Luz da caridade

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Walkiria Lucia Araujo Cavalcante – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“A fatalidade da vida é alcançar a harmonia plena, mediante o equilíbrio do amor a si mesmo, ao próximo e a Deus.”(Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda, cap. 15 – A vingança)

Sempre que nos reportamos à caridade, invade a nossa mente a prática exterior do dar, alguns aprofundamos o entendimento na tolerância e amor ao próximo, mas poucos nos colocamos como fonte primeira de beneficiamento desta caridade, melhor dizendo, usar da Luz da Caridade para conosco mesmos, sendo indulgentes, tolerantes e amorosos para conosco mesmos, antes de exercitarmos com os outros. Ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo.

Quando amamos mais a nós mesmos e esquecemo-nos dos outros, somos egoístas; quando acreditamos que amamos mais ao próximo, temos uma compreensão distorcida da humildade e quando acreditamos que amamos mais a Deus e não nos amamos e nem amamos ao próximo temos uma ideia equivocada da submissão sem compreensão das Leis Divinas.

O período de equilíbrio entre estes três pontos passa pelo aprendizado de algumas encarnações. Existem mais dois outros fatores que influenciam neste equilíbrio: as inimizades (quando nós nos inimizamos ou quando os outros se inimizam conosco) e os arquétipos que trazemos de outras encarnações. Estes últimos, quando não devidamente trabalhados produzem as autoflagelações e as agressões gratuitas, tendo como filhos diretos a vingança e o ódio. “A vingança constitui-se numa patologia do ego insubordinado ante as ocorrências do mecanismo de crescimento.” (Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda, cap. 15 – A vingança)

Reencarnamos para viver situações de reajuste moral. Mesmos as que, a princípio, só provocam ajuste físico. Debatemo-nos quando não conseguimos entender o porquê. Quando isto ocorre por muito tempo geramos a mágoa e quando esta faz moradia, criamos o ressentimento. Quando o outro nos faz o mal, não obrigatoriamente é porque haja uma vinculação espiritual entre nós e ele, mas porque o outro não está bem consigo mesmo e resolve atacar aquele mais próximo que se apresenta mais feliz (mesmo que aparentemente) ou que esteja em condição de inferioridade social/profissional perante ele. Se não estivermos equilibrados para compreender o que a situação nos quer dizer, ficamos na superficialidade do ato do outro e acabamos por fazer crescer a mágoa e na sequência o ressentimento.

O Evangelho Segundo o Espiritismo em todo seu capítulo XII – Amai os Vossos Inimigos nos traz a temática do perdão referente ao que o outro nos faz. Num momento em que as pessoas se levantam para reagir diante das ofensas, aquele que permanece sentado e não retribui, mas age, atinge o patamar da compreensão da mensagem Crística. O Mal é a ausência do Bem, o mais forte é aquele que sabe conter as suas forças e não ir à desforra, agindo com paciência e tolerância perante a vida. Pois a irritação não nos leva a nada, a não ser a doenças fisio-psicológicas de difícil diluição. Quantas visitas ao médico poderiam ser evitadas se precatássemos mais diante dos acontecimentos da vida?

“Ser precavido, resguardar-se do mal dos maus, cuidar de não se envolver em contendas, evitando os entreveros estabelecidos pelos belicosos, também é atitude recomendada pela Sua [Jesus] conduta. No entanto, jamais fugir do testemunho, ou debandar do holocausto quando seja convidado, não revidando mal por mal, nem se vingando nunca, mesmo que surjam oportunidades propiciatórias ao desforço.” (Livro Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda, cap. 15 – A vingança)

Também é caridade para conosco mesmos observarmos o que está acontecendo ao nosso derredor e não cedermos ao mal dos maus, pois que ele existe e é real. Existe o mal provindo da ignorância e o que nasce do desejo deliberado em prejudicar o outro. Quantos casos nos são relatados de pessoas que se vêem em situações vexatórias porque cederam a indução telepática (de encarnados ou de desencarnados) e tomaram atitudes que estão em total desalinho com o comportamento cordato da criatura? E depois se arrependem profundamente, por aquela situação não representar o que a criatura é em totalidade? O Mestre Jesus sempre agiu de forma enérgica, sem ser agressivo, em todas as situações, deixando claro a Sua proposta, mas não se envolvia em contendas. Explicava a Sua mensagem através do exemplo.

