A melhor parte

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Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“À luz da Psicologia Profunda, o perdão é a superação do sentimento perturbador do desforço, das figuras de vingança e de ódio através da perfeita integração do ser em si mesmo, sem deixar se ferir pelas ocorrências afugentes dos relacionamentos interpessoais.” (Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda, cap. 11 – Reconciliação)

Sempre somos solicitados a buscarmos dentre dois caminhos, um. Precisamos em detrimento dos fatos e de acordo com a nossa vontade, escolhermos a melhor parte. Em determinados momentos a melhor parte é nos abstermos de escolher um dos lados e esperar a melhor parte que Deus reserva para nós.

Ao reencarnarmos cumprimos uma programação espiritual que nos vincula ao meio que iremos encarnar e as situações que nos encaminharão para o devido reajuste moral necessário para a evolução. Pois bem, vamos no caminhar dos tempos adquirindo experiências que nos permitem fazer as melhores escolhas em detrimento do aprendizado/reajustamento. Estas experiências proporcionam um cabedal de conhecimento para que possamos escolher a melhor parte que nos compete na encarnação.

Acontece, que seguindo o pensamento que não existe acaso, encontramo-nos mergulhados em meio ambiente inamistoso, diante dos propósitos que acreditamos abraçar e por mais que procuremos ajustar o caminho escolhido a base fundamentada de conhecimento, isto não nos garante o sucesso almejado, à princípio. Os que não tem conhecimento da doutrina espírita podem afirmar que isto faz parte dos castigos de Deus. Alguns espíritas, que estão sofrendo ataque de obsessores. Os aclarados da mente, entende que toda hora é hora de plantio, mas que não devemos nos furtar da colheita obrigatória.

Quando reencarnamos seguimos sim uma programação, mas isto não significa dizer que constitui-se numa carta fechada. Possuímos o livre arbítrio. Outro ponto a destacar é que somado a colheita atual que provem de outras encarnações, existe a colheita imediata do plantio presente. Representada pelo bem estar e felicidade proporcionada pelo dever moral cumprido. Porquê dever moral? Existem as reações do feito diretamente por nós, mas existem tantas outras que contribuímos para a execução dos outros. Somos partícipes dos atos alheios e nos vinculamos moralmente ao fato ocorrido. Mesmo que fisicamente, não tenhamos envolvimento.

Não significa que em virtude deste pensamento desenvolvamos nenhuma paranóia. Precisamos sim, estarmos conscientes do que estamos fazendo e os meios de atuarmos de forma positiva perante a vida. Existem situações que possuímos o controle, mas existem outras que estão vinculadas a nossa necessidade evolutiva. Que cumpre a Deus, as Leis a sua fiel execução. Sendo que o processo de entendimento parte de nós para o outro, não o inverso.

Pedra de toque constitui-se o perdão nos dias atuais. Como se perdoar tantas atrocidades que acontecem com as criaturas por toda parte? Como não nos tornarmos justiceiros diante da apatia de parte daqueles que deveriam nos proteger? Como tratar como ser humano aqueles que já se esqueceram de serem seres humanos? “O julgamento legal tem raízes nas conquistas da ética e do direito, do desenvolvimento cultural dos povos e dos homens, concedendo ao réu a oportunidade de defesa enquanto são tomadas providências hábeis para que sejam preservados os seus valores humanos, as suas conquistas de cidadão. Essa a diferença entre a conduta da civilização em relação à barbárie, do homem vencedor da sombra em confronto com o mergulhado nela. Examina-se a conduta infeliz de alguém que cometeu um delito, sem dúvida, mas não perdeu a qualidade de ser humano, requerendo dignidade e misericórdia, por mais hediondo haja sido o seu crime, a fim de não se lhe equipararem em rudeza e primitivismo os seus julgadores.” (Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda, cap. 12 – Julgamentos)

Sentimo-nos como que tentados a darmos a solução que gostaríamos, aquela que catalogamos como a melhor. Esquecendo-nos que a melhor parte reservada para nós pela Divindade é a plenificação da criatura humana. De toda a criatura humana, não só daqueles que se assemelham em atitudes ao ser humano como criatura evoluída intelectual e moralmente. Joanna de Ângelis nos fala mais sobre a questão do julgamento traz-nos o pensamento que a medida que devemos usar para realizar o julgamento das atitudes do outro passa pela ética, justiça e dignidade.

