Causas atuais das aflições

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Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante – walkiria.wlac@yahoo.com.br

 “Ninguém gosta da dor, embora soframos a sua investida. Como entender a dor e o sofrimento? A dor é a mensageira da esperança que após a crucificação do Justo vem ensinando como se pode avançar com segurança. Recebamo-la, pacientes, sejam quais forem às circunstâncias em que a defrontemos nesta hora de significativas transformações para o nosso espírito em labor de sublimação. O sofrimento de qualquer natureza, quando aceito com resignação e toda aflição atual possui as suas nascentes nos atos pretéritos do espírito rebelde-propicia renovação interior com amplas possibilidades de progresso, fator preponderante de felicidade. A dor faculta o desgaste das imperfeições, propiciando o descobrimento dos valiosos recursos, inexauríveis, aliás, do ser. Após a lapidação fulgura a gema. Burilada a aresta ajusta-se a engrenagem. Trabalhado, o metal converte-se em utilidade. Sublimado pelo sofrimento reparador, o Espírito liberta-se.” (Pergunta 118, Livro Joanna de Ângelis Responde)

O sofrimento constitui-se como taça amarga de fel que sorvemos hora ou outra durante a encarnação. Tendo como delimitador a dor, promove-nos o entendimento da vida como um todo, humanizando-nos e buscando no Cristo o exemplo maior de equilíbrio e justeza para condução dos objetivos da vida.

É paradoxal, mas a dor nos limita os passos e nos educa através do amor/sofrimento por quais caminhos devemos trilhar os passos durante a encarnação. Semelhante àquele que já conhecendo que a chama do fogo queima e que ao mais leve contato como o calor, mesmo que a distância, recua para não se queimar; assim somos nós diante da maioria dos acontecimentos da vida. Mesmo não tendo a memória atual do ocorrido, trazemos de reminiscências passadas o aprendizado de quanto foi doloroso e de como poderemos nos machucar se insistirmos em continuar por este ou aquele caminho.

A dor, desta forma, cria um limitador inteligente de atitudes, fazendo com que a criatura interceda em seu próprio benefício, sabendo escolher com conhecimento de causa qual caminho trilhar. Nesta tentativa e erro, pois mesmo em alguns momentos verificando que não devemos seguir por determinada estrada, a nossa consciência nos avisando que aquele caminho é perigoso, palmilhamos por ele e sofremos as consequências de nossa intempérie.

O “Justo” nos mostrou a forma mais correta de lidarmos com a dor, mesmo não tendo mais necessidade de passar por ela, crucificado não se crucificou diante das ofensas e agressões alheias. Vivia em plenitude com o Pai, por isso, sabia que o momento que vivenciava não representava a essência que possuía. Assim também deveremos agir, tendo resignação perante o turbilhão que muitas vezes se apresenta a nossa frente e acreditamo-nos sem forças para lutar.

O momento convida ao entendimento, aceitação e ação. Através da prece e da tolerância. Quando não nos restar mais saída, aos olhos humanos, reverenciemos a atitude de Jesus, nem que seja por imitação, perdoando aos que nos ofendem e confiando no Pai Amado que não nos abandona nunca. Somos pedras brutas que lapidamo-nos e lapidam-nos as imperfeições através dos sofrimentos. De tanto apararmos as arestas, vamos rebastando os desalinhos morais (as pontas sobressalentes).

Causa-nos estranheza vermos os bons sofrerem ao lado dos maus que sorriem. Tal questionamento sendo tema do Cap. V – Bem-Aventurados os Aflitos, Causas Atuais das Aflições, item 7. Mas primeiro precisamos estabelecer que a bondade ou maldade absoluta não se encontra neste Planeta. Todos já avançamos em entendimento suficiente para podermos fazer escolhas com juízo de valor adequado. Todos já conspurcamos e conspurcamos ainda as Leis Divinas. Em virtude disto, temos a necessidade do devido reajuste com elas. Aqueles que vivenciamos tal etapa já nos candidatamos através do aprendizado, sendo que alguns de nós o pedimos como oportunidade de habilitação.

Aqueles que ainda tencionam e produzem o mal ao derredor, terá o momento de devido reajuste com as Leis. Pois o certo e o errado não modificam em virtude da condição evolutiva da criatura. É a condição evolutiva da criatura que modifica com a absorção do entendimento do certo e do errado. O maior processo que a Doutrina Espírita nos convida é o de Reforma Íntima. Processo pessoal e inadiável.

