O trabalhador Espírita

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Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante – walkiria.wlac@yahoo.com.br 

“Verá ele, então, coroados de êxito os seus esforços e um grão produzir cem e outro mil. Animo, trabalhadores! Tomai dos vossos arados e das vossas charruas; lavrai os vossos corações; arrancai deles a cizânia; semeai a boa semente que o Senhor vos confia e o orvalho do amor lhe fará produzir frutos de caridade.” (Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XVIII, item 15) 

Aportar verdadeiramente no movimento espírita significa compreensão da Verdade e comprometimento com a mudança de atitude. A doutrina nos apascenta a alma indicando-nos o caminho a seguir e ungido-nos do Amor do Cristo Jesus para que tenhamos êxito no propósito alcançado.

Ao lermos O Livro dos Médiuns em seu capítulo intitulado Dissertações Espíritas, especialmente nos itens X a XV, vemos espíritos como Joana D’Arc e O Espírito de Verdade falarem sobre os médiuns. Classe que não se constitui de seres a parte ou especiais da criação divina, mas criaturas que possuímos uma ferramenta de trabalho, que é a mediunidade, a nos auxiliar e fortalecer a caminhada enquanto procuramos ajudar e fortalecer os que estão ao nosso redor através dela.

Se com relação aos trabalhos em geral que nos são ofertados no movimento espírita, existem aqueles que afirmam que só estão porque um dia foram ajudados numa instituição; existem aqueles que se declaram médiuns trabalhadores da seara espírita porque sentem a presença dos espíritos. Isto não se constitui uma verdade. Pois existem médiuns nas mais variadas religiões executando a prática da comunicabilidade com os mortos segundo a carne e que estão perfeitamente ajustados a estas religiões.

Não estamos com isso querendo afastar ninguém do movimento, muito pelo contrário. Desejamos demonstrar o real comprometimento que temos diante da doutrina e diante da mediunidade. Joana D’Arc nos apresenta o termo mediunato, um compromisso que assumimos perante Deus de sermos transmissores das mensagens que nos chegam contando com o concurso do Mais Alto. O nobre espírito alerta-nos sobre a vigilância necessária para a execução deste trabalho e de como os elogios podem ser perniciosos diante de uma criatura que não esteja devidamente consciente do trabalho abraçado.

Mostra-nos também a sintonia de amor que vincula as criaturas dos dois planos através da prática do bem. Pascal (item XIII) alerta-nos do necessário recolhimento, das sadias intenções e do desejo de fazer o bem. São trabalhos que não podem ser improvisados. Não podemos contar somente com a boa vontade. Na questão 64 do Livro Qualidade na Prática Mediúnica encontramos: “A boa vontade não basta. Já afirmava Goethe que ‘não pode haver nada pior de que um indivíduo com grande dose de boa vontade, mas sem discernimento de ação’. Acontece que a pessoa de boa vontade, não sabendo desempenhar a função a contento, termina fazendo uma confusão terrível.”

A criatura confunde-se, confundindo os outros. Pior, prejudica-se prejudicando os outros e a Doutrina como um todo. Pois são propagandistas equivocados que transmitem algo inverossímil da Doutrina Espírita. Ouço, ainda hoje, a preocupação sobre “a falta de caridade” com aqueles que não estão fazendo o correto, que entendem como deve ser feito e mesmo assim não fazem, acabando por exigir uma atuação mais incisiva por parte dos Dirigentes Espíritas. O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. X, item 19 a 21 fala-nos sobre se é permitido repreender os outros, notar as imperfeições de outrem, divulgar o mal de outrem. Sempre que possível, que se faça em particular, a sós com a pessoa. Com um fim útil, não pelo prazer de denegrir. O que não podemos é fingir que o mal não existe para não termos que ter participação na corrigenda necessária.

