Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante – walkiria.wlac@yahoo.com.br

 “Nenhuma jornada está isenta de dificuldades, de empecilhos, de tropeços. A queda é natural, mas o soerguimento é impositivo da marcha e Espírito algum pode permitir-se o luxo de desistir, porém, continuar tentando, de todas as formas possíveis, a realização dos compromissos libertadores.” (Livro Entre dois Mundos, cap. 11 – O Fracasso de Laércio. Divaldo Franco/Manoel P. de Miranda)

O suicídio físico ocorre quando a criatura leva seu corpo material à exaustão das forças físicas ou quando as dizima de uma forma abrupta. O suicídio moral ocorre quando a criatura caminha pelos vícios morais, mergulha neles e permite-se locupletar de mentes em desalinho, como a sua.

Na sociedade atual, vivemos um grande suicídio moral que atinge a jovens: criaturas sem experiência física, que não acreditam num porvir melhor, já macerados pelo desalinho familiar, acreditam que todos os prazeres se restringem aos físicos; adultos: que sobreviventes à angústia da juventude e dos caminhos ainda não palmilhados, vêem-se trilhando percursos escolhidos pelos outros (em alguns momentos) e não por si próprios, não conseguindo conviver com isso. Ressalvando que esta informação é uma inverdade, pois trilhamos os caminhos que nós queremos trilhar. E os velhos, que acreditam que já viveram uma vida de renúncia durante toda a encarnação e que agora podem se permitir desalinhos morais como forma de ressarcir o passado de sofrimento.

Ao lermos o texto que encabeça este artigo, lembramo-nos do cap. 125 – Filhos e Servos, do livro Caminho, Verdade e Vida. Emmanuel faz uma bela diferenciação entre o que vem a serem filho e servo de Deus. Que os servos são “… pessoas de suscetíveis interesses próprios.” e que os filhos “… possuem interesses comuns com o Pai.” Aquele que procura saciar seus interesses pessoais padece da angustia de os não ter conquistado, ou de não os ter conquistado naquele momento. Os que se colocam na condição de filhos compreendem a vontade do Pai e se submetem a ela. Sabendo que o momento presente representa uma fatia da vida como um todo. São processos vinculados. Por mais difícil que nos pareçam à situação, ela decorre de atitudes nossas do passado.

Especialista do comportamento humano, Augusto Cury, em entrevista (site: http://thesecret.tv.br/2015/09/nunca-tivemos-uma-geracao-tao-triste/#.VfWdjWIcKvI.facebook), fala-nos sobre a depressão entre as crianças e os jovens. “Nunca tivemos uma geração tão triste, tão depressiva. Precisamos ensinar nossas crianças a fazerem pausas e contemplar o belo. Essa geração precisa de muito para sentir prazer: viciamos nossos filhos e alunos a receber muitos estímulos para sentir migalhas de prazer. O resultado: são intolerantes e superficiais.” E permitimo-nos completar o pensamento do estudioso: criamos adultos que não aceitam perder, buscam ter sempre mais e acabam fazendo uso de substâncias psicotrópicas e outros correlatos para sentirem-se anestesiados em frente às derrotas naturais da vida, as quais todos enfrentamos. Pessoas bem ajustadas, os que se apresentam como filhos e não como servos absorvem bem as adversidades da vida, criando uma rota paralela de execução rumo ao objetivo visado que é a perfeição.

Aqueles que vivemos o período no qual tantos estímulos não existiam e que podemos compartilhar melhor da convivência doméstica, percebemos o quão importante é darmos valor as pequenas coisas da vida e como nos permitir impregnar de Deus, através das obras da sua criação, nos faz uma grande diferença. Isto não significa que os mais velhos todos vivemos em tal condição, mas significa que o padrão de vivência atual apresenta-se falho ante a necessidade real da criatura. Não é a tecnologia que nos traz problemas, é o uso que fazemos dela. O Livro dos Espíritos nos esclarece em sua questão 790, “a”: “É racional condenar a civilização? Condenai antes aqueles que abusam dela, e não a obra de Deus.”

O grave problema que verificamos atualmente é que as criaturas: jovens, adultos e velhos; por possuirmos tantas informações de forma tão rápida, não nos aprofundamos na compreensão do que tais informações querem nos trazer. Assim é na nossa vida de relação, assim é no nosso momento de comunhão com o Pai. É como se quiséssemos que tivesse um aplicativo de celular que pudéssemos baixar para o smartfone e através dele fazer com que as nossas vivas entrassem nos eixos. Pois, a felicidade é vendida atualmente “ao alcance de um clique” e isso faz com que a criatura acredite que também possa clicar no aplicativo Deus e a partir daí ter todos os problemas solucionados.

Sendo que com o passar do tempo verificamos que isso não acontece. Verificamos que por mais que tenhamos corações amigos a nos acompanhar a jornada, cabe a nós o quinhão que estamos vivenciando. “Enquanto se permaneça arrimado aos mecanismos escapistas do eu não consigo, do eu sou infeliz, do ninguém me ajuda, a existência transcorrerá sob penas e desaires. No momento, a partir do qual haja uma mudança de conduta mental e física para a ação dignificadora, tornar-se-ão viáveis as realizações de enobrecimento e de liberação.” (Livro Entre Dois Mundos, cap. 16 – O Santuário de Bênçãos, Divaldo Franco/Manoel P. de Miranda)

Vivemos o agora no melhor que podemos viver. O porvir é construído por nós somando-se o passado com o presente. Não podemos fugir as consequências de nossos atos. O futuro é nosso, cabendo-nos trilhar pelos caminhos que escolhemos. Cabe-nos sermos verdadeiros, honestos, em primeiro lugar, conosco mesmos. Para somente assim, caminharmos para o Reino de muita paz do Nosso Senhor Jesus.

Jornal O Clarim – Dezembro de 2015