Os tempos já chegaram

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Octávio Caúmo Serrano

Estamos vivendo um período de dores em todo o planeta. Não há povos privilegiados por mais sólidas que sejam suas economias ou mais civilizadas as suas sociedades. Estamos mergulhados no Apocalipse tão bem descrito pelo Apóstolo João Evangelista.

Vivemos a aceleração das dores porque a Terra tem pressa de progredir e passar a ser um mundo de regeneração, um pouco melhor do que atualmente. A separação vem sendo feita há décadas e os que não têm mérito para permanecer na nova fase planetária já estão reencarnando em mundos onde possam exercitar seus conhecimentos no campo da caridade para desenvolver, junto com a asa do intelecto, a outra que o fará voar: a asa do sentimento, da bondade, da solidariedade; da moral. Repete-se o episódio de Capela e de outros tantos mundos que desconhecemos.

Nesta loucura generalizada, a ignorância prevalece e todos apontam culpados sem perceber que ao apontar um dedo para o outro volta três contra si próprio. Nossos comentários, sem exceção, sempre mostram alguém como responsável pelos dores que vivemos e queremos que ele seja banido do nosso meio. Deposto, preso ou morto esse algoz da humanidade, tudo ficará resolvido. Que pueril ilusão.  A desonestidade é marca registrada do ser humano da Terra que traz no DNA o gene da ignorância e da inferioridade. Não fora isso e não seria um terráqueo. Quem sabe um Marciano, Jupteriano; ou sabe-se o quê. Aqui não é morada de santos.

O processo chama-se transição planetária, já que Deus é o dono de todo este latifúndio universal. Como na brincadeira dos Escravos de Jó, tira, põe e deixa ficar, conforme o mérito de cada vivente. Os espíritos inferiores da Terra serão, e já estão sendo, transplantados para mundos mais adequados à sua sintonia. É preciso afinidade para não se sentir desconfortável. E para que não fiquemos preocupados, até a ciência já está nos informando a existência de muitos mundos similares à Terra em tamanho e geologia, onde vida como a nossa pode ser uma realidade. Qual é o grau espiritual deles? Não sabemos. Inferiores, de provas, regeneração? Quem pode afirmar?

Da mesma maneira, aqueles que já compreenderam a importância do amor ao próximo, desejam ardentemente renascer neste nosso mundo para ajuda-lo na promoção que está vivendo de provas e expiações para regeneração.

Que mundo é esse que a Terra está conquistando? Um mundo ainda de dores e resgates, mas muito mais suaves. O respeito entre os homens fará com que as agressões quase desapareçam, os roubos inexistam, a ganância se aplaque e o auxílio mútuo seja uma constante na sociedade. Com isso, as pessoas serão mais calmas, resignadas em razão do próprio conhecimento, o que lhes causará menos aflição psicológica fazendo com que adoeçam menos. As doenças físicas, já nos ensinou o Espiritismo, tem sempre origem no espírito que se comporta com desequilíbrio. Quando lesa a matéria já fez grandes estragos na alma. Num mundo mais calmo isso será bastante atenuado.

Já imaginaram viver num mundo sem ciúmes, sem inveja, sem egoísmo, sem vaidade, sem ganância desenfreada. Consequentemente haverá resignação, solidariedade e outras virtudes similares que causarão às pessoas um grande prazer e as manterão equilibradas. Sem úlceras, gastrites, pressão arterial descontrolada, alergias e tantas outras enfermidades nascidas do desequilíbrio psíquico que se reflete no físico.

Estaremos longe ainda dos mundos felizes, porque muito haverá a ser corrigido em cada um de nós. Mas, convenhamos, não precisar de trancas, cadeados, cercas elétricas, alarmes e tantas parafernálias para tentar proteger-nos já é um enorme avanço. Deixar a porta do carro ou da casa abertas na certeza de que nenhum intruso ali entrará é algo inimaginável para o mundo em que atualmente vivemos. Mas é assim que será.

A desigualdade entre o salário de um astro, de um político, de uma celebridade sem virtudes e um operário será bem menor. A ninguém faltará o essencial em saúde, habitação, alimentação e instrução, porque os outros serão menos gananciosos e desejarão apenas o que realmente precisam e que lhes acrescente virtudes. Inimaginável? Não, absolutamente viável com a transformação das almas que se darão conta do seu real valor e de suas verdadeiras necessidades. Não serão, como o homem da Terra, insaciáveis, independente do volume que têm ou que ganham.  Entenderão que reencarnar é oportunidade para ser melhor e não simples divertimento. É tempo para combater defeitos e conquistar virtudes. Cada minuto será precioso para realizar esse desejo.