O Evangelho nos diz sobre a conveniência de desvendar o mal de outrem: “É muito delicada esta questão e, para resolvê-la, necessário se toma apelar para a caridade bem compreendida. Se as imperfeições de uma pessoa só a ela prejudicam, nenhuma utilidade haverá nunca em divulgá-la. Se, porém, podem acarretar prejuízo a terceiros, deve-se atender de preferência ao interesse do maior número. Segundo as circunstâncias, desmascarar a hipocrisia e a mentira pode constituir um dever, pois mais vale caia um homem, do que virem muitos a ser suas vítimas. Em tal caso, deve-se pesar a soma das vantagens e dos inconvenientes.”

Reafirmamos que são trabalhos que não podem ser improvisados, mas isto não significa dizer que precisamos esperar anos para executá-los. Devemos sim, ter o devido respeito ao que estamos fazendo, tratando de uma forma séria e estudando sempre. Pascal no referido item XII diz: “Que o médium, entre vós, que não sinta força para perseverar no ensinamento espírita, se abstenha; porque não aproveitando a luz que o ilumina, será menos escusável do que um outro, e deverá expiar a sua cegueira.”

Não estamos obrigados a nada. Mas se nos dispusermos a fazer, temos que agir da forma mais correta possível, fazer bem feito. Sendo melhor nos eximirmos da execução, tendo a consciência das futuras consequências, pois ninguém é médium por acaso. Assumimos uma responsabilidade antes de reencarnamos e deveremos dar conta da melhor forma possível deste comprometimento abençoado assumido. Deixando o amor-próprio de lado e a cegueira do fanatismo que tolda a visão e retarda os passos.

Tendo no Mestre Jesus o nosso modelo. Vendo Nele uma criatura operante, que não se eximiu de fazer o certo, mesmo que isto representasse a cruz. Temos as nossas cruzes a carregar, não podemos nos acovardar diante das possíveis celeumas que possam surgir. O Mestre não recuou no seu apostolado, também nós não deveremos recuar diante de nossas tarefas, sabendo que Ele está a nos sustentar os passos. O momento é de separação do joio do trigo. Sejamos o trigo!

Jornal O Clarim – março de 2016

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Espíritas Professos

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Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“Essa qualificação [Espíritas Professos], repousando sobre uma base precisa e definida, não dá lugar a nenhum equívoco, permite aos adeptos que professem os mesmos princípios e caminhem no mesmo caminho, se reconhecerem sem outra formalidade senão a declaração de sua qualidade, e, havendo necessidade, a produção de seu título. Uma reunião composta de espíritas professos, será necessariamente tão homogenia quanto o comporta a Humanidade.” (Livro Obras Póstumas, Segunda Parte, VIII – Do Programa das Crenças)

Parafraseando o Evangelho Segundo o Espiritismo: Não basta dizer-se espírita, é preciso sê-lo. O nobre Codificador trazia esta preocupação desde o princípio, pois sabia que entre os adeptos do Espiritismo se encontrariam também aqueles que desejariam conspurcar seus princípios e aqueles que mesmo adeptos da informação espírita não estavam dispostos à compreensão da mensagem.

Um dia, a criatura já cansada de trilhar por caminhos já conhecidos, mas que não levam a lugar nenhum, aporta nas fileiras evangélicas do movimento espírita, tendo a porta consciencial batida pelo o desejo de um porvir melhor e por saber que o que está vivenciando não corresponde mais as expectativas, resolve-se por aprofundar o interesse por esse ou aquele aspecto do movimento.

Pois bem, com o passar do tempo verifica o sorriso de prazer não material no semblante de quantos estão trabalhando como divulgadores do movimento, não importando o que estão fazendo. Querem também fazer parte. Querem de alguma forma também ter este prazer e o sorriso no rosto.

Mas a vida apresenta-se com várias nuanças. Nuanças essas que cobram um proceder adequado. Família, amigos, sociedade pedem e são aquiescidos seus desejos, que nem sempre estão de acordo com a mensagem espírita. Por isso, a criatura embaraça os passos e acaba por prejudicar o próprio avanço evolutivo. Mudando de sintonia, de forma quase imperceptível a princípio, passa a fazer um movimento inverso, sem empregar o esforço necessário para subir e por não conseguir avançar, tenta trazer para baixo os que estão insistindo na boa caminhada.

