A necessidade do perdão

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Walkiria Araújo – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“À luz da Psicologia Profunda, o perdão é superação do sentimento perturbador do desforço, das figuras de vingança e de ódio através da perfeita integração do ser em si mesmo, sem deixar-se ferir pelas ocorrências afugentes dos relacionamentos interpessoais.” — (Livro Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda, cap. 11 – Reconciliação)

A doutrina do amor crístico ensina-nos a prática do perdão incomensuravelmente. Não nos permite negociação, dissimulação diante da verdade irrefutável da prática do perdão. Buscando achar-se em dia com as Leis Divinas, dispomo-nos a estar em dia conosco mesmos.

O que ocorre em outras visões religiosas é a busca do perdão com medo da punição que a Divindade possa exercer sobre nós. O que a doutrina espírita se nos apresenta é a busca do perdão para podermos viver em paz conosco mesmo. Atender ao convite do perdão transforma-nos o pensamento e o comportamento perante as questões que nos envolvem a todos. Não temos dúvida, que a proposta é a mais difícil que se nos apresenta, principalmente nos dias atuais, mas isto não significa que não pode ser realizado.

A menção a Jesus provoca-nos o sentimento inspirador de busca pela renovação íntima em detrimento da situação vigente. A pergunta sempre atual de Pedro: “Senhor, quantas vezes perdoarei a meu irmão, quando houver pecado contra mim? Até sete vezes?” – Respondeu-lhe Jesus: “Não vos digo que perdoeis até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes.” Mostra-nos que o perdão é um processo de aprendizado constante e ininterrupto.

Não podemos ser só o resultado do que o outro faz conosco, temos que receber o impacto da agressão, diluí-la a luz do entendimento e trabalha-la, transformando-a em fonte de aprendizado, cumprindo-se, num primeiro momento, a Lei de Causa e Efeito, pois não existe sofrimento sem causa anterior precedente, e fazendo com que a criatura incorpore a modificação que deseja nos outros começando por si.

Isto posto, produz-se um sentimento de tranquilidade interna. Tranquilidade nascida da consciência tranquila do entendimento do ocorrido, mesmo que não conheçamos as causas em sua integralidade, e avanço proveitoso diante das ocorrências desairosas que se nos apresentam. Modificando a nossa visão de futuro, trazendo-nos tranquilidade, bem-estar e saúde.

O Mestre nos convida não só ao entendimento do ocorrido, mas que possamos fazer as pazes com nosso adversário. Isto não significa um estado de ignorância sobre os fatos ocorridos, mas que não o carregaremos conosco como um fardo pesado a ser levado por toda a vida. Equivale a entendermos que tanto quanto nós o outro ainda está em processo evolutivo, que comete erros e que estes terão o devido reajuste com as Leis Divinas. Mais uma vez destacando que a proposta do perdão configura-se como um processo libertador nosso conosco mesmos.

Mateus, cap. V, vv. 25 e 26 nos diz: “Reconciliai-vos o mais depressa possível com o vosso adversário, enquanto estais com ele a caminho, para que ele não vos entregue ao juiz, o juiz não vos entregue ao ministro da justiça e não sejais metido em prisão. – Digo-vos, em verdade, que daí não saireis, enquanto não houverdes pago o último ceitil.” O juiz representa as Leis Divinas que nos regem a todos e que não modificam ao sabor de nossa vontade, pois estão conforme a imutabilidade de Deus; o ministro da justiça é a nossa consciência, fiel cumpridora das Leis Divinas, que nos acompanha, alerta durante a vida e dá-nos a sustentação moral quando estamos agindo de acordo com as Leis (mesmo que os outros afirmem o contrário) e orienta-nos sobre o realinhamento moral quando estamos vivendo de forma arredia às Leis; a prisão consiste no corpo material, verdadeiro regime de aprisionamento que não nos permite ter a expansibilidade daqueles que já se encontram em condição superior de evolução. E por fim, o ceitil representa as manchas morais que ainda possuímos e que serão dissolvidas através da prática do bem e do devido reajuste com as Leis.