Os homens não são eleitos pelo povo; são eleitos por Deus. E quando Deus entende que eles nada têm a oferecer, faz o que fez com Tancredo, com Ulisses, com Campos e tantos outros. Tira-os do cenário. Já tiveram seu tempo e nada mais têm a oferecer. Se certos homens nos governam é porque Deus quer testar-nos. Faz a nossa vontade para que entendamos que seria melhor ser feita a vontade Dele, como rezamos no Pai Nosso. Fazemos e reclamamos. Por isso Jesus já disse: “Perdoai-os Pai, eles não sabem o que fazem.” E provamos isso a cada momento. Que possamos ter discernimento para entender tais verdades!

Jornal Fraterno Maria de Nazaré – Agosto/Setembro 2016

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Entrevista com Walkiria

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Foto de Walkiria. copy

ENTREVISTA COM
Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante

O médium não pode alegar desconhecimento da verdade

A Doutrina Espírita responde a todas as minhas perguntas e dá o consolo necessário diante dos embates da vida.

 

 

Cássio Leonardo Carrara | cassio@oclarim.com.br
Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

Nascida e residente em João Pessoa, Capital da Paraíba, Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante é formada em Ciências Contábeis e pós-graduada em Gestão e Auditoria Pública, trabalhando atualmente como funcionária pública federal. De família católica, conheceu o Espiritismo ainda na infância, o que trouxe respostas às suas maiores indagações a respeito de Deus e de como viver uma religião. Nesta entrevista, ela fala sobre a necessidade de o espírita estudar sempre e de como devem portar-se os médiuns nos trabalhos desenvolvidos nas instituições espíritas. 

RIE – Você é de família espírita? Se não, por que se aproximou do Espiritismo?

Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante – Família eminentemente católica. Mesmo assim, conheci o Espiritismo através de minha mãe, que ao avizinhar-se do conhecimento espírita, levava-me para assistir às palestras. Participei da evangelização, mas logo me identifiquei com o estudo da codificação. Já aos onze anos fazia parte de um grupo de estudos de O Livro dos Espíritos. Tudo o que lia e ouvia fazia sentido para mim. Curioso porque minha mãe acreditava que eu viria a ser ateia, devido aos meus questionamentos quanto à religião católica. Eu não compreendia os rituais nem a necessidade de haver um intermediário para Deus. Já acreditava na figura do anjo da guarda como grande mediador, então que fosse ele o intermediário. Hoje entendo e respeito o catolicismo, mas é a Doutrina Espírita que responde a todas as minhas perguntas e me dá o consolo necessário diante dos embates da vida.

RIE – Você participa do Centro Kardecista Os Essênios de João Pessoa, na Paraíba. Como descreveria em poucas palavras essa casa e que tipo de atividades você exerce na instituição?

Walkiria – Minha segunda casa. Ela faz parte da minha vida há quinze anos. Um lugar onde respeitamos, estudamos e procuramos vivenciar a Doutrina, tendo na figura de Maria Alcântara Caúmo (fundadora, já desencarnada) o primeiro mourão e em Octávio Caúmo (atual presidente) a segunda viga mestre da instituição. Capitaneada pela equipe espiritual dos essênios, dedica-se eminentemente à difusão do conhecimento espírita a todos que desejarem sinceramente adquiri-lo. Realizo palestras, participo e dirijo trabalhos mediúnicos, aplico passes e faço atendimento fraterno. 

RIE – Como começou a escrever artigos espíritas? Para quais periódicos colabora atualmente?

Walkiria – Certo dia, Octávio sugeriu que eu colocasse no papel aquilo que falava. Assim fiz; enviamos o texto à RIE, e em fevereiro de 2007 era publicado o meu primeiro artigo: “A Oração Dominical”. Foi um momento de grande alegria. As palavras faladas se perdem com o tempo e cada um as ouve como bem entende, mas o que está escrito representa um compromisso do autor com o texto. Já aconteceu de eu receber, mesmo depois de dois anos de uma publicação, e-mails fazendo menção ao escrito. A meu ver, o texto é uma fotografia do autor. Atualmente escrevo regularmente para a RIE, O Clarim e Tribuna Espírita da Paraíba, e há republicações eventualmente solicitadas por outros periódicos. 