A reflexão que fazemos não é pela ignorância completa das solicitações, mas para analisarmos o melhor e o mais correto para nós. A evolução é individual e indelegável. As escolhas são nossas. A relação de afeto não obrigatoriamente nos convida ao melhor. Convida-nos ao que estamos sintonizando naquele momento, no que emanamos e absorvemos do que nos circunda.

A medida da nossa crença em algo não é o quanto nos dizemos adeptos desse algo, mas como nos comportamos perante esse algo. A titulação de “espíritas professos” nos traz um tratado, mesmo que psicológico, que estamos comprometidos com o bom encaminhamento da Doutrina Espírita. Que o nosso comportamento não irá desabonar aquilo que estamos professando. Que existirá uma homogeneidade de princípios que serão a base que nos conduzirá a todos que estamos vinculados com o mesmo intuito.

Temos em O Livro dos Médiuns um capítulo inteiro dedicado em incutir nos novos adeptos da Doutrina Espírita o desejo pelo estudo e pela compreensão da boa prática espírita. E o livro traz um encadeamento lógico, pois primeiro prova-nos a Existência dos Espíritos (capítulo I), depois fala-nos do Maravilhoso e do Sobrenatural (capítulo II) até chegar ao referido item que destrincha os mais variados tipos de criaturas. Começando pelos materialistas, passando pelos mais variados tipos de incrédulos e espíritas.

Mas o que gostaríamos de destacar é quando ele nos fala dos espíritas exaltados (item 28): “O exagero é nocivo em tudo; em Espiritismo, dá uma confiança muito cega e, frequentemente, pueril nas coisas do mundo invisível, e leva a aceitar, muito facilmente e sem controle, o que a reflexão e o exame demonstrariam a absurdidade ou a impossibilidade; mas o entusiasmo não reflete, deslumbra.”

Ser espírita equivale à participação numa maratona, não numa corrida de “tiro curto”. Precisamos trabalhar o fôlego moral para resistirmos às intempéries: o competidor desleal, companheiros de jornada espírita que aqui e acolá acabam por tentar entravar nossos passos; a chuva, as lágrimas que nos lavam a alma e nos coroam os passos, quando compreendemos bem a lição; a pedra no tênis, as dificuldades que nos acompanham por vezes a encarnação inteira e que aprendemos bastante com elas; para que possamos um dia ultrapassar a linha de chegada, momento este que desencarnamos e olhamos para traz. Vislumbramos tudo o que fizemos e ganhamos novo fôlego para a próxima etapa.

Reafirmamos que não é um título nem tão pouco a assinatura de aceitação de um estatuto que faz alguém espírita ou não. Mas a partir do momento, sendo este o pensamento que gostaríamos de disseminar, que nos dizemos espíritas, honremos esta titulação. Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más.” (Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XVII, item 4).

Ser espírita não é fazer parte de um clube. Mais um. É procurar absorver ao máximo as informações trazidas pelos Guias da Humanidade e fazer uma mudança, uma verdadeira revolução no próprio comportamento. Reclamamos, em geral, que o mundo não está como gostaríamos que estivesse, mas somos mundos individuais dentro do grande mundo, chamado Terra. Cada um modificando-se conseguirá contribuir de forma positiva para modificação do Planeta Terra.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – março 2016

É preciso nascer novamente

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Octávio Caúmo Serrano

Apesar de a maioria da humanidade ser reencarnacionista, praticamente todos os povos orientais o são, entre nós os cristãos a reencarnação não é levada a sério. A não ser pelos espíritas que já acreditam na sua existência, embora nem sempre a aproveitem devidamente. Todos os cristãos leem o mesmo evangelho que os espíritas, e lá está que ninguém verá o reino de Deus se não nascer novamente. Apesar disso, fantasiam sobre o que Jesus teria realmente dito. Esse nascer de novo é mais filosófico do que real, ou seja, a volta do espírito a um novo corpo.