Malquerenças não dissolvidas geram situações de reajuste para outras encarnações. “…o ser se faz herdeiro da necessidade de superar os erros e agressões às Leis, insculpindo nos refolhos íntimos os mecanismos reparadores …” (Jesus e O Evangelho a Luz da Psicologia Profunda, cap. 11 – Reconciliação). É um processo de depuração necessária, constitui-se em uma decantação moral diante dos erros cometidos no passado. A morte não nos serve como libertação, antes nos aprisiona ao objeto odiado, pois normalmente a criatura elege o outro como único objeto de desejo. É um processo recíproco que aprisiona a ambos na mesma cadeia. Necessário se faz que uma das partes resolva-se por modificar a conduta deixando de ser o plug ou a tomada de tal situação.

Mesmo diante do conhecimento espírita, se a criatura continua se sentindo assaltada pelo desejo da desforra, acrescente a este conhecimento que este pensamento não irá leva-lo a sensação de prazer e satisfação esperados. Num primeiro momento representará a vitória de alguém que ganha à competição porque o outro não teve forças suficientes para ir até o fim; depois, aparecerá o vazio existencial, pois aquele que se dedica a se vingar tem como único móvel de vida a vingança com relação ao outro, concretizado o fato, não mais tem objetivo para viver.

O perdão é a convocação da consciência para que possamos viver melhor, independente do que nos aconteça, favorecendo a nós para termos uma existência saudável: física, psicológica e espiritualmente. Não sendo visitados pelas alienações mentais e outras tantas doenças de difícil explicação pela medicina atual, mas que encontram suas raízes profundas na alma da criatura ainda endividada consigo mesmo e com os erros do passado.

Tribuna Espírita – maio/junho 2016

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O vazio existencial da criatura

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Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante – walkiria.wlac@yahoo.com.br 

“Bem-aventurados os que choram, pois que serão consolados. – Bemaventurados os famintos e os sequiosos de justiça, pois que serão saciados. – Bemaventurados os que sofrem perseguição pela justiça, pois que é deles o reino dos céus. (S. MATEUS, cap. V, vv. 5, 6 e 10.) 

A dor não escolhe classe social nem tão pouco nível cultural. Todos que estamos encarnados sofremos, mas a forma como encaramos estes sofrimentos é o que nos diferencia com relação ao aprendizado. A resignação nasce da compreensão desta necessidade. Ela nos dá esperança. É o oposto desânimo. Mas aqueles que nos resignamos precisamos de algo que nos sustente e encontramos na prece o sustentáculo para avançarmos.

Mesmo tendo o amparo amorável da doutrina em nossas vidas, nos deparamos com a melancolia. Item tratado em o Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. V, item 25. Alguns erroneamente a confundem com a depressão. A melancolia desaparece espontaneamente, é um estado emocional transitório, não interfere na rotina da pessoa e possui causas facilmente identificadas: desilusão amorosa, desencarne de alguém próximo, desemprego, etc. Já a depressão possui vários graus de complexidade, os quais são constantes e diferenciados, interfere no desenvolvimento das tarefas cotidianas, sendo normalmente difícil de identificar o motivo do desânimo e da tristeza.

Os fatores externos existem a nos dificultar os passos. O que não deveremos é aumentar a dificuldade. “O fardo é proporcionado às forças, como a recompensa o será à resignação e à coragem. Mais opulenta será a recompensa, do que penosa a aflição. Cumpre, porém, merecê-la, e é para isso que a vida se apresenta cheia de tribulações.” (item 18). Devemos utilizar da inteligência que possuímos para minorar ou até extirpar os sofrimentos, mas não nos sentirmos filhos deserdados do Pai se não logramos êxito.