RIE – Percebemos pelos seus textos que você sempre menciona livros e autores. Acredita que, para o espírita, é importante estudar sempre?

Walkiria – Desde criança sempre acreditei que o conhecimento liberta e que, para fazer algo, precisamos nos capacitar para isso. Nem sempre somos perfeitos na execução, mas devemos fazer o melhor que nossas condições permitem. Isto se pode ler em O Livro dos Espíritos, na Introdução, item XIII, quando Allan Kardec diz: “Por isso é que dizemos que estes estudos requerem atenção demorada, observação profunda e, sobretudo, como, aliás, o exigem todas as ciências humanas, continuidade e perseverança. (…) Ninguém, pois, se iluda: o estudo do Espiritismo é imenso; interessa a todas as questões da metafísica e da ordem social; é um mundo que se abre diante de nós. Será de admirar que o efetuá-lo demande tempo, muito tempo mesmo?”. Confirmamos o nosso pensamento e passamos a nos dedicar com afinco ao estudo dessa Doutrina libertadora. E o fazemos também porque entendemos que o maior bem que podemos proporcionar à Doutrina é divulgá-la. Quando citamos as obras é para incentivar e criar a cultura da leitura nas pessoas. Penso em mim mesma quando comecei, há quase trinta anos, sobre as dificuldades de ter contato com bons livros espíritas. Lembro-me, já na faculdade, o muito que me valeu quando um amigo querido ofereceu-me, em sequência, o empréstimo dos livros da série de André Luiz. Hoje existem, além das renomadas editoras, bons sites que disponibilizam obras em mídia para leitura. Sempre os sugiro quando faço atendimento fraterno ou tenho oportunidade de falar sobre o assunto. Estudo semanalmente O Livro dos Médiuns, O Livro dos Espíritos, A Gênese, O Céu e o Inferno e Obras Póstumas. São obras de conhecimento ilimitado. Também tenho uma rotina de assistir a palestras em mídia. Reservo uma parte do horário de almoço para vê-las. Tenho como prioridade as de Divaldo Franco, Alberto Almeida e Raul Teixeira. Pode parecer sacrificial a princípio, mas não é. Tudo é questão de disciplina e prioridades. Além do mais, são momentos que me proporcionam alegria e paz. 

RIE – Quais as outras formas de divulgação de que você participa? Palestras, rádio, TV?

Walkiria – Faço palestras em algumas instituições espíritas de minha cidade. Onde me convidarem para falar de Jesus e da Doutrina Espírita, lá estarei. Fiz vários programas Ponto a Ponto, exibidos pela TV da FEPB – Federação Espírita Paraibana, abordando, entre outros, os seguintes temas: Juventude e Mediunidade, Mediunidade e Obsessão, e Microcefalia. É um programa transmitido ao vivo aos domingos, às 16 horas, pelo site http://www.redeamigoespirita.com.br, canal 5, e na TV CETE, pelo endereço http://www.espiritismoonline.com. Pode ser assistido posteriormente através do canal FEPBTV no Youtube. Também estou com um quadro no programa de rádio da FEPB, O Semear, que vai ao ar aos domingos pela 105,5 FM, para João Pessoa e arredores, às 7 horas da manhã. Pode ser acessado posteriormente pelo site da FEPB, na seção downloads. O quadro fala sobre a vida no mundo espiritual, e traz esclarecimento sobre questões que permeiam o imaginário das pessoas, tais como: Existem casas no mundo espiritual? O Espírito sente fome, frio e sede? Inferno e umbral são a mesma coisa?

RIE – Quando e como se iniciou no trabalho de palestras e onde habitualmente se apresenta?

Walkiria – Comecei na casa a qual frequento hoje: Os Essênios. Habitualmente apresento-me no Centro Espírita Vianna de Carvalho, na Associação de Estudos Espírita Kardecista, no Núcleo Espírita O Bom Samaritano, no Lar de Jesus, entre outros. 

RIE – Em seus textos, é frequente a abordagem da seriedade e da importância do trabalho mediúnico. O que a mediunidade representa em sua vida?

