Walkiria Lucia Araujo Cavalcante – walkiria.wlac.yahoo.com.br 

“Perseverai no bem! Unidos seremos resistência, fragmentados seremos vencidos em nossos objetivos essenciais. Temos o direito de discrepar, de pensar de maneira diferente, e o dever de discutir, de expor, mas não de dissentir. Evocando o Encontro de Jerusalém, quando as duas figuras exponenciais do Evangelho de Jesus, Pedro e Paulo, enfrentaram-se para debater paradigmas de alta relevância na divulgação do Evangelho límpido e cristalino, que Jesus trouxe para todos, sem privilégio nem preconceitos e foi o amor que venceu as opiniões divergentes e que, em lágrimas, fez que o primeiro concílio dos Cristãos se transformasse na pedra angular da divulgação da Verdade, depois que o Mestre retornou aos Páramos Divinos.” (Pelo Médium Divaldo Pereira Franco, na Reunião do Conselho Federativo Nacional, da FEB, em 08 de novembro de 2015)

Retiramos o título do subitem III, do item Constituição do Espiritismo. Exposição de Motivos, Segunda Parte, do Livro Obras Póstumas. Quem poderia ser considerado o Chefe do Espiritismo? O Espiritismo tem Chefe?

Não podemos confundir a orientação dada pelas Federativas e pelas Instituições Espíritas como chefia perante o movimento espírita. O Evangelho Segundo o Espiritismo, logo em sua Introdução: II – Autoridade da Doutrina Espírita demonstra que a Universalidade dos ensinamentos dados pelos Espíritos constitui-se como instrumento de coesão e de divulgação da mensagem.

A revelação espírita não representa privilégio de nenhum grupo, assenta-se na compreensão e no entendimento da mensagem, outrora trazida por Jesus e agora solidificada com a comprovação da existência dos espíritos. Por isso dizemos: Espiritismo ou Doutrina dos Espíritos. Pois eles constituem a base e a existência da Doutrina. Em seu tríplice aspecto religioso, filosófico e científico, preenche as lacunas existências da compreensão humana do que se constitui a existência do ser. De onde viemos, qual a utilidade/necessidade de aqui estarmos e para onde iremos. Questões que permeiam o inconsciente humano e nos faz caminhar em direção ao progresso e entendimento humano, da própria criatura, a princípio, e do todo, como consequência natural.

A Universalidade das informações nos proporciona uma consolidação da mensagem. Fazendo que ela seja transmitida em massa, proporciona maior veracidade da mesma. Mas para divulgação da mensagem é necessário o mínimo de padrão, análise e conhecimento doutrinário são necessários para que se possa separar o joio do trigo e trazer para o conhecimento comum à explicação de verdades irrefutáveis.

Kardec demonstrava preocupação com relação a este corpo de pessoas que fariam tal verificação e como o movimento espírita deveria ser conduzido. Vemos isto, por exemplo, em O Livro dos Médiuns, quando no capítulo XXX, traz o Regulamento da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Falando-nos da seriedade do que vem a ser fazer parte de um movimento como este; da abordagem doutrinária nas reuniões abertas ao público ou não; do estudo necessário que deve ser feito constantemente pelos que fazem parte do movimento; da responsabilidade que temos uns sobre os outros, dentro e fora do movimento; do crivo necessário das obras ditas espíritas; etc.

Verificamos isto, também no livro Obras Póstumas, já citado no primeiro parágrafo, que nos mostra que a princípio havia a necessidade de centralizar a orientação da divulgação da mensagem em uma única pessoa, Kardec, mas que tão logo foi possível, foi criada a Comissão Central e as Instituições Acessórias.

Não podemos falar em organização, disciplina se não falarmos em normativos, regras e correlatos que constituem a orientação basilar para qualquer grupo que queira trabalhar na divulgação de qualquer instrumento literário. “O essencial é que estejam de acordo sobre os princípios fundamentais; … Sobre as questões pendentes de detalhe, pouco importa a sua divergência, uma vez que é a opinião da maioria que prevalece.” É assim que as Federativas devem agir, tendo como Órgão Central orientador a Federação Espírita Brasileira, que nos traz as orientações e delimitações doutrinárias. As Instituições Espíritas funcionam como Unidades de Base, que verificam as demandas e ao mesmo tempo são transmissores da mensagem trazida pelo Órgão Central.

Divergências existem. Não podemos permitir que hajam dissensões no movimento. Com relação às verdades básicas que constituem a própria razão de existir do movimento, não pode haver querelas, só explicações. “Unidos seremos resistência, fragmentados seremos vencidos em nossos objetivos essenciais.” Assim que devemos ser sempre no movimento espírita, brasileiro, paraibano: Unidos, iguais ao feixe de varas. Pois desta forma, seremos resistência, conseguiremos disseminar o Evangelho de Jesus, pelo amor que nos une, pelo raciocínio lógico que nos conduz.

Parabéns a Federação Espírita Paraibana pelo seu centenário. Orientando-nos e trazendo-nos a solidez necessária para a divulgação do movimento espírita no estado da Paraíba.

Tribuna Espírita – novembro/dezembro 2016