Por vezes, olhamos em nosso derredor e acreditamos que existem pessoas mais felizes que nós, mesmo fazendo o mal e começamos por afrouxar moralmente os passos. Mas é necessário destacar que a projeção do ser difere do que ele realmente é. Imperativo é fazer a separação do real e do imaginário. Principalmente num momento de redes sociais, no qual as criaturas projetam aquilo que elas querem, não o que normalmente está ocorrendo em suas vidas.

“Não raro, as causas também se encontram na atual existência, quando se dilapidam com irresponsabilidade os patrimônios da existência.” (Livro: Liberta-te do mal, cap. Causas Justas das Aflições). Muito do que nos causa sofrimento provem não de causas anteriores, mas da nossa incúria perante a existência atual. O próprio caráter e proceder da criatura; o orgulho e a ambição; as uniões desgraçadas em que o interesse fala mais alto e não o desejo recíproco e fraterno de amor e convivência mútua; as funestas disputas; a intemperança; os pais infelizes, que não educaram quando deveriam e agora choram pelas consequências da sua inércia.

Antes de procurarmos em outras encarnações ou em causas obsessivas os sofrimentos atuais verifiquemos o quanto estamos fazendo para minorar ou aumentar o que estamos vivendo. Quais são as nossas escolhas atuais. O que estamos fazendo para propiciar ou conturbar o momento presente. Antes passa por uma questão de escolha do que um determinismo pura e simplesmente. Vivemos o agora com um pé no passado e a mente no futuro. Deste alinhar de conduta depende a nossa paz atual e felicidade futura.

Tribuna Espírita – março/abril 2016

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Luzeiros de abril

1 Comentário

Octávio Caúmo Serrano

18 de abril de 1857. Surgia um grande foco de luz para iluminar os caminhos da humanidade.

Foi nesse dia que o Espiritismo viu lavrado o seu Registro de Nascimento como doutrina oficialmente organizada, graças ao lançamento da primeira edição de O Livro dos Espíritos. 501 questões, dividido em três partes, sendo as duas primeiras em duas colunas. À esquerda perguntas e respostas e à direita maiores explicações sobre cada questão. Na terceira parte, perguntas e respostas em sequência.

Sobre esse Livro, o Courier de Paris, de 11 de junho de 1857, estampou o seguinte artigo, que resumimos: “A Doutrina Espírita. Faz pouco tempo publicou o Sr. Dentu uma obra deveras notável; diríamos mesmo muito curiosa, se não houvesse coisas às quais repugna qualquer classificação banal. O LIVRO DOS ESPÍRITOS, do Sr. Allan Kardec, é uma página nova do próprio grande livro do infinito e, estamos persuadidos, uma marca será posta nesta página. Não conhecemos o autor, mas proclamamos que gostaríamos de conhecê-lo. Quem escreveu aquela introdução que abre O LIVRO, deve ter a alma aberta a todos os sentimentos nobres.”

Diz o editor, usando sinceridade, que jamais fez um estudo das questões sobrenaturais; mas se os fatos produzidos não lhe causaram admiração, pelo menos não o levaram a dar de ombros. Diz-se um pouco da classe chamada dos sonhadores, porque não pensam como todo mundo. Ao cair da tarde, quando na volta para casa, vendo apenas cabanas esparsas, pensava em coisas muito diversas das Bolsas, ou das corridas de Longchamps. Muitas vezes se interrogou antes de ter ouvido falar em médiuns, a respeito do que se passava nas regiões que se convencionou chamar o Alto. Há tempos, chegou mesmo a colocar uma teoria sobre os mundos invisíveis, guardando-a ciosamente para si, mas se sentiu muito feliz porque a encontrou quase que por inteiro no livro do Sr. Kardec.

Observem a lucides desse editor, o que não se vê em muitos espíritas amadurecidos:

“Aos deserdados da Terra, a todos quanto marcham e que nas suas quedas regam com as lágrimas o pó da estrada, diremos: Lede O LIVRO DOS ESPÍRITOS; ele vos tornará mais fortes. Também aos felizes que pelo caminho só têm as aclamações e os sorrisos da fortuna, diremos: Estudai-o e ele vos tornará melhores. O corpo da obra, diz o Sr. Kardec, deve ser atribuído inteiramente aos Espíritos que o ditaram. Está admiravelmente dividido no sistema de perguntas e respostas. Por vezes, estas últimas são sublimes, o que não nos surpreende; não foi necessário um grande mérito a quem as soube provocar? Desafiamos os incrédulos a rir quando lerem o livro em silêncio e solidão. Todos honrarão quem escreveu tal prefácio.”

