Reunião mediúnica

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Walkiria Araújo – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“Uma reunião é um ser coletivo, cujas qualidades são a resultante das de seus membros e formam como que um feixe. Ora, este feixe tanto mais força terá quanto mais homogêneo for.” (Livro dos Médiuns, capítulo XXIX, item 331)

Há ainda uma grande massa que aporta nas fileiras espíritas e buscam no fenômeno a solução para os seus problemas, não entendendo que a proposta espírita é uma proposta eminentemente moral e que os fenômenos mediúnicos surgem como uma explanação da necessidade humana dos dois planos, físico e espiritual, para aprendizado, acolhimento e realinhamento de conduta, mas que tais reuniões devem prescindir de regras basilares para sua execução. Tais regras as encontraremos no Livro dos Médiuns e outras obras correlatas que servem para desdobrar o conhecimento ali contido.

O primeiro ponto a ser destacado com relação às reuniões mediúnicas é que elas são reuniões fechadas. O Livro dos Médiuns no item 335, nos fala da intimidade, do silêncio e do recolhimento conseguido nas reuniões fechadas e com número restrito de participantes. A própria prática vem corroborar tal informação. Ainda somos criaturas extremamente orgulhosas e vaidosas. Num grupo grande tem-se a tendência de grupos menores serem feitos, trazendo prejuízo para o bom andamento dos trabalhos. O livro Reuniões Mediúnicas, do projeto Manoel P. de Miranda traz a síntese do pensamento de alguns expoentes espíritas sobre o quantitativo dos presentes. André Luiz, 14 pessoas; Allan Kardec, 15 a 20; León Denis, 4 a 8; Hermínio de Miranda, 2 pessoas.

O mais importante quanto ao quantitativo é que o dirigente dos trabalhos esteja consciente de sua responsabilidade perante a reunião e se ele tem condições doutrinárias de coordenar um grupo com 20 pessoas, por exemplo ou se não seriam mais razoável um grupo com 05. Agregado a estes dois primeiros pontos levantados (a reunião ser fechada e quantitativo de encarnados presentes) somam-se dois outros pontos importantes: a pontualidade e a assiduidade. A reunião mediúnica não se permite improvisos. Há um preparo antecipado de 24, 48 e em alguns casos de 72 horas antes para a reunião que ocorrerá. Temos que ter um compromisso com o trabalho e com aqueles que estão esperando por nós, encarnados ou desencarnados para execução do mesmo.

O estudo e a disciplina mental também constituem outro capítulo muito importante para aqueles que participam de reunião mediúnica. Há uma total vinculação entre a educação para a vida e a educação mediúnica. Não podemos acreditar que os espíritos nos suplantem a deficiência do conhecimento espírita na execução dos trabalhos. Precisamos estudar incansavelmente para que não sejamos instrumentos passivos nas mãos daqueles que querem deturpar o conhecimento espírita, sejam estes encarnados ou desencarnados.

Quando estudos, criamos um verdadeiro baú mental no qual os bons amigos espirituais se utilizam para transmitirem as informações que queiram repassar. Precisamos ter também a melhor disciplina mental possível na vida e mais ainda no momento em que os trabalhos mediúnicos estão se desenvolvendo. Não importa se somos o dirigente, médiuns, doutrinadores, passistas ou fazemos parte da equipe de apoio. Se ali estamos, é porque fazemos parte de forma ativa dos trabalhos que estão se desenvolvendo.

Quando falamos da divisão na execução dos trabalhos, acaba por gerar certa discórdia entre os membros, pois alguns, erroneamente, consideram-se mais importantes por serem médiuns ou doutrinadores em detrimento da equipe de apoio. Todos somos importantes na execução do trabalho devendo existir uma cordialidade recíproca (Livro dos Médiuns, cap. XXIX, item 341) entre os participantes. Somando-se a tudo o que foi falado antes, verificamos que nem todos que desejam participar de uma reunião mediúnica o podem fazer.

O Livro Reuniões Mediúnicas traz a seguinte afirmação de Nilson sobre os participantes das reuniões mediúnicas, posição esta que defendemos e praticamos na instituição a qual estamos vinculadas: “… devemos selecioná-los pelo sem empenho, assiduidade, caráter, devotamento e interesse em querer participar ativa e responsavelmente do grupo.” Não é algo que se improvisa ou que se seleciona por amizade. Estamos falando de doutrina espírita e do trato do encarnado como os espíritos num momento de profundo entrosamento físico/espiritual no qual todos os envolvidos formamos um circuito fechado, o feixe de varas preconizado por Jesus.