Mas para que reencarnamos? É uma pergunta natural. Para crescermos em conhecimento e virtudes. Mas por que é preciso reencarnar para termos essas conquistas? Porque as dores do mundo são professoras valiosas para nos convencer de que ou amadurecemos espiritualmente, compreendendo nossas inferioridades e necessidades de vencê-las, ou padecemos indefinidamente. O doente que não se cura, sofre sempre.

É por isso que ao nascermos novamente no mundo material, convivemos com pessoas difíceis, desafetos de outras vidas, ou não, mas criaturas igualmente imperfeitas e com as quais temos de lutar na defesa de interesses mundanos. Ora são familiares, ora companheiros de trabalho, de escola ou religião. Em todos os locais onde estamos temos pessoas com as quais nos harmonizamos e outras com as quais nos conflitamos. Quando não são ligações de outras vidas, são testes com desconhecidos para testarmos o que já aprendemos. Se já temos paciência, aceitação, a grandeza do perdão e demais virtudes para se viver serenamente.

Há quanto tempo estamos fazendo esse exercício? É também outra pergunta. A resposta é: Há muito tempo. Mas esse muito tempo não pode ser medido em anos, séculos ou milênios. É muito mais que isso. Se hoje, evangelizados, somos ainda tão imperfeitos, fazemos tantas coisas erradas, nos aprimoramos tão pouco numa encarnação de 70/80 anos, fácil imaginar como éramos quando nós nenhum conhecimento tínhamos da continuidade da vida e da necessidade das múltiplas existências.

Quantas encarnações serão necessárias até que sejamos espíritos puros ou pelo menos mais espiritualizados? Não há número certo porque cada um colherá segundo suas obras. O que alguém consegue em uma encarnação outros precisarão de várias e até dezenas. Basta olharmos os homens no mundo e ver a diferença que há entre eles. De atitudes e de comportamento diante da vida. Para uns, um prejuízo mínimo é uma tragédia; outros são resignados e não se entristecem com pequenos  infortúnios.

Acreditamos que hoje aqueles que estão esclarecidos sobre a reencarnação e suas consequências, aproveitarão melhor esta fase de sua vida eterna. Caso típico dos espíritas já conscientizados de que renasceram por mais um ato da misericórdia divina. Não renasceram como castigo, mas como oportunidade para aprender. Suas reações diante dos problemas do mundo são menos aflitas; têm mais fé de que o comando é de Deus e só nos acontece o que é preciso para o nosso treinamento rumo à felicidade.

Todos os espíritos precisam reencarnar, poderiam também perguntar? Sem exceção. Até Jesus foi um reencarnante antes de ser o Governador da Terra. Há milênios.

É verdade que nem sempre voltamos por vontade própria. Enquanto somos muito atrasados preferimos ficar na espiritualidade que parece mais agradável. Sem falar de espíritos que nem sabem que precisam reencarnar. Não a compreendem e acreditam que o único mundo que existe é o espiritual. Confirmem na pergunta 331 de O Livro dos Espíritos.

É preciso viver de maneira a aproveitar a encarnação, sabendo o que isso significa, Não é comer muito, passear além da conta, divertir-se sem reponsabilidade. Aproveitar a vida é valorizar o tempo. Embora 60/70/100 na Terra pareçam muito, na verdade não passam de minutos no relógio da eternidade. Cuidado, quando menos esperamos somos chamados de volta para a casa. E aí não temos desculpa. E ninguém diga que não sabia. Sabíamos sim; o que faltou foi coragem!

Jornal O Clarim – março de 2016

 

El tiempo y las eras

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“Muchos serán los llamados y pocos los escogidos.” – Jesucristo (MT 22:14)

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

¿Será qué entendemos correctamente lo qué ha dicho Jesucristo cuándo nos dio tal información?

Al examinarse las fases de la historia humana, en cuanto a las revelaciones espirituales, vemos que hay una cronología inteligente que no atropella nuestros conocimientos, llegando siempre en la medida cierta, ofreciéndonos lo que podemos asimilar. Por eso vino primer Moisés, después Jesucristo y finalmente el Espiritismo; la secuencia no podía ser otra.