Diz o editor que a doutrina se resume em duas palavras: não façais ao outro o que não quereis que vos façam. Lamenta que o Sr. Kardec não tivesse acrescentado: E fazei aos outros como quereríeis que vos fizessem. Mas ele ressalta: “Aliás, o livro o diz claramente, sem o que a doutrina não seria completa. Não basta não fazer o mal; é preciso ainda que se faça o bem. Se fores apenas homem de bem, só terás cumprido a metade do dever. Somos um átomo imperceptível desta grande máquina chamada mundo, na qual nada é inútil. Não nos digam que é possível ser útil sem fazer o bem; seríamos forçados a responder por um volume.”

“Lendo as admiráveis respostas dos Espíritos na obra do Sr. Kardec, dissemos a nós mesmos que havia um belo livro a escrever. Logo verificamos, entretanto, o nosso engano; o livro já está escrito. Procurando completa-lo, apenas o estragaríamos.” E ele aconselha: Quem é homem de estudo e tem aquela boa fé que apenas necessita instruir-se leia o Livro Primeiro, sobre a doutrina espírita; se está na classe das criaturas que apenas se ocupam consigo mesmas e que, como se costuma dizer, fazem os seus negócios muito tranquilamente e nada enxergam além dos próprios interesses, leia as Leis Morais; se a desgraça o persegue encarniçadamente e a dúvida o tortura por vezes no seu abraço gelado, estude o terceiro livro: Esperanças e Consolações. “Todos quantos aninham pensamentos nobres no coração e acreditam no bem, leiam o livro da primeira à última página. Aos que encontrassem matéria para zombaria, o nosso sincero lamento. Assina G. du Chalard – Courrier de Paris”

Em 18 de março de 1860, na segunda edição, o livro passaria à forma atual e não mais mudou.

Em 1 de abril de 1858, Kardec acendia outra luz quando cria a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, o primeiro Centro Espírita regular para estudo do Espiritismo, enfatizando a importância de estudar a doutrina. Espírita que não estuda o Espiritismo não é espírita. É mero simpatizante dessa nova Doutrina.

Finalmente, em 29 de abril de 1864, Allan Kardec  edita o Livro que define o aspecto religioso da nossa Doutrina. Assentada de início nas bases científica e filosófica, agora aparece na cúpula que a eleva em direção ao Céu. Já quando Kardec rascunhava o Livro que chamou inicialmente de Imitação do Evangelho Segundo o Espiritismo, segundo semestre de 1863, recebeu cumprimentos da espiritualidade pela iniciativa de lançar esta obra.

Como os demais da codificação, este livro também precisa ser mais estudado pelos espíritas que o usam quase sempre como livro de rezar ou na prática do Evangelho no Lar.

Nossa gratidão ao codificador por estes divinos presentes. Que Deus o abençoe onde esteja!

Tribuna Espírita – Março/Abril 2016

 

 

Uma auto-análise

1 Comentário

Ao observar o comportamento dos espíritas, entre os quais me incluo, confesso que às vezes fico decepcionado. O Plano Divino que tudo organiza para que os homens recebam na hora devida toda a ajuda que possam precisar, deve igualmente ficar de cabelo em pé! Organiza com milênios de antecedência cada etapa a ser vivida pela humanidade, informando-a cuidadosamente sobre apenas o que pode assimilar, sem sobrecarrega-la com fardos inúteis, deve surpreender-se ao ver-nos como assistentes de missa. Segundo os mandamentos católicos, devemos frequentar a santa madre igreja pelo menos uma vez por semana.

Como a maioria de nós veio dessa mesma doutrina, ainda conservamos na alma os mesmos princípios que nos dizem ser suficiente a frequência ao templo sem maiores responsabilidades. Cantamos, louvamos, adoramos. Mas de ação prática vemos pouco.

O Espiritismo ensina que fora da caridade não há salvação e que o verdadeiro espírita reconhece-se pela sua transformação moral e pelo esforço que faz para combater as suas más inclinações. Não diz que ele é reconhecido pelo número de palestras, nem de idas ao centro, aos encontros, aos congressos, onde ficamos embevecidos com as lições que não aplicamos na nossa vida.