“O militar que não é mandado para as linhas de fogo fica descontente, porque o repouso no campo nenhuma ascensão de posto lhe faculta.” (item 18). Não podemos buscar o repouso indevido. Antes de reencarnarmos temos o conhecimento do gênero de provas que viveremos, constituindo-se nisso o nosso livre-arbítrio (questão 258 de O Livro dos Espíritos). Então não podemos culpar a Deus ou as Leis de nossas escolhas. Antes deveremos nos felicitar, de como o militar, sermos colocados a prova e avançarmos em entendimento e nos burilarmos moralmente.

Sabemos que as particularidades reservam-se ao desenrolar dos fatos. Até por isso, muitas das vicissitudes pelas quais passamos decorrem da nossa incúria (questão 258, “a”). Nada ocorre sem a permissão de Deus, mas Ele nos deixa livres, semelhantes ao preso que encarcerado pode fazer suas escolhas, mas deve arcar com as consequências. Estamos “encarcerados” no corpo de carne, submetidos às Leis Divinas e podemos, através do livre arbítrio, escolher que caminhos queremos seguir, mas colheremos os frutos de nossas escolhas.

Com relação à melancolia, ela se instala também, porque como crianças imaturas, queremos a ratificação de quem convive conosco que estamos mudando e quando isto não ocorre, ficamos tristes. Poderemos comparar como um iceberg. Boa parte dele está invisível aos olhos, ficando somente sua ponta exposta. Os outros não nos percebem a mudança, porque, talvez, não nos enxergam e porque muitos de nossos vícios estão escondidos. Alguns, de nós mesmo, não o reconhecemos como vícios ou se os reconhecemos, damos vasão sem a presença dos outros.

“Ninguém está a sós na sua dor. Melancolia é também enfermidade ou síndrome de obsessão… Olhos vigilantes contemplam tua aflição; ouvidos discretos registam os apelos da tua soledade. Há muitos que, acompanhados, caminham em indescritível solidão e há solitários que, seguindo, recebem a contribuição de acompanhantes afervorados.” (Livro Joanna de Ângelis responde, questão 29). Não estamos sozinhos na nossa dor porque outros também padecem do mesmo sofrimento que ora estejamos passando e porque amigos queridos, encarnado e/ou desencarnados velam por nós. Por vezes, nos encontramos no meio de um grupo e nos sentimos sozinhos; em outros momentos estamos a sós, mas não nos sentimentos solitários.

A Doutrina Espírita nos provoca esse sentimento de nunca estar sozinhos porque temos a ela como companhia. Todo aquele que sinceramente busca amparo na Doutrina encontra. São suas páginas alentadoras de O Evangelho Segundo o Espiritismo ou nas respostas precisas de O Livro dos Espíritos, ou nas outras obras da codificação. Nunca estamos solitários na marcha ascensional do progresso. Ás vezes, não conseguimos encontrar o correspondente equivalente de pensamento na caminhada terrestre, mas isto não significa que olhos amorosos não velem por nós.

O vazio existencial que por vezes nos visita a mente constitui-se numa adequação entre o que somos e o que buscamos ser. Quando a perfeita adequação se faz encontramos forças para prosseguir, tendo os passos firmes e os olhos voltados para o porvir, na certeza que estamos caminhando e neste processo de projeção segura para frente estamos avançando de forma precisa e segura ruma a perfeição moral.

Jornal O Clarim – julho de 2016

A Reunião Espírita

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Octávio Caúmo Serrano

O que as pessoas realmente vão buscar no Centro Espírita?

Tradicionalmente, uma reunião espírita pública oferece o atendimento fraterno, que consiste numa entrevista e encaminhamento para outros setores, a palestra evangélico-doutrinária,  o passe, a água com fluidos espirituais, além da oportunidade de contato com livraria, biblioteca, mensagens, videoteca, etc.