Walkiria – A amiga fiel de todas as horas, companheira desde a mais tenra infância que me consola, ampara e mostra carinhosamente o caminho a seguir, como devo comportar-me perante a vida e quais as melhores escolhas a fazer. Fiel representante das leis em nossas vidas, orienta-nos de que forma devemos realizar a modificação íntima. Pois é a este processo que a Doutrina nos convida: renovação íntima. A mediunidade só facilita o aprendizado, mostrando de forma prática as consequências das nossas atitudes. Participo de trabalhos mediúnicos há mais de dez anos, sempre vinculada à prática da terapêutica desobsessiva. Durante a comunicação, sentimos o que o desencarnado sente. Significa estar com o outro num contato mais íntimo, no qual nós, médiuns, mergulhamos em seus pensamentos e eles de sua parte mergulham nos nossos, imantando-se de nossos fluidos e transmitindo os seus sentimentos. O médium não pode alegar desconhecimento da verdade. Ouvimos, sentimos, para alguns de nós os fatos se desenrolam na nossa tela mental e podemos ver o que o desencarnado relata, mesmo os caracterizados pela mediunidade inconsciente. A inconsciência é do ato momentâneo, mas há o registro espiritual do fato no médium. 

RIE – Como orientar os espíritas envolvidos em atividades mediúnicas para manter o alto nível das reuniões?

Walkiria – Estudo constante, dedicação, humildade e abertura para as críticas. Preparação e treinamento não só dos médiuns que recebem comunicações, mas de todos. Cada um cumpre um papel importante na reunião. Também é importante estabelecer grupos menores, para que o dirigente possa ter um contato mais próximo com toda a equipe. Indicar dirigentes de grupo em razão do conhecimento e da moralidade que eles possuem, e não porque sejam amigos de alguém ou porque, fora da instituição, sejam figuras representativas da sociedade. Pensar sempre que a caridade deve ser feita com todos e que em nome dela não poderemos permitir que algumas pessoas deturpem a Doutrina Espírita, moldando-a a seu bel-prazer. A fidelidade dever estar em função da Doutrina, não das pessoas que fazem parte do movimento. Este é mutável, enquanto ela é permanente em nossas vidas. Como destaque na área da mediunidade, recomendamos, na questão de livros a serem consultados: O Livro dos Médiuns, Qualidade Na Prática Mediúnica (Projeto Manoel P. de Miranda) e Mediunidade: Desafios e Bênçãos (autoria de Manoel P de Miranda, psicografado por Divaldo Franco). Excelentes livros que darão a justa ideia do que vem a ser mediunidade com Jesus. 

RIE – E como identificar fraudes? Misticismo pode confundir quem está chegando agora ao Espiritismo?

Walkiria – Estudo e bom senso não fazem mal a ninguém. Estudo para avaliar com consciência o fato; bom senso para que observemos primeiro antes de tomarmos uma atitude. “Na dúvida, abstém-te, diz um dos vossos antigos provérbios. Não admitais, pois, o que não for para vós de evidência inegável. (…) passai-a pelo crivo da razão e da lógica. O que a razão e o bom senso reprovam, rejeitai corajosamente. Mais vale rejeitar dez verdades do que admitir uma única mentira, uma única teoria falsa” (Erasto, em O Livro dos Médiuns – Cap. 20 – “Influência moral dos médiuns”, item 230). 

RIE – Fique à vontade para suas últimas considerações.

Walkiria – Agradeço a oportunidade tanto de poder falar um pouco mais sobre a Doutrina Espírita, como de mostrar, através de algumas passagens da minha vida, que todos podem envolver-se com ela para traçar boas rotas em suas vidas.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Agosto de 2016

Oportunidade

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Wakiria Araújo – walkiria.wlac@yahoo.com.br 

“Disse-lhes, pois, Jesus: Ainda não é chegado o meu tempo, mas o vosso tempo está pronto.” — (JOÃO, capítulo 7, versículo 6.) 

O livro Caminho, Verdade e Vida, em seu capítulo 73, nos fala dos trabalhadores queixosos que nunca estão satisfeitos com o que possuem e estão sempre a reclamar acreditando que o instrumento que possuem nas mãos não é adequado para o trabalho que estão executando. Buscam assim, justificar a inação perante o convite de trabalho.