Em vez do sermão do padre, ouvimos o Evangelho no centro; em vez de receber a hóstia, recebemos o passe; e complementamos às vezes com a água benta fluidificada pelos espíritos, um hábito em nossa doutrina. Mas continuamos usando os benfeitores no tipo a-la-carte. Jesus me ajude; Deus protege minha família, Dr. Bezerra cuida do meu irmão. Ainda não aprendemos que mais do que o pedido o que vale é o merecimento. E aquele que apenas pede para si e para os seus não passa de um egoísta pretensioso que imagina que o mundo gira em volta das suas necessidades.

Ao nos compararmos aos irmãos de outras religiões, vemos que muda o templo, os paramentos, alguns rituais, mas o resto é tudo igual. Vamos ao centro uma vez por semana e já cumprimos com os nossos deveres religiosos. Podemos sair da Casa Espírita e voltar par o nosso pequeno mundo, de alma lavada, porque já fomos à missa espírita e já tomamos a hóstia espiritual, o passe.

Que pena que um tesouro tão rico com é a nossa doutrina, que demandou séculos e séculos para ser organizado e chegar no seu devido tempo como terceira revelação está sendo tão mal aproveitado por nós, seus seguidores. Falamos de reencarnação, mas não valorizamos a vida a ponto de sermos agradecidos por mais esta misericordiosa oportunidade. Trazemos problemas para serem corrigidos, chamados de expiação, ou carmas como dizem os orientais, mas em vez de zerá-los criamos novos outros, aproveitando muito pouco da programação organizada para a nossa estada na carne nos dias atuais. Se nos olharmos e relembrarmos os tempos de criança veremos que hoje, adultos, em quase nada nos modificamos. Trocamos nosso tempo de ação no bem por divertimentos mundanos sem qualidade que nada nos acrescentam. Horas e horas diante da mídia destruidora que só mostra violência, obscenidade e pessimismo. Afirmamos ter fé, mas não agimos de modo a confirma-la. Somos derrotistas e imaginamos que o mundo está descontrolado. Mas não está. Quando momentos de dificuldades acontecem no seio da humanidade e para ensiná-la com rigor o que ela não entende pelo amor. Quando nosso filho não estuda, não age bem, tiramos seus divertimentos para que eles decidam ir pelo caminho do bem. Tão logo eles se regenerem, liberamos os divertimentos e prazeres. Deus faz o mesmo com os homens, que são duros de entendimento.

O Espiritismo gostaria de fazer muito mais por nós. Suas receitas são tão simples que dispensaria até mesmo as orações caso fizéssemos do amor a nossa principal oração. A vida do homem de bem é uma permanente oração de ligação a Deus. “A fé sem obras é morta”, ensinou-nos Thiago há 20 séculos. “Faz e o Céu te ajuda”, disse Jesus. “O amor cobre a multidão dos pecados”, ensinou Simão Pedro. Mas o que é tão simples de dizer é muito difícil de entender e mais difícil ainda de realizar. O sofrimento na Terra seria completamente desnecessário se os homens houvessem compreendido corretamente a mensagem contida no Evangelho de Jesus.

Jornal O Clarim – maio de 2016

 

Tenemos de acabar con la violencia

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Octávio Caumo Serrano | caumo@caumo.com

En esta Tierra aún atrasada, hay muchas prácticas que violentan el bueno y el justo.

¿De cuál violencia hablamos cuándo encabezamos manifestaciones de protesta en favor de la preservación de la vida? ¿De la violencia contra el cuerpo? Ésa es la que menos mal causa al hombre, espíritu eterno, inmortal, que está en la Tierra para un curso rápido de evolución espiritual. Y casi siempre sale de aquí reprobado, necesitando volver rápido para nueva experiencia.

Violencia es ver que las personas pasen de tres a cuatro horas en un salón de belleza, gastando el equivalente a los sueldos que sostendrían varias familias. Sostener no es bien el verbo; más apropiado sería decir que aquellos salarios mal permiten una miserable supervivencia. Se llenan de cremas, hacen masajes y pasan la tarjeta. Mismo con la crisis, porque pasar hambre no es problema, ¡pero ponerse feo, jamás!

