Hora de reformas

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Octávio Caúmo Serrano

Houve mudanças; e agora?

Sempre que há transição política, o discurso é o mesmo. Imputam-se erros aos antecessores e anunciam-se medidas duras para corrigir os enganos cometidos. Resolvida essa parte tudo vai melhorar. Verdadeiro quanto às intenções, mas falso quanto aos resultados.

As providências são sempre as mesmas, porque as alegações também não mudam: Falta dinheiro. As estatais nunca são eficientes porque na hora da dificuldade o governo as ampara. Não podem falir nem ser protestadas. Daí, onde há um funcionário na empresa particular, são necessários vários na estatal para fazer o mesmo serviço. E com os privilégios da estabilidade que o particular não tem. Por isso tantos estudantes de curso superior que só pensam em concurso público, sem qualquer intenção de trabalhar na área em que estudam.

Falta dinheiro para tudo, menos para festividades e inaugurações de obras que promovem os que administram o dinheiro do povo como se deles fosse. Enaltecem-se enquanto simplesmente cumprem seu dever.

Por isso, repete-se o discurso habitual. É preciso aumentar impostos, dilatar o prazo para as aposentadorias, ressuscitar a CPMF, onerar as grandes riquezas (mesmo as que foram conquistadas com honestidade, ou são heranças de direito), cortar cargos, aumentar a gasolina, etc. etc. Novidade? Nenhuma.

Prometem as indispensáveis reformas: Tributária, política, educação (já que o modelo faliu e as universidades chegam a diplomar analfabetos), saúde e tantas outras, mas nada funcionará sem a reforma que o Espiritismo proclama como básica e inadiável: A reforma íntima que nada mais é que a reforma moral do ser humano, pois transforma o homem numa pessoa decente.

Enquanto os eleitos não entenderem que ali estão com permissão Superior e que é uma honra ser escolhido para ajudar a dirigir os destinos do povo, nada mudará. Enquanto o político não souber que Deus lhe presta uma homenagem dividindo com ele (o político) a administração da sociedade para melhorá-la e fazê-la crescer, nada mudará. As mudanças de superfície, de nomes, de partidos, são ilusórias e paliativas. São só barganhas. Se de um lado são necessárias psicologicamente para nos dar a ilusão de alternativa, na essência é apenas uma prorrogação para sobrevivência até que se cumpra o tempo da transição do planeta, o que já está ocorrendo e que será mais sentida daqui a cinquenta anos. Os novos governantes dos países já estão sendo escolhidos na espiritualidade e brevemente começarão a nascer entre nós. Os que aí estão nada sabem de relações humanas. Só entendem de dinheiro. E é aí que se perdem.

Enquanto os políticos gastarem fortunas para se eleger em troca dos salários atuais e as empresas financiarem campanhas, nada mudará. Fica clara a intenção de receber com vantagens o dinheiro investido. Não cremos que os empresários o façam por altruísmo ou amor à Pátria. A maioria dos que compõem o novo governo já foi contemplada com esse tipo de incentivo. A favor de quem irá legislar? Num país com esse tipo de sistema de governo não dá para acreditar que o povo seja importante. Ou dá?

A mudança não começou agora e nem é algo brasileiro. Se nos socorrermos do capítulo final do livro A Gênese – Os tempos são chegados, sinais dos tempos, dias finais, falando da nova geração, escrito em 1868, há quase 150 anos, já naquela época nos era explicado que os tempos estavam iminentes e o sinal já podia ser percebido. Não entendemos porque o processo é lento e nós somos imediatistas. Agora, em pleno apocalipse, tudo fica evidente. As dores aumentam porque o tempo de reforma está acelerado.

Não queremos tirar a esperança do leitor, mas advertir que não devemos nos iludir que teremos dias muito diferentes dos que tivemos até agora. Não fizemos por merecê-los. Fomos longe demais por muito tempo com a desonestidade e isso não é algo que se conserte de repente. Daqui a alguns anos estaremos reclamando tudo igual e nos queixando  da próxima crise que brevemente se instalará; no Brasil e no mundo. É de crise em crise que somos despertados e crescemos, individual e coletivamente. Como pessoas e como sociedades.