Não podemos projetar o nosso lado sombra no outro acreditando que punindo de forma arbitrária o comportamento alheio estaremos refreando de alguma forma o desejo que possuímos de executar também o que o outro está fazendo. A impiedade não pode permear a nossa decisão nesta hora. Dentro da classe dos que projetam o lado sombra no outro e procuram cercear no outro aquilo que grita em si, existem aqueles perturbadores da sociedade que especializam-se em trazer à tona as torpezas morais do semelhante revestindo-se de puritanismo e de legalidade, mas que encontram-se tão corrompidos quanto àqueles a quem julgam.

Não estamos dizendo com isso que o errado não deva ser corrigido, mas que evitemos as exagerações tão comuns nos tempos atuais e que não projetemos no outro aquilo que compete a nós resolvermos. Muito se fala com abordagem didática espírita ou não sobre a questão da felicidade e que ela parte de nós e não dos outros. Que o que importa mais não é o que o outro nos faz, mas como reagimos diante do que o outro nos faz. Isto constitui-se uma verdade. Por vezes escolheremos um lado, uma via a seguir; por outras teremos a devida resignação, acreditando nas Leis e sabendo que na estrada da vida que constitui-se a encarnação presente, existem curvas às quais não sabemos o que iremos encontrar. Deus é nosso Pai Amado e não permitiria que passássemos por esta ou aquela situação se não fosse necessária para o nosso aprendizado e aperfeiçoamento. Confiemos Nele.

Jornal O Clarim – abril de 2016

 

Bendito seja

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Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante – walkiria.wlac@yahoo.com.br

 “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.” (João, cap. 14, v. 27)

 A oração constitui-se um dos mais belos momentos de introspecção que a criatura pode fazer. Sem testemunhas aparentes, busca-se um contato íntimo com Deus a princípio, mas o que se consegue na maioria das vezes é um contato íntimo consigo mesmo. Mas as criaturas, por ainda não sabermos bem lidar com que somos de verdade, temos pressa em nos liberarmos da obrigação de orar e damos por findada a prece, quando deveríamos prolongar o máximo possível até o ponto que a nossa vivência seja uma verdadeira oração de amor.

Bendito seja viver em Cristo seu amor. Ter a oportunidade de bater a poeira da ignorância e seguir em frente. Alguns alegam que é preferível viver na ignorância, pois assim, não tem a necessidade da mudança. O estar encarnado já se constitui um pacto de evolução com a Divindade. Comprometemos-nos antes de encarnarmos em evoluir. A criatura cansada de sofrer e tendo contato com o Divino Amor do Mestre começa por não mais aceitar a condição em que vive e passa a fazer movimentos, pequenos de começo e mais incisivos com o passar dos tempos.

Todos nós que temos contato com o que é bom dificilmente preferimos permanecer com o que é ruim. Entende-se, por ainda não possuirmos a firmeza do caráter do Mestre Rabi, que revisitemos situações as quais já deveriam por si só estarem superadas, mas por ainda não vivenciarmos em plenitude Seus ensinamentos, voltamos a repisar caminhos já conhecidos, mas isto não significa a permanência neles. Isto é importante que seja dito. Bater a poeira e seguir em frente sem olhar para traz. Tendo a consciência que nem tudo que nos é lícito, nos convém, conforme própria afirmação de Paulo de Tarso.

Bendito seja poder de alguma forma ser um contribuidor na sustentação de almas combalidas dos dois planos. Melhor quando nos dispomos a ajudar ao próximo. As reuniões mediúnicas estão para provar que a vida continua, que almas sofridas buscam em ouvidos amigos a possibilidade de trazerem suas dores como forma de exemplo do que não deve ser feito e num processo lento e gradual de ajuda, para que elas possam mudar o rumo das opções feitas anteriormente. Mudando o hábito do mal fazer para o bem fazer. Ao mesmo tempo, participantes de tais reuniões também se modificam, analisam-se e dão um novo rumo as suas encarnações. Inundam-se de amor e esperança e transmitem ao próximo, através do exemplo. Assim, multiplicamos sobremaneira as benesses do alto que nos chegam.

Bendito seja ser aquele que silencia enquanto outros gritam, enquanto outros choram. Num mundo no qual que quem fala mais alto tem razão, estamos indo na contramão da realidade vigente, mas isto não significa que estejamos errados. Estamos retirando o que de bom existe, transformando a situação e extraindo o bom e o correto da situação que nos atrapalha de alguma forma os passos. Não podemos exigir dos outros aquilo que não podemos fazer. Não podemos deter o avançar dos fatos, mas temos a obrigação de contribuir de forma positiva para que o bem se sedimente na humanidade.

Bendito seja sermos aqueles que fazemos a diferença na vida de outras vidas. Como é bom e importante implantarmos o Reino de Deus desde já nos corações humanos. Nosso nome ser bendito, a nossa imagem ser lembrada como aquele que contribuiu para o crescimento de vida na vida de outras vidas. Pois o que vemos hoje são criaturas encarnadas, mas não vivas. Passam a encarnação não experienciando o Amor do Cristo, batem-se e debatem-se sem analisarem-se e assim fazem com que com a sua vida tenha um significado, pois todos temos a nossa importância e temos “um que” de diferente que ao contato com o outro produz bem ou mal-estar, a depender da nossa intenção. Que possamos ser o mel que adoça a boca e traz alegria àqueles que entram em contato com ele.

Bendito seja o Pai Amado que nos permite aqui estarmos. Bendita oportunidade de reencarnar. Vivemos uma vida de relação que nos permite aprender e expurgar. Dupla benesse que o Pai Amado nos proporciona fazendo-nos avançar rumo à perfeição. Alento de vida que nos proporciona esperança. Saber que nada termina que nada perece. Que tudo se constitui momento transitório da evolução humana, sendo Deus e suas Leis permanentes. Que o estarmos aqui se constitui como forma libertadora de almas opressas que buscam no alívio do Amor do Mestre consolo e amparo para continuar a jornada. Pois depois desta encarnação, outra encarnação virá, até que cheguemos à perfeição.

Bendito seja Teu nome, Oh Pai! Bendito seja e assim seja! Através da oração podemos louvar, pedir e agradecer. Normalmente pedimos muito mais que louvamos e agradecemos. Mas o agradecimento deve ser uma constante em nossas vidas. Agradecermos por estarmos encarnados; por termos saúde ou não; por termos a alegria de uma família ou por jornadearmos nesta encarnação, aparentemente sozinhos; por termos filhos ou não tê-los; por vivermos o que gostaríamos de viver mais do que não ou seu inverso.

Partindo do princípio que não existe acaso e que o Pai Amado é justo e bom, sabemos que a situação que estamos vivendo é a melhor para o nosso entendimento e evolução. Busquemos forças na oração, na oração sentida, aquela que provem da alma amadurecida que mesmo sofrendo diante das situações que nos são impostas, caminhamos firmes, pois confiamos que Deus não desampara nenhum de seus filhos, confiando que logo mais as trevas da noite logo se dissiparão e o sol voltará a brilhar. Forte, reluzente a nos banhar e dar forças para prosseguirmos um pouco mais.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – abril 2016

A evolução da família

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Octávio Caumo Serrano

Abordaremos hoje um tema interessante que é a família na Terra. Desde que o homem chegou ao planeta, e isso é bem antes do que a história registra e tenta compreender, o relacionamento entre os humanos foi sempre se aprimorando.
Inicialmente os casais comportavam-se como os animais. Macho e fêmea se acasalavam para produzir a prole, pelo instinto de perpetuar a espécie. Nenhum comprometimento social existiu que justificasse a união entre eles. Nascida a cria, o macho se afastava porque havia cumprido seu papel e deixava a cargo da fêmea a criação, manutenção e orientação do filhote.
Passado algum tempo, com a encarnação de espíritos humanos que aumentava gradativamente, surgiram os primeiros núcleos familiares quando o macho, após nascer o filho, permanecia na comunidade e participava com a fêmea nas tarefas de alimentar e orientar o herdeiro. As primeiras famílias, por uma união estável não estavam sujeitas a compromissos jurídicos ou religiosos, mas por prazer e afinidade entre as partes. Um tipo de amor puro amparado pelo instinto, poderíamos definir.
E assim fomos evoluindo até chegar às uniões oficiais, documentadas, cheias de direitos e deveres como conhecemos nos nossos dias. Anular essa estabilidade, dizem os espíritos, é retroceder à barbárie. Essa união, garantida por leis, dá proteção às partes, destacadamente às mulheres que se abandonadas pelo marido tendo de cuidar da prole, muitas vezes sem condições de fazê-lo sozinhas, terão problemas.
Mas o que interessa neste estudo é analisar qual é a função da família na Terra.
A mais importante é permitir que espíritos necessitados de crescimento espiritual possam nascer e ser reorientados para corrigir equívocos passados: Reencarnar. Já é tempo de entendermos que não reencarnamos como punição, mas graças à misericórdia do Plano Divino que nos dá renovadas oportunidades até o aprendizado final.
A cada etapa que retornamos ao planeta, incorporamos novas virtudes e combatemos vícios e defeitos, livrando-nos do atraso que caracteriza a humanidade do nosso mundo.
É comum nascermos nos mesmos conjuntos em que vivemos anteriormente, porque a parentela de sangue é convincente para corrigir as pessoas. Vejam como os pais viram feras quando falam mal de seus filhos, que muitas vezes são piores do que os filhos dos outros. Jocosamente dizemos que meu filho é extrovertido e o filho do outro é mesmo mal educado.
Os resgates se operam nos grupos familiares porque antagonismos de estranhos, ou que tiveram relacionamentos em condições diferentes (o filho será pai, o marido será esposa, etc), são importantes devido a consanguinidade. A família da Terra não é a família verdadeira, mas é aqui que preparamos a família espiritual. E a cada nova encarnação esses laços podem ser fortalecidos e seremos a família verdadeira;  família por laços do amor, não mais por laços de sangue. E se tivermos que voltar juntos seremos aqueles que se amam, se respeitam,  se ajudam e se servem com alegria. Ainda são raras na Terra as que conseguem.
O poeta caipira de Tietê, Cornélio Pires, tem duas trovas que mostram como as famílias são mais resgate do que afinidade: “Quase sempre nesta vida/sogro, sogra, genro e nora/é o amor de Deus unindo/Os inimigos de outrora”. Ou a outra: “Quem já venceu noutras eras/Atritos e ódios mordentes/Já pode nascer na Terra/Com muito poucos parentes”.
Isso muda os conceitos que temos no mundo. Pessoas que sentem orgulho de ter grandes famílias, que nas festas, nos Natais comemoram a quantidade de parentes, agora ficam sabendo que estão rodeados, geralmente, dos antigos inimigos que voltam para novas experiências na tentativa de finalmente se amarem.
Ninguém se assuste com essa nossa afirmação, porque na vida as exceções também existem. O que desejamos informar é que sejam antigos amigos ou inimigos, o importante é agora se quererem bem, se ajudarem no sentido de saírem daqui mais próximos da família espiritual que objetivam formar.
A reencarnação é um prêmio oferecido pela misericórdia de Deus que evita condenar-nos às penas eternas pelos erros do passado, preferindo dar-nos novas oportunidades para o aprendizado necessário. Quantas forem necessárias.
Graças à Doutrina Espírita temos estes conhecimentos. Para saber mais, consultem o Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo IV.

Jornal O Clarim – Abril 2016

 

Tesoro por descubrir

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Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

Hablamos de esta revelación conocida como Espiritismo, nacida oficialmente el 18/04/1857.

Siguiendo la programación de la espiritualidad en favor de los hombres de la Tierra, en el siglo XIX nos llegó esta revelación conocida como la Doctrina de los Espíritus.

¿Cuántos de nosotros la entendemos y ya alcanzamos la magnitud de su importancia para que se establezca la paz definitiva sobre nuestro mundo? ¿Cuántos de nosotros somos aun los “miseros” espiritistas, aquéllos que están espiritistas, sin embargo no lo son, porque vinieron a buscar trivialidades en el Espiritismo? Llegamos por el dolor, el transporte rápido de las masas en la dirección del socorro urgente. El desajuste familiar, el vicio del pariente, el desaliento mental o la enfermedad no diagnosticada por los métodos tradicionales. Para éstos de nosotros, el centro espiritista es el informativo del Evangelio, el proveedor  del pase socorrista y del agua bendita que viró medicina por los fluidos de la espiritualidad. Es donde oímos decir, generalmente sin mucho interés y acuidad, que es necesario modificarnos para el bien, administrar sin traumatismos nuestros sentimientos más sensibles y que afloran con velocidad que no podemos controlar. La impaciencia, la irritabilidad y los diferentes tipos de no conformación contra todo y contra todos. El centro intenta impedir que adolezcamos por bagatelas y quiere nos modifiquemos para curarnos de los males ya existentes y que son de naturaleza espiritual. No registraron aún en el físico sus marcas definitivas.

