São Francisco de Assis já nos anos 1200 da nossa era dizia: “Tome cuidado com a sua vida, porque talvez ela seja o único Evangelho que o teu irmão irá escutar”.

Quem se serviu muito dessa frase foi Madre Teresa, a nobre senhora inglesa que decidiu abrir mão de todo o luxo para viver na sofrida Calcutá, na Índia, cuidando dos miseráveis da região. Dizia, com pequena variação, “vê como vives; talvez sejas o único Evangelho que o teu irmão tem pra ler”. Outros de diferentes doutrinas também a citaram.

Atualmente, além dos exemplos desses missionários, temos a doutrina dos Espíritos a explicar-nos com todas as letras sobre o que representa a vida na Terra.  Nós que hoje estamos encarnados vivemos um tempo de aprendizado e moralização e compete a nós decidir se andamos mais depressa ou mais devagar.

Já está no Livro dos Espíritos, que o mundo material poderia deixar de existir sem prejuízo da nossa evolução no mundo espiritual. Todavia, como ensina André Luiz, o tempo de encarnação na Terra é muito importante porque permite progresso mais acelerado, já que lutamos contra as dores refletidas também na matéria. As dificuldades são as provas para a nossa capacidade de aplicar os sentimentos da paciência, da resignação; em síntese, da fé.

Fala-se atualmente no movimento espírita, sobre a transição planetária, o que está levando a Terra a progredir de mundo de provas e expiações para mundo de regeneração. Quando começou e quando ficará pronta? Nenhum de nós pode responder com segurança, porque se trata de um ciclo longo, uma nova era, que não tem começo e fim definidos como os calendários da Terra. Ficamos todos felizes com a notícia que mais de 200 mil espíritos reencarnarão ao mesmo tempo no planeta para ser os dirigentes das nações. Há quem diga que os velhos e sábios druidas do tempo de Kardec estão retornando ao planeta físico.  Os próprios irmãos de Capela, mais evoluídos, viriam dar seu apoio. Imaginamos que com isto todos nós teremos vida melhor. Só não entendemos que a conquista de um lugar no novo mundo depende de cada um. Não é automática a nossa transferência para o mundo melhor, que precisa da nossa sintonia com o novo ambiente. Cada um terá de construir o seu próprio mundo de regeneração. Ou será como peixe fora d´água.

A única vantagem, e ela nos dá mais esperança, é que já temos as diretrizes que podem nos levar a essa conquista, caso decidamos aplica-las. Aprendemos com o Evangelho de Jesus, reforçado pela doutrina dos Espíritos, como se chega mais rápido à elevação espiritual. Aprendemos que sem o merecimento não adianta sonhar com favores porque na Lei de Deus eles não existem sem que haja a construção pelo próprio interessado. O que há, sem dúvida é grande parcela de misericórdia para que colhamos muito apesar de oferecer pouco. Como a história da multiplicação de pães e peixes por Jesus. Multiplicou, mas precisou de alguns fornecidos pelo povo para aumentar-lhes a quantidade. Não partiu do nada porque quando multiplicamos a partir do zero, o resultado será sempre zero.

Feliz Natal e Ano Novo totalmente novo, em todos os aspectos!

Jornal O Clarim – Dezembro de 2015