O que mais provoca dissabor e desalinho emocional é o mal decorrente de situações que nos convidam ao testemunho como Joanna de Ângelis abordou. São os holocaustos pessoais que vivenciamos e que em alguns momentos nos sugam as forças, fazendo com que nos sintamos esmorecidos em nossa fé e querendo usar do instrumento da vingança se nos for apresentada ocasião. São as atitudes dos mais próximos que nos causam mais tristeza, pois esperamos deles um comportamento coerente com o sentimento que dizem nutrir por nós. A calúnia bem urdida, a honra quando é ataca ou quando são feitas pérfidas insinuações, como o Evangelho nos diz no referido capítulo, item 9, faz-nos avaliar o nosso comportamento e até em alguns casos, justificarmos, para a nossa consciência, que temos o direito de nos defender. A calúnia representa um grande bisturi moral que nos corta a carne do ego agredido, mas sempre o caluniador e nós saberemos a verdade e o nosso proceder irá desmentir o que foi dito.

As criaturas acreditam naquilo que querem acreditar. Mesmo que nada seja dito, sobre o nosso proceder, quem quiser acreditar que somos diferentes, o fará. A maior caridade que podemos fazer a nós mesmos é vivermos em equilíbrio e em paz com a nossa consciência. Fazendo o melhor que pudermos fazer de bem para o outro e agindo sempre como gostaríamos que agissem para conosco. O processo é interno, de consciência e construído paulatinamente no decorrer de nossa existência.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – janeiro de 2016

 

O chefe do Espiritismo

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Walkiria Lucia Araujo Cavalcante – walkiria.wlac.yahoo.com.br 

“Perseverai no bem! Unidos seremos resistência, fragmentados seremos vencidos em nossos objetivos essenciais. Temos o direito de discrepar, de pensar de maneira diferente, e o dever de discutir, de expor, mas não de dissentir. Evocando o Encontro de Jerusalém, quando as duas figuras exponenciais do Evangelho de Jesus, Pedro e Paulo, enfrentaram-se para debater paradigmas de alta relevância na divulgação do Evangelho límpido e cristalino, que Jesus trouxe para todos, sem privilégio nem preconceitos e foi o amor que venceu as opiniões divergentes e que, em lágrimas, fez que o primeiro concílio dos Cristãos se transformasse na pedra angular da divulgação da Verdade, depois que o Mestre retornou aos Páramos Divinos.” (Pelo Médium Divaldo Pereira Franco, na Reunião do Conselho Federativo Nacional, da FEB, em 08 de novembro de 2015)

Retiramos o título do subitem III, do item Constituição do Espiritismo. Exposição de Motivos, Segunda Parte, do Livro Obras Póstumas. Quem poderia ser considerado o Chefe do Espiritismo? O Espiritismo tem Chefe?

Não podemos confundir a orientação dada pelas Federativas e pelas Instituições Espíritas como chefia perante o movimento espírita. O Evangelho Segundo o Espiritismo, logo em sua Introdução: II – Autoridade da Doutrina Espírita demonstra que a Universalidade dos ensinamentos dados pelos Espíritos constitui-se como instrumento de coesão e de divulgação da mensagem.

A revelação espírita não representa privilégio de nenhum grupo, assenta-se na compreensão e no entendimento da mensagem, outrora trazida por Jesus e agora solidificada com a comprovação da existência dos espíritos. Por isso dizemos: Espiritismo ou Doutrina dos Espíritos. Pois eles constituem a base e a existência da Doutrina. Em seu tríplice aspecto religioso, filosófico e científico, preenche as lacunas existências da compreensão humana do que se constitui a existência do ser. De onde viemos, qual a utilidade/necessidade de aqui estarmos e para onde iremos. Questões que permeiam o inconsciente humano e nos faz caminhar em direção ao progresso e entendimento humano, da própria criatura, a princípio, e do todo, como consequência natural.

A Universalidade das informações nos proporciona uma consolidação da mensagem. Fazendo que ela seja transmitida em massa, proporciona maior veracidade da mesma. Mas para divulgação da mensagem é necessário o mínimo de padrão, análise e conhecimento doutrinário são necessários para que se possa separar o joio do trigo e trazer para o conhecimento comum à explicação de verdades irrefutáveis.

Kardec demonstrava preocupação com relação a este corpo de pessoas que fariam tal verificação e como o movimento espírita deveria ser conduzido. Vemos isto, por exemplo, em O Livro dos Médiuns, quando no capítulo XXX, traz o Regulamento da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Falando-nos da seriedade do que vem a ser fazer parte de um movimento como este; da abordagem doutrinária nas reuniões abertas ao público ou não; do estudo necessário que deve ser feito constantemente pelos que fazem parte do movimento; da responsabilidade que temos uns sobre os outros, dentro e fora do movimento; do crivo necessário das obras ditas espíritas; etc.

Verificamos isto, também no livro Obras Póstumas, já citado no primeiro parágrafo, que nos mostra que a princípio havia a necessidade de centralizar a orientação da divulgação da mensagem em uma única pessoa, Kardec, mas que tão logo foi possível, foi criada a Comissão Central e as Instituições Acessórias.