De Moisés hasta Jesucristo se pasaron 1.200 años y el Espiritismo surgió solamente 18 siglos y medio después de Jesucristo, un aumento de 50% en el tiempo para venir a la Tierra con relación a las Leyes Mosaicas. ¿Por qué tardó tanto? En verdad, si no fuese por los pocos escogidos aún no habría venido. Jesucristo demostró confianza en los pocos que ya tenían disposición para dar pequeño empuje en la civilización de la Tierra, para que el reino de la paz, un día, finalmente se establezca entre los hombres. Sabía que serían más decididos de que sus 12 discípulos que solamente lo reconocieron después que Él se fue. Serían más perseverantes que los 500 de Galileia que luego desertaron y de que los 72 que fueron a los pares predicar con la recomendación de no cargar siquiera el polvo en la sandalia de los que se recusasen a oír la buena noticia; dirían “paz sea con ustedes” y se despedirían.

Como el ciclo evolutivo del planeta no podría más esperar, Jesucristo sabía que en la Tierra estaban encarnados o programados y disponiéndose para nacer, criaturas como Bezerra de Menezes, Vianna de Carvalho, Cairbar Schutel, Yvonne Amaral Pereira, Batuíra, Fabiano de Cristo, Teles de Menezes, Leopoldo Cirne, Chico Xavier, Léon Denis, Camille Flammarion, Eusápia Palladino, Pedro Camargo, Hippolyte Léon Denizard Rivail y tantos otros que se portaron como pilastras para las bases y los primeros pisos del edificio espiritual de la nueva doctrina. Muchos otros nombres aquí no mencionados, por fallo de memoria o de conocimiento, colaboraron en la obra. Sus nombres están inscritos en el Cielo. Ni hablamos de los que son pilastras en este inicio de milenio y que nacieron en meados del siglo XX.

Después de 150 años, los espiritistas convencidos, los que aplican la ley desde sí mismos, aún son pocos, pero de una calidad tal que se capacitan como agentes multiplicadores de las revelaciones en los ambientes donde viven: en el hogar, en la escuela, en el trabajo, en el templo o en la calle. Son ejemplos copiados por los que ya tienen discernimiento y buen sentido. No es sin motivo que los espiritistas, víctimas del prejuicio religioso que aún persiste en la actualidad, son reconocidos como personas de bien y caritativos. Y a cada día el concepto mejora. El número de adeptos crece porque el Espiritismo es fundamentado en la razón y no en los dogmas que ya no aceptamos sin razonar.

Cuando nos fue dicho que el Cielo y la Tierra no pasarían hasta que fuese pago el último centavo, significaba que la separación sería hecha cada vez más deprisa. Si dependiese de una humanidad totalmente regenerada para que el Espiritismo viniese a la Tierra, tardaría muchos milenios y no solamente 18 siglos. Perciban cómo Jesucristo confía y espera mucho de los espiritistas para la consolidación de su Evangelio entre nosotros.

“Muchos serán los llamados”, dijo Él. Diríamos nosotros: Todos serán los llamados, pero pocos se escogerán. El llamado es divino, sin embargo la elección es personal e intransferible. El libre-albedrío decide lo que anhelamos para nuestra vida. Como el entendimiento aún es poco, el número de los que se deciden por este camino es pequeño. La convicción aún no llegó a todas las mentes y corazones.

Los espiritistas que están aún tibios, que mezclan su vida mundana con las responsabilidades espirituales, necesitan prestar más atención a su comportamiento. Como dijo Frei Beto en un texto de 1º de enero de 1997, “es preciso que el líder de los derechos humanos no humille a su mujer en la casa; la maestra de ciudadanía no eche papel en el suelo; los niños cedan el lugar a los más viejos; y la distancia entre el público y el privado sea disminuida por el puente de la coherencia”. Que decir sea igual al ser y al hacer. Que las lecciones sean enseñadas más por el ejemplo de que por las palabras. El Amigo Éder Fávaro dice que en vez de entregar mensajes a las personas tenemos de ser el propio mensaje; mostrar en vez de hablar.

