Octávio Caúmo Serrano caumo@caumo.com

Além de atuar no nosso centro espírita, o Centro Kardecista “Os Essênios”, sempre fiz palestras ou ministrei aulas em outras casas espíritas da Grande São Paulo. Uma casa onde eu ia regularmente, inclusive para aprender um pouco mais, era o Centro Espírita Fabiano de Cristo dirigido pelo querido e saudoso confrade e particular Amigo Roque Jacintho; meu maior orientador e incentivador.

Segundo o Espiritismo, Fabiano de Cristo, teria sido o Padre José de Anchieta que fundou a cidade de São Paulo ao lado de Manoel da Nóbrega, cujo nome de batismo era Ermano Manuel, que ele assinava E. Manuel, uma das encarnações do nosso Emanuel, mentor do Chico.  O nome da cidade é homenagem ao mentor da Capital,  Paulo de Tarso, o grande precursor do cristianismo. Fabiano foi também o português José Barbosa, nascido em Soengas, Portugal em 1676 que imigrou para o Brasil estabelecendo-se com comércio em Paraty no Estado do Rio de Janeiro. Em 1705, foi para o Convento Santo Antônio do Rio de Janeiro, onde desempenhou  a função de porteiro. Por volta de 1708, assumiu o cargo de enfermeiro, embora sem conhecimento nessa área. Na enfermaria, como em todos os cargos que ocuparia, o seu amor seria exemplo de dedicação. Optou por dormir junto com os doentes, noite e dia, para o caso de algum precisar de seus cuidados. Serviu nesse posto quase quarenta anos.

Prevendo a própria morte, anunciou-a com três dias de antecedência. Em 17 de Outubro de 1747, pelas duas da tarde, rodeado pelos irmãos, faleceu. Uma multidão acorreu ao convento para se despedir do religioso. Dizem que se despediu do Superior do Convento e pediu-lhe para abraçar, um por um, todos os enfermos e companheiros da enfermaria um dia antes de sua morte. A sua ossada ainda se encontra no Convento em que passou maior parte de sua vida e não são poucos os que ali vão para pedir graças ou a cura de enfermidades. Segundo os adeptos da Doutrina Espírita até hoje ele trabalha na Casa de Fabiano, na espiritualidade, em favor dos necessitados inspirando mãos amigas no planeta. Diversas instituições foram fundadas com o seu nome. São muitas as curas atribuídas ao espírito de Frei Fabiano de Cristo. Quem consultar o livro Fabiano de Cristo, o peregrino da caridade, de Roque Jacintho, lerá casos interessantes e verá na capa a imagem desse servidor de Jesus. Sua estampa é a figura viva da humildade.

Certo dia, submetendo-me a um tratamento médico-espiritual com o Dr. Américo, entidade recebida pelo amigo Roque, o médium me disse: – Octávio, Frei Fabiano disse que vai ajudá-lo no seu Centro Espírita. Agradeci, mas não levei muito em conta porque, além da amizade com o Roque, um eterno cavalheiro que sempre me estimulava no trabalho, Frei Fabiano tem compromissos demais. Onde arranjaria tempo para me ajudar nos Essênios. Esqueci o assunto.

Passados quinze  dias, no serviço de passes que eu dirigia, deu-se o seguinte: Tínhamos duas médiuns maduras, Da. Leonízia Senst que havia participado do colégio mediúnico da Federação Espírita do Estado de São Paulo e Da. Nazaré Lapa de Almeida que trabalhava também no Lar Fabiano de Cristo, onde era encarregada da sopa para os pobres e a nossa maior incentivadora (da minha mulher e minha) para que estudássemos o Espiritismo. Uma frase dela: “Estudem a Doutrina. De médium burro o Espiritismo está cheio.”

Iniciados os trabalhos, Da. Leonízia diz: – Seu Octávio, Frei Fabiano pede para avisar que está presente. Ressalte-se que ela não sabia nada do meu contato com o Roque nem sobre ele e não tinha ideia da sua figura. Completou: – Não sei o que ele quis dizer. Deve ser com Da. Nazaré que trabalha também no outro centro. Disse-lhe que não e que eu sabia por que ele mandou o recado. Para que um descrente (eu), passasse a acreditar um pouco. Frei Fabiano cumpriu a promessa e foi nos visitar.

Na semana seguinte recebemos um jornal espírita editado em São Paulo e na capa estava a figura de Fabiano. Vendo o jornal sobre o balcão, Da. Leonízia assustou-se e disse: – É esse homem que falou comigo. É o Frei Fabiano. – Foi ele que eu vi na quarta passada. Não o conhecia. Nunca mais tive qualquer notícia do amigo espiritual, mas creio firmemente que ele me acompanhou e, quem sabe, ainda me acompanhe e me oriente nos trabalhos que faço. Não dá mais para não acreditar. Tenho muitas ideias que, claramente, não são minhas,

Quanta ajuda similar recebemos mesmo sem ser anunciadas ou sabermos. Da mesma forma que obsessores tentam se aproveitar das nossas falhas, os mentores do bem nos estimulam para que sejamos mais um colaborador na melhoria do mundo!

Depois desse episódio, mais atentos, recebemos outros recados de diferentes espíritos e temos a certeza do trabalho conjunto executado pelos dois planos. Mas há tarefas que competem aos encarnados e não podem ser delegadas. Oremos e vigiemos!

Tribuna Espírita – janeiro/fevereiro 2016