A mediunidade é uma luz que se acende num quarto escuro. Ilumina quem lhe carrega a tocha nas mãos e ilumina aqueles que estão ao seu derredor. Expande-se e passa a iluminar quarteirões de acordo com a sua intensidade. Alguns acendem a luz, mas esquecem de olhar para ela, permanecendo na escuridão; outros acreditam que a luz é muito forte e não se dispõem a olhar diretamente para ela, enxergando-a através do resultado iluminativo nos outros. Outros tantos se fascinam pela luz, mas iguais a mariposas, debatem-se nela, chegando a se ferir por não saber fazer bom uso. Nos auto-iluminemos através da mediunidade. Espargindo luz em nosso derredor o quanto pudermos, mas nos iluminando em primeiro lugar. Mediunidade é a porta de acesso para os dois planos.

Algumas criaturas diante do convite insofismável que a mediunidade nos faz, preferem reclamar do momento atual, da falta de tempo, do dirigente, do trabalho, etc. Esquecem-se de fazer bom uso da luz que possuem em suas mãos para se auto-iluminarem e iluminarem aos que estão ao derredor. Todos nós que nos dispomos à execução de qualquer trabalho encontramos fatores adversos que influenciam sobremaneira e se não tivermos a vontade firme diante da vida, acabamos por nos acomodar e deixamo-nos ir conforme as sugestões recebidas.

Não somos o que os outros dizem que somos, somos o que a nossa consciência orienta. Mais imaturos, temos a tendência de querermos ser como a maioria, assim, nos diluímos em meio a multidão. Com o passar do tempo, começamos por compreender que ser diferente, se isso representa não ser de acordo com a prática vigente e ir ao encontro do Mestre Jesus, é o melhor que podemos fazer por nós mesmos.

O referido capítulo nos fala que o momento presente é o agora. Não o que passou ou que está por vir. Assim também podemos raciocinar com relação à mediunidade. O tempo que não executamos os trabalhos não voltam, o futuro não sabemos se o teremos da forma como planejamos; só o momento presente que dominamos. Somente ele que podemos organizar e disciplinar para bem executarmos a tarefa. Mesmo assim, alguns titubeamos em virtude do balburdio em torno de nossos passos. Por isso, necessário se faz sempre revisitarmos as passagens evangélicas do Mestre Rabi e verificarmos o quão sozinho Ele se encontrava, mesmo acompanhado por muitos, pois ele trazia uma nova ordem de ideias, numa prática singular do bem e do amor a Deus.

Não referendava a submissão, antes convidava-nos a nos submeter ao amor, amparando aos desvalidos, mas não sendo conivente com os erros dos outros. Mostrando-nos que existem tantas oportunidades quantas forem necessárias para podermos evoluir. Sendo a mediunidade uma dessas portas de acesse a acese espiritual. Afastando a ideia de que todo médium é um devedor e que a mediunidade é um instrumento punitivo, verificamos que aqueles que somos médiuns possuímos a oportunidade de sermos úteis ao nosso próximo e ao mesmo tempo, aprendermos a ser humildes, exercitando a prática da renúncia em detrimento de nosso próximo.

Não poderíamos deixar de mencionar a célebre passagem da candeia sob o alqueire, trazida no capítulo XXIV de O Evangelho Segundo o Espiritismo e em Mateus, capítulo V , v. 15: “Ninguém acende uma candeia para pô-la debaixo do alqueire; põe-na, ao contrário, sobre o candeeiro, a fim de que ilumine a todos os que estão na casa.” Todos nós que somos médiuns possuímos uma luz muito bela a nos iluminar os passos. Não podemos escondê-la com a desculpa que não estamos capacitados para o trabalho. Capacitamo-nos com a execução. Orientando-nos com o exemplo do Mestre Jesus, que trazia alento a todos que se avizinhavam Dele.

Os convites apelativos do mundo sempre existirão. Criaturas de mentes ainda em desalinho se colocarão a nossa frente procurando nos seduzir, mas “Somente lobos caem em armadilhas para lobos, porquanto o pastor saberá defender suas ovelhas das fogueiras imoladoras.”[1] Nem todo convite que nos façam representa o melhor para nós. Falamos isso, mesmo com relação aos que fazem parte do Movimento Espírita. A Doutrina é pura, mas alguns que a fazem não estão comprometidos com a mensagem. Escolhamos o norte que queremos seguir baseados, principalmente nas obras da codificação.