O que está acontecendo já é um sinal de dias melhores porque a desonestidade que sempre existiu e era posta debaixo do tapete agora vem à tona e “respeitáveis” e intocáveis homens da nossa política estão sendo incriminados e presos. E é um fenômeno internacional. Aqui é a corrupção, mais além os desentendimentos religiosos e a luta pelas terras, acola as invasões de povos que foram escravizados e humilhados no passado que cobram os resgates a que têm direito. Sem falar dos acidentes climáticos, fome e miséria em tantos lugares do mundo. Nós mesmos temos os carmas da escravidão que até hoje nos pesa.  Temos de amparar os negros que foram maltratados com cotas nas escolas, nas mídias, nas empresas, etc. Deveríamos dar a eles ensino e condições de vida de qualidade e nenhuma cota seria necessária.

Preparemo-nos para reformas mais profundos envolvendo toda a Terra. Especialmente a América do Sul. Somos o supermercado do planeta. A Europa com superpopulação, terras cansadas e preconceitos de toda ordem tem dias contados. A Comunidade Europeia foi a última tentativa; e não deu certo. No Japão não cabe mais gente, o mesmo acontecendo em nações como Índia, China, Rússia. Além de clima inóspito. Nos Estados Unidos o problema é econômico. Voltados para a tecnologia estão esgotando suas reservas e ainda têm gastos com temperaturas extremas, com frio intenso ou calor insuportável.

Tudo isto parece mera especulação, mas os mais jovens testemunharão os acontecimentos. E nós, os mais velhos, ao reencarnarmos na Terra (se méritos tivermos) quiçá possamos conferir a história, sem nem mesmo imaginar que teríamos vivido este momento especial.

Jamais percamos a fé e a paciência. Deus segue no comando do Universo.

Tribuna Espírita – julho/agosto 2016

No trato com o invisível

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Walkiria Araújo – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“E, chamando-os a si, disse-lhes por parábolas: Como pode Satanás expulsar Satanás? Jesus falou isso porque eles estavam dizendo: ‘Ele está com um espírito imundo’.” — (MARCOS, capítulo 3, versículo 23 e 30.)

O capítulo III do Livro de Marcos nos traz a passagem em que Jesus vê na sinagoga um homem com o braço atrofiado e o chama a Sua presença e o cura. Só que o fato ocorre no dia de sábado (Lembrai-vos de santificar o dia de Sábado[1]), dia proibido nas escrituras. A fama de que Jesus curava já era disseminada e uma grande multidão o cercava, não só a ele mais também aos discípulos. Quando ele adentra uma casa a multidão novamente os cercou, impedidos inclusive, deles se alimentarem. Os descontentes com as curas de Jesus afirmaram que ele estava acompanhado pelo demônio gerando a resposta que Ele deu.

Este mesmo título encontramos no Livro Caminho, Verdade e Vida, capítulo 146. É interessante como o nobre espírito Emmanuel aborda a questão da comunicabilidade com o mundo espiritual, destacando a comunicação com os espíritos que se encontram infelizes e como os lidadores deste trabalho necessitam de paciência para poderem ajudar. Destaca ainda, que os antagonistas nos classificaram dos mais diversos nomes como feiticeiros ou filhos de Belzebu, como o próprio Mestre foi classificado, mas que não devemos perder o foco nem a persistência em ajudar.

A Doutrina Espírita nos traz O livro O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo, que em seus dezenove capítulos, divididos em duas partes traz-nos explicação sobre os mitos de Céu, Inferno e Purgatório, as Penas Futuras, o mito dos Anjos e dos Demônios. Várias comunicações obtidas das mais diferentes categorias de espíritos e mostra-nos como nos encontramos no pós-desencarne em virtude das nossas atitudes atuais.

Muitos irão nos tratar de loucos por estabelecermos comunicação com os que não se utilizam da roupagem carnal, mas parcela desses mudará de opinião quando tiver alguém muito amado que desencarne e que o que ficou na retaguarda deseje uma mensagem. A opinião muda de acordo com o momento que a pessoa esteja vivendo. Poucos se mantêm pensando da mesma forma quando há um realinhamento das situações.

Para nós, lidadores daqueles que vivem no invisível corporal, mas no visível moral e individualidades eternas como nós, precisamos ter a cautela para no afã de querer trazer notícias para os encarnados, não respeitarmos o momento individual da criatura no pós-desencarne. Cada um de nós tem um tempo muito pessoal para se adaptar a nova realidade, dependendo muito da construção moral que fizemos enquanto encarnados e do acumulado que trazemos de outras encarnações.

Sabemos que não existem penas eternas, até porque o processo de evolução da criatura é constante e a criatura não retroage[2], por isso o de que necessita a criatura neste momento é do tempo necessário para entendimento do momento atual. O que não podemos é desistir de ajudar em virtude da demora no resultado ou pelas agressões dos adversários da luz, como Emmanuel cataloga os que se contrapõe ao trabalho. Aduzimos que estes adversários se encontram nos dois planos e precisamos estar atentos para que não desmotivemos com relação ao trabalho em virtude de opiniões contrárias ou depreciativas.