Violencia es gastar fortunas en silicona para adulterar el cuerpo que la naturaleza ofreció, a fin de quedarse artificialmente más elegante, más sensual, más provocante. Corremos riesgos de enfermedades o desencarne, para mostrar un exterior que no condice con lo que existe por adentro. Nos quedamos como túmulos encalados, aprovechando la definición de Jesucristo en su gira por el planeta. “¡Pero sin eso la humanidad sería más fea”, es el argumento! En ese punto concordamos, sin embargo sería menos ignorante y mediocre evitar tales gastos, porque gastaríamos tiempo y dinero con cosas más útiles y duraderas, hasta mismo eternas. Y no olvidemos que la belleza de las almas transluce en los cuerpos.

Violencia es un deportista ganar millones por mes, para exhibir talentos que, casi siempre, se concentran de su rodilla para bajo. Tales deportistas, desequilibrados, neuróticos y agresivos, son muy convenientes para los manipuladores de las masas irracionales, incoherentes e ignaras. Recién, se fijó la transferencia de un futbolista de Europa en mil millones de euros. Se pone evidente que algo está errado en la distribución de los bártulos del mundo. Mientras para algunos un salario mínimo sudado es todo de que disponen para la supervivencia, otros menoscaban y vulgarizan el dinero. Contra esa violencia no vemos voces que se levanten.

Violencia es el salario de un maestro, que construye la cultura de las personas, incluyendo las que se recusan a adquirirla, porque imaginan que la fortuna que reciben para exhibir su belleza física les garantice un porvenir confortable. Ilusión. Siquiera en la materia, cuánto más en la vida de la esencia, ¡dónde el dinero nada vale y nada compra!

¿Si Jesucristo cobrase por sus extraordinarias lecciones, cuánto estaríamos dispuestos a pagarle? ¿Será que aparecería un empresario para patrocinar la divulgación de su Evangelio, a fin de propagarlo con más rapidez y amplitud? No, evidentemente. Al final, Jesucristo no se compara, en importancia, a los mitos de los deportes. No citamos nombres para no darles aún más importancia, que no merecen. Si Jesucristo fuese nuevamente predicar el Sermón de la Montaña, ninguna emisora se interesaría por los derechos de exclusividad. El pueblo sigue prefiriendo las vulgares e interminables mesas redondas en la TV con “especialistas” en los deportes para explicar que el equipo perdió porque hizo menos goles de que su adversario. ¿Ya pararon a oír ese festival de charla vacía? ¡Y hablan tan serio! Es verdad que las tonterías son tantas que hasta entre ellos, muchas veces, hay desentendimientos. ¡Y los comentaristas altamente “especializados” qué repiten qué la solución es tener calma y tranquilidad para esperar el momento del gol!? Aún no sé la diferencia entre calma y tranquilidad. ¡Pero cómo todos hablan, eso debe ser importante!

Horas y horas prestigiando la programación direccionada para la ganancia, aprovechada actualmente hasta por líderes religiosos inescrupulosos, que tienen una cantidad de redes y canales, para enriquecimiento rápido y deshonesto. Piden dinero a quien no tiene, con la mayor desfachatez, intentando convencernos de que nada es para ellos; todo es para Dios y para el Señor Jesucristo. Sin embargo, no tenemos disposición ni tiempo para gastar con la lectura de un libro o para aprovechar el tiempo, en nuestro propio beneficio.

Violencia es el rico reclamar de la crisis que él mismo provoca, porque de ella tira provecho, empobreciendo aquél que puede menos y no tiene de dónde sacar: nunca consiguió abrir un ahorro, tampoco puede guardar bajo el colchón (porque la grande mayoría duerme en el suelo) y, en la hora del aprieto, al contrario de los magnates, no tiene como beneficiarse de cuentas ocultas en Suiza o en los paraísos fiscales.

Violencia es mantener una mesa sofisticada con iguarias valoradas simplemente por la sofisticación del nombre o del rótulo, porque el paladar si avinagrada con algo a que no está habituado. De repente, en el desfile de los alcohólicos, todos viraron enólogos. Pasaron a degustadores, sabiendo cual vino de tal cosecha pide determinado tipo de queso, etc…

Violencia es hacer un miserable esperar en la cola de trasplantes durante tantos años que la salud no aguanta la espera provocándole casi siempre un desencarne anticipado. Violencia es dejar pacientes en los pasillos de los hospitales públicos, dividiendo lugar con ratones y cucarachas, donde falta hasta desinfectante para gente y para baño.