O instrumento diz para que serve. Não podemos retirar de um piano sons de percussão como não podemos retirar de uma bateria o dedilhar de um violão. O médium assim reencarna com a função de ser mediador entre os dois planos, da mesma maneira que a inteligência terá o direcionamento que a dermos. As nossas qualidades morais somadas a prática do bem e ao estudo constante servirão de base para a boa e correta execução do trabalho. Não desanimemos diante dos percalços, eles servem como degraus para evolução moral.

[1] Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XX, item 4

Jornal O Clarim – Agosto de 2016

Os quatro passos

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Octávio Caúmo Serrano

“Reconcilia com teu adversário enquanto estás a caminho.”

Líamos as questões 999, 999ª e 1000 de O Livro dos Espíritos e aprendemos muito sobre resgates de erros cometidos e os mecanismos adequados para a reparação.

Sempre estudamos no Espiritismo que quando cometemos uma falha devemos tentar consertá-la ainda aqui, para não leva-la para o mundo espiritual como mais um fardo de difícil acerto.  Esse procedimento demanda quatro etapas, que chamaremos de quatro passos: O reconhecimento, o arrependimento, a retratação e a reparação.

Os dois primeiros, conquanto importantes, são fáceis porque dependem do autor do erro que tem em si próprio a força da decisão. Caso reconheça que errou – porque há os que não reconhecem -, já avançou um pouco na direção do reparo. O segundo é o arrependimento do erro cometido. Há quem reconheça que errou, mas não se arrepende porque acredita que o outro merecia o que recebeu. Nesse caso, empaca nesse segundo passo e não vai adiante.

Vamos admitir, de maneira otimista, que houve também o arrependimento e temos de caminhar para o terceiro passo. Aqui começa a etapa mais difícil porque o que era de solução individual passa agora a ser entre as duas partes.

Chega o terceiro passo, se ainda for possível, em que há o encontro dos interessados e o agressor deseja desculpar-se, retratando-se e explicando a razão do seu procedimento. Contando com sorte e com tempo, o agredido poderá desculpá-lo. E se ainda for viável, seguirão para o quarto passo que é a reparação, quando se dará o conserto do erro.

Nestas duas últimas etapas, muita coisa pode ter acontecido. Um crime nascido da calúnia ou maledicência, um casamento desfeito ou uma sociedade comercial destruída, um assassinato criando situações de retratação e reparação impossíveis porque as partes não mais se encontrarão no mundo dos encarnados.

Mas aí é que entra a explicação da pergunta 1000 de O Livro dos Espíritos. Se alguém abortou pode adotar, pode colaborar numa creche ou num orfanato, dando a uma ou muitas crianças o amor que não deu ao filho rejeitado. Quem prejudicou uma pessoa pode corrigir seu erro ajudando outras. Ainda que restem pendências a serem reajustadas na sua vida espiritual, os resgates serão bastante atenuados.

A leitura atenta dessas questões de O Livro dos Espíritos nos adverte, porém, que nada deve ser de mentira, mas uma atitude sincera de conserto do erro praticado. Deve ser algo que represente esforço verdadeiro e desprendimento para ter valor diante da Lei Maior.

A espiritualidade sempre considera mais a nossa intenção do que nossos atos. E também como nos dar oportunidade para sermos mais úteis. Conta-se a passagem do homem que furava os olhos dos escravos que extraiam purpurina dos caramujos para enfeitar os mantos dos reis, nas praias de Sidon e Tiro na Fenícia, atual Líbano, para que produzissem mais e não fugissem roubando o material. Chamado a reencarnar, em vez de nascer cego por muitas vidas, estudou oftalmologia e foi curar os olhos das pessoas. Mais útil do que ser mais um deficiente visual. Coisas do Plano Maior!

Outra passagem contada pelos espíritos é a daquele homem caridoso que nas ruas do Rio de Janeiro distribuía diariamente pão aos indigentes. Certa vez, perdeu o dedo numa máquina de moer carne e houve alguém que argumentasse: – De que adianta ele ser tão bom se nem foi poupado da perda do dedo? Analisada a sua vida espiritual, constatou-se que ele era uma capataz na escravidão que colocou muitos braços de negros na moenda, aleijando-os. Em razão da sua bondade, e para registrar a necessidade do resgate já bastante atenuado, apenas perdeu um dedo. A sabedoria divina é mais justa do que imaginamos!

