Walkiria Lucia Araujo Cavalcante – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.” — (1ª EPÍSTOLA AOS CORÍNTIOS, 15, versículo 19.)

Bendita possibilidade de nos encontrarmos diante do Mestre Jesus. E não falamos somente dos abnegados que renunciando a si, convivemos no passado com o Mestre. Falamos de todos aqueles que trazem a sua presença para convivência diária de suas vidas. Jesus vive. Ele nunca nos deixou. Porque cada um que vive e trabalha em sem nome está fazendo algo que o glorifica, fazendo com que a Sua presença fique mais forte.

Jesus Vive. Vive em cada um de nós. Ele é quem nos conduz os passos e nos fortalece sempre. Encontramos o título deste artigo no Livro Caminho, Verdade e Vida, cap. 123. Quando falamos em esperar em Cristo, a primeira impressão que pode passar é que deveremos aguardar o retorno do Messias para que possamos fazer algo de bom ou promover a mudança necessária do entendimento humano.

Esperar em Cristo. Acreditar que o Mestre nos ama e que a Sua mensagem antes de serem palavras, são atitudes de renovação íntima. O Mestre Rabi convoca-nos a pegarmos a enxada de nossas vidas e arar o terreno (situações) para extrairmos da terra (reencarnação) o melhor que possa ser extraído. Assim, plantaremos para podermos colher no futuro (próximo ou distante) as sementes do bom ânimo, da renúncia, da esperança, da determinação, da perseverança e por fim da auto-iluminação.

A grande busca da criatura é a auto-iluminação. Quando se afirma que somos herdeiros de nós mesmos, trazemos o entendimento que a criatura planta e colhe constantemente em proveito próprio, em primeiro lugar, e como consequência, em proveito dos outros também. Sendo o conhecimento espírita um grande facilitador do entendimento das verdades espirituais trazidas por Jesus.

Cada pessoa percebe estas verdades de uma forma peculiar. Cada um a seu modo faz contato com o Eu Divino que habita em si de uma maneira. Além dos fatores sócio-culturais vigentes, trazemos de reminiscências transatas um acabouço de experiências que eclodem ora ou outra, sendo que em alguns momentos nem detectamos com exatidão, acabando por atribuir a influência de desencarnados atitudes que provêm destas sub-personalidades.

“Jesus não foi o biótipo de legislador convencional. Ele não veio submeter à Humanidade nem submeter-se às leis vigentes. Era portador de uma revolução que tem por base o amor na sua essencialidade mais excelente e sutil, e que adotado transforma os alicerces morais do indivíduo e da sociedade.” (Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda, cap. 3 Soberanas Leis)

Para compreendermos a mensagem Crística precisamos mergulhar em seu psiquismo de amor. Entendendo que a criatura é um todo que forma-se com partes de si mesmo construídas em todo processo evolutivo da criatura até a presente data. Vivenciamos hoje o necessário para a evolução não como estrutura de justiça punitiva-destrutiva, mas como educativa-reabilitadora. Por sermos espíritas e acreditarmos, coerentemente, que estamos aqui num processo de reajuste moral com consequências (ora ou outra) físicas, alguns tem a tendência em exarcerbar o reajuste, acabando por tender, neste momento para a punição, esquecendo-se do processo evolutivo de educação e reabilitação, sendo este binômio o grande foco da criatura encarnada.

As duas formas de pensar: punitiva-destrutiva e educativa-reabilitadora levam a criatura ao mesmo movimento, sair da inércia presente. Sendo que o primeiro faz com que a criatura o faça por medo do sofrimento, criando pessoas com medos e fobias. O segundo proporciona o entendimento do fato, a necessidade de aprendizado e o desejo sincero de mudança. Este pensamento faz com que a criatura não enxergue o momento presente como algo triste, pesado e difícil de ser vivido, mas como uma etapa necessária no processo evolutivo.

Ao trazermos o conhecimento espírita para nossas vidas, trazemos, em primeiro lugar a esperança de uma nova vida. Vida em sentido eterno. Fazendo com que o nosso caminhar torne-se mais suave mesmo diante das pedras que pisamos ao longo da jornada. Produz-nos também a determinação. Quando acreditamos que podemos conseguir algo, nos movimentamos num processo de dentro para fora para conseguirmos, a determinação nos faz isso. Nascendo a persistência. Quando desejamos algo material nos esforçamos por conseguir, em algumas situações superando o limite das próprias forças físicas. Assim também o é quando entendemos o sentido da encarnação.

Esperar em Cristo. Não significa ficarmos parados acreditando no retorno do Messias, porque em verdade Ele nunca nos deixou. Sempre que fazemos algo em seu nome ativamos células de amor que existem em nós. A melhor forma de convencer o outro que algo é bom é vivenciar este algo em plenitude. Não devemos querer converter o mundo com palavras, esperar em Cristo é ter resignação sim diante das intempéries, mas movimentar-se produzindo o máximo de bem que possamos em nosso proveito e em proveito do próximo.

Evoluímos através do outro. Esta é a Lei. Lei que nos une a todos e faz com que caminhemos com segurança. Esperar em Cristo, produzir em Cristo, trabalhar em Cristo, enfim Ser em Cristo.

Jornal O Clarim – janeiro de 2016