Quem são as pessoas que vão a uma reunião espírita? A resposta não é fácil, mas poderíamos dizer que são espíritas convictos, simpatizantes do Espiritismo, os curiosos que demonstram algum interesse em saber mais sobre a nossa doutrina e aqueles que vão buscar solução para os seus problemas. Frequentam outra religião, por convicção, mas buscam no Espiritismo o tratamento contra a obsessão, a cura da enfermidade, a harmonização em família ou a ajuda para o cônjuge ou filho que não consegue se dar bem na escola, no trabalho, no casamento. São alguns exemplos.  Por que não se curam ou resolvem os problemas nas suas religiões habituais? Porque não sabem o que estão fazendo naquela igreja. O Deus espírita é o mesmo Deus de todas as doutrinas.

A maioria vai ao centro sem saber o que é realmente essa instituição e nem sabe bem como se comportar ou tirar da reunião o melhor proveito. Normalmente as casas espíritas tem um cartão que diz “O silêncio é uma prece” e geralmente se pede ao público para que as pessoas desliguem os celulares. Quem vai ao centro e está mais preocupado com o celular do que com o Evangelho, está perdendo tempo indo ao Centro. E quem não valoriza o respeito ao silêncio, melhor ficar em casa. Não entendeu nada.

Note-se que a quase totalidade das casas espíritas trabalham de porta aberta e o entra e sai é constante. Como não é explicado para o frequentador que o passe é como a sobremesa ou o cafezinho numa refeição, porque o prato principal é o Evangelho, muitos deixam para chegar quando a palestra está no fim, na ilusão que tomando o passe conseguiram seu objetivo. Perdem a melhor parte da reunião. Não entenderam o que Jesus quis dizer quando sentenciou: “conhecereis a verdade e a verdade vos fará livres”. Com a explicação do Evangelho pelo palestrante, vamos detectando nossas deficiências e corrigindo-as, atendendo à principal proposta espírita que é a conhecida reforma íntima.

No nosso centro fechamos a porta no início da reunião, por muitas razões: para que os trabalhadores não precisem ficar à disposição dos retardatários para recepcioná-los e encaminhá-los; para que o palestrante não tenha sua concentração perturbada com a entrada intempestiva dos que se atrasam,  geralmente sempre os mesmos; para não incomodar os que são pontuais e chegam sempre antes; e, atualmente, também por questão de segurança.

Os passes de tratamento são dados no fim e quem não ouvir a palestra não recebe o passe. Como o assistido ou o visitante não conhece tais detalhes cabe ao dirigente do centro, que é o guardião da doutrina na instituição, ensinar ao público os mecanismos que o leve a ter méritos para receber ajuda.

Quando temos uma enfermidade no corpo, recebemos sangue e soro para fortalecer-nos provisoriamente e em seguida passamos por tratamento específico ou por cirurgia seguida de tratamento pós-operatório. As enfermidades da alma devem ser tratadas da mesma maneira. A reencarnação se destina à obtenção de conhecimentos o que fará com que operemos mudanças espirituais. A palestra ensina, o passe ajuda na harmonização dos pensamentos e a mudança de comportamento e ideias faz com que cresçamos como espíritos eternos e imortais que progridem, indefinidamente.

Um dia o Espiritismo será como disse Jesus, “o Caminho, a Verdade e a Vida”, porque a nossa doutrina nada mais é do que o Cristo repetindo o que se perdeu pelo tempo, para ver se finalmente conseguimos entender. O Evangelho é tão fácil e ao mesmo tempo tão difícil de ser compreendido. No entanto, ele se resume no amor a Deus e ao próximo, algo que ainda não podemos viver porque o orgulho e o egoísmo não deixam que entendamos algo tão simples!

Vamos tentar respeitar mais o trabalho de Kardec, que foi o encarregado de trazer-nos o Consolador Prometido, e também a preocupação de Jesus em voltar a ensinar-nos demonstrando grande paciência conosco, seus irmãos menores. Uma vez nos O matamos equivocadamente, fazendo-O menor que Barrabás. Não cometamos o erro novamente.

