a nossa capacidade de aplicar os sentimentos da paciência, da resignação; em síntese, da fé.

Fala-se atualmente no movimento espírita, sobre a transição planetária, o que está levando a Terra a progredir de mundo de provas e expiações para mundo de regeneração. Quando começou e quando ficará pronta? Nenhum de nós pode responder com segurança, porque se trata de um ciclo longo, uma nova era, que não tem começo e fim definidos como os calendários da Terra. Ficamos todos felizes com a notícia que mais de 200 mil espíritos reencarnarão ao mesmo tempo no planeta para ser os dirigentes das nações. Há quem diga que os velhos e sábios druidas do tempo de Kardec estão retornando ao planeta físico.  Os próprios irmãos de Capela, mais evoluídos, viriam dar seu apoio. Imaginamos que com isto todos nós teremos vida melhor. Só não entendemos que a conquista de um lugar no novo mundo depende de cada um. Não é automática a nossa transferência para o mundo melhor, que precisa da nossa sintonia com o novo ambiente. Cada um terá de construir o seu próprio mundo de regeneração. Ou será como peixe fora d´água.

A única vantagem, e ela nos dá mais esperança, é que já temos as diretrizes que podem nos levar a essa conquista, caso decidamos aplica-las. Aprendemos com o Evangelho de Jesus, reforçado pela doutrina dos Espíritos, como se chega mais rápido à elevação espiritual. Aprendemos que sem o merecimento não adianta sonhar com favores porque na Lei de Deus eles não existem sem que haja a construção pelo próprio interessado. O que há, sem dúvida é grande parcela de misericórdia para que colhamos muito apesar de oferecer pouco. Como a história da multiplicação de pães e peixes por Jesus. Multiplicou, mas precisou de alguns fornecidos pelo povo para aumentar-lhes a quantidade. Não partiu do nada porque quando multiplicamos a partir do zero, o resultado será sempre zero.

Feliz Natal e Ano Novo totalmente novo, em todos os aspectos!

Jornal O Clarim – Dezembro de 2015

Mea culpa

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¿Qué lo que buscamos, realmente, en el Espiritismo?

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

En el capítulo XXIII del Evangelio Según el Espiritismo, “Moral Extraña”, hay en los artículos 14 15 buenos asuntos para meditación. Muestra que el “Cristianismo apareció cuando el paganismo declinaba, debatiéndose contra las luces de la razón”. Aunque quedasen adeptos, la creencia aflojaba. Solamente los que tenían interés personal lo cultivaban. Y el Cristianismo naciente defendía su doctrina con violencia aún mayor que el paganismo.

El interés particular nos hace defender puntos de vista que afrentan a la razón, pero son convenientes, y vale la pena sostenerlos y combatir los que se oponen a ellos. Nos causan perjuicios aunque comprueben nuestros errores con racionalidad. Sabemos que estamos equivocados, sin embargo eso poco importa. La verdadera fe no nos interesa; tenemos miedo de la luz que aclara a los ciegos. La lección nos dice, aún, que como el error nos trae provecho nosotros lo defendemos.

Una de las facciones del Cristianismo fue el Catolicismo que quiso consolidar su creencia también con violencia. Las Cruzadas, con las Guerras Santas, y los tribunales de la Inquisición que punían a los que no pensaban como ellos, incluso quemándolos, demostraban ignorancia; se queman cuerpos, pero no se queman ideas, que permanecen y se esparcen cuando verdaderas. En el Auto de Fe de Barcelona, el 9 de octubre de 1861, no quemaron personas, sino libros, con miedo de las verdades que contenían. ¡Qué ingenuidad!

El Catolicismo también sufrió cisión. De él nació el Protestantismo por discordia con la doctrina católica. Viraron enemigos, cada uno defendiendo sus puntos de vista; más por ser convenientes y lucrativos que verdaderos. Tanto eso es real, que de cada una de esas iglesias nacieron muchas otras para divulgar los Evangelios por los capítulos y versículos que les eran más convenientes. Carismáticos, Testigos  de Jehová, Pentecostales, Metodistas, Presbiterianos, Asamblea de Dios, Bautistas, Universal; una variedad que no cabría en este texto. Cada día una nueva. Es solo tener un salón, fijar una placa afuera y esperar los sufridores, siempre abundantes por la transición planetaria por qué pasamos y también por la incapacidad que todos tenemos en administrar nuestra vida.