Somos aquéllos que se emboban con una exposición bonita, fieles a los encuentros de grande importancia cuando los principales de la Doctrina tocan nuestros sentimientos más íntimos, llevándonos generalmente a las meditaciones profundas, por veces seguidas de lágrimas no controladas. En ese instante, como quien va a entrar en el Año Nuevo, hacemos mil promesas. Intentamos pinzar frases y conceptos dichos por el orientador que allí está bajo la inspiración de la Espiritualidad Superior y salimos dispuestos a ser, desde ahora, nuevos hombres. Pero el primero de enero, recomenzamos del punto donde estábamos y de él no más salimos por nuevos 365 días.

El poeta paraibano Eurícledes Hormiga, que convivió con Chico Xavier mientras encarnado y después le dictó versos desde la espiritualidad, dijo en un bello poema lo siguiente: “Año nuevo, vida nueva” / Repite antiguo estribillo / Pero el tiempo, para muchos / Prosigue pasando en vano. / Poca gente valora, / En la Tierra, el grande atributo, / Que Dios al hombre concede / En el tesoro del minuto. / Año nuevo para muchos / Es solamente calendario, / Continuando a vivir / En el mismo antiguo escenario… / Hecho obra de teatro, / Que dando audiencia, /Se queda un tempo en cartel / Repitiendo todo día. / Sus artistas en la escena, / En escena tanto estudiada, / Ni siquiera más improvisan / En la elocución ya decorada. / Desaprovechamiento de talento, / De quien de eso no si entera, / Siempre en el mismo papel / Consumiendo la vida entera. / Aprovecha, mi hermano, / El minuto que te acaricia, / Pues el minuto es una luz / Que brilla y luego se apaga. ¡/ Adentro de la propia existencia / En qué te ves en acción, / Cada día puede ser / Una nueva encarnación!”

Nosotros, igualmente, deslumbrados con la belleza y lógica de la revelación espiritista, vivimos pequeñas emociones. Cosas de minutos como en un explotar de fuegos artificiales. Una belleza efímera que no se incorpora al nuestro cotidiano. Que no traemos para ejercicio práctico en nuestra vida como recurso indispensable para ser un poco más feliz, desde ahora. Y caso nos decepcionemos, buscamos otro reducto que ofrezca el auto ayuda.

Damos poco después de recibir tanto. Abnegados se ponen roncos de tanto hablar y traernos noticias para mejorar cada uno de nosotros. Sacrifican a sus vidas en la misión de minorar el sufrimiento de la humanidad y ella permanece de ojos y oídos cerrados. El alimento espiritual dura el mismo tiempo corto que tiene el alimento material. Pasa por la lengua donde registra el placer y en segundos ya pierde el sabor. ¡La misma transitoriedad!

Estamos encarnados con una tarea impostergable y de responsabilidad individual. Nadie aprenderá por nosotros, nadie crecerá por nosotros, ¡nadie servirá por nosotros! ¡Nadie prestará cuentas por nosotros! Somos los únicos constructores de nuestra paz. Por más que ella venga de afuera, no podrá penetrar en nosotros si también no la abrigamos en nuestro corazón. ¡Si nuestra mente no es serena, la paz del mundo no llega a nosotros!

Sepamos tener sensibilidad para no desaprovechar cada momento de ayudar y ser mejor. El prójimo es el instrumento de que Dios se sirve para darnos oportunidad de aprender y crecer. No podemos vivir sin el otro ni podemos ser insensibles delante de sus dolores. La alegría que proporcionamos a alguien es nuestra propia alegría. Cuando afirmamos que “el perdón es la limpieza del alma”, dejamos claro que la pena que guardamos el otro no la siente. Si mucho, la presiente y si es también amigo se ofrecerá para ayudarnos a extirparla. Pero la decisión final será nuestra.

Al escribir este texto, busqué dirigirlo especialmente a mí, para no ser un que dice y otro que hace. Me permitan un ejemplo:

Participaba yo de evento cultural en João Pessoa, donde vivo, y al final del recital un conocido y apreciado cantador y declamador de la paz ascendió al escenario para dejarse fotografiar al lado de otro expresivo poeta. La fotógrafa era la esposa que se preparaba cuando yo, coincidentemente, pasé al lado de ella que, de pronto, porque me tiene como fraterno amigo, se viró para saludarme a dar un abrazo. El exaltado cantor de la paz, mi amigo de largo tiempo, inmediatamente dijo irritado: “Ei, fulana. ¿Va o no va a sacar esa foto?”. Desapuntado, fui saliendo a los pocos, con “la cola en medio a las piernas”, por el inconveniente que yo causara en el lamentable episodio. Echó toda su paz en teoría en la basura, llevándome a conocer, en ese momento, exactamente su espiritualidad. ¡Qué chasco!

Cuando asistamos a las bellas exposiciones, llenas de información y ejemplos, busquemos no simplemente repetir entusiasmado las bellas frases del orador, sino aplicarlas en la práctica en la medida de lo que podamos y sepamos. Se recuerdan del Apóstol Thiago. Ya se van 20 siglos; “Porque, así como el cuerpo sin espíritu es muerto, así también la fe sin obras es muerta” (2.26). O como dice el Espiritismo: “Fuera de la caridad no hay salvación”. Y la caridad mayor es la que hacemos en nuestro beneficio, porque nuestra evolución es tarea nuestra. ¿Y cómo hacemos eso? Pasando por el semejante. Simple, práctica y que se puede hacer con mucha facilidad. Hay tantos dolores en el mundo, de todos los tipos, que podemos hacer el bien a cada minuto. Es solo saber y querer. Vamos a prestar más atención a este consejo. ¡Garantizo que vale la pena! ¡Esto nos dejará más felices!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Abril 2016

Tesouro não descoberto

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RIE_04_16

Falamos desta revelação conhecida como Espiritismo, nascida oficialmente em 18/04/1857.

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

Seguindo a programação da espiritualidade em favor dos homens da Terra, no século XIX chegou-nos esta revelação conhecida como a Doutrina dos Espíritos.

Quantos de nós a entendemos e já alcançamos a magnitude da sua importância para que se estabeleça a paz definitiva sobre o nosso mundo? Quantos de nós somos os misseiros espíritas, aqueles que estão espíritas, mas não são, porque vieram buscar trivialidades no Espiritismo? Chegamos pela dor, o transporte rápido das massas na direção do socorro urgente. O desajuste familiar, o vício do parente, o desconforto mental ou a doença não diagnosticada pelos métodos tradicionais.

Para estes de nós, o centro espírita é o informativo do Evangelho, o fornecedor do passe socorrista e da água benta que virou remédio pelos fluidos da espiritualidade. É onde ouvimos dizer, geralmente sem muito interesse e acuidade, que é preciso modificar-nos para o bem, administrar sem traumatismos os nossos sentimentos mais sensíveis e que afloram com velocidade que não podemos controlar. A impaciência, a irritabilidade e os diferentes tipos de inconformação contra tudo e contra todos. O centro tenta impedir que adoeçamos por ninharias e quer nos modifiquemos para curar-nos dos males já existentes e que são de natureza espiritual. Não registraram ainda no físico as suas marcas definitivas.

Somos aqueles que se embevecem com uma palestra bonita, fiéis aos encontros de grande porte quando os avatares da Doutrina mexem com nossos sentimentos mais íntimos, levando-nos geralmente às meditações profundas, por vezes seguidas de lágrimas incontidas. Nesse instante, como quem vai entrar no Ano Novo, fazemos mil promessas. Tentamos pinçar frases e conceitos exarados pelo orientador que ali está sob a inspiração da Espiritualidade Superior e saímos dispostos a ser, a partir de agora, novos homens. Mas em primeiro de janeiro, recomeçamos do ponto onde estávamos e dele não mais saímos por novos 365 dias.