Depois que saímos de uma reunião espírita, que assistiremos respeitosos e agradecidos, não nos restrinjamos a admirar o palestrante ou o assunto abordado. Incorporemos o conhecimento à nossa vida e nos analisemos para verificar em que podemos melhorar e se podemos servir. E tentemos complementar com a leitura de livros, revistas e jornais tudo o que aprendemos na reunião. O tempo é pouco e nossas falhas são muitas.

“Muitos serão chamados e poucos os escolhidos”. O chamamento é divino, mas a escolha é da responsabilidade de cada um. É inteligente aproveitar essa sublime oportunidade.  É para isso que vamos ao Centro.

Tribuna Espírita – Paraíba – maio/junho 2016

 

O papa

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Octávio Caúmo Serrano

A lucidez do Papa Francisco causa êxtase até nos espíritas.

O que o estimado chefe da doutrina católica vem afirmando ao longo do seu apostolado, não é nada mais do que o óbvio a ser dito pelo superior de qualquer segmento religioso. O inusitado está justamente porque é preciso ter coragem para enfrentar o Colégio Cardinalício, uma falange fanática e gananciosa que não quer perder privilégios e primazias, rebaixando-se à igualdade de religiões que lhes soam como inimigas.

Entre os óbvios aos quais nos referimos, e que o Papa prega, é que as religiões não passam de estradas diferentes que cada um escolhe para trilhar, mas que vão convergir todas para o mesmo lugar: a prestação de contas perante a Lei Maior. Todos os Papas anteriores sabiam disso. Mas faltava-lhes destemor para enfrentar uma força tão poderosa. Os que ousam entrar por esse terreno perigoso correm sérios riscos. Lembram os governantes que não ousam chocar-se com os  Congressos, às Assembleias ou às Câmaras de seus municípios.

No plano de Deus não somos indagados sobre a farda que vestíamos ou o rótulo que ostentávamos para simbolizar nossa crença. Não nos perguntarão que doutrina nós abraçamos, nem que dia da semana escolhemos para praticar nossa religiosidade ou que rituais eram usados nos nossos cultos. Só interessará ao tribunal divino como cultivamos a firmeza da nossa fé, que exemplos demos do amor ao próximo, quantas vezes fomos solidários ante a dor alheia e se dividimos alguma vez nosso pequeno pão ou o prato de comida.

Quem tiver oportunidade leia a lição 7 do livro Contos e Apólogos, de Chico Xavier pelo espírito Irmão X, chamada “A ficha” e entenderão mais claramente o que aqui afirmamos.

Não serão usadas as estatísticas das missas assistidas, dos cultos frequentados, das sessões públicas ou mediúnicas das quais participamos. Os encarregados do julgamento na esfera espiritual gostarão de comprovar que fomos pessoas de bem, respeitamos a vida dos outros, e mesmo a nossa, e não traímos ninguém, nem nós mesmos. Por isso estamos de acordo quando o Papa diz que somos todos filhos de Deus e a única religião perfeita é a que serve para todos: a religião do amor.

Os representantes do Espiritismo, em todas as escalas, destacando-se os conferencistas internacionais, dizem exatamente o mesmo que o Papa. Mas como para o Espiritismo isso nunca foi tabu pouca gente presta atenção. Mas em se tratando do nosso irmão chefe da maior igreja do Brasil, igreja essa que não tem muito do que se orgulhar da trajetória percorrida, que vive pedindo perdão pelos erros cometidos contra negros, mulheres ou praticantes de religião que não a sua, a repercussão é maior. Ainda hoje enfrentam a pedofilia nos seus diferentes departamentos, pagam pelos erros das Cruzadas ou da Inquisição que sacrificou inocentes que se recusavam a rezar pela sua cartilha.

Vamos todos orar pelo Papa e que a partir de suas atitudes as religiões passem a se unir porque o que elas mais têm feito até agora é separar as pessoas. No afã de encher as suas igrejas, caluniam, perseguem, agridem e ofendem. Não foi isso o que ensinou Jesus Cristo quando deixou sua sábia mensagem: “Ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo!” Sem ressalvas para definir o próximo. O próximo é o outro e pronto.  Como na parábola do Bom Samaritano quando ele se referiu simplesmente a um homem, que descia de Jerusalém para Jericó. E não foram os religiosos da elite judaica que o socorreram, mas o herege samaritano. É só ler o Evangelho para saber como agir.

