Octávio Caúmo Serrano

Apesar de a maioria da humanidade ser reencarnacionista, praticamente todos os povos orientais o são, entre nós os cristãos a reencarnação não é levada a sério. A não ser pelos espíritas que já acreditam na sua existência, embora nem sempre a aproveitem devidamente. Todos os cristãos leem o mesmo evangelho que os espíritas, e lá está que ninguém verá o reino de Deus se não nascer novamente. Apesar disso, fantasiam sobre o que Jesus teria realmente dito. Esse nascer de novo é mais filosófico do que real, ou seja, a volta do espírito a um novo corpo.

Mas para que reencarnamos? É uma pergunta natural. Para crescermos em conhecimento e virtudes. Mas por que é preciso reencarnar para termos essas conquistas? Porque as dores do mundo são professoras valiosas para nos convencer de que ou amadurecemos espiritualmente, compreendendo nossas inferioridades e necessidades de vencê-las, ou padecemos indefinidamente. O doente que não se cura, sofre sempre.

É por isso que ao nascermos novamente no mundo material, convivemos com pessoas difíceis, desafetos de outras vidas, ou não, mas criaturas igualmente imperfeitas e com as quais temos de lutar na defesa de interesses mundanos. Ora são familiares, ora companheiros de trabalho, de escola ou religião. Em todos os locais onde estamos temos pessoas com as quais nos harmonizamos e outras com as quais nos conflitamos. Quando não são ligações de outras vidas, são testes com desconhecidos para testarmos o que já aprendemos. Se já temos paciência, aceitação, a grandeza do perdão e demais virtudes para se viver serenamente.

Há quanto tempo estamos fazendo esse exercício? É também outra pergunta. A resposta é: Há muito tempo. Mas esse muito tempo não pode ser medido em anos, séculos ou milênios. É muito mais que isso. Se hoje, evangelizados, somos ainda tão imperfeitos, fazemos tantas coisas erradas, nos aprimoramos tão pouco numa encarnação de 70/80 anos, fácil imaginar como éramos quando nós nenhum conhecimento tínhamos da continuidade da vida e da necessidade das múltiplas existências.

Quantas encarnações serão necessárias até que sejamos espíritos puros ou pelo menos mais espiritualizados? Não há número certo porque cada um colherá segundo suas obras. O que alguém consegue em uma encarnação outros precisarão de várias e até dezenas. Basta olharmos os homens no mundo e ver a diferença que há entre eles. De atitudes e de comportamento diante da vida. Para uns, um prejuízo mínimo é uma tragédia; outros são resignados e não se entristecem com pequenos  infortúnios.

Acreditamos que hoje aqueles que estão esclarecidos sobre a reencarnação e suas consequências, aproveitarão melhor esta fase de sua vida eterna. Caso típico dos espíritas já conscientizados de que renasceram por mais um ato da misericórdia divina. Não renasceram como castigo, mas como oportunidade para aprender. Suas reações diante dos problemas do mundo são menos aflitas; têm mais fé de que o comando é de Deus e só nos acontece o que é preciso para o nosso treinamento rumo à felicidade.

Todos os espíritos precisam reencarnar, poderiam também perguntar? Sem exceção. Até Jesus foi um reencarnante antes de ser o Governador da Terra. Há milênios.

É verdade que nem sempre voltamos por vontade própria. Enquanto somos muito atrasados preferimos ficar na espiritualidade que parece mais agradável. Sem falar de espíritos que nem sabem que precisam reencarnar. Não a compreendem e acreditam que o único mundo que existe é o espiritual. Confirmem na pergunta 331 de O Livro dos Espíritos.

É preciso viver de maneira a aproveitar a encarnação, sabendo o que isso significa, Não é comer muito, passear além da conta, divertir-se sem reponsabilidade. Aproveitar a vida é valorizar o tempo. Embora 60/70/100 na Terra pareçam muito, na verdade não passam de minutos no relógio da eternidade. Cuidado, quando menos esperamos somos chamados de volta para a casa. E aí não temos desculpa. E ninguém diga que não sabia. Sabíamos sim; o que faltou foi coragem!

Jornal O Clarim – março de 2016