Não podemos falar em organização, disciplina se não falarmos em normativos, regras e correlatos que constituem a orientação basilar para qualquer grupo que queira trabalhar na divulgação de qualquer instrumento literário. “O essencial é que estejam de acordo sobre os princípios fundamentais; … Sobre as questões pendentes de detalhe, pouco importa a sua divergência, uma vez que é a opinião da maioria que prevalece.” É assim que as Federativas devem agir, tendo como Órgão Central orientador a Federação Espírita Brasileira, que nos traz as orientações e delimitações doutrinárias. As Instituições Espíritas funcionam como Unidades de Base, que verificam as demandas e ao mesmo tempo são transmissores da mensagem trazida pelo Órgão Central.

Divergências existem. Não podemos permitir que hajam dissensões no movimento. Com relação às verdades básicas que constituem a própria razão de existir do movimento, não pode haver querelas, só explicações. “Unidos seremos resistência, fragmentados seremos vencidos em nossos objetivos essenciais.” Assim que devemos ser sempre no movimento espírita, brasileiro, paraibano: Unidos, iguais ao feixe de varas. Pois desta forma, seremos resistência, conseguiremos disseminar o Evangelho de Jesus, pelo amor que nos une, pelo raciocínio lógico que nos conduz.

Parabéns a Federação Espírita Paraibana pelo seu centenário. Orientando-nos e trazendo-nos a solidez necessária para a divulgação do movimento espírita no estado da Paraíba.

Tribuna Espírita – novembro/dezembro 2016

Esperar em Cristo

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Walkiria Lucia Araujo Cavalcante – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.” — (1ª EPÍSTOLA AOS CORÍNTIOS, 15, versículo 19.)

Bendita possibilidade de nos encontrarmos diante do Mestre Jesus. E não falamos somente dos abnegados que renunciando a si, convivemos no passado com o Mestre. Falamos de todos aqueles que trazem a sua presença para convivência diária de suas vidas. Jesus vive. Ele nunca nos deixou. Porque cada um que vive e trabalha em sem nome está fazendo algo que o glorifica, fazendo com que a Sua presença fique mais forte.

Jesus Vive. Vive em cada um de nós. Ele é quem nos conduz os passos e nos fortalece sempre. Encontramos o título deste artigo no Livro Caminho, Verdade e Vida, cap. 123. Quando falamos em esperar em Cristo, a primeira impressão que pode passar é que deveremos aguardar o retorno do Messias para que possamos fazer algo de bom ou promover a mudança necessária do entendimento humano.

Esperar em Cristo. Acreditar que o Mestre nos ama e que a Sua mensagem antes de serem palavras, são atitudes de renovação íntima. O Mestre Rabi convoca-nos a pegarmos a enxada de nossas vidas e arar o terreno (situações) para extrairmos da terra (reencarnação) o melhor que possa ser extraído. Assim, plantaremos para podermos colher no futuro (próximo ou distante) as sementes do bom ânimo, da renúncia, da esperança, da determinação, da perseverança e por fim da auto-iluminação.

A grande busca da criatura é a auto-iluminação. Quando se afirma que somos herdeiros de nós mesmos, trazemos o entendimento que a criatura planta e colhe constantemente em proveito próprio, em primeiro lugar, e como consequência, em proveito dos outros também. Sendo o conhecimento espírita um grande facilitador do entendimento das verdades espirituais trazidas por Jesus.

Cada pessoa percebe estas verdades de uma forma peculiar. Cada um a seu modo faz contato com o Eu Divino que habita em si de uma maneira. Além dos fatores sócio-culturais vigentes, trazemos de reminiscências transatas um acabouço de experiências que eclodem ora ou outra, sendo que em alguns momentos nem detectamos com exatidão, acabando por atribuir a influência de desencarnados atitudes que provêm destas sub-personalidades.

“Jesus não foi o biótipo de legislador convencional. Ele não veio submeter à Humanidade nem submeter-se às leis vigentes. Era portador de uma revolução que tem por base o amor na sua essencialidade mais excelente e sutil, e que adotado transforma os alicerces morais do indivíduo e da sociedade.” (Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda, cap. 3 Soberanas Leis)

Para compreendermos a mensagem Crística precisamos mergulhar em seu psiquismo de amor. Entendendo que a criatura é um todo que forma-se com partes de si mesmo construídas em todo processo evolutivo da criatura até a presente data. Vivenciamos hoje o necessário para a evolução não como estrutura de justiça punitiva-destrutiva, mas como educativa-reabilitadora. Por sermos espíritas e acreditarmos, coerentemente, que estamos aqui num processo de reajuste moral com consequências (ora ou outra) físicas, alguns tem a tendência em exarcerbar o reajuste, acabando por tender, neste momento para a punição, esquecendo-se do processo evolutivo de educação e reabilitação, sendo este binômio o grande foco da criatura encarnada.