Seguindo princípios básicos de orientação teremos a assistência dos bons espíritos nas nossas reuniões mediúnicas, tendo a certeza que não existe infalibilidade e que estamos no processo de auto-ajustamento moral. O Livro dos Médiuns em seu item 226, 9ª nos fala do médium perfeito que estenderemos o entendimento para os grupos mediúnicos perfeitos. “Perfeito, ah! bem sabes que a perfeição não existe na Terra, sem o que não estaríeis nela. Dize, portanto, bom médium e já é muito, por isso que eles são raros. Médium perfeito seria aquele contra o qual os maus Espíritos jamais ousassem, uma tentativa de enganá-lo. O melhor é aquele que, simpatizando somente com os bons Espíritos, tem sido o menos enganado.”

O estudo, a disciplina e o exercício na busca de retidão moral nos leva a mudança de atitude e o amparo dos amigos amoráveis do bem que se vinculam a nós no desenvolvimento da tarefa. Algo construído e solidificado com o bom exercício da tarefa. Repetimos: não há improvisos, há estudo, disciplina, dedicação e amor.

Jornal O Clarim – junho de 2016

Lágrimas

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Walkiria Araújo – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.” — Jesus. (MATEUS, capítulo 11, versículo 28.)

O bom uso da palavra seleciona o critério de aproximação e de afastamento dos que comungam conosco do nosso mundo íntimo. A leitura edificante, a prece ungida pelo Amor do Mestre e o Amor do Mestre nos permite rasgar os céus e aportarmos junto àqueles que querem, desejam e trabalham pelo bem. O título acima foi retirado do livro Caminho, Verdade e Vida.

Depreendemos da leitura de edificante página que a mensagem do Cristo é força viva criadora de esperança, que desenvolve no ser o desejo do porvir. Mas isto não significa que a caminhada seja sem espinhos, pois para termos a rosa do amor a exalar benesses em nossas vidas necessitamos dos espinhos do sofrimento, as arranhaduras das admoestações alheias e o sulco profundo dos devidos reajustes morais com as Leis Divinas.

Por isso, não podemos esperar a brancura da paz dos eleitos se não nos candidatamos a tal posto através das atitudes do dia a dia. Quando a luta se torna mais arrojada, mais firmeza deveremos demonstrar diante das intempéries. O que verificamos com o decorrer do tempo é que a criatura não tem dificuldade em entender que mudanças são necessárias e até começam por promover estas mudanças, o que prejudica a caminhada do ser humano é quando começamos a tropeçar nas pedras dispostas no caminho.

Devemos persistir na luta. E quando errarmos, não desistir de retomar o processo. Não existem saltos na evolução humana. São etapas vencidas há pouco e pouco. Também não podemos comparar os nossos passos aos dos outros. O ponto de perspectiva sempre será quem fomos no passado e o que estamos fazendo para alterar a constituição físico/moral em nós mesmos. Desde uma postura física mais esguia, mais aberta ao mundo ao nosso derredor, como também uma aceitação psicológica dos nossos pendores com projeção de melhora através do realinhamento de conduta.

O Evangelho Segundo o Espiritismo nos traz a passagem da mulher adúltera, criatura de comportamento duvidoso aos olhos da coletividade que não foi julgada pelo Mestre. Este antes a acolheu e disse-lhe: Vai e não peques mais! O controle do nosso comportamento está em nossas mãos. Não o devemos a ninguém. Nesta mesma passagem, quando o Mestre é inquirido pelos acusadores da mulher, vemos o destaque que é dado ao momento em que ele se abaixa demonstrando um movimento de introspecção que todos deveríamos fazer diante dos desafios que a vida nos propõe.

Mergulharmos em nós mesmos buscando força e equilíbrio necessários para podermos compreender, em primeiro lugar, e após, fazermos o movimento correto de mudança interior. Não aceitando as frases feitas que permeiam o inconsciente coletivo e que só fortalecem o grupo dos conformistas: É assim mesmo! Para que lutar! Não adianta nada ser honesto, as coisas irão continuar assim! Ouvir tais frases de materialistas é aceitável, pois representa a idéia fiel de um comportamento não alinhado com as hostes evangélicas cristãs. Mas causa-nos espanto quando são ditas por pessoas que se dizem religiosas e choca-nos quando ouvimos no próprio meio espírita.