Como ninguna de esas iglesias tiene la receta cierta para solucionar los problemas humanos, analicemos particularmente los adeptos de nuestra doctrina nacida en 1857, el Espiritismo, ya que sus practicantes no se fugan a la regla. Pretendemos también ser dueños de la verdad y señores de elevadas revelaciones que el cielo jamás enviara a los hombres para su salvación.

Lo que vemos en nuestro movimiento son comportamientos que nada difieren de los demás religiosos. ¿Qué lo qué buscamos, realmente, en el Espiritismo? La mayoría busca solamente el pase, la charla o el agua con fluidos para curar todos los males. Los que tenemos alguna lucidez ejecutamos trabajos en el centro. Aplicamos pases, hacemos conferencias evangélicas, cosemos para los pobres o participamos de la sopa fraterna. Nos falta, sin embargo, preocupación con nuestro propio perfeccionamiento, razón primera de una encarnación.

Es muy triste vernos luchar por posiciones de jefatura, de destaque, con recursos que se asemejan a las artimañas político-partidarias en tiempos de elección. Defendemos puestos a hierro y fuego, engañando, mintiendo y haciendo lo que no quedan bien en un espiritista. Nuestra preocupación es ser importante para los otros y no para Dios.

Eso es más común que parece; nuestra dosis de vanidad es grande porque el ser humano de la Tierra aún es inferior. Entrar a una organización espiritista, simplemente, en nada mejora una persona, al no ser que permitamos que el Espiritismo nos sirva de guía. Tenemos una gran preocupación con la mejora del semejante, creyendo-nos grandes consejeros; sin embargo no hacemos como enseñamos a los otros.

Vamos a las tribunas como catequistas, dando recetas que no aplicamos en nosotros. Llenos de soberbia, porque conocemos algunos versículos a más, decimos frases de efecto y bibliografía, para, al final, recibir los inciensos que hacen bien a nuestro ego, poniéndonos a imaginar que somos especiales y que vivimos en niveles elevados, cuando comparados al común de los hombres. Pobres de nosotros que nos conocemos tan mal. ¿A quién engañamos?

Tenemos en las manos un tesoro llamado Espiritismo y no sabemos manejarlo. Llegamos hasta a hacer algo por los otros con base en esta extraordinaria doctrina, que revive la pureza de las lecciones de Jesucristo, sin embargo no dejamos que ella haga nada por nosotros. Nos escondemos bajo la capa del conocimiento doctrinario, pero flotamos lejos de la vivencia.

¿Cuándo el Espiritismo será la norma de conducta para sus adeptos? ¿Cuándo seremos ejemplos mostrados sin necesitar perdernos entre tantas palabras? ¿Cuándo seremos espiritistas mostrando y no solamente hablando? ¿Cuándo tendremos amor por el prójimo, aun cuando no simpaticemos con él, porque él no nos halaga? ¿Cuándo daremos al otro el derecho de tener su creencia, ya que anhelamos qué el otro acepte la nuestra? ¿Incluso en las familias? ¿Cuándo dejaremos de combatir quién no piensa con nuestra cabeza, porque nos imaginamos dueños de la verdad? ¿Pretensos seguidores de Jesucristo, cuándo seremos imitadores de Su conducta?

Mientras seamos papagayos de repetición, simplemente explicando como los otros deben vivir, no saldremos del lugar. Cuando las palabras no son completadas por los ejemplos no llegan al destino, pues carecen de convicción. Intentamos vender un producto que nosotros mismos no compramos. ¡Hablamos, pero no convencemos!

Los espíritus nos conocen bien porque escuchan nuestros pensamientos, no nuestras voces. Casi nunca pueden nos ayudar porque no comprendemos el idioma que ellos hablan. Ellos se comunican por el amor y nosotros por la simulación. Somos mansos mientras nos aceptan, pero violentos a la menor contrariedad. Amamos solamente a los que nos aman. Para los amigos todo; para los enemigos el desaire y la distancia. Pobre de nosotros, casi todos espiritistas sólo en apariencia. Tenemos mucho camino a recorrer antes de atrevernos a decir que entendemos la propuesta de la Espiritualidad Superior. Por ahora, hacemos tentativas en la esperanza de superar los contratiempos. Sin embargo estamos lejos de conseguir. Quien analizarse – sin falsedad – concordará que tenemos por lo menos un diez por ciento de razón. El tiempo es bueno para verificación. Vienen ahí la Navidad y el Año Nuevo. Felicidad para todos; ¡Ella es de este mundo, si la buscamos de manera correcta!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Deciembre 2015

 

Mea Culpa

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  • RIE_Dez_2015

O que  buscamos, realmente, no Espiritismo?

No capítulo XXIII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, “Moral Estranha”, há nos itens 14 e 15 bons assuntos para meditação. Mostra que o “Cristianismo apareceu quando o paganismo declinava, debatendo-se contra as luzes da razão”. Embora restassem adeptos, a crença enfraquecia. Só os que tinham interesse pessoal o cultivavam. O Cristianismo nascente defendia sua doutrina a custa de violência ainda maior que o paganismo.

O interesse particular nos faz defender pontos de vista que afrontam a razão, mas são convenientes, e vale a pena sustentá-los e combater os que se opõem a eles. Causam-nos prejuízos embora comprovem nossos erros com racionalidade. Sabemos que estamos errados, mas isso pouco importa. A verdadeira fé não nos interessa; temos medo da luz que esclarece os cegos. A lição nos diz, ainda, que como o erro nos traz proveito nós o defendemos.

Uma das facções do Cristianismo foi o Catolicismo que quis consolidar sua crença também com violência. As Cruzadas, com as Guerras Santas, e os tribunais da Inquisição que puniam os que não pensavam como eles, inclusive queimando-os, demonstravam ignorância: queimam-se corpos, mas não se queimam ideias, que permanecem e se espalham quando verdadeiras. No Auto de Fé de Barcelona, em 9 de outubro de 1861, não queimaram pessoas, mas livros, com medo das verdades que continham. Que ingenuidade!

O Catolicismo também sofreu cisão. Dele nasceu o Protestantismo por discórdia com a doutrina católica. Viraram inimigos, cada um defendendo seus pontos de vista; mais por ser convenientes e lucrativos que verdadeiros. Tanto isso é real, que de cada uma dessas igrejas nasceram outras tantas para divulgar os Evangelhos pelos capítulos e versículos que lhes eram mais convenientes. Carismáticos, Testemunhas, Pentecostais, Metodistas, Presbiterianos, Assembleia de Deus, Batistas, Universal; uma variedade que não caberia neste texto. Cada dia uma nova. É só ter um salão, fixar placa na fachada e esperar os sofredores, sempre abundantes devido à transição planetária por que passamos e também pela incapacidade que todos temos em administrar a própria vida.

Como nenhuma dessas igrejas tem a receita certa para solucionar os problemas humanos, analisemos particularmente os adeptos da nossa doutrina surgida em 1857, o Espiritismo, já que seus praticantes não fogem à regra. Pretendemos também ser donos da verdade e senhores de elevadas revelações que o céu jamais enviara aos homens para a sua salvação.

O que vemos no nosso movimento são comportamentos que nada diferem dos demais religiosos. O que buscamos, realmente, no Espiritismo? A maioria busca apenas o passe, a palestra ou a água fluidificada para curar todos os males. Os que temos alguma lucidez executamos trabalhos no centro. Aplicamos passes, fazemos explanações evangélicas, costuramos para os pobres ou participamos da sopa fraterna. Falta-nos, todavia, preocupação com nosso próprio aperfeiçoamento, razão primeira de uma encarnação.

É muito triste ver-nos lutar por posições de chefia, de destaque, usando de expediente que se assemelham às artimanhas político-partidárias em tempos de eleição. Defendemos postos a ferro e fogo, traindo, mentindo e usando de recursos que não ficam bem num espírita. Nossa preocupação é ser importante para os outros e não para Deus.

Isso é mais comum do que parece; nossa dose de vaidade é grande porque o ser humano da Terra ainda é inferior. Entrar para uma organização espírita, simplesmente, em nada melhora uma pessoa, a menos que permitamos que o Espiritismo nos sirva de guia. Temos um grande zelo na melhora do semelhante, acreditamo-nos grandes aconselhadores, mas não fazemos como ensinamos aos outros.