As duas formas de pensar: punitiva-destrutiva e educativa-reabilitadora levam a criatura ao mesmo movimento, sair da inércia presente. Sendo que o primeiro faz com que a criatura o faça por medo do sofrimento, criando pessoas com medos e fobias. O segundo proporciona o entendimento do fato, a necessidade de aprendizado e o desejo sincero de mudança. Este pensamento faz com que a criatura não enxergue o momento presente como algo triste, pesado e difícil de ser vivido, mas como uma etapa necessária no processo evolutivo.

Ao trazermos o conhecimento espírita para nossas vidas, trazemos, em primeiro lugar a esperança de uma nova vida. Vida em sentido eterno. Fazendo com que o nosso caminhar torne-se mais suave mesmo diante das pedras que pisamos ao longo da jornada. Produz-nos também a determinação. Quando acreditamos que podemos conseguir algo, nos movimentamos num processo de dentro para fora para conseguirmos, a determinação nos faz isso. Nascendo a persistência. Quando desejamos algo material nos esforçamos por conseguir, em algumas situações superando o limite das próprias forças físicas. Assim também o é quando entendemos o sentido da encarnação.

Esperar em Cristo. Não significa ficarmos parados acreditando no retorno do Messias, porque em verdade Ele nunca nos deixou. Sempre que fazemos algo em seu nome ativamos células de amor que existem em nós. A melhor forma de convencer o outro que algo é bom é vivenciar este algo em plenitude. Não devemos querer converter o mundo com palavras, esperar em Cristo é ter resignação sim diante das intempéries, mas movimentar-se produzindo o máximo de bem que possamos em nosso proveito e em proveito do próximo.

Evoluímos através do outro. Esta é a Lei. Lei que nos une a todos e faz com que caminhemos com segurança. Esperar em Cristo, produzir em Cristo, trabalhar em Cristo, enfim Ser em Cristo.

Jornal O Clarim – janeiro de 2016

 

O Espiritismo no Brasil

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Octávio Caúmo Serrano

O papel do movimento espírita brasileiro e suas federativas

Criado na França no século XIX por um francês que usou o pseudônimo Allan Kardec, nome sugerido pela espiritualidade e que ele teve em uma das suas remotas encarnações quando era um sacerdote druida, antes de Jesus, o Espiritismo floresceu e ganhou força no Brasil.

Transplantado para a Terra do Cruzeiro, para transformá-la no coração do mundo e pátria do Evangelho, a doutrina espírita virou farol que do Brasil irradia sua luz para todo o planeta. Quase todos os centros espíritas existentes no mundo foram criados pessoalmente ou sob a inspiração de algum brasileiro. Quer um visitante ocasional, quer um residente no estrangeiro. Isso na América, na Europa ou nos demais continentes.

Um dos semeadores de casas espíritas por onde passa é o nosso querido Divaldo Pereira Franco, que mantém acesa a chama do intercâmbio planetário entre todos os povos com as suas incansáveis viagens de pregação e esclarecimento, já que é muito requisitado e portador de vigor extraordinário, sem dúvida, amparado pelas energias emanadas da Espiritualidade Superior. Defini-lo como o Paulo de Tarso brasileiro, talvez explicasse o seu trabalho.

Em nenhum outro ponto do nosso orbe há um movimento espírita tão dinâmico e atuante como no Brasil. Um imenso volume de casas espíritas que se abrem a cada dia, levando amparo às suas comunidades, pois, além do apoio material nas suas mais variadas necessidades, servem de luz que ilumina as mentes dos que as procuram para que, conhecendo a verdade, possam libertar-se das inferioridades e dos equívocos humanos, renovando-se efetivamente com a oportunidade da reencarnação.

Jornais, revistas, programas de rádio e TV, na grande mídia ou pela formidável rede mundial de computadores, palestras, congressos, simpósios, encontros de toda ordem, para jovens, para adultos, para os espíritas especificamente ou para o público em geral que a cada dia acorre mais a essas reuniões, na ânsia de compreender sobre a vida, a justiça da reencarnação, sem se importar com o credo a que pertencem. Nos encontros paraibanos, por exemplos, expressivos líderes de outras doutrinas têm participado para dar testemunho e confessar seu interesse no importante ecumenismo, a fim de que as religiões que tanto separam os homens possam finalmente agrega-los e fazê-los irmãos de verdade. Tentam trazer para a prática a insuperável proposta de Jesus: “Ama o próximo como a ti mesmo.” Jesus não recomendou o amor só se o próximo fosse parente, amigo, da mesma raça ou religião!

Nesse aspecto, as Federações têm contribuído muito para aproximar os centros e seus frequentadores, porque em seus encontros ou palestras públicas recebem dirigentes das casas e seus simpatizantes, congraçando pessoas que não se conhecem, mas que, embora separadas, contribuem para fortalecer o Espiritismo nas suas respectivas regiões.

Parece-nos oportuno perguntar a cada leitor, como se fora uma autoanálise, qual é a sua atuação ou participação no Espiritismo. Por exemplo:

1 – Você contribui de alguma maneira para divulgar a Doutrina dos Espíritos? Inclusive dando exemplo de conduta no seio da sociedade?
2 – Lê livros espíritas que tragam esclarecimentos reais?
3 – Visita outras casas de sua cidade ou região além do seu Centro?
4 – Assina algum jornal ou revista espírita que podem ser lidos por todos da sua casa; mesmo os que não vão ao Centro?
5 – Participa de grupos de estudo ou apenas ouve a palestra e recebe o passe e a água fluidificada, imaginando que isso é tudo o que precisa do Espiritismo?
6 – Entende que o Espiritismo não é apenas científico, mas é uma religião na melhor acepção do termo? Religião como união com Deus e não como seita?
7 – É dos que ainda procuram um Centro perfeito para colaborar, sem saber que quando encontrar poderá ser barrado na porta porque essa perfeição não existe nem em você?
8 – Como velho espírita serve de exemplo para os noviços ou só espalha falsa sabedoria?

Poderíamos fazer muitas outras indagações, mas quem participa do Espiritismo e já se entende por espírita sabe que para criticar precisa fazer melhor. Nunca deve denegrir uma pessoa que faz algum trabalho, ainda que não seja bem feito, porque ela está colaborando como sabe e como pode. Nunca critique uma instituição espírita porque trabalha diferente dos seus pontos de vista. Ela terá suas razões. Cada casa tem uma tarefa e cada público tem sua própria necessidade. Se não puder ajudar a consertar nem falar bem, a recomendação é que se cale.

Quando um comentário tem a finalidade de construir, com a oportunidade dos debates e argumentações, é um ato de lisura. Quando é feito por detrás, no anonimato do diz-que-diz- que, é leviandade e covardia. Não é assim que se pratica Espiritismo. Isso nada constrói!

Nunca se desgaste pelos cargos, pelos postos, pelas evidências. Há pessoas que querem ser estátuas e nem servem para pedestais.  O líder não precisa ser nomeado porque ele é reconhecido naturalmente como tal pela confiança que passa aos colaboradores e por ser exemplo do que ensina. Não precisa ser nomeado. Chico Xavier nunca foi chefe de nada!

É muito comum nos desgastarmos para edificar uma bela casa material sem perceber que estamos implodindo a casa espiritual, No Espiritismo não cabe a assertiva de que os fins justificam os meios.

Precisamos de um movimento espírita coeso, forte e evangelizado. Precisamos de centros equilibrados e que cumpram corretamente a sua função. Precisamos de Federações que exemplifiquem o Espiritismo e que assessorem competentemente as casas, suprindo-as com os conhecimentos faltantes, preparando trabalhadores mediante cursos específicos para cada atividade do centro, especialmente os mais delicados, como atendente fraterno, evangelizador adulto ou infantil, palestrador e monitor de cursos regulares de Doutrina.

Que Deus nos ajude para que façamos sempre o melhor e sejamos realmente um dia o Coração do Mundo e a Pátria do Evangelho!

Feliz Natal e produtivo Ano Novo!

Tribuna Espírita – novembro/dezembro 2015
 

 

Viver se aprende vivendo

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Aqueles que abraçam a doutrina espírita e já conhecem as implicações das vidas sucessivas, sabem que as encarnações se destinam ao crescimento do espírito que somos, habitantes de corpos de carne, algo importante e provisório, e que se repetirá de maneira constante, ainda por muito tempo.

É preciso estar atento a toda situação porque o aprendizado é inerente à vida. Nenhum momento ou acontecimento podem ser desprezados porque as lições veem de todos os lados e por todos os meios. Não é somente pelos livros, palestras, congressos e similares que aprendemos coisas importantes. De onde menos se espera chegam-nos lições muito proveitosas. Damos um exemplo:

Corria o ano de 1983. Numa segunda-feira, quando concluíamos nossos trabalhos do Centro às nove horas da noite, entra um homem, subindo a longa escadaria que dava acesso ao salão.  Encosta na parece, visivelmente alcoolizado, e pergunta: – O que é aqui?  – É um Centro Espírita, respondi. – O que você pode fazer por mim?

Didática e burocraticamente, expliquei-lhe:

-Na segunda temos passes, palestras; na terça temos estudo da mediunidade; na quarta…

E ele me interrompeu. – Perguntei o que você pode fazer por mim, AGORA!

Envergonhado, ofereci-me para aplicar-lhe um passe, convidando-o a entrar no espaço próprio. – Sente-se, por favor… – Não. Obrigado, mas minhas pernas ainda me sustentam, disse o homem.

Frente a frente, olhos no olhos, quase sufocado pelo cheiro de álcool que havia impregnado o ambiente, comecei os movimentos de mãos de acordo com o passe que aplicamos na nossa casa. À medida que eu gesticulava, percebi lágrimas descendo sobre o rosto daquela criatura e quase que de pronto o cheiro do álcool desapareceu.

Ele me olhou com emoção, agradeceu, e disse: – Nossa! Eu estava mal. Gostei. Anota o endereço deste lugar e põe o papel no meu bolso, porque pretendo voltar. – Não sei como cheguei até aqui andando. Detalhe, para quem conhece São Paulo. O centro é na Vila Guarani, Metrô Conceição, Jabaquara, e o homem vinha do Jacanã, lado oposto da cidade. Creio que por volta de trinta quilômetros de distância. Nunca mais ele apareceu, é claro.

Intrigados, nós os trabalhadores tentamos saber que razões levaram aquele homem a entrar na nossa casa naquelas circunstâncias, após o encerramento dos trabalhos. Particularmente eu concluí que ele foi levado lá para ensinar um dirigente espírita a praticar a caridade. Foi me mostrar que não temos de ajudar as pessoas quando queremos ou quando estamos disponíveis, mas quando elas precisam. Se perdermos a oportunidade é possível que estejamos empurrando a pessoa para o pior. Até para o suicídio, se o momento for de extremo desespero.

Cuidado, confrades; menos técnica e burocracia e mais amor. Esta é a receita correta. Eu tive a sorte de aprender.

Fiquemos atentos. Deus nos manda recados numa música, num painel de rua, num filme, num acontecimento fortuito, desde que saibamos decodificar a lição que chega e aplicarmos na nossa vida.

Mais de trinta anos se passaram e a imagem daquele homem está bem viva na minha mente. Devo a ele muito do que aplico nas lides do Espiritismo. Um benfeitor escondido num bêbado para trazer-me uma importante instrução de como praticar a caridade. Deus lhe pague, esteja onde estiver! Já aproveitei o episódio como didática espírita em palestras ou escritos, com a ideia de conscientizar e despertar pessoas para certas nuanças da vida que por vezes nos passam despercebidas.

Jornal O Clarim – janeiro de 2016

 

Sobre el filo de la navaja

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Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

Año Nuevo, hora de meditación y profundo análisis.

“En los foros internacionales, los políticos pueden reiterar mil veces que la base para un nuevo orden mundial es el respeto universal por los derechos humanos, pero éste no significará nada si el imperativo no venga de lo respeto por el milagro del ser, del universo, de la naturaleza y de nuestra propia existencia. En el mundo actual, multicultural, el único camino seguro para la coexistencia pacífica deberá ser inspirado por el auto superación porque la superación es la única alternativa real para la extinción. Pienso que el hombre solo podrá realizarse en la libertad, si no olvida que ésta es un don de su Creador”. (Vaclav Havel¹ – Diario El Estado de S. Paulo – 23/04/95 – Pág. A2)

Este hombre importante, de ideas avanzadas, presidente de un país, hace veinte años que decía lo que aún no conseguimos asimilar. Permanecemos egoístas y anhelando ser mejor de que los otros, oprimiéndolos, apocándolos, desmoralizándolos, para tener evidencia. No nos medimos por el progreso que logramos en el campo del entendimiento superior, sino por las posiciones que ocupamos en la transitoriedad de una encarnación. Nunca nos comparamos al de arriba para que no nos sintamos inferiores. Necesitamos transformar en alfombra al compañero de jornada, para que tengamos un poco de brillo. Hablamos demás, oímos de menos y casi no pensamos.

¿De qué vale yo ser mejor de qué el otro si él aún es extremadamente mediocre? ¿De qué vale yo ser mejor de qué el otro si él es vecino de la nulidad? Yo solo debía quedarme contento si consiguiese ponerme mayor de lo que soy yo propio. Y eso nada tiene a ver con estatura. Hablamos de carácter, de conocimiento, de humildad, de solidaridad. Hijos de Dios, a su imagen y semejanza, nos hemos contentado con poco cuando se trata de nuestro crecimiento como ser espiritual. Estamos postergando indefinidamente lo que ya debía haber sido hecho y mismo en este momento propicio para recobrar el tiempo perdido aún estamos como las desatentas vírgenes de la parábola. Durmiendo el sueño de la ignorancia. ¡Permanecemos en la Tierra cuándo somos divinos! Por eso somos un permanente conflicto y no conseguimos tener paz o estar felices con nosotros mismos.

No hablamos de religión, de sistema social, de régimen de gobierno, pero de lo despertar íntimo que ya debía ser propio de los hijos de Dios. Hacemos de insignificantes accidentes económicos o financieros una barrera insuperable para que nuestro pensamiento siga concatenado. Interrumpimos todo lo que imaginábamos, porque los intereses más poderosos intentan nos mostrar que somos infelices, incompetentes y que no podemos vivir por nosotros mismos. Necesitamos entregar nuestras vidas a los otros. Pero ellos tienen propósitos diferentes de los nuestros. No pretenden nos ayudar, sino usarnos para conseguir sus objetivos. No dé importancia a los que divulgan el caos, porque es por esos medios que ellos atesoran sus fortunas.

Entre las metas programadas para el nuevo año incluya cuidar a usted, por virtud propia. Puede sin depender de nadie porque no hay quien mejor lea e interprete sus pensamientos y sus necesidades que usted mismo. Íntimo no se explica con palabras; sentimientos, necesidades o frustraciones no pueden ser traducidos de manera que los otros puedan claramente entender. Solo usted conoce sus necesarias y posibles aspiraciones.

La salida para la humanidad no viene de afuera hacia adentro. No es el gobierno, el cura, el pastor, el presidente del centro que tiene condiciones para resolver su problema. La solución viene del inverso. De adentro hacia afuera. Curase el interior para que el exterior sea saludable. Podemos tener paz en medio a la guerra; podemos ser libres mismo reclusos porque las cadenas no detienen sentimientos. Mejore se y verá el mundo con ojos más felices. Es receta del Evangelio. No estamos inventando novedades ni intentando ser originales con consejos o directrices que cada uno necesita descubrir por sí mismo.

Los otros nos alejan de la familia, de los amigos, para llevarnos a la cochera de sus monopolios. Ponen una cuerda en nuestro cuello y solo nos alimentan de aquello que les da logro. Nos engañan con las modernas tecnologías, convenciéndonos que no vivimos sin ellas, y así nos concentramos en esa parafernalia seductora y envolvente, con las cuales nos comunicamos en silencio, enviando con palabras vacías y convencionales, muñequitos que se ríen, que besan y hacen muecas. ¡Qué belleza!

Si alguien deja el celular en su casa, siente se casi desnudo, sin pañuelo y sin documento, como decía Caetano Veloso. Si el internet cae, el humor cae junto y se siente preso, inmóvil e impotente para seguir viviendo. Estamos a cada día apocando en racionalidad. El mundo avanza, la modernidad se actualiza mientras nosotros embrutecemos y nos quedamos a cada día más dependientes de la batuta de un director que rige la melodía que conduce un rebaño perdido que va, sin percibir, al matadero. Y antes de eso, caminando en círculo casi interminablemente sin saber qué  camino seguir. Sin embargo, completamente absorto, ¡sigue feliz!

Como dijo Vaclav Ravel, de nada nos sirven los derechos humanos ni ser respetados por los otros, si no tenemos respeto por nosotros mismos.

Vamos a salir de nosotros y mirarnos de fuera hacia adentro, buscando ver lo que hacemos con el ser divino que vive en este cuerpo provisorio. Y buscar crecer para que este duro momento en el purgatorio de la encarnación sea menos penoso y más productivo; que cuando de él nos despidamos podamos decir: – ¡valió la pena!

  1. Vaclav Havel, ya fallecido (Praga, el 5 de octubre de 1936 – Praga, el 18 de diciembre de 2011) fue un escritor, intelectual y dramaturgo. Fue el último presidente de la República Checa.
  2. RIE – Revista Internacional de Espiritismo – enero 2016

 

Sobre o fio da navalha

1 Comentário

 

RIE_janeiro 2016

Ano Novo, hora de meditação e profunda análise.

“Nos foros internacionais, os políticos podem reiterar mil vezes que a base para uma nova ordem mundial é o respeito universal pelos direitos humanos, mas este não significará nada se o imperativo não vier do respeito pelo milagre do ser, do universo, da natureza e de nossa própria existência. No mundo atual, multicultural, o único caminho seguro para a coexistência pacífica deverá ser inspirado pela autotranscendência, porque a transcendência é a única alternativa real para a extinção. Penso que o homem só poderá se realizar na liberdade, se não esquecer que esta é um dom de seu Criador”. (Vaclav Havel¹ – Jornal O Estado de S. Paulo – 23/04/95 – Pág. A2)

Este homem importante, de ideias avançadas, presidente de um país, há vinte anos dizia o que ainda não conseguimos assimilar. Permanecemos egoístas e desejando ser melhor do que os outros, oprimindo-os, diminuindo-os, desmoralizando-os, para podermos ter evidência. Não nos medimos pelo progresso que obtemos no campo do entendimento superior, mas pelas posições que ocupamos na efemeridade de uma encarnação. Nunca nos comparamos ao de cima para não nos sentirmos inferiores. Precisamos transformar em capacho o parceiro de jornada, para termos um pouco de brilho. Falamos demais, ouvimos de menos e quase não pensamos.