Devemos a tais criaturas desencarnadas o mesmo respeito que temos para com aqueles encarnados que se avizinham de nós e buscam a nossa ajuda. Tendo paciência, sendo discretos, dando atenção, agindo de forma amorosa, não nos importando com a opinião depreciativa dos outros. Os desencarnados são almas dos encarnados que se despojaram do corpo físico e que possuem as mesmas necessidades morais que nós.

O Livro dos Médiuns, capítulo V – Das Manifestações Físicas Espontâneas, item 90, traz-nos a seguinte passagem: “Se se trata de um Espírito infeliz, manda a caridade que lhe dispensemos as atenções que mereça. Se é um engraçado de mau gosto, podemos proceder desembaraçadamente com ele. Se um malvado, devemos rogar a Deus que o torne melhor. Qualquer que seja o caso, a prece nunca deixa de dar bom resultado.” Referido item trata especificamente dos fenômenos de efeito físico e qual o tipo de criaturas que os podem produzir.

Encontramos os mais variados tipos de criaturas que convivem conosco (dos dois planos) e precisamos utilizar do bom-senso para avaliarmos a situação e sabermos como agir diante dela. Existem pessoas que em si, vivem suas dores de forma tão pragmática que as extenuam com relação ao próximo; existem aqueles que utilizam um quê de maldade e até de sarcasmo perante a vida; por fim, existem aquelas que se encontram na base do entendimento sobre o amor e a caridade e produzem mal-estar por onde passam.

Especificamente no trato com o invisível precisamos aprender a detectar quem nos visita o muito íntimo de relação, para podermos assim agir com a resposta adequada. Resposta esta: mental, emocional e física. Para que sejamos donos de nós mesmos, responsabilidade inalienável sobre todos os atos de nossas vidas. Por fim, o Livro dos Espíritos nos traz a questão 833, tratando do assunto: Liberdade de Pensar. Os Insignes Mestres da Humanidade afirmam que a liberdade de pensar é ilimitada, trazendo-nos a resposta e a afirmação: o que fazemos promana de nós. O que ocorre, são mentes que se associam a execução de nossos atos. Por isso, não atribuamos o que fazemos a influência “do Invisível”, mas afirmemos que estamos agindo de comum acordo: nós e o “invisível” e que esse só potencializa o que desejamos fazer.

[1] Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo I, item 2

[2] Questão 612 de O Livro dos Espíritos

Tribuna Espírita – julho/agosto 2016

O amigo oculto

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Walkiria Araújo – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles; mas os olhos deles foram impedidos de reconhecê-los. Ele [Jesus] lhes disse: Como vocês custam a entender e como demoram a crer em tudo o que os profetas falaram! E começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que constava a respeito das escrituras. Quando estava à mesa com eles, tomou o pão, deu graças, partiu-o e o deu a eles. Então os olhos deles foram abertos e o reconheceram, e ele desapareceu da vista deles.” (Lucas, capítulo 24, versículos 15, 16, 25, 27, 30 e 31)

O capítulo vinte e quatro do Livro de Lucas é dedicado ao momento esperado da aparição de Jesus após a sua crucificação. Atemos-nos não a aparição propriamente dita, mas ao significado do Mestre caminhar junto a Cleopas e outro homem e estes não o reconheceram. Encontramos também retratado esta análise em o livro Caminho, Verdade e Vida, cap. 25, sob o mesmo título.

Jesus caminha junto a nós. Somos viajores do Planeta Terra em experiências de aprendizado e ajustamento junto a Lei Divina. O Mestre inspira-nos o comportamento e mostra-nos o caminho a seguir. Faz-nos corrigir os passos quando nos comparamos a Ele e ao Seu comportamento e consequentemente reajustamos a rota. O que era vacilante, torna-se seguro, tendo como consequência a firmeza diante dos percalços.

Mas nem sempre é assim ou nem sempre foi assim para aqueles que já assumiram esta postura de equilíbrio e constância. Vivemos, com raras exceções, a colocar o Mestre num pedestal quase que inatingível. Mesmo nós espíritas. A questão 625 de o Livro dos Espíritos é muito clara quando nos afirma que Ele é o nosso Modelo e Guia. Não é um modelo e guia para o futuro, mas para agora. A exemplo dos discípulos do Mestre, que mesmo avisados pelