Octávio Caúmo Serrano

O que as pessoas realmente vão buscar no Centro Espírita?

Tradicionalmente, uma reunião espírita pública oferece o atendimento fraterno, que consiste numa entrevista e encaminhamento para outros setores, a palestra evangélico-doutrinária,  o passe, a água com fluidos espirituais, além da oportunidade de contato com livraria, biblioteca, mensagens, videoteca, etc.

Quem são as pessoas que vão a uma reunião espírita? A resposta não é fácil, mas poderíamos dizer que são espíritas convictos, simpatizantes do Espiritismo, os curiosos que demonstram algum interesse em saber mais sobre a nossa doutrina e aqueles que vão buscar solução para os seus problemas. Frequentam outra religião, por convicção, mas buscam no Espiritismo o tratamento contra a obsessão, a cura da enfermidade, a harmonização em família ou a ajuda para o cônjuge ou filho que não consegue se dar bem na escola, no trabalho, no casamento. São alguns exemplos.  Por que não se curam ou resolvem os problemas nas suas religiões habituais? Porque não sabem o que estão fazendo naquela igreja. O Deus espírita é o mesmo Deus de todas as doutrinas.

A maioria vai ao centro sem saber o que é realmente essa instituição e nem sabe bem como se comportar ou tirar da reunião o melhor proveito. Normalmente as casas espíritas tem um cartão que diz “O silêncio é uma prece” e geralmente se pede ao público para que as pessoas desliguem os celulares. Quem vai ao centro e está mais preocupado com o celular do que com o Evangelho, está perdendo tempo indo ao Centro. E quem não valoriza o respeito ao silêncio, melhor ficar em casa. Não entendeu nada.

Note-se que a quase totalidade das casas espíritas trabalham de porta aberta e o entra e sai é constante. Como não é explicado para o frequentador que o passe é como a sobremesa ou o cafezinho numa refeição, porque o prato principal é o Evangelho, muitos deixam para chegar quando a palestra está no fim, na ilusão que tomando o passe conseguiram seu objetivo. Perdem a melhor parte da reunião. Não entenderam o que Jesus quis dizer quando sentenciou: “conhecereis a verdade e a verdade vos fará livres”. Com a explicação do Evangelho pelo palestrante, vamos detectando nossas deficiências e corrigindo-as, atendendo à principal proposta espírita que é a conhecida reforma íntima.

No nosso centro fechamos a porta no início da reunião, por muitas razões: para que os trabalhadores não precisem ficar à disposição dos retardatários para recepcioná-los e encaminhá-los; para que o palestrante não tenha sua concentração perturbada com a entrada intempestiva dos que se atrasam,  geralmente sempre os mesmos; para não incomodar os que são pontuais e chegam sempre antes; e, atualmente, também por questão de segurança.

Os passes de tratamento são dados no fim e quem não ouvir a palestra não recebe o passe. Como o assistido ou o visitante não conhece tais detalhes cabe ao dirigente do centro, que é o guardião da doutrina na instituição, ensinar ao público os mecanismos que o leve a ter méritos para receber ajuda.

Quando temos uma enfermidade no corpo, recebemos sangue e soro para fortalecer-nos provisoriamente e em seguida passamos por tratamento específico ou por cirurgia seguida de tratamento pós-operatório. As enfermidades da alma devem ser tratadas da mesma maneira. A reencarnação se destina à obtenção de conhecimentos o que fará com que operemos mudanças espirituais. A palestra ensina, o passe ajuda na harmonização dos pensamentos e a mudança de comportamento e ideias faz com que cresçamos como espíritos eternos e imortais que progridem, indefinidamente.

Um dia o Espiritismo será como disse Jesus, “o Caminho, a Verdade e a Vida”, porque a nossa doutrina nada mais é do que o Cristo repetindo o que se perdeu pelo tempo, para ver se finalmente conseguimos entender. O Evangelho é tão fácil e ao mesmo tempo tão difícil de ser compreendido. No entanto, ele se resume no amor a Deus e ao próximo, algo que ainda não podemos viver porque o orgulho e o egoísmo não deixam que entendamos algo tão simples!

Vamos tentar respeitar mais o trabalho de Kardec, que foi o encarregado de trazer-nos o Consolador Prometido, e também a preocupação de Jesus em voltar a ensinar-nos demonstrando grande paciência conosco, seus irmãos menores. Uma vez nos O matamos equivocadamente, fazendo-O menor que Barrabás. Não cometamos o erro novamente.

Depois que saímos de uma reunião espírita, que assistiremos respeitosos e agradecidos, não nos restrinjamos a admirar o palestrante ou o assunto abordado. Incorporemos o conhecimento à nossa vida e nos analisemos para verificar em que podemos melhorar e se podemos servir. E tentemos complementar com a leitura de livros, revistas e jornais tudo o que aprendemos na reunião. O tempo é pouco e nossas falhas são muitas.

“Muitos serão chamados e poucos os escolhidos”. O chamamento é divino, mas a escolha é da responsabilidade de cada um. É inteligente aproveitar essa sublime oportunidade.  É para isso que vamos ao Centro.

Tribuna Espírita – Paraíba – maio/junho 2016