“Ninguém se salvará enquanto não pagar até o último ceitil!” E ele pode ser pago de diferentes maneiras.

Jornal O Clarim – Agosto de 2016

 

 

Enfermed: Um tipo de gestación

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Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

Todos quieren morir de repente para no sufrir. ¿Será qué es realmente lo mejor?

Las enfermedades que existen en el planeta son advertencias que la naturaleza nos ofrece para verificación y control de nuestros excesos o extravagancias. Cuerpo y alma deben formar sintonía, cada uno con sus reglas y necesidades.

En los asuntos del pensamiento, el gran responsable es el espíritu, o sea, uno, el principio inmortal. Desequilibrados, registramos en el conjunto físico las heridas que creamos en el alma. Es cuando aparecen los dolores que a cada día se multiplican. Por eso, la mayoría de las enfermedades es conocida como sicosomática; de la psique y del cuerpo. Tratar de un sin llevar en cuenta el otro es más difícil de que equilibrar el conjunto al mismo tiempo.

Observen que es común sintamos desaliento, dolores, incómodos de muchas naturalezas y al consultar el doctor él diagnostica que nada tenemos. Debe ser, argumenta él, de su cabeza, resultado de preocupación o hipocondría. El doctor no sabe que la enfermedad ya existe en el alma y empieza a instalarse en el cuerpo. Como son meros síntomas, no pueden ser detectados por aparato convencional. Sin embargo, luego estarán materializadas en lo físico.

Recientemente un médico europeo dijo tener revisado sus conceptos, porque también imaginaba que la mejor manera de morir era ser fulminado, por ejemplo, por un infarto. Sin tiempo para sufrimiento. Hoy él cambió de idea a punto de decir que el cáncer es un aliado para quien vaya desencarnar, porque le da tiempo de analizar su pasado, corregir lo que aún es posible y alterar el comportamiento y los valores durante el tiempo que aún le sobra. O sea, el tiempo de enfermedad es muchas veces la esencia del pasaje por la Tierra, como preparación para dejar el mundo.

Durante esta gestación para nacer de nuevo en la espiritualidad, además de la preparación que el enfermo experimenta él va convenciendo a sus parientes de la importancia de su desencarne, porque el sufrimiento aumenta a cada día y aquéllos que oraban para que pudiese salvarse pasan a pedir a Dios que lo liberte y pueda cuidarlo delante del sufrimiento.

En ese tiempo, va adaptando se a lo que encontrará en la vuelta en su verdadera casa. Los amigos espirituales, incluso parientes, se aproximan, disponiéndose para recibirlo a fin de no sentirse totalmente extraño en un ambiente en lo cual llega de repente.

A los pocos vamos entendiendo qué los dolores del mundo son importantes. Sirven para analizar donde están los engaños a ser corregidos. Como en el fútbol, son las tarjetas amarillas que anteceden a las rojas cuando todo se pone consumado. El dolor es un convincente maestro. ¿Será qué entendemos y concordamos con eso?

La reencarnación, que es considerada por muchos como un castigo, es, en realidad, la mayor misericordia de la ley divina porque da oportunidad de aprendizaje en lo que más fallamos. Como el alumno que repite el año para estudiar nuevamente todo qué ya ha sido pasado, pero no supo reproducir en la prueba de final de año. Ha oído, pero no ha comprendió. Lo peor es que traemos equívocos, fallos, errores para ser arreglados y en vez de sanarlos adquirimos otros nuevos que pasan a pesar en nuestra conciencia de manera más acentuada. Hacemos al revés. En vez de salir de la vida más aliviados, nos vamos del mundo material más empeorados. De allí la humanidad sentirse a cada día más infeliz.

Ya repetimos infinidad de veces que solamente la popularización del Espiritismo podrá resolver la mayoría de los problemas del mundo. La ley de acción y reacción bien comprendida anulará gran parte de los flagelos humanos. Vamos convencernos que los males están en nosotros; del lado de adentro. Y son ésos que realmente debemos temer porque dejan grandes secuelas que solo uno puede curar. Todavía no es el tiempo de la masificación de esta doctrina porque la humanidad aún vive aquel tiempo de incredulidad mencionado por Kardec en el comentario a la cuestión 798 de El Libro de los Espíritus. Y es más por intereses materiales de lo que por convicciones religiosas. Pero con el tiempo los gananciosos quedaran solos y la verdad prevalecerá para el bien de toda la humanidad. Es todo una cuestión de tiempo.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Agosto 2016

 

Doença: Um tipo de gestação

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Ria_Agosto_2016

 

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

Todos querem morrer de repente para não sofrer. Será que assim é realmente melhor?

