Walkiria Araújo – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.” — Jesus. (MATEUS, capítulo 11, versículo 28.)

O bom uso da palavra seleciona o critério de aproximação e de afastamento dos que comungam conosco do nosso mundo íntimo. A leitura edificante, a prece ungida pelo Amor do Mestre e o Amor do Mestre nos permite rasgar os céus e aportarmos junto àqueles que querem, desejam e trabalham pelo bem. O título acima foi retirado do livro Caminho, Verdade e Vida.

Depreendemos da leitura de edificante página que a mensagem do Cristo é força viva criadora de esperança, que desenvolve no ser o desejo do porvir. Mas isto não significa que a caminhada seja sem espinhos, pois para termos a rosa do amor a exalar benesses em nossas vidas necessitamos dos espinhos do sofrimento, as arranhaduras das admoestações alheias e o sulco profundo dos devidos reajustes morais com as Leis Divinas.

Por isso, não podemos esperar a brancura da paz dos eleitos se não nos candidatamos a tal posto através das atitudes do dia a dia. Quando a luta se torna mais arrojada, mais firmeza deveremos demonstrar diante das intempéries. O que verificamos com o decorrer do tempo é que a criatura não tem dificuldade em entender que mudanças são necessárias e até começam por promover estas mudanças, o que prejudica a caminhada do ser humano é quando começamos a tropeçar nas pedras dispostas no caminho.

Devemos persistir na luta. E quando errarmos, não desistir de retomar o processo. Não existem saltos na evolução humana. São etapas vencidas há pouco e pouco. Também não podemos comparar os nossos passos aos dos outros. O ponto de perspectiva sempre será quem fomos no passado e o que estamos fazendo para alterar a constituição físico/moral em nós mesmos. Desde uma postura física mais esguia, mais aberta ao mundo ao nosso derredor, como também uma aceitação psicológica dos nossos pendores com projeção de melhora através do realinhamento de conduta.

O Evangelho Segundo o Espiritismo nos traz a passagem da mulher adúltera, criatura de comportamento duvidoso aos olhos da coletividade que não foi julgada pelo Mestre. Este antes a acolheu e disse-lhe: Vai e não peques mais! O controle do nosso comportamento está em nossas mãos. Não o devemos a ninguém. Nesta mesma passagem, quando o Mestre é inquirido pelos acusadores da mulher, vemos o destaque que é dado ao momento em que ele se abaixa demonstrando um movimento de introspecção que todos deveríamos fazer diante dos desafios que a vida nos propõe.

Mergulharmos em nós mesmos buscando força e equilíbrio necessários para podermos compreender, em primeiro lugar, e após, fazermos o movimento correto de mudança interior. Não aceitando as frases feitas que permeiam o inconsciente coletivo e que só fortalecem o grupo dos conformistas: É assim mesmo! Para que lutar! Não adianta nada ser honesto, as coisas irão continuar assim! Ouvir tais frases de materialistas é aceitável, pois representa a idéia fiel de um comportamento não alinhado com as hostes evangélicas cristãs. Mas causa-nos espanto quando são ditas por pessoas que se dizem religiosas e choca-nos quando ouvimos no próprio meio espírita.

Não é porque a caminhada se faz complicada e em alguns momentos derramamos lágrimas diante das dores que iremos desistir de continuar a percorrer o caminho ascensional da evolução. Um dia todos chegaremos a perfeição, perfeição relativa como o Evangelho nos orienta, mas perfeição. Quando queremos lograr êxito em qualquer empreendimento material nos dedicamos, esforçamos, abdicamos de determinados prazeres e fazemos outras tantas coisas para conseguirmos. Porque com relação à busca da perfeição moral iremos nos amolentar e desistirmos diante dos empecilhos que encontramos?

A vida constitui-se uma perfeita relação de ir e vir. Ora estarmos num movimento de mais observação de ante dos fatos e em outro estarmos em profunda ação. De aquietarmos diante do todo e sermos a alavanca propulsora de nós e do nosso próximo. Desistirmos antes de termos terminado é equivalente ao maratonista que diante da chuva que começa a se fazer durante a prova desiste da maratona por acreditar que não irá conseguir.

“Muita gente acredita na lágrima sintoma de fraqueza espiritual. No entanto, Maria soluçou no Calvário; Pedro lastimou-se, depois da negação; Paulo mergulhou-se em pranto às portas de Damasco; os primeiros cristãos choraram nos circos de martírio… mas, nenhum deles derramou lágrimas sem esperança.” (Livro Caminho, Verdade e Vida, cap. 172 – Lágrimas)

Há duas formas de analisarmos as lágrimas no caminho. Existem àquelas que nos lavam a alma e ajudam-nos a visitarmo-nos interiormente para buscarmos forças para prosseguir e existem àquelas que representam o desespero da criatura. Estas ainda trazem a infância emocional que nos encontramos. A fuga do compromisso não significa que iremos deixar de nos defrontarmos com ele. Significa que adiamos o momento de confirmação de nossa fé através do entendimento necessário das atitudes que se deve tomar ruma à perfeição humana.

Estar encarnado constitui-se uma benção. Benção essa que é ungida através do trabalho edificando, da prática do amor do Cristo e do acolhimento aos desvalidos. Em alguns momentos somos iguais a Maria, pranteamos o nosso calvário e depois prosseguimos em frente; em outros momentos somos o próprio Pedro, que diante das verdades irrefutáveis da Doutrina Espírita, preferimos bater em retirada acreditando que podemos fugir de nós mesmos; outros somos como Paulo, diante das portas libertadoras de Damasco, choramos porque não sabemos o que estar porvir e não nos acreditamos com forças suficientes para superar. Em todas estas passagens o Mestre Rabi se fez presente através do Seu Amor, da Sua Compreensão e principalmente, através do Seu Exemplo. Sigamos o exemplo do Mestre e nos revistamos da alegria daqueles que pegam suas cruzes e seguem sem olhar para trás.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – junho 2016