Tan pronto llegué al Espiritismo, charlando con un líder de un centro espiritista, llevé un susto cuando él me dijo, seriamente: “En el centro yo soy la persona que representa esta casa, pero afuera yo soy un hombre común, me gustan unas farras, una cerveza, etc. Al final, yo también soy humano”. A pesar de novicio en la doctrina, en aquella hora ya percibí el absurdo que aquel “líder espiritista” decía.

Tengo gratas remembranzas de mi padre, albañil analfabeto, que murió a los 54 años. No era espiritista ni lo vi orar por ninguna doctrina; sin embargo, un cristiano nato. Nunca me enseñó con palabras; prefería mostrar en él lo que gustaría que yo fuese. Era el Evangelio ambulante, vivido en los pequeños hechos de su vida. Estoy cierto de que él era uno de los escogidos, aunque, creo, ni siquiera él supiese. Son almas maduras, de sabiduría, que viven una encarnación de aprendizaje y rescate como obrero, analfabeto, pero superan la falta de las letras con la madurez que ya conquistaron.

Cuando Jesucristo reclutó a sus seguidores los buscó entre pescadores y personas de vida simple. No tenemos de argumentar que se los falta conocimiento para ser seguidores del Cristo; basta ser honesto y amar al prójimo. Recordar que son los pocos escogidos que arreglarán el mundo. Los buenos, los genios, los doctos, los humildes forman una excepción en la sociedad planetaria. Por eso ni siempre son reconocidos en su tiempo. Hagamos por ser uno de ellos; y que Dios nos ayude. Es el único tesoro que construimos en la Tierra para llevar hacia el Cielo.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – marzo 2016

 

O tempo e as eras

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Rie_Março 3016

“Muitos serão os chamados e poucos serão escolhidos”. Jesus (Mt 22:14)