Que Deus cuide de Francisco e de todos os que se empenham, como ele, para que haja mais entendimento entre os homens.

Jornal O Clarim – julho de 2016

 

Encarnaciones y exilios

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Son necesarias acciones concretas en el campo del bien.

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

¿Lo qué es una encarnación?

Aprendemos con nuestra Doctrina que es la vuelta del espíritu a un nuevo cuerpo para proseguir en el aprendizaje. No es castigo, sino renovación de oportunidad concedida por la misericordia de Dios y acontecerá la cantidad de veces necesaria para nuestro esmero espiritual. Eso ya ocurrió con cada uno de nosotros cientos o millares de veces. Nuestro actual entendimiento, aunque  rudimentario, ya es consecuencia de muchas y sucesivas encarnaciones, aunque algo también aprendamos en la erraticidade.

Una pregunta que hacemos, ya que conocemos los postulados espiritistas, es por qué no aprovechamos esta misma encarnación para transformarla en una vida biónica; ya estamos por aquí, conocemos las verdades y sería inteligente no necesitar nacer de nuevo, en otro cuerpo, porque eso demandaría nuevos padres, qué actualmente no es fácil de encontrar. Las personas están se fugando del casamiento y, bajo la alegación de dificultades económicas, tienen pocos hijos; especialmente las de más recurso. Las cuestiones 998 a 1.000 del Libro de los Espíritus nos enseñan claramente que podemos crecer desde ya.

El mundo material, aunque secundario y dispensable, según explica la cuestión 86 del Libro de los Espíritus, es importante para apremiar nuestro desarrollo, porque en él hay una maestra convincente llamada dolor. Ella nos lleva a la busca del socorro porque llega a ser, en determinados momentos, lancinante, obligándonos a la busca del sedante para aplacar el sufrimiento. Es la hora que más nos recordamos de Dios. André Luiz dice que el mundo físico es un catalizador para el progreso de la humanidad.

¿Por qué debemos acomodarnos en esta vida y esperar la salida por el túmulo para conseguir nueva encarnación? ¿Por qué morir para después nacer, si ya estamos con conocimiento suficiente para luchar y salir de aquí mucho mejor de lo que llegamos? Fuimos engañados durante mucho tiempo en cuanto a la protección divina sin nuestros propios méritos, pero el Espiritismo dejó bien claro cómo funcionan los mecanismos de la vida. No bastan oraciones, promesas, penitencias o cualquier tipo de sacrificio inútil; ni basta la compra del cielo con donativos convenientes y llenos de segundas intenciones. Son necesarias acciones concretas en el campo del bien. La ley de acción y reacción da explicación clara y final, según la enseñanza del Evangelio de Jesucristo que dice: “nadie saldrá de aquí mientras no pagar hasta el último centavo”.

El no aprovechamiento de la encarnación nos lleva a necesitar de exilio para sitios inferiores, donde aplicaríamos nuestros conocimientos en favor de nuevas civilizaciones. ¿Dónde se darían tales tareas? ¿En otros mundos? No necesariamente, porque aquí mismo en la Tierra hay muchos mundos, si consideramos las desigualdades sociales. Reencarnar como campesino en medio a la seca, en la miseria de ciertos países africanos o entre los peligros de los cataclismos que hay en ciertos países vulnerables a los tropezones del medio ambiente son algunos ejemplos de una encarnación expiatoria. Si supiésemos de la importancia de tener buen comportamiento, de ser fraternos y ayudar a los semejantes, no necesitaríamos ser contemplados con tales pruebas. Que hiciésemos ésa ayuda por convicciones misioneras, bien. Sin embargo,  como condenados por las Leyes Divinas sería muy triste; como exilados punidos reviviendo el episodio del planeta Capilla no es inteligente para quien se dice espiritista.

