Wakiria Araújo – walkiria.wlac@yahoo.com.br 

“Disse-lhes, pois, Jesus: Ainda não é chegado o meu tempo, mas o vosso tempo está pronto.” — (JOÃO, capítulo 7, versículo 6.) 

O livro Caminho, Verdade e Vida, em seu capítulo 73, nos fala dos trabalhadores queixosos que nunca estão satisfeitos com o que possuem e estão sempre a reclamar acreditando que o instrumento que possuem nas mãos não é adequado para o trabalho que estão executando. Buscam assim, justificar a inação perante o convite de trabalho.

A mediunidade é uma luz que se acende num quarto escuro. Ilumina quem lhe carrega a tocha nas mãos e ilumina aqueles que estão ao seu derredor. Expande-se e passa a iluminar quarteirões de acordo com a sua intensidade. Alguns acendem a luz, mas esquecem de olhar para ela, permanecendo na escuridão; outros acreditam que a luz é muito forte e não se dispõem a olhar diretamente para ela, enxergando-a através do resultado iluminativo nos outros. Outros tantos se fascinam pela luz, mas iguais a mariposas, debatem-se nela, chegando a se ferir por não saber fazer bom uso. Nos auto-iluminemos através da mediunidade. Espargindo luz em nosso derredor o quanto pudermos, mas nos iluminando em primeiro lugar. Mediunidade é a porta de acesso para os dois planos.

Algumas criaturas diante do convite insofismável que a mediunidade nos faz, preferem reclamar do momento atual, da falta de tempo, do dirigente, do trabalho, etc. Esquecem-se de fazer bom uso da luz que possuem em suas mãos para se auto-iluminarem e iluminarem aos que estão ao derredor. Todos nós que nos dispomos à execução de qualquer trabalho encontramos fatores adversos que influenciam sobremaneira e se não tivermos a vontade firme diante da vida, acabamos por nos acomodar e deixamo-nos ir conforme as sugestões recebidas.

Não somos o que os outros dizem que somos, somos o que a nossa consciência orienta. Mais imaturos, temos a tendência de querermos ser como a maioria, assim, nos diluímos em meio a multidão. Com o passar do tempo, começamos por compreender que ser diferente, se isso representa não ser de acordo com a prática vigente e ir ao encontro do Mestre Jesus, é o melhor que podemos fazer por nós mesmos.

O referido capítulo nos fala que o momento presente é o agora. Não o que passou ou que está por vir. Assim também podemos raciocinar com relação à mediunidade. O tempo que não executamos os trabalhos não voltam, o futuro não sabemos se o teremos da forma como planejamos; só o momento presente que dominamos. Somente ele que podemos organizar e disciplinar para bem executarmos a tarefa. Mesmo assim, alguns titubeamos em virtude do balburdio em torno de nossos passos. Por isso, necessário se faz sempre revisitarmos as passagens evangélicas do Mestre Rabi e verificarmos o quão sozinho Ele se encontrava, mesmo acompanhado por muitos, pois ele trazia uma nova ordem de ideias, numa prática singular do bem e do amor a Deus.

Não referendava a submissão, antes convidava-nos a nos submeter ao amor, amparando aos desvalidos, mas não sendo conivente com os erros dos outros. Mostrando-nos que existem tantas oportunidades quantas forem necessárias para podermos evoluir. Sendo a mediunidade uma dessas portas de acesse a acese espiritual. Afastando a ideia de que todo médium é um devedor e que a mediunidade é um instrumento punitivo, verificamos que aqueles que somos médiuns possuímos a oportunidade de sermos úteis ao nosso próximo e ao mesmo tempo, aprendermos a ser humildes, exercitando a prática da renúncia em detrimento de nosso próximo.

Não poderíamos deixar de mencionar a célebre passagem da candeia sob o alqueire, trazida no capítulo XXIV de O Evangelho Segundo o Espiritismo e em Mateus, capítulo V , v. 15: “Ninguém acende uma candeia para pô-la debaixo do alqueire; põe-na, ao contrário, sobre o candeeiro, a fim de que ilumine a todos os que estão na casa.” Todos nós que somos médiuns possuímos uma luz muito bela a nos iluminar os passos. Não podemos escondê-la com a desculpa que não estamos capacitados para o trabalho. Capacitamo-nos com a execução. Orientando-nos com o exemplo do Mestre Jesus, que trazia alento a todos que se avizinhavam Dele.

Os convites apelativos do mundo sempre existirão. Criaturas de mentes ainda em desalinho se colocarão a nossa frente procurando nos seduzir, mas “Somente lobos caem em armadilhas para lobos, porquanto o pastor saberá defender suas ovelhas das fogueiras imoladoras.”[1] Nem todo convite que nos façam representa o melhor para nós. Falamos isso, mesmo com relação aos que fazem parte do Movimento Espírita. A Doutrina é pura, mas alguns que a fazem não estão comprometidos com a mensagem. Escolhamos o norte que queremos seguir baseados, principalmente nas obras da codificação.

O instrumento diz para que serve. Não podemos retirar de um piano sons de percussão como não podemos retirar de uma bateria o dedilhar de um violão. O médium assim reencarna com a função de ser mediador entre os dois planos, da mesma maneira que a inteligência terá o direcionamento que a dermos. As nossas qualidades morais somadas a prática do bem e ao estudo constante servirão de base para a boa e correta execução do trabalho. Não desanimemos diante dos percalços, eles servem como degraus para evolução moral.

[1] Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XX, item 4

Jornal O Clarim – Agosto de 2016