De que vale eu ser melhor do que o outro se ele ainda é extremamente medíocre? De que vale eu ser melhor do que o outro se ele é vizinho da nulidade? Eu só deveria ficar satisfeito se conseguisse ficar maior do que sou eu próprio. E isso nada tem a ver com estatura. Falamos de caráter, de conhecimento, de humildade, de solidariedade. Filhos de Deus, à sua imagem e semelhança, temos nos contentado com muito pouco quando se trata no nosso crescimento como ser espiritual. Estamos adiando indefinidamente o que já deveria ter sido feito e mesmo neste momento propício para recuperar o tempo perdido ainda estamos como as desatentas virgens da parábola. Dormindo o sono da ignorância. Permanecemos na Terra quando somos divinos! Por isso somos um permanente conflito e não conseguimos ter paz ou estar felizes conosco mesmos.

Não falamos de religião, de sistema social, de regime de governo, mas do despertar íntimo que já deveria ser próprio dos filhos de Deus. Fazemos de insignificantes acidentes econômicos ou financeiros uma barreira intransponível para que nosso pensamento siga concatenado. Interrompemos tudo o que imaginávamos, porque os interesses mais poderosos tentam nos mostrar que somos infelizes, incompetentes e que não podemos viver por nós mesmos. Precisamos entregar nossas vidas aos outros. Mas eles têm propósitos diferentes dos nossos. Não pretendem nos ajudar, mas nos usar para conseguir seus objetivos. Não dê importância aos divulgadores do caos, porque é por esses meios que eles entesouram suas fortunas.

Entre as metas programadas para o novo ano inclua cuidar de você, por virtude própria. Você pode sem depender de ninguém porque não há quem melhor leia e interprete seus pensamentos e suas necessidades que você mesmo. Íntimo não se explica com palavras; sentimentos, necessidades ou frustrações não podem ser traduzidos de maneira que os outros possam claramente entender. Só você conhece as suas necessárias e possíveis aspirações.

A saída para a humanidade não vem de fora para dentro. Não é o governo, o padre, o pastor, o presidente do centro que tem condições para resolver o seu problema. A solução vem do inverso. De dentro para fora. Cura-se o interior para que o exterior seja saudável. Podemos ter paz em meio à guerra; podemos ser livres mesmo reclusos porque grades não prendem sentimentos. Melhore-se e veja como enxergará o mundo com olhos mais felizes. É receita do Evangelho. Não estamos inventando novidades nem tentando ser originais com conselhos ou diretrizes que cada um tem de descobrir por si mesmo.

Os outros nos afastam da família, dos amigos, para levar-nos à cocheira dos seus monopólios. Põem uma corda no nosso pescoço e só nos alimentam daquilo que lhes dá lucro. Iludem-nos com as modernas tecnologias, convencendo-nos que não vivemos sem elas, e assim nos concentramos nessa parafernália sedutora e envolvente, com as quais nos comunicamos em silêncio, enviando com palavras vazias e convencionais, bonequinhos que riem, que beijam e fazem careta. Que belezinha!

Se alguém deixa o celular em casa, sente-se nu, sem lenço e sem documento, como dizia Caetano Veloso. Se a internet cai, o humor despenca junto e sente-se algemado, imóvel e impotente para continuar vivendo. Estamos a cada dia diminuindo em racionalidade. O mundo avança, a modernidade se atualiza enquanto nós emburramos e ficamos cada dia mais dependentes da batuta de um maestro que rege a melodia que conduz um rebanho perdido que vai, sem perceber, para o matadouro. E antes disso, caminhando em círculo quase interminavelmente sem saber qual é o caminho. Mas, completamente absorto, segue feliz!

Como disse Vaclav Ravel, de nada adiantam os direitos humanos nem sermos respeitados pelos outros, se não tivermos respeito por nós mesmos.

Vamos sair de nós e olhar-nos de fora para dentro, procurando ver o que fazemos com o ser divino que mora neste corpo provisório. E procurar crescer para que este duro momento no purgatório da encarnação seja menos penoso e mais produtivo; que quando dele nos despedirmos possamos dizer: – valeu a pena!

  1. Vaclav Havel, já falecido (Praga, 5 de outubro de 1936 – Praga, 18 de dezembro de 2011) foi um escritor, intelectual e dramaturgo. Foi o último presidente da República Tcheca.
  2. RIE – Revista Internacional de Espiritismo – janeiro 2016