Não é porque a caminhada se faz complicada e em alguns momentos derramamos lágrimas diante das dores que iremos desistir de continuar a percorrer o caminho ascensional da evolução. Um dia todos chegaremos a perfeição, perfeição relativa como o Evangelho nos orienta, mas perfeição. Quando queremos lograr êxito em qualquer empreendimento material nos dedicamos, esforçamos, abdicamos de determinados prazeres e fazemos outras tantas coisas para conseguirmos. Porque com relação à busca da perfeição moral iremos nos amolentar e desistirmos diante dos empecilhos que encontramos?

A vida constitui-se uma perfeita relação de ir e vir. Ora estarmos num movimento de mais observação de ante dos fatos e em outro estarmos em profunda ação. De aquietarmos diante do todo e sermos a alavanca propulsora de nós e do nosso próximo. Desistirmos antes de termos terminado é equivalente ao maratonista que diante da chuva que começa a se fazer durante a prova desiste da maratona por acreditar que não irá conseguir.

“Muita gente acredita na lágrima sintoma de fraqueza espiritual. No entanto, Maria soluçou no Calvário; Pedro lastimou-se, depois da negação; Paulo mergulhou-se em pranto às portas de Damasco; os primeiros cristãos choraram nos circos de martírio… mas, nenhum deles derramou lágrimas sem esperança.” (Livro Caminho, Verdade e Vida, cap. 172 – Lágrimas)

Há duas formas de analisarmos as lágrimas no caminho. Existem àquelas que nos lavam a alma e ajudam-nos a visitarmo-nos interiormente para buscarmos forças para prosseguir e existem àquelas que representam o desespero da criatura. Estas ainda trazem a infância emocional que nos encontramos. A fuga do compromisso não significa que iremos deixar de nos defrontarmos com ele. Significa que adiamos o momento de confirmação de nossa fé através do entendimento necessário das atitudes que se deve tomar ruma à perfeição humana.

Estar encarnado constitui-se uma benção. Benção essa que é ungida através do trabalho edificando, da prática do amor do Cristo e do acolhimento aos desvalidos. Em alguns momentos somos iguais a Maria, pranteamos o nosso calvário e depois prosseguimos em frente; em outros momentos somos o próprio Pedro, que diante das verdades irrefutáveis da Doutrina Espírita, preferimos bater em retirada acreditando que podemos fugir de nós mesmos; outros somos como Paulo, diante das portas libertadoras de Damasco, choramos porque não sabemos o que estar porvir e não nos acreditamos com forças suficientes para superar. Em todas estas passagens o Mestre Rabi se fez presente através do Seu Amor, da Sua Compreensão e principalmente, através do Seu Exemplo. Sigamos o exemplo do Mestre e nos revistamos da alegria daqueles que pegam suas cruzes e seguem sem olhar para trás.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – junho 2016

Sobre a reencarnação

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Octávio Caúmo Serrano

Apesar de a maioria da humanidade ser reencarnacionista, praticamente todos os povos orientais, entre nós os cristãos a reencarnação não é levada a sério. A não ser pelos espíritas que já acreditam na sua existência, embora nem sempre a aproveitem devidamente. Todos os cristãos leem o mesmo evangelho que os espíritas, e lá está que ninguém verá o reino de Deus se não nascer novamente. Apesar disso, fantasiam sobre o que Jesus teria realmente dito. Esse nascer de novo é mais filosófico do que real, ou seja, a volta do espírito a um novo corpo.

Mas para que reencarnamos? É uma pergunta natural. Para crescermos em conhecimento e virtudes. Mas por que é preciso reencarnar para termos essas conquistas? Porque as dores do mundo são professoras para nos convencer de que ou amadurecemos espiritualmente, compreendendo nossas inferioridades e necessidades de vencê-las, ou sofreremos indefinidamente. O doente que não se cura, sofre sempre.