Vamos às tribunas com ares de catequizadores, dando receitas que não aplicamos em nós. Cheios de soberba, porque conhecemos uns versículos a mais, citamos frases de efeito e bibliografia, para, no final, receber os incensos que fazem bem ao nosso ego, pondo-nos a imaginar que somos especiais e que vivemos em elevados patamares, se comparados ao comum dos homens. Pobres de nós que nos conhecemos tão mal. A quem enganamos?

Temos nas mãos um tesouro chamado Espiritismo e não sabemos lidar com ele. Chegamos até a fazer algo pelos outros com base nesta extraordinária doutrina, que revive a pureza das lições de Jesus, mas não deixamos que ela faça nada por nós. Escondemo-nos sob a capa do conhecimento doutrinário, mas flutuamos distantes da vivência.

Quando o Espiritismo será a norma de conduta para os seus adeptos? Quando seremos exemplos mostrados sem precisar perder-nos entre tantas palavras? Quando seremos espíritas mostrando e não apenas falando? Quando teremos amor pelo próximo, mesmo que não simpatizemos com ele, porque não nos bajula? Quando daremos ao outro o direito de ter a sua crença, já que desejamos que o outro aceite a nossa? Inclusive nas famílias? Quando deixaremos de combater quem não pensa com a nossa cabeça, porque nos imaginamos donos da verdade? Pretensos seguidores de Jesus, quando seremos imitadores de Sua conduta?

Enquanto formos papagaios de repetição, simplesmente explicando como os outros devem conduzir-se, não sairemos do lugar. Quando as palavras não são emolduradas pelos exemplos não chegam ao destino, pois carecem de convicção. Tentamos vender um produto que nós mesmos não compramos. Falamos, mas não convencemos!

Os espíritos nos conhecem bem porque escutam os nossos pensamentos, não nossas vozes. Quase nunca podem nos ajudar porque não compreendemos o idioma que eles falam. Eles se comunicam pelo amor e nós pela simulação. Somos mansos enquanto nos aceitam, mas violentos à menor contrariedade. Amamos apenas os que concordam em nos amar. Para os amigos tudo; para os inimigos o desprezo e a distância. Pobre de nós, quase todos espíritas de fachada. Temos muito caminho a percorrer antes de nos atrevermos a dizer que entendemos a proposta da Espiritualidade Superior. Por ora, fazemos tentativas na esperança de superar os percalços. Mas estamos longe de conseguir. Quem analisar-se – sem falsidade – concordará que temos pelo menos dez por cento de razão. O tempo é bom para verificação. Vêm aí o Natal e o Ano Novo. Felicidade para todos; ela é deste mundo, se a buscarmos de maneira correta!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – dezembro 2015 

Suicídio moral

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Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante – walkiria.wlac@yahoo.com.br

 “Nenhuma jornada está isenta de dificuldades, de empecilhos, de tropeços. A queda é natural, mas o soerguimento é impositivo da marcha e Espírito algum pode permitir-se o luxo de desistir, porém, continuar tentando, de todas as formas possíveis, a realização dos compromissos libertadores.” (Livro Entre dois Mundos, cap. 11 – O Fracasso de Laércio. Divaldo Franco/Manoel P. de Miranda)

O suicídio físico ocorre quando a criatura leva seu corpo material à exaustão das forças físicas ou quando as dizima de uma forma abrupta. O suicídio moral ocorre quando a criatura caminha pelos vícios morais, mergulha neles e permite-se locupletar de mentes em desalinho, como a sua.

Na sociedade atual, vivemos um grande suicídio moral que atinge a jovens: criaturas sem experiência física, que não acreditam num porvir melhor, já macerados pelo desalinho familiar, acreditam que todos os prazeres se restringem aos físicos; adultos: que sobreviventes à angústia da juventude e dos caminhos ainda não palmilhados, vêem-se trilhando percursos escolhidos pelos outros (em alguns momentos) e não por si próprios, não conseguindo conviver com isso. Ressalvando que esta informação é uma inverdade, pois trilhamos os caminhos que nós queremos trilhar. E os velhos, que acreditam que já viveram uma vida de renúncia durante toda a encarnação e que agora podem se permitir desalinhos morais como forma de ressarcir o passado de sofrimento.