As enfermidades que grassam no planeta são advertências que a natureza nos oferece para verificação e controle de nossos excessos, extravagâncias ou descuidos. Corpo e alma devem formam perfeita sintonia, cada um com suas regras e necessidades.

Nos assuntos do pensamento, o grande envolvido é o espírito, ou seja, nós, o princípio imortal. Desequilibrados, registramos no conjunto físico os ferimentos que criamos na alma. É assim que surgem as enfermidades que a cada dia se multiplicam. Por isso, a maioria das doenças é conhecida como psicossomática; do psiquismo e do soma, o corpo. Tratar de um sem levar em conta o outro é mais difícil do que equilibrar o conjunto ao mesmo tempo.

Observem que é comum sentirmos desconforto, dores, incômodos de variada natureza e ao consultar o doutor ele diagnostica que nada temos. Deve ser, argumenta ele, coisa da sua cabeça, resultado de preocupação ou mesmo hipocondria. O doutor não sabe que a doença já existe na alma e começa a instalar-se no corpo. Como são meros sintomas, não podem ser detectados pela aparelhagem convencional. Mas logo estarão materializadas no físico.

Recentemente um médico europeu disse ter revisto seus conceitos, porque também imaginava que a melhor maneira de morrer era ser fulminado, por exemplo, por um infarto. Sem tempo para sofrimento. Hoje ele mudou de ideia a ponto de dizer que o câncer é um aliado para quem vai desencarnar, porque lhe dá tempo de analisar seu passado, corrigir o que ainda é possível e mudar o comportamento e os valores durante o tempo que lhe sobra. Ou seja, o tempo de enfermidade é muitas vezes a essência da passagem pela Terra, como preparação para deixar o mundo.

Durante esta gestação para nascer de novo na espiritualidade, além do preparo que o doente experimenta ele vai convencendo seus parentes da importância do seu desencarne, porque o sofrimento aumenta a cada dia e aqueles que oravam para que sarasse passam a pedir a Deus que o liberte e tenha pena dele diante do sofrimento.

Nesse meio tempo, vai se adaptando ao que encontrará na volta para a verdadeira casa. Os amigos espirituais, inclusive ex-parentes, se aproximam, preparando-se para recebê-lo a fim de não se sentir totalmente estranho num ambiente em que chega meio de repente.

Aos poucos vamos entendendo que as dores do mundo são importantes. Servem para analisar onde estão os enganos a serem corrigidos. Como no futebol, são os cartões amarelos que antecedem os vermelhos quando tudo fica consumado. A dor é convincente professora. Será que entendemos e concordamos com isso?

A reencarnação, que é considerada por muitos como um castigo, é, na verdade, a maior misericórdia da lei divina porque dá oportunidade de reaprendizado naquilo que mais falhamos. Como o aluno que repete o ano para estudar novamente tudo o que já lhe foi passado, mas não soube reproduzir na prova de fim de ano. Ouviu, mas não entendeu. O pior é que trazemos equívocos, falhas, erros para serem consertados e em vez de saná-los adquirimos outros novos que passam a pesar na nossa consciência de maneira mais acentuada. Fazemos o inverso. Em vez de sair da vida aliviados, acabamos deixando o mundo material mais sobrecarregados. Daí a humanidade sentir a cada dia mais infeliz.

Já repetimos inúmeras vezes que só a popularização do Espiritismo poderá resolver a maioria dos problemas do mundo. A lei de ação e reação bem compreendida anulará grande parte dos flagelos humanos. Vamos nos convencer que os males estão em nós; do lado de dentro. E são esses que realmente devemos temer porque deixam grandes sequelas que só nós podemos curar. Ainda não é o tempo da massificação desta doutrina porque a humanidade ainda vive aquele período de incredulidade mencionado por Kardec no comentário à questão 798 de O Livro dos Espíritos. E é mais por interesses materiais do que por convicções religiosas. Mas com o tempo os gananciosos acabarão isolados e a verdade prevalecerá para o bem de toda a humanidade. É tudo uma questão de tempo.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Agosto 2016