Ria_Agosto_2016

 

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

Todos querem morrer de repente para não sofrer. Será que assim é realmente melhor?

As enfermidades que grassam no planeta são advertências que a natureza nos oferece para verificação e controle de nossos excessos, extravagâncias ou descuidos. Corpo e alma devem formam perfeita sintonia, cada um com suas regras e necessidades.

Nos assuntos do pensamento, o grande envolvido é o espírito, ou seja, nós, o princípio imortal. Desequilibrados, registramos no conjunto físico os ferimentos que criamos na alma. É assim que surgem as enfermidades que a cada dia se multiplicam. Por isso, a maioria das doenças é conhecida como psicossomática; do psiquismo e do soma, o corpo. Tratar de um sem levar em conta o outro é mais difícil do que equilibrar o conjunto ao mesmo tempo.

Observem que é comum sentirmos desconforto, dores, incômodos de variada natureza e ao consultar o doutor ele diagnostica que nada temos. Deve ser, argumenta ele, coisa da sua cabeça, resultado de preocupação ou mesmo hipocondria. O doutor não sabe que a doença já existe na alma e começa a instalar-se no corpo. Como são meros sintomas, não podem ser detectados pela aparelhagem convencional. Mas logo estarão materializadas no físico.

Recentemente um médico europeu disse ter revisto seus conceitos, porque também imaginava que a melhor maneira de morrer era ser fulminado, por exemplo, por um infarto. Sem tempo para sofrimento. Hoje ele mudou de ideia a ponto de dizer que o câncer é um aliado para quem vai desencarnar, porque lhe dá tempo de analisar seu passado, corrigir o que ainda é possível e mudar o comportamento e os valores durante o tempo que lhe sobra. Ou seja, o tempo de enfermidade é muitas vezes a essência da passagem pela Terra, como preparação para deixar o mundo.

Durante esta gestação para nascer de novo na espiritualidade, além do preparo que o doente experimenta ele vai convencendo seus parentes da importância do seu desencarne, porque o sofrimento aumenta a cada dia e aqueles que oravam para que sarasse passam a pedir a Deus que o liberte e tenha pena dele diante do sofrimento.

Nesse meio tempo, vai se adaptando ao que encontrará na volta para a verdadeira casa. Os amigos espirituais, inclusive ex-parentes, se aproximam, preparando-se para recebê-lo a fim de não se sentir totalmente estranho num ambiente em que chega meio de repente.

Aos poucos vamos entendendo que as dores do mundo são importantes. Servem para analisar onde estão os enganos a serem corrigidos. Como no futebol, são os cartões amarelos que antecedem os vermelhos quando tudo fica consumado. A dor é convincente professora. Será que entendemos e concordamos com isso?

A reencarnação, que é considerada por muitos como um castigo, é, na verdade, a maior misericórdia da lei divina porque dá oportunidade de reaprendizado naquilo que mais falhamos. Como o aluno que repete o ano para estudar novamente tudo o que já lhe foi passado, mas não soube reproduzir na prova de fim de ano. Ouviu, mas não entendeu. O pior é que trazemos equívocos, falhas, erros para serem consertados e em vez de saná-los adquirimos outros novos que passam a pesar na nossa consciência de maneira mais acentuada. Fazemos o inverso. Em vez de sair da vida aliviados, acabamos deixando o mundo material mais sobrecarregados. Daí a humanidade sentir a cada dia mais infeliz.

Já repetimos inúmeras vezes que só a popularização do Espiritismo poderá resolver a maioria dos problemas do mundo. A lei de ação e reação bem compreendida anulará grande parte dos flagelos humanos. Vamos nos convencer que os males estão em nós; do lado de dentro. E são esses que realmente devemos temer porque deixam grandes sequelas que só nós podemos curar. Ainda não é o tempo da massificação desta doutrina porque a humanidade ainda vive aquele período de incredulidade mencionado por Kardec no comentário à questão 798 de O Livro dos Espíritos. E é mais por interesses materiais do que por convicções religiosas. Mas com o tempo os gananciosos acabarão isolados e a verdade prevalecerá para o bem de toda a humanidade. É tudo uma questão de tempo.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Agosto 2016