Ao lermos o texto que encabeça este artigo, lembramo-nos do cap. 125 – Filhos e Servos, do livro Caminho, Verdade e Vida. Emmanuel faz uma bela diferenciação entre o que vem a serem filho e servo de Deus. Que os servos são “… pessoas de suscetíveis interesses próprios.” e que os filhos “… possuem interesses comuns com o Pai.” Aquele que procura saciar seus interesses pessoais padece da angustia de os não ter conquistado, ou de não os ter conquistado naquele momento. Os que se colocam na condição de filhos compreendem a vontade do Pai e se submetem a ela. Sabendo que o momento presente representa uma fatia da vida como um todo. São processos vinculados. Por mais difícil que nos pareçam à situação, ela decorre de atitudes nossas do passado.

Especialista do comportamento humano, Augusto Cury, em entrevista (site: http://thesecret.tv.br/2015/09/nunca-tivemos-uma-geracao-tao-triste/#.VfWdjWIcKvI.facebook), fala-nos sobre a depressão entre as crianças e os jovens. “Nunca tivemos uma geração tão triste, tão depressiva. Precisamos ensinar nossas crianças a fazerem pausas e contemplar o belo. Essa geração precisa de muito para sentir prazer: viciamos nossos filhos e alunos a receber muitos estímulos para sentir migalhas de prazer. O resultado: são intolerantes e superficiais.” E permitimo-nos completar o pensamento do estudioso: criamos adultos que não aceitam perder, buscam ter sempre mais e acabam fazendo uso de substâncias psicotrópicas e outros correlatos para sentirem-se anestesiados em frente às derrotas naturais da vida, as quais todos enfrentamos. Pessoas bem ajustadas, os que se apresentam como filhos e não como servos absorvem bem as adversidades da vida, criando uma rota paralela de execução rumo ao objetivo visado que é a perfeição.

Aqueles que vivemos o período no qual tantos estímulos não existiam e que podemos compartilhar melhor da convivência doméstica, percebemos o quão importante é darmos valor as pequenas coisas da vida e como nos permitir impregnar de Deus, através das obras da sua criação, nos faz uma grande diferença. Isto não significa que os mais velhos todos vivemos em tal condição, mas significa que o padrão de vivência atual apresenta-se falho ante a necessidade real da criatura. Não é a tecnologia que nos traz problemas, é o uso que fazemos dela. O Livro dos Espíritos nos esclarece em sua questão 790, “a”: “É racional condenar a civilização? Condenai antes aqueles que abusam dela, e não a obra de Deus.”

O grave problema que verificamos atualmente é que as criaturas: jovens, adultos e velhos; por possuirmos tantas informações de forma tão rápida, não nos aprofundamos na compreensão do que tais informações querem nos trazer. Assim é na nossa vida de relação, assim é no nosso momento de comunhão com o Pai. É como se quiséssemos que tivesse um aplicativo de celular que pudéssemos baixar para o smartfone e através dele fazer com que as nossas vivas entrassem nos eixos. Pois, a felicidade é vendida atualmente “ao alcance de um clique” e isso faz com que a criatura acredite que também possa clicar no aplicativo Deus e a partir daí ter todos os problemas solucionados.

Sendo que com o passar do tempo verificamos que isso não acontece. Verificamos que por mais que tenhamos corações amigos a nos acompanhar a jornada, cabe a nós o quinhão que estamos vivenciando. “Enquanto se permaneça arrimado aos mecanismos escapistas do eu não consigo, do eu sou infeliz, do ninguém me ajuda, a existência transcorrerá sob penas e desaires. No momento, a partir do qual haja uma mudança de conduta mental e física para a ação dignificadora, tornar-se-ão viáveis as realizações de enobrecimento e de liberação.” (Livro Entre Dois Mundos, cap. 16 – O Santuário de Bênçãos, Divaldo Franco/Manoel P. de Miranda)

Vivemos o agora no melhor que podemos viver. O porvir é construído por nós somando-se o passado com o presente. Não podemos fugir as consequências de nossos atos. O futuro é nosso, cabendo-nos trilhar pelos caminhos que escolhemos. Cabe-nos sermos verdadeiros, honestos, em primeiro lugar, conosco mesmos. Para somente assim, caminharmos para o Reino de muita paz do Nosso Senhor Jesus.

Jornal O Clarim – Dezembro de 2015

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