En nuestra vida planetaria adquirimos siempre nuevos conocimientos. Es la ley del determinismo actuando en nuestro favor. Cuando acá vinimos trajimos acumulados de nuestra vida eterna, que se pierde en el tiempo, defectos y virtudes. Los defectos para ser extirpados y las virtudes para ser apuradas y vividas. Esta hora es el libre albedrio que empieza a imperar. Plantío y cosecha. Hace lo que quiere y responde por lo que hace.

El desconocimiento de la sucesión de vidas en la materia hizo con que fuésemos negligentes en las tareas de crecimiento espiritual y en vez de que arreglemos los viejos errores, acabamos por adquirir en esta etapa otros nuevos que llevaremos para el porvenir y que demandarán corrigendas. Por eso no hay nadie que no traiga una pasado a ser expiado, o sea, corregido. Al final, si el mundo es de pruebas y expiaciones, somos todos espíritus aún inferiores. Sin embargo, quien ya conoce la justicia divina no puede aumentar su fardo de rescates. No es inteligente.

Hemos perdido tiempo intentando corregir los otros, olvidándonos de arreglarnos. Con eso, a cada nueva encarnación, tenemos más conocimientos culturales, pero en términos de crecimiento espiritual mal salimos del lugar. Con la llegada del Espiritismo, sus claras y lógicas lecciones se volvieron advertencias para que resolvamos ahora problemas milenarios. Pero con seriedad. No cometamos el engaño de iniciar nuestra reforma moral en la próxima encarnación. Podrá ser penoso y no se sabe cuándo eso ocurrirá. El planeta está corriendo en la dirección de su nuevo destino como mundo de regeneración. Si dormimos, seremos como las vírgenes de la parábola que perdieron sus novios. Ya fuimos advertidos y orientados en cuanto al procedimiento que más nos conviene.

Con tanta corrupción, tanto desajuste, tanto desánimo y descreimiento y tanto desentendimiento en todo el mundo, debemos empeñarnos para no ser más una a engrosar esas colas. Tenemos conocimientos suficientes para quedarnos a los márgenes de esas infelicidades. El problema de los otros cabe a ellos resolver; pero los nuestros son de nuestra responsabilidad.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – julio 2016

Encarnações e exílios

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Rie_Julho_2016São necessárias ações concretas no campo do bem.

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

O que é uma encarnação?

Aprendemos com a nossa Doutrina que é a volta do espírito a um novo corpo para prosseguir no aprendizado. Não é castigo, mas renovação de oportunidade concedida pela misericórdia de Deus e acontecerá a quantidade de vezes necessária para o nosso aprimoramento espiritual. Isso já ocorreu com cada um de nós centenas ou milhares de vezes. Nosso atual entendimento, conquanto ainda rudimentar, já é consequência de múltiplas e sucessivas encarnações, embora algo também aprendamos na erraticidade.

Uma pergunta que fazemos, já que conhecemos os postulados espíritas, é por que não aproveitamos esta mesma encarnação para transformá-la numa vida biônica; já estamos por aqui, conhecemos as verdades e seria inteligente não precisar nascer de novo, em novo corpo, porque isso demandaria novos pais, o que atualmente não é fácil de encontrar. As pessoas estão fugindo do casamento e, sob a alegação de dificuldades econômicas, têm menos filhos; especialmente as de mais recurso. As questões 998 a 1.000 de O Livro dos Espíritos nos ensinam claramente que podemos crescer desde já.

O mundo material, embora secundário e dispensável, conforme explica a questão 86 de O Livro dos Espíritos, é importante para apressar o nosso desenvolvimento, porque nele há uma professora convincente chamada dor. Ela nos leva à busca do socorro porque chega a ser, em determinados momentos, lancinante, obrigando-nos à busca do sedativo para aplacar o sofrimento. É a hora que mais nos lembramos de Deus. André Luiz diz que o mundo físico é um catalisador para o progresso da humanidade.