É por isso que ao nascer novamente no mundo material, convivemos com pessoas difíceis, desafetos de outras vidas, ou não, mas criaturas igualmente imperfeitas e com as quais temos que lutar na defesa de interesses banais. Ora são familiares, ora companheiros de trabalho, de escola ou religião. Em todos os locais onde estamos temos pessoas com as quais nos harmonizamos e outras com as quais nos conflitamos. Quando não são ligações de outras vidas, são testes com desconhecidos para testarmos o que já aprendemos. Se já temos paciência, aceitação, a grandeza do perdão, e outras virtudes para vivermos serenamente.

Há quanto tempo estamos fazendo esse exercício? É também outra pergunta. A resposta é há muito tempo. Mas esse muito tempo não pode ser medido em anos, séculos ou milênios. É muito mais que isso. Se hoje, evangelizados, somos ainda tão imperfeitos, fazemos tantas coisas erradas, nos aprimoramos tão pouco numa encarnação de 70/80 anos, fácil imaginar como éramos quando nós nenhum conhecimento tínhamos da continuidade da vida e da necessidade das múltiplas existências.

E quantas encarnações serão necessárias até que sejamos espíritos puros ou pelo menos mais espiritualizados? Não há número certo porque cada um colherá segundo suas obras. O que alguém consegue em uma única encarnação, outros precisarão de várias ou dezenas. Basta olharmos os homens no mundo e ver a diferença que há entre eles; de atitudes e de comportamento diante da vida. Para uns, um prejuízo mínimo é uma tragédia; outros são resignados e não se entristecem com pequenos  infortúnios.

Acreditamos que hoje aqueles que estão esclarecidos sobre a reencarnação e suas consequências, aproveitarão melhor esta fase de sua vida eterna. Caso típico dos espíritas conscientizados de que renasceram por mais um ato de misericórdia divina. Não renasceram como castigo, mas como oportunidade aprender. Suas reações diante dos problemas do mundo são menos aflitas; têm mais fé de que o comando é de Deus e só nos acontece o que é preciso para o nosso treinamento no rumo à felicidade.

Todos os espíritos precisam reencarnar, poderiam também perguntar? Sem exceção. Até Jesus foi um reencarnante antes de ser o Governador da Terra. Há milênios.

É verdade que nem sempre reencarnamos por vontade própria. Enquanto somos muito atrasados preferimos ficar na espiritualidade que parece mais agradável. Lembram-se do sofrimento anterior e não querem retornar. Sem falar de espíritos que nem sabem que precisam reencarnar. Não a compreendem e acreditam que o único mundo que existe é o espiritual. Pergunta 331 de O Livro dos Espíritos. Consultem.

Procuremos viver de maneira a aproveitar a encarnação, sabendo o que isso significa, Não é comer muito, passear além da conta, divertir-se sem responsabilidade. Aproveitar a vida é valorizar o tempo. Embora 60/70/100 anos na Terra pareçam muito, na verdade não passam de minutos no relógio da eternidade. Cuidado, quando menos esperamos somos chamados de volta pra casa. E aí não tem desculpa. E ninguém diga que não sabia. Já fomos devidamente advertidos, em todas as religiões. O Evangelho cristão é o mesmo para todas.

Jornal O Clarim – Junho de 2016

 

Olvido del pasado

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En el capítulo V de El Evangelio Según el Espiritismo hay un asunto que habla sobre el olvido del pasado.

Octávio Caúmo Serrano               caumo@caumo.com

Como el hombre se considera un sabe-todo, contesta hasta la sabiduría de Dios. El creó el Universo, hizo los espíritus, dio a cada uno un cuerpo propio para rehacer experiencias; sin embargo aun así decimos que él se engañó a hacernos olvidar las vidas pasadas. Si supiésemos los errores que cometemos en vidas anteriores, ciertamente no los repetiríamos. ¿Será?

Vale la pena analizar qué tipo de olvido es ése con lo cual Dios nos brindó. Es el olvido de las inutilidades o de los errores cometidos que podrían causarnos grandes trastornos si tuviésemos conciencia de ellos. Un ejemplo es la familia, que no raro es una nueva oportunidad para espíritus que estuvieron juntos en vidas pasadas y hoy vuelven a los mismos grupos para corrección de desentendimientos que solo el parentesco puede aguantar. Cuántas veces el hijo de ahora fue el asesino en otras experiencias. ¿Cómo perdonar teniendo presente la imagen de aquello qué fue vivido? Y se fuimos causadores del sufrimiento ajeno, sentiríamos constreñimiento.