Violencia es esa distribución absurdamente incoherente entre los vivientes del mundo. Un noventa por ciento de la fortuna concentrada en las manos de un diez por ciento y los restantes diez por ciento divididos entre los otros noventa. Violencia es dejar incontrolable el aumento de las enfermedades que podrían ser combatidas con pequeñas providencias de saneamiento del medio ambiente. Violencia es una comisaría solo hacer Boletín de Ocurrencia desde valores expresivos. Pequeños robos ya se incorporaron al cotidiano de las personas; ni merece boletín el robo de celular, notebook, tarjetas, etc. Documento robado, cada uno que requiera la comprobación por el internet y no enoje a la policía.

Pero la peor violencia no es la que los otros nos hacen y sí la que nosotros hacemos a los otros y, por consecuencia, a nosotros mismos. Quien piense que Dios perdió el control del mundo no conoce derecho el Padre que tiene. Es preciso que vengan los escándalos, pero ay de aquéllos que los provocan. Por eso, la receta única es el optimismo. ¡Creer en Dios! ¡Tener fe, trabajar y esperar!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – mayo de 2016

Temos de acabar com a violência

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RIE_Maio_2016

 

Nesta Terra ainda atrasada, há muitas práticas que violentam o bom e o justo.

Octávio Caumo Serrano | caumo@caumo.com

De qual violência falamos quando encabeçamos manifestações de protesto em favor da preservação da vida? Da violência contra o corpo? Essa é a que menos mal causa ao homem, espírito eterno, imortal, que está na Terra para um curso rápido de evolução espiritual. E quase sempre sai daqui reprovado, tendo de voltar rápido para nova experiência.

Violência é ver as pessoas passarem de três a quatro horas num salão de beleza, gastando o equivalente aos salários que sustentariam várias famílias. Sustentar não é bem o verbo; mais apropriado seria dizer que aqueles salários mal permitem uma miserável sobrevivência. Besuntam-se de cremes, fazem massagens e passam o cartão. Mesmo com a crise, porque passar fome não tem problema, mas ficar feio, jamais!

Violência é gastar fortunas em silicone para adulterar o corpo que a natureza ofereceu, a fim de ficar artificialmente mais elegante, mais sensual, mais provocante. Corremos riscos de enfermidades ou desencarne, para mostrar um exterior que não condiz com o que existe por dentro. Ficamos como túmulos caiados, aproveitando a definição de Jesus na sua passagem pelo planeta. “Mas sem isso a humanidade seria mais feia”, é o argumento sustentado! Nesse ponto concordamos, mas seria menos ignorante e medíocre evitar tais despesas, porque gastaríamos tempo e dinheiro com coisas mais úteis e duradouras, até mesmo eternas. E não esqueçamos que a beleza das almas transparece nos corpos.

Violência é um esportista ganhar milhões por mês, para exibir talentos que, quase sempre, se concentram do joelho para baixo. Tais esportistas, desequilibrados, neuróticos e agressivos, são muito convenientes para os manipuladores das massas irracionais, incoerentes e ignaras. Recentemente, fixou-se o passe de um futebolista da Europa em um bilhão de euros. Fica evidente que algo está errado na distribuição dos bens do mundo. Enquanto para alguns, um salário mínimo suado é tudo de que dispõem para a sobrevivência, outros menosprezam e vulgarizam o dinheiro. Contra essa violência não vemos vozes levantarem-se.

Violência é o salário de um professor, que constrói a cultura das pessoas, incluindo as que se recusam a adquiri-la, porque imaginam que a fortuna que recebem para exibir sua beleza física lhes garanta um futuro confortável. Ilusão. Nem mesmo na matéria, quanto mais na vida da essência, onde o dinheiro nada vale e nada compra!

Se Jesus Cristo cobrasse pelas suas extraordinárias lições, quanto estaríamos dispostos a pagar? Será que apareceria um empresário para bancar a divulgação do seu Evangelho, a fim de propagá-lo com mais rapidez e amplitude? Não, evidentemente. Afinal, Jesus Cristo não se compara, em importância, aos mitos dos esportes. Não citamos nomes para não dar-lhes ainda mais importância, que não merecem. Se Jesus fosse novamente pregar o Sermão da Montanha, nenhuma emissora se interessaria pelos direitos de exclusividade. O povo continua preferindo as vulgares e intermináveis mesas redondas na TV com “especialistas” nos esportes para explicar que o time perdeu porque fez menos gols do que o adversário. Já pararam para ouvir esse festival de conversa mole? E falam tão sério! É verdade que as tolices são tantas que até entre eles, muitas vezes, há desentendimentos. E os comentaristas altamente “especializados” que repetem que a solução é ter calma e tranquilidade para esperar o momento do gol!? Ainda não sei qual a diferença entre calma e tranquilidade. Mas como todos falam, isso deve ser importante!

