Octávio Caúmo Serrano

Estamos vivendo um período de dores em todo o planeta. Não há povos privilegiados por mais sólidas que sejam suas economias ou mais civilizadas as suas sociedades. Estamos mergulhados no Apocalipse tão bem descrito pelo Apóstolo João Evangelista.

Vivemos a aceleração das dores porque a Terra tem pressa de progredir e passar a ser um mundo de regeneração, um pouco melhor do que atualmente. A separação vem sendo feita há décadas e os que não têm mérito para permanecer na nova fase planetária já estão reencarnando em mundos onde possam exercitar seus conhecimentos no campo da caridade para desenvolver, junto com a asa do intelecto, a outra que o fará voar: a asa do sentimento, da bondade, da solidariedade; da moral. Repete-se o episódio de Capela e de outros tantos mundos que desconhecemos.

Nesta loucura generalizada, a ignorância prevalece e todos apontam culpados sem perceber que ao apontar um dedo para o outro volta três contra si próprio. Nossos comentários, sem exceção, sempre mostram alguém como responsável pelos dores que vivemos e queremos que ele seja banido do nosso meio. Deposto, preso ou morto esse algoz da humanidade, tudo ficará resolvido. Que pueril ilusão.  A desonestidade é marca registrada do ser humano da Terra que traz no DNA o gene da ignorância e da inferioridade. Não fora isso e não seria um terráqueo. Quem sabe um Marciano, Jupteriano; ou sabe-se o quê. Aqui não é morada de santos.

O processo chama-se transição planetária, já que Deus é o dono de todo este latifúndio universal. Como na brincadeira dos Escravos de Jó, tira, põe e deixa ficar, conforme o mérito de cada vivente. Os espíritos inferiores da Terra serão, e já estão sendo, transplantados para mundos mais adequados à sua sintonia. É preciso afinidade para não se sentir desconfortável. E para que não fiquemos preocupados, até a ciência já está nos informando a existência de muitos mundos similares à Terra em tamanho e geologia, onde vida como a nossa pode ser uma realidade. Qual é o grau espiritual deles? Não sabemos. Inferiores, de provas, regeneração? Quem pode afirmar?

Da mesma maneira, aqueles que já compreenderam a importância do amor ao próximo, desejam ardentemente renascer neste nosso mundo para ajuda-lo na promoção que está vivendo de provas e expiações para regeneração.

Que mundo é esse que a Terra está conquistando? Um mundo ainda de dores e resgates, mas muito mais suaves. O respeito entre os homens fará com que as agressões quase desapareçam, os roubos inexistam, a ganância se aplaque e o auxílio mútuo seja uma constante na sociedade. Com isso, as pessoas serão mais calmas, resignadas em razão do próprio conhecimento, o que lhes causará menos aflição psicológica fazendo com que adoeçam menos. As doenças físicas, já nos ensinou o Espiritismo, tem sempre origem no espírito que se comporta com desequilíbrio. Quando lesa a matéria já fez grandes estragos na alma. Num mundo mais calmo isso será bastante atenuado.

Já imaginaram viver num mundo sem ciúmes, sem inveja, sem egoísmo, sem vaidade, sem ganância desenfreada. Consequentemente haverá resignação, solidariedade e outras virtudes similares que causarão às pessoas um grande prazer e as manterão equilibradas. Sem úlceras, gastrites, pressão arterial descontrolada, alergias e tantas outras enfermidades nascidas do desequilíbrio psíquico que se reflete no físico.

Estaremos longe ainda dos mundos felizes, porque muito haverá a ser corrigido em cada um de nós. Mas, convenhamos, não precisar de trancas, cadeados, cercas elétricas, alarmes e tantas parafernálias para tentar proteger-nos já é um enorme avanço. Deixar a porta do carro ou da casa abertas na certeza de que nenhum intruso ali entrará é algo inimaginável para o mundo em que atualmente vivemos. Mas é assim que será.

A desigualdade entre o salário de um astro, de um político, de uma celebridade sem virtudes e um operário será bem menor. A ninguém faltará o essencial em saúde, habitação, alimentação e instrução, porque os outros serão menos gananciosos e desejarão apenas o que realmente precisam e que lhes acrescente virtudes. Inimaginável? Não, absolutamente viável com a transformação das almas que se darão conta do seu real valor e de suas verdadeiras necessidades. Não serão, como o homem da Terra, insaciáveis, independente do volume que têm ou que ganham.  Entenderão que reencarnar é oportunidade para ser melhor e não simples divertimento. É tempo para combater defeitos e conquistar virtudes. Cada minuto será precioso para realizar esse desejo.

Os homens não são eleitos pelo povo; são eleitos por Deus. E quando Deus entende que eles nada têm a oferecer, faz o que fez com Tancredo, com Ulisses, com Campos e tantos outros. Tira-os do cenário. Já tiveram seu tempo e nada mais têm a oferecer. Se certos homens nos governam é porque Deus quer testar-nos. Faz a nossa vontade para que entendamos que seria melhor ser feita a vontade Dele, como rezamos no Pai Nosso. Fazemos e reclamamos. Por isso Jesus já disse: “Perdoai-os Pai, eles não sabem o que fazem.” E provamos isso a cada momento. Que possamos ter discernimento para entender tais verdades!

Jornal Fraterno Maria de Nazaré – Agosto/Setembro 2016