Olvidamos lo que no nos ayudaría en nada, allende estorbarnos, pero no olvidamos nuestro real y provechoso progreso que se manifiesta en el presente en forma de aptitudes, calidades y conocimientos. La paciencia que ya experimentamos en vidas pasadas y que ahora hace parte de nuestro carácter; la humildad que practicamos en pasado distante y ahora está incorporada a nuestra personalidad; la habilidad para artes, liderazgo de agrupaciones, destrezas para ciertos oficios. Todo eso, sin que nos recordemos claramente, está guardado en el inconsciente y se manifiesta en la hora cierta. Es la razón de la diferencia entre las personas, sin que necesariamente lo más capaz haya reencarnado más veces, sino que dado mejor provecho a sus encarnaciones.

Si conociésemos donde erramos no erraríamos más; es el argumento. Pero es fácil identificar ese lado. Si actualmente estamos viviendo nuestro mejor momento espiritual, porque, como seres que siempre evolucionan, nosotros nunca fuimos mejores de lo que somos ahora; estamos en el ápice de nuestro crecimiento como espíritus eternos; y, por consecuencia, ¡inmortales!

Si hoy aún somos egoístas es señal de que siempre lo fuimos. No pasamos a tener ese defecto ahora. ¿Si sabemos qué guardar encono contra alguien nos envenena, por qué no aprendemos a no odiar? ¿Si fumar enferma el organismo y el ambiente dónde vivimos, por qué fumamos? No adelanta saber de los defectos de las vidas pasadas si no corregimos ni los de la vida presente. Son los mismos, sin necesidad de revelación.

Es posible que nos hayamos librado de algún problema que teníamos en encarnación anterior, ya en aquella vida o mismo en ésta. Si hoy somos pacientes es porque aprendemos a serlo en oportunidades anteriores, o en ésta. Lo importante es que conseguimos. Los otros que aún tenemos, como pesimismo, celos, melindre, egoísmo, vanidad, inseguridad, no es necesario recordarse de vidas pasadas para saber que ya los teníamos y no conseguimos vencerlos. Repitamos la tentativa en la vida presente, ya que además del Evangelio de Jesucristo, código de buenas lecciones para la conquista de la dicha, tenemos hoy las aclaraciones claras del Espiritismo, que fundamenta nuestra conducta en la ley de acción y reacción. Somos libres para hacer lo que anhelamos y responsables para asumir las consecuencias, buenas o malas, de lo que hacemos. Nuestro libre-albedrio es soberano y no podemos alegar que nos forzaron a algo que no deseábamos. Somos dueños absolutos de nuestra voluntad y libres para ejercerla como mejor se nos parece.

No queramos saber quién fuimos, como éramos, que importancia tuvimos, porque todo eso fue pasajero y circunstancial en razón de la posición que ocupábamos en cada oportunidad. Interesa saber lo que somos ahora y lo que estamos haciendo para salir de aquí mejor de lo que llegamos. Emmanuel, el mentor de nuestro Chico Xavier, se comprometió mucho como senador de Roma y se redimió en parte como esclavo en Egipto. La posición social nada tiene a ver con la escala espiritual; aunque retrocedamos socialmente, como fue el caso de Emmanuel, que después de ser Publius Lentulus, creció espiritualmente como Nestorio, el esclavo egipcio.

El olvido del pasado en las condiciones que vinimos es una bendición de Dios para facilitar el ejercicio de la ley del amor. Nadie se sienta desamparado o perjudicado por el olvido, porque lo que conquistamos de real valor está incorporado a nuestro inconsciente y aflora en el momento cierto. Son nuestra buena conducta, vocaciones y habilidades que despiertan cuando necesario. Dios sabe lo que hace. ¡Crean!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Junio 2016

 

Esquecimento do passado

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RIE_junho_2016No capítulo V de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” há um item que fala sobre o esquecimento do passado.

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

Como o homem se considera um sabe-tudo, contesta até a sabedoria de Deus. Ele criou o Universo, fez os espíritos, deu a cada um seu corpo próprio para refazer experiências, mas ainda assim dizemos que ele se enganou ao nos fazer esquecer as vidas passadas. Se soubéssemos os erros que cometemos em passagens anteriores, certamente não os repetiríamos. Será?