Horas e horas prestigiando a programação voltada para a ganância, aproveitada atualmente até por líderes religiosos inescrupulosos, que açambarcam uma imensidade de redes e canais, para enriquecimento rápido e aviltante. Pedem dinheiro de quem não tem, com a maior desfaçatez, tentando convencer-nos de que nada é para eles; tudo é para Deus e para o Senhor Jesus. Todavia, não temos disposição nem tempo para gastar com a leitura de um livro ou para aproveitar o tempo, em nosso próprio benefício.

Violência é o rico reclamar da crise que ele mesmo provoca, porque dela tira proveito, empobrecendo aquele que pode menos e não tem de onde tirar: nunca conseguiu abrir uma poupança, tampouco pode guardar sob o colchão (porque a grande maioria dorme no chão) e, na hora do aperto, ao contrário dos magnatas, não tem como se socorrer em contas ocultas na Suíça ou nos paraísos fiscais.

Violência é manter uma mesa sofisticada com iguarias valorizadas simplesmente pela sofisticação do nome ou do rótulo, porque o paladar se choca com algo a que não está habituado. De repente, no desfile dos alcoólicos, todos viraram enólogos. Passaram a degustadores, sabendo qual vinho de tal safra pede determinado tipo de queijo, etc..

Violência é fazer um miserável esperar na fila de transplantes durante tantos anos que a saúde não aguenta, essa espera provocando-lhe quase sempre um desencarne antecipado. Violência é deixar pacientes nos corredores dos nosocômios públicos, dividindo lugar com ratos e baratas, onde falta até desinfetante para gente e para banheiro.

Violência é essa distribuição absurdamente incoerente entre os viventes do mundo. Noventa por cento da fortuna concentrada nas mãos de dez por cento e os restantes dez por cento divididos entre os restantes noventa. Violência é deixar incontrolável o aumento das doenças que poderiam ser combatidas com pequenas providências de saneamento do meio ambiente. Violência é uma delegacia só fazer Boletim de Ocorrência a partir de valores expressivos. Pequenos roubos já se incorporaram ao cotidiano das pessoas; nem merece BO o roubo de celular, notebook, cartões, etc. Documento furtado, cada um que requeira a segunda via on-line, e não incomode a polícia.

Mas a pior violência não é o que os outros nos fazem e sim o que nós fazemos aos outros e, por consequência, a nós mesmos. Quem pensa que Deus perdeu o controle do mundo não conhece direito o Pai que tem. É preciso que venham os escândalos, mas ai daqueles que os provocam. Por isso, a receita única é o otimismo. Acreditar em Deus! Ter fé, trabalhar e esperar!

Revista Internacional de Espiritismo – maio de 2016

Mulher

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Walkiria Araújo – walkiria.wlac@yahoo.com.br 

“50. A espécie humana começou por um único homem? ‘Não; aquele a quem chamais Adão não foi o primeiro, nem o único a povoar a Terra.’” (Livro dos Espíritos) 

A diferença estabelecida entre os homens e mulheres é algo que nos acompanha a história e faz-nos analisar o porquê de se colocarem em terrenos opostos, criaturas que estão encarnadas num processo evolutivo vestindo ora a roupagem masculina, ora a roupagem feminina. Como bem nos explica O Livro dos Espíritos nas questões 201 e 202.

Temos a necessidade de aprendizado, esta se sobrepõe a qualquer sentimento que a criatura possa ter ou qualquer preconceito que ainda esteja intrínseco na criatura humana. O ponto principal é a escolha do veículo que melhor se adéqua ao aprendizado e como nos será útil para avançar rumo à perfeição. Da mesma forma que encarnamos ora numa situação financeira mais favorável, ora numa que nos provoca um restringimento financeiro e consequentemente social que nos burila física e espiritualmente.

Somos iguais perante Deus, pois todos somos seus filhos bem-amados. A questão 817 nos traz isso de forma peremptória, tendo como resposta dos espíritos que Deus outorgou “… a ambos a inteligência do bem e do mal e a faculdade de progredir…” O instrumento (corpo físico masculino ou feminino) serve como veículo de aperfeiçoamento, não define em que parte da escala evolutiva nos encontramos.

