Walkiria Araújo – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“Uma reunião é um ser coletivo, cujas qualidades são a resultante das de seus membros e formam como que um feixe. Ora, este feixe tanto mais força terá quanto mais homogêneo for.” (Livro dos Médiuns, capítulo XXIX, item 331)

Há ainda uma grande massa que aporta nas fileiras espíritas e buscam no fenômeno a solução para os seus problemas, não entendendo que a proposta espírita é uma proposta eminentemente moral e que os fenômenos mediúnicos surgem como uma explanação da necessidade humana dos dois planos, físico e espiritual, para aprendizado, acolhimento e realinhamento de conduta, mas que tais reuniões devem prescindir de regras basilares para sua execução. Tais regras as encontraremos no Livro dos Médiuns e outras obras correlatas que servem para desdobrar o conhecimento ali contido.

O primeiro ponto a ser destacado com relação às reuniões mediúnicas é que elas são reuniões fechadas. O Livro dos Médiuns no item 335, nos fala da intimidade, do silêncio e do recolhimento conseguido nas reuniões fechadas e com número restrito de participantes. A própria prática vem corroborar tal informação. Ainda somos criaturas extremamente orgulhosas e vaidosas. Num grupo grande tem-se a tendência de grupos menores serem feitos, trazendo prejuízo para o bom andamento dos trabalhos. O livro Reuniões Mediúnicas, do projeto Manoel P. de Miranda traz a síntese do pensamento de alguns expoentes espíritas sobre o quantitativo dos presentes. André Luiz, 14 pessoas; Allan Kardec, 15 a 20; León Denis, 4 a 8; Hermínio de Miranda, 2 pessoas.

O mais importante quanto ao quantitativo é que o dirigente dos trabalhos esteja consciente de sua responsabilidade perante a reunião e se ele tem condições doutrinárias de coordenar um grupo com 20 pessoas, por exemplo ou se não seriam mais razoável um grupo com 05. Agregado a estes dois primeiros pontos levantados (a reunião ser fechada e quantitativo de encarnados presentes) somam-se dois outros pontos importantes: a pontualidade e a assiduidade. A reunião mediúnica não se permite improvisos. Há um preparo antecipado de 24, 48 e em alguns casos de 72 horas antes para a reunião que ocorrerá. Temos que ter um compromisso com o trabalho e com aqueles que estão esperando por nós, encarnados ou desencarnados para execução do mesmo.

O estudo e a disciplina mental também constituem outro capítulo muito importante para aqueles que participam de reunião mediúnica. Há uma total vinculação entre a educação para a vida e a educação mediúnica. Não podemos acreditar que os espíritos nos suplantem a deficiência do conhecimento espírita na execução dos trabalhos. Precisamos estudar incansavelmente para que não sejamos instrumentos passivos nas mãos daqueles que querem deturpar o conhecimento espírita, sejam estes encarnados ou desencarnados.

Quando estudos, criamos um verdadeiro baú mental no qual os bons amigos espirituais se utilizam para transmitirem as informações que queiram repassar. Precisamos ter também a melhor disciplina mental possível na vida e mais ainda no momento em que os trabalhos mediúnicos estão se desenvolvendo. Não importa se somos o dirigente, médiuns, doutrinadores, passistas ou fazemos parte da equipe de apoio. Se ali estamos, é porque fazemos parte de forma ativa dos trabalhos que estão se desenvolvendo.

Quando falamos da divisão na execução dos trabalhos, acaba por gerar certa discórdia entre os membros, pois alguns, erroneamente, consideram-se mais importantes por serem médiuns ou doutrinadores em detrimento da equipe de apoio. Todos somos importantes na execução do trabalho devendo existir uma cordialidade recíproca (Livro dos Médiuns, cap. XXIX, item 341) entre os participantes. Somando-se a tudo o que foi falado antes, verificamos que nem todos que desejam participar de uma reunião mediúnica o podem fazer.

O Livro Reuniões Mediúnicas traz a seguinte afirmação de Nilson sobre os participantes das reuniões mediúnicas, posição esta que defendemos e praticamos na instituição a qual estamos vinculadas: “… devemos selecioná-los pelo sem empenho, assiduidade, caráter, devotamento e interesse em querer participar ativa e responsavelmente do grupo.” Não é algo que se improvisa ou que se seleciona por amizade. Estamos falando de doutrina espírita e do trato do encarnado como os espíritos num momento de profundo entrosamento físico/espiritual no qual todos os envolvidos formamos um circuito fechado, o feixe de varas preconizado por Jesus.

Seguindo princípios básicos de orientação teremos a assistência dos bons espíritos nas nossas reuniões mediúnicas, tendo a certeza que não existe infalibilidade e que estamos no processo de auto-ajustamento moral. O Livro dos Médiuns em seu item 226, 9ª nos fala do médium perfeito que estenderemos o entendimento para os grupos mediúnicos perfeitos. “Perfeito, ah! bem sabes que a perfeição não existe na Terra, sem o que não estaríeis nela. Dize, portanto, bom médium e já é muito, por isso que eles são raros. Médium perfeito seria aquele contra o qual os maus Espíritos jamais ousassem, uma tentativa de enganá-lo. O melhor é aquele que, simpatizando somente com os bons Espíritos, tem sido o menos enganado.”

O estudo, a disciplina e o exercício na busca de retidão moral nos leva a mudança de atitude e o amparo dos amigos amoráveis do bem que se vinculam a nós no desenvolvimento da tarefa. Algo construído e solidificado com o bom exercício da tarefa. Repetimos: não há improvisos, há estudo, disciplina, dedicação e amor.

Jornal O Clarim – junho de 2016