Vale a pena analisar que tipo de esquecimento é esse com o qual Deus nos brindou. É o esquecimento das inutilidades ou dos erros cometidos que poderiam nos causar grandes transtornos se tivéssemos consciência deles. Um exemplo é a família, que não raro é a reaproximação de espíritos que estiveram juntos em vidas passadas e hoje voltam aos mesmos grupos para correção de desentendimentos que só o parentesco pode suportar. Quantas vezes o filho de agora foi o assassino em outras experiências. Como perdoar tendo presente a imagem daquilo que foi vivido? E se fomos causadores do sofrimento alheio, sentiríamos constrangimento.

Esquecemos o que não nos ajudaria em nada, além de atrapalhar-nos, mas não esquecemos o nosso real e proveitoso progresso que se manifesta no presente em forma de aptidões, qualidades e conhecimentos. A paciência que já experimentamos em vidas passadas e que agora faz parte do nosso caráter; a humildade que praticamos em passado distante e agora está incorporada à nossa personalidade; a habilidade para artes, liderança de agrupamentos, destrezas para certos ofícios. Tudo isso, sem que nos lembremos claramente, está guardado no inconsciente e se manifesta na hora certa. É a razão da diferença entre as pessoas, sem que necessariamente o mais capaz tenha reencarnado mais vezes, mas sim dado melhor aproveitamento às suas encarnações.

Se conhecêssemos onde erramos não erraríamos mais; é o argumento. Mas é fácil identificar esse quesito. Se atualmente estamos vivendo o nosso melhor momento espiritual, porque, como seres que sempre evoluem, nós nunca fomos melhores do que somos agora, estamos no ápice do nosso crescimento como espíritos eternos; e, por consequência, imortais!

Se hoje ainda somos egoístas é sinal de que sempre o fomos. Não passamos a ter esse defeito agora. Se sabemos que guardar ódio contra alguém nos envenena, por que não aprendemos a não odiar? Se fumar adoece o organismo e o ambiente onde vivemos, por que fumamos? Não adianta saber dos defeitos das vidas passadas se não corrigimos nem os da vida presente. São os mesmos, sem necessidade de revelação.

É possível que tenhamos nos livrado de algum problema que tínhamos em encarnação anterior, já naquela vida ou mesmo nesta. Se hoje somos pacientes é porque aprendemos a sê-lo em oportunidades anteriores ou mesmo nesta. O importante é que conseguimos. Os outros que ainda temos, como pessimismo, inconformação, ciúmes, melindre, egoísmo, vaidade, insegurança, não é preciso lembrar-se de vidas passadas para saber que já os tínhamos e não conseguimos vencê-los. Repitamos a tentativa na vida presente, já que além do Evangelho de Jesus, código de boas maneiras para a conquista da felicidade, nós temos hoje as elucidações claras do Espiritismo, que fundamenta nossa conduta na lei de ação e reação. Somos livres para fazer o que desejamos e responsáveis para assumir as consequências, boas ou más, do que fazemos. Nosso livre-arbítrio é soberano e não podemos alegar que nos forçaram a algo que não desejávamos. Somos donos absolutos da nossa vontade e livres para exercê-la como melhor nos parece.

Não queiramos saber quem fomos, como éramos, que importância tivemos, porque tudo isso foi passageiro e circunstancial em razão da posição que ocupávamos em cada oportunidade. Interessa saber o que somos agora e o que estamos fazendo para sair daqui melhor do que chegamos. Emmanuel, o mentor do nosso Chico, comprometeu-se muito como senador de Roma e redimiu-se em parte como escravo no Egito. A posição social nada tem a ver com a escala espiritual. Ainda que regridamos socialmente, como foi o caso de Emmanuel, que depois de ser Publius Lentulus, cresceu espiritualmente como Nestório, o escravo egípcio.

O esquecimento do passado nas condições em que viemos é uma bênção de Deus para facilitar o exercício da lei do amor. Ninguém se sinta desamparado e prejudicado pelo esquecimento, porque o que conquistamos de real valor está incorporado ao nosso inconsciente e aflora no momento certo. São a nossa boa conduta, vocações e habilidades que despertam quando necessário. Deus sabe o que faz. Acreditem!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Junho de 2016