Ainda vivemos uma cultura machista, não obrigatoriamente provinda de homens, que nasce da injustiça e da crueldade. As instituições sociais e a cultura dominante procuram passar a ideia da inferioridade feminina em virtude da fragilidade desta e porque o homem a suplanta em força. Mas verificamos na questão 819, falando da fraqueza física feminina que ela se justifica: “Para lhe determinar funções especiais. Ao homem, por ser o mais forte, os trabalhos rudes; à mulher, os trabalhos leves; a ambos o dever de se ajudarem mutuamente a suportar as provas de uma vida cheia de amargor.” Não é uma competição. É um processo de ajuda mútua.

Valendo destaque, o campo mediúnico. Em o livro O Consolador (Emmanuel/Chico Xavier), há especificamente uma pergunta feita no sentido de saber se há privilégios quanto ao médium ser homem ou mulher: 385. “A mulher ou o homem em particular, possuem disposições especiais para o desenvolvimento mediúnico?”“No capítulo do mediunismo não existem propriamente privilégios para os que se encontram em determinada situação; porém vence nos seus labores quem detiver a maior percentagem de sentimento. E a mulher, pela evolução de sua sensibilidade em todos os climas e situações, através dos tempos, está, na atualidade, em esfera superior à do homem, para interpretar, com mais precisão e sentido de beleza, as mensagens dos planos invisíveis.”

A mulher possui como funções precípuas ser agregadora, mediadora e educadora. É a mulher que desde o berço modela a alma das gerações futuras. O Mestre Jesus foi o maior defensor das mulheres, sendo estas que lhe ficaram fieis até o fim. Algo que vale a pena ser trazido ao pensamento humano para análise é que a cultura religiosa com o passar dos tempos corroborou esta submissão feminina ao homem. Mas a Doutrina Espírita traz uma nova maneira de enxergar, pois, por exemplo, não possuindo uma classe sacerdotal, nivela a todos na mesma condição, fazendo com que a elevação moral seja a única a ser analisada e seguida. Informações estas mais detalhadas encontradas em o livro No Invisível (Léon Denis), capítulo intitulado O Espiritismo e a Mulher, capítulo 7.

Mas nem tudo são flores. Não poderíamos deixar de falar do que Joanna de Ângelis intitula no livro Encontro com a Paz e a Saúde, capítulo 4 de Feminismo de Revide. “… porque a organização genésica da mulher estruturalmente não está capacitada para as experiências múltiplas do sexo sem amor, sem responsabilidade, conforme sempre foi imposta àquelas que têm sido empurradas para os prostíbulos e as casas de perversão e de indignidade humana, como escravas das paixões asselvajadas de psicopatas aturdidos sedentos de gozo animalizado…”

Não somos objetos, somos seres humanos que precisamos ser respeitados. Mas este respeito começa por nós mesmos. Vemos com muita alegria, que o movimento espírita, antes possuía na sua maioria esmagadora mulheres, ser invadido, no bom sentido do termo, por homens. Que buscam no acolhimento materno que a Doutrina traz o alívio e entendimento para as suas dores e situações a resolver. Buscando no recesso de uma instituição espírita o amparo e o equilíbrio para as demandas da vida. Procurando se comportar de forma digna perante a sociedade e no trato com o próprio corpo não promiscuindo a ninguém nem se promiscuindo.

Sempre reafirmamos que a evolução da criatura é pessoal e não pode ser transferida a outros ombros. Não importa qual roupagem estejamos vestindo, importante é como nos expressamos através dela. A nossa história tem lindas figuras femininas a serem seguidas como exemplo: Maria, mãe de Jesus, lindo vaso escolhido para receber a flor mais bela que a Terra conheceu; Maria de Magdala, que após o encontro com o insigne Mestre mudou a conduta sendo uma de suas seguidoras mais fieis no trato aos desvalidos; A mulher distinta trazida em O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo IV, item 13, que faz a caridade sem fazer propaganda de si mesma e certo dia quando uma de suas protegidas vem a sua presença e a reconhece, ela responde: “Silêncio… não o digas a ninguém.” Falava assim Jesus. Que possamos honrar a existência, na roupagem feminina ou masculina. Sermos filhos dignos do Pai Amado.

Jornal O Clarim – maio de 2016