Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante – walkiria.wlac@yahoo.com.br

 “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.” (João, cap. 14, v. 27)

 A oração constitui-se um dos mais belos momentos de introspecção que a criatura pode fazer. Sem testemunhas aparentes, busca-se um contato íntimo com Deus a princípio, mas o que se consegue na maioria das vezes é um contato íntimo consigo mesmo. Mas as criaturas, por ainda não sabermos bem lidar com que somos de verdade, temos pressa em nos liberarmos da obrigação de orar e damos por findada a prece, quando deveríamos prolongar o máximo possível até o ponto que a nossa vivência seja uma verdadeira oração de amor.

Bendito seja viver em Cristo seu amor. Ter a oportunidade de bater a poeira da ignorância e seguir em frente. Alguns alegam que é preferível viver na ignorância, pois assim, não tem a necessidade da mudança. O estar encarnado já se constitui um pacto de evolução com a Divindade. Comprometemos-nos antes de encarnarmos em evoluir. A criatura cansada de sofrer e tendo contato com o Divino Amor do Mestre começa por não mais aceitar a condição em que vive e passa a fazer movimentos, pequenos de começo e mais incisivos com o passar dos tempos.

Todos nós que temos contato com o que é bom dificilmente preferimos permanecer com o que é ruim. Entende-se, por ainda não possuirmos a firmeza do caráter do Mestre Rabi, que revisitemos situações as quais já deveriam por si só estarem superadas, mas por ainda não vivenciarmos em plenitude Seus ensinamentos, voltamos a repisar caminhos já conhecidos, mas isto não significa a permanência neles. Isto é importante que seja dito. Bater a poeira e seguir em frente sem olhar para traz. Tendo a consciência que nem tudo que nos é lícito, nos convém, conforme própria afirmação de Paulo de Tarso.

Bendito seja poder de alguma forma ser um contribuidor na sustentação de almas combalidas dos dois planos. Melhor quando nos dispomos a ajudar ao próximo. As reuniões mediúnicas estão para provar que a vida continua, que almas sofridas buscam em ouvidos amigos a possibilidade de trazerem suas dores como forma de exemplo do que não deve ser feito e num processo lento e gradual de ajuda, para que elas possam mudar o rumo das opções feitas anteriormente. Mudando o hábito do mal fazer para o bem fazer. Ao mesmo tempo, participantes de tais reuniões também se modificam, analisam-se e dão um novo rumo as suas encarnações. Inundam-se de amor e esperança e transmitem ao próximo, através do exemplo. Assim, multiplicamos sobremaneira as benesses do alto que nos chegam.

Bendito seja ser aquele que silencia enquanto outros gritam, enquanto outros choram. Num mundo no qual que quem fala mais alto tem razão, estamos indo na contramão da realidade vigente, mas isto não significa que estejamos errados. Estamos retirando o que de bom existe, transformando a situação e extraindo o bom e o correto da situação que nos atrapalha de alguma forma os passos. Não podemos exigir dos outros aquilo que não podemos fazer. Não podemos deter o avançar dos fatos, mas temos a obrigação de contribuir de forma positiva para que o bem se sedimente na humanidade.

Bendito seja sermos aqueles que fazemos a diferença na vida de outras vidas. Como é bom e importante implantarmos o Reino de Deus desde já nos corações humanos. Nosso nome ser bendito, a nossa imagem ser lembrada como aquele que contribuiu para o crescimento de vida na vida de outras vidas. Pois o que vemos hoje são criaturas encarnadas, mas não vivas. Passam a encarnação não experienciando o Amor do Cristo, batem-se e debatem-se sem analisarem-se e assim fazem com que com a sua vida tenha um significado, pois todos temos a nossa importância e temos “um que” de diferente que ao contato com o outro produz bem ou mal-estar, a depender da nossa intenção. Que possamos ser o mel que adoça a boca e traz alegria àqueles que entram em contato com ele.

Bendito seja o Pai Amado que nos permite aqui estarmos. Bendita oportunidade de reencarnar. Vivemos uma vida de relação que nos permite aprender e expurgar. Dupla benesse que o Pai Amado nos proporciona fazendo-nos avançar rumo à perfeição. Alento de vida que nos proporciona esperança. Saber que nada termina que nada perece. Que tudo se constitui momento transitório da evolução humana, sendo Deus e suas Leis permanentes. Que o estarmos aqui se constitui como forma libertadora de almas opressas que buscam no alívio do Amor do Mestre consolo e amparo para continuar a jornada. Pois depois desta encarnação, outra encarnação virá, até que cheguemos à perfeição.

Bendito seja Teu nome, Oh Pai! Bendito seja e assim seja! Através da oração podemos louvar, pedir e agradecer. Normalmente pedimos muito mais que louvamos e agradecemos. Mas o agradecimento deve ser uma constante em nossas vidas. Agradecermos por estarmos encarnados; por termos saúde ou não; por termos a alegria de uma família ou por jornadearmos nesta encarnação, aparentemente sozinhos; por termos filhos ou não tê-los; por vivermos o que gostaríamos de viver mais do que não ou seu inverso.

Partindo do princípio que não existe acaso e que o Pai Amado é justo e bom, sabemos que a situação que estamos vivendo é a melhor para o nosso entendimento e evolução. Busquemos forças na oração, na oração sentida, aquela que provem da alma amadurecida que mesmo sofrendo diante das situações que nos são impostas, caminhamos firmes, pois confiamos que Deus não desampara nenhum de seus filhos, confiando que logo mais as trevas da noite logo se dissiparão e o sol voltará a brilhar. Forte, reluzente a nos banhar e dar forças para prosseguirmos um pouco mais.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – abril 2016