Será que entendemos corretamente o que Jesus disse quando nos deu tal informação?
Ao observar as fases da história humana, quanto às revelações espirituais, vemos que há uma cronologia inteligente que não atropela os nossos conhecimentos, chegando sempre na medida certa, oferecendo-nos o que podemos assimilar. Por isso veio primeiro Moisés, depois Jesus e finalmente o Espiritismo; a sequência não podia ser outra.
De Moisés para Jesus se passaram 1.200 anos e o Espiritismo surgiu somente 18 séculos e meio depois de Jesus, um acréscimo de 50% no tempo para vir à Terra em relação às Leis Mosaicas. Por que demorou tanto? Na verdade, se não fosse pelos poucos escolhidos ainda não teria vindo. Jesus demonstrou confiança nos poucos que já tinham disposição para dar pequeno impulso na civilização da Terra, para que o reino da paz, um dia, finalmente se estabeleça entre os homens. Sabia que seriam mais convictos do que os seus 12 discípulos que só o reconheceram depois que Ele se foi. Seriam mais perseverantes que os 500 da Galileia que logo desertaram e do que os 72 que foram aos pares pregar com a recomendação de não carregarem nem mesmo o pó na sandália dos que se recusassem a ouvir a boa nova; apenas diriam “paz seja convosco” e se despediriam.
Como o ciclo evolutivo do planeta não poderia mais esperar, Jesus sabia que na Terra estavam encarnados ou programados e preparando-se para nascer, criaturas como Bezerra de Menezes, Vianna de Carvalho, Cairbar Schutel, Yvonne do Amaral Pereira, Batuíra, Fabiano de Cristo, Teles de Menezes, Leopoldo Cirne, Chico Xavier, Léon Denis, Camille Flammarion, Eusápia Palladino, Pedro Camargo, Hippolyte Léon Denizard Rivail e tantos outros que se comportaram como pilastras para os alicerces e os primeiros andares do edifício espiritual da nova doutrina. Muitos outros nomes aqui não mencionados, por falha de memória ou de conhecimento, colaboraram na obra. Seus nomes estão inscritos no Céu. Nem falamos dos que que são pilastras neste início de milênio e que nasceram em meados do século XX.
Depois de 150 anos, os espíritas convictos, os que aplicam a lei a partir de si mesmos, ainda são poucos, mas de uma qualidade tal que se capacitam como agentes multiplicadores das revelações nos ambientes onde vivem: no lar, na escola, no trabalho, no templo ou na rua. São exemplos copiados pelos que já têm discernimento e bom senso. Não é sem motivo que os espíritas, vítimas do preconceito religioso que ainda persiste na atualidade, são reconhecidos como pessoas de bem e caridosos. E a cada dia o conceito melhora. O número de adeptos cresce porque o Espiritismo é fundamentado na razão e não nos dogmas que já não aceitamos sem raciocinar.
Quando nos foi dito que o Céu e a Terra não passariam até que fosse quitado o último centavo, significava que a separação seria feita cada vez mais aceleradamente. Se dependesse de uma humanidade totalmente regenerada para que o Espiritismo viesse à Terra, demoraria muitos milênios e não apenas 18 séculos. Percebam como Jesus confia e espera muito dos espíritas para a consolidação do seu Evangelho entre nós.
“Muitos serão os chamados”, disse Ele. Diríamos: Todos serão os chamados, mas poucos se escolherão. O chamamento é divino, mas a escolha é pessoal e intransferível. O livre-arbítrio decide o que desejamos para a nossa vida. Como o entendimento ainda é pouco, o número dos que se decidem por este caminho é pequeno. A convicção ainda não chegou a todas as mentes e corações.
Os espíritas que estão ainda mornos, que confundem sua vida mundana com as responsabilidades espirituais, precisam prestar mais atenção ao seu comportamento. Como disse Frei Beto num texto de 1º de janeiro de 1997, “é preciso que o líder dos direitos humanos não humilhe a mulher em casa; a professora de cidadania não atire papel no chão; as crianças cedam o lugar aos mais velhos; e a distância entre o público e o privado seja encurtada pela ponte da coerência”. Que o dizer seja igual ao ser e ao fazer. Que as lições sejam ensinadas mais pelo exemplo do que pelas palavras. O Amigo Éder Fávaro diz que em vez de entregar mensagens às pessoas temos de ser a própria mensagem; mostrar em vez de falar.
Logo que cheguei ao Espiritismo, conversando com um líder de um centro espírita, levei um susto quando ele me disse, seriamente: “No centro eu sou a pessoa que representa esta casa, mas fora daqui eu sou um homem comum, gosto de umas farrinhas, de uma cervejinha, etc. Afinal, eu também sou humano”. Apesar de noviço na doutrina, naquela hora já percebi o absurdo que aquele “líder espírita” dizia.
Tenho gratas recordações de meu pai, pedreiro analfabeto, que desencarnou aos 54 anos. Não era espírita nem rezador em qualquer doutrina, mas um cristão nato. Nunca me ensinou com palavras; preferia mostrar nele o que gostaria que eu fosse. Era o Evangelho ambulante, vivido nos menores acontecimentos de sua vida. Tenho certeza que ela era um dos escolhidos, embora, creio, nem mesmo ele soubesse disso. São almas maduras, de sabedoria, que vivem uma encarnação de aprendizado e resgate como operário, analfabeto, mas superam a falta das letras com a maturidade que já conquistaram.
Quando Jesus recrutou seus seguidores buscou-os entre pescadores e pessoas de vida simples. Não temos de argumentar que nos falta conhecimento para sermos seguidores do Cristo; basta ser honesto e amar ao próximo. Lembrar que são os poucos escolhidos que consertarão o mundo. Os bons, os gênios, os doutos, os desprendidos, os humildes formam uma exceção na sociedade planetária. Por isso nem sempre são reconhecidos no seu tempo. Façamos por ser um deles; e que Deus nos ajude. É o único tesouro que construímos na Terra para levar ao Céu.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – março de 2016