Por que devemos acomodar-nos nesta vida e esperar a passagem pelo túmulo para conseguir nova encarnação? Por que morrer para depois nascer, se já estamos com conhecimento suficiente para lutar e sair daqui muito melhor do que chegamos? Fomos enganados durante muito tempo quanto à proteção divina sem nossos próprios méritos, mas o Espiritismo deixou bem claro como funcionam os mecanismos da vida. Não bastam orações, promessas, penitências ou qualquer tipo de sacrifício inútil; nem basta a compra do céu com donativos convenientes e cheios de segundas intenções. São necessárias ações concretas no campo do bem. A lei de ação e reação dá explicação clara e final, conforme a passagem do Evangelho de Jesus que diz: “ninguém sairá daqui enquanto não pagar até o último centavo”.

O não aproveitamento da encarnação nos leva a precisar de exílio para lugares inferiores, onde aplicaríamos nossos conhecimentos em favor de novas civilizações. Onde se dariam tais tarefas? Noutros mundos? Não necessariamente, porque aqui mesmo na Terra há muitos mundos, se considerarmos as desigualdades sociais. Reencarnar no sertão em meio à seca, na miséria de certos países africanos ou entre os perigos dos cataclismos que grassam em certos países vulneráveis aos tropeços do meio ambiente são alguns exemplos de uma encarnação expiatória. Se soubéssemos da importância de termos bom comportamento, de sermos fraternos e ajudarmos os semelhantes, não precisaríamos ser contemplados com tais provas. Que fizéssemos essa ajuda por convicções missionárias, vá lá. Mas como condenados pelas Leis Divinas seria muito triste; como exilados punidos revivendo o episodio de Capela não é inteligente para quem se diz espírita.

Em nossa vida planetária adquirimos sempre novos conhecimentos. É a lei do determinismo agindo em nosso favor. Quando para cá viemos trouxemos acumulados da nossa vida eterna, que se perde na poeira do tempo, defeitos e virtudes. Os defeitos para serem extirpados e as virtudes para serem aprimoradas e vivenciadas. Nesta hora é o livre-arbítrio que começa a imperar. Plantio e colheita. Faz o que quer e responde pelo que faz.

O desconhecimento da sucessão de vidas na matéria fez com que fôssemos negligentes nas tarefas de crescimento espiritual e em lugar de consertarmos os velhos erros, acabamos por adquirir nesta etapa outros novos que levaremos para o futuro e que demandarão corrigendas. Daí não haver ninguém que não traga um passado a ser expiado, ou seja, corrigido. Afinal, se o mundo é de provas e expiações, somos todos espíritos ainda inferiores. Mas quem já conhece a justiça divina não pode aumentar o seu fardo de resgates. Não é inteligente.

Temos perdido tempo tentando corrigir os outros, esquecendo-nos de consertar-nos. Com isso, a cada nova encarnação, temos mais conhecimentos culturais, mas em termos de crescimento espiritual quase não saímos do lugar. Com o advento do Espiritismo, suas claras e lógicas lições tornaram-se advertências para que resolvamos agora problemas milenares. Mas com seriedade. Não cometamos o engano de iniciar nossa reforma moral na próxima encarnação. Poderá ser penoso e sabe-se lá quando isso ocorrerá. O planeta está correndo na direção do seu novo destino como mundo de regeneração. Se dormirmos, seremos como as virgens da parábola que perderam seus noivos. Já fomos advertidos e orientados quanto ao procedimento que mais nos convêm.

Diante de tanta corrupção, tanto desajuste, tanto desânimo e descrença e tanto desentendimento em todo o mundo, devemos empenhar-nos para não ser mais um a engrossar essas fileiras. Temos conhecimentos suficientes para ficar às margens dessas infelicidades. O problema dos outros cabe a eles resolver, mas os nossos são de nossa responsabilidade.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Julho de 2016