O poeta paraibano Eurícledes Formiga, que conviveu com Chico Xavier enquanto encarnado e depois lhe ditou páginas desde a espiritualidade, disse num belo poema o seguinte: “Ano novo, vida nova” / Repete antigo rifão / Mas o tempo, para muitos / Prossegue passando em vão. / Pouca gente valoriza, / Na Terra, o grande atributo, / Que Deus ao homem concede / No tesouro do minuto. / Ano novo para muitos / É somente calendário, / Continuando a viver / No mesmo antigo cenário… / Feito peça de teatro, / Que dando bilheteria, / Fica um tempão em cartaz / Repetindo todo dia. / Os seus artistas no palco, / Em cena tanto estudada, / Nem sequer mais improvisam / Na fala já decorada. / Desperdício de talento, / De quem disso não se inteira, / Sempre no mesmo papel / Consumindo vida inteira. / Aproveita, meu irmão, / O minuto que te afaga, / Pois o minuto é uma luz / Que brilha e logo se apaga. / Dentro da própria existência / Em que te vês em ação, / Cada dia pode ser / Uma nova encarnação!”

Nós, igualmente, deslumbrados com a beleza e lógica da revelação espírita, vivemos pequenas emoções. Coisas de minutos como num espocar de fogos de artifício. Ume beleza efêmera que não se incorpora ao nosso cotidiano. Que não trazemos para exercício prático na nossa vida como recurso indispensável para ser um pouco mais feliz, desde já. E caso nos decepcionemos, buscamos outro reduto que ofereça uma autoajuda.

Damos pouco após receber tanto. Abnegados ficam roucos de tanto falar e nos trazer notícias para melhorar cada um de nós. Sacrificam suas vidas na missão de minorar o sofrimento da humanidade e ela permanece de olhos e ouvidos cerrados. O alimento espiritual dura o mesmo tempo curto que tem o alimento material. Passa pela língua onde registra o prazer e em segundos já perde o sabor. A mesma efemeridade!

Estamos encarnados com uma tarefa inadiável e de responsabilidade individual. Ninguém aprenderá por nós, ninguém crescerá por nós, ninguém servirá por nós! Ninguém prestará contas por nós! Somos os únicos construtores da nossa paz. Por mais que ela venha de fora, não poderá penetrar em nós se também não a abrigarmos no nosso coração. Se nossa mente não é serena, a paz do mundo não chega a nós!

Saibamos ter sensibilidade para não desperdiçar cada momento de ajudar e ser melhor. O próximo é o instrumento de que Deus se serve para nos dar oportunidade de aprender e crescer. Não podemos viver sem o outro nem podemos ser insensíveis diante de suas dores. A alegria que proporcionamos a alguém é a nossa própria alegria. Quando afirmamos que “o perdão é a faxina da alma”, deixamos claro que a mágoa que guardamos o outro não sente. Quando muito pressente e se for também amigo se oferecerá para ajudar-nos a extirpá-la. Mas a decisão final será nossa.

Ao escrever este texto, procurei direcioná-lo especialmente a mim, para não ser um que diz e outro que faz. Permitam-me um exemplo:

Participava eu de evento cultural em João Pessoa, onde moro, e ao final do recital um conhecido e apreciado cantador e declamador da paz subiu ao palco para deixar-se fotografar ao lado de outro expressivo poeta. A fotógrafa era a esposa que se preparava quando eu, coincidentemente, passei ao lado dela que, de pronto, porque me tem como fraterno amigo, virou-se para me cumprimentar a dar um abraço. O exaltado cantor da paz, meu amigo de longa data, imediatamente esbravejou: “Ei, fulana. Vai ou não vai tirar essa foto?”. Desapontado, fui saindo aos poucos, com o rabo no meio das pernas, pelo inconveniente que eu causara no lamentável episódio. Ele jogou toda a paz teórica na lata do lixo, levando-me a conhecer, nesse gesto, exatamente qual o seu conteúdo espiritual. Que decepção!

Quando assistirmos às belas palestras, recheadas de informação e exemplos, procuremos não apenas repetir embevecidos as belas frases do orador, mas aplicá-las na prática na medida do que possamos e saibamos. Lembram-se do Apóstolo Thiago. Já se vão 20 séculos; “Porque, assim como o corpo sem espírito é morto, assim também a sem obras é morta” (2.26). Ou como diz o Espiritismo: “Fora da caridade não há salvação”. E a caridade maior é a que fazemos em nosso benefício, porque a nossa evolução é tarefa nossa. E como fazemos isso? Passando pelo semelhante. Simples, prática e que pode ser feita com muita facilidade. Há tantas dores no mundo, de todas as nuanças, que podemos fazer a bem a cada minuto. É só saber e querer. Vamos prestar mais atenção a este conselho. Garanto que vale a pena! Isto nos deixará mais felizes!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Abril 2016