Octávio Caumo Serrano

Abordaremos hoje um tema interessante que é a família na Terra. Desde que o homem chegou ao planeta, e isso é bem antes do que a história registra e tenta compreender, o relacionamento entre os humanos foi sempre se aprimorando.
Inicialmente os casais comportavam-se como os animais. Macho e fêmea se acasalavam para produzir a prole, pelo instinto de perpetuar a espécie. Nenhum comprometimento social existiu que justificasse a união entre eles. Nascida a cria, o macho se afastava porque havia cumprido seu papel e deixava a cargo da fêmea a criação, manutenção e orientação do filhote.
Passado algum tempo, com a encarnação de espíritos humanos que aumentava gradativamente, surgiram os primeiros núcleos familiares quando o macho, após nascer o filho, permanecia na comunidade e participava com a fêmea nas tarefas de alimentar e orientar o herdeiro. As primeiras famílias, por uma união estável não estavam sujeitas a compromissos jurídicos ou religiosos, mas por prazer e afinidade entre as partes. Um tipo de amor puro amparado pelo instinto, poderíamos definir.
E assim fomos evoluindo até chegar às uniões oficiais, documentadas, cheias de direitos e deveres como conhecemos nos nossos dias. Anular essa estabilidade, dizem os espíritos, é retroceder à barbárie. Essa união, garantida por leis, dá proteção às partes, destacadamente às mulheres que se abandonadas pelo marido tendo de cuidar da prole, muitas vezes sem condições de fazê-lo sozinhas, terão problemas.
Mas o que interessa neste estudo é analisar qual é a função da família na Terra.
A mais importante é permitir que espíritos necessitados de crescimento espiritual possam nascer e ser reorientados para corrigir equívocos passados: Reencarnar. Já é tempo de entendermos que não reencarnamos como punição, mas graças à misericórdia do Plano Divino que nos dá renovadas oportunidades até o aprendizado final.
A cada etapa que retornamos ao planeta, incorporamos novas virtudes e combatemos vícios e defeitos, livrando-nos do atraso que caracteriza a humanidade do nosso mundo.
É comum nascermos nos mesmos conjuntos em que vivemos anteriormente, porque a parentela de sangue é convincente para corrigir as pessoas. Vejam como os pais viram feras quando falam mal de seus filhos, que muitas vezes são piores do que os filhos dos outros. Jocosamente dizemos que meu filho é extrovertido e o filho do outro é mesmo mal educado.
Os resgates se operam nos grupos familiares porque antagonismos de estranhos, ou que tiveram relacionamentos em condições diferentes (o filho será pai, o marido será esposa, etc), são importantes devido a consanguinidade. A família da Terra não é a família verdadeira, mas é aqui que preparamos a família espiritual. E a cada nova encarnação esses laços podem ser fortalecidos e seremos a família verdadeira;  família por laços do amor, não mais por laços de sangue. E se tivermos que voltar juntos seremos aqueles que se amam, se respeitam,  se ajudam e se servem com alegria. Ainda são raras na Terra as que conseguem.
O poeta caipira de Tietê, Cornélio Pires, tem duas trovas que mostram como as famílias são mais resgate do que afinidade: “Quase sempre nesta vida/sogro, sogra, genro e nora/é o amor de Deus unindo/Os inimigos de outrora”. Ou a outra: “Quem já venceu noutras eras/Atritos e ódios mordentes/Já pode nascer na Terra/Com muito poucos parentes”.
Isso muda os conceitos que temos no mundo. Pessoas que sentem orgulho de ter grandes famílias, que nas festas, nos Natais comemoram a quantidade de parentes, agora ficam sabendo que estão rodeados, geralmente, dos antigos inimigos que voltam para novas experiências na tentativa de finalmente se amarem.
Ninguém se assuste com essa nossa afirmação, porque na vida as exceções também existem. O que desejamos informar é que sejam antigos amigos ou inimigos, o importante é agora se quererem bem, se ajudarem no sentido de saírem daqui mais próximos da família espiritual que objetivam formar.
A reencarnação é um prêmio oferecido pela misericórdia de Deus que evita condenar-nos às penas eternas pelos erros do passado, preferindo dar-nos novas oportunidades para o aprendizado necessário. Quantas forem necessárias.
Graças à Doutrina Espírita temos estes conhecimentos. Para saber mais, consultem o Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo IV.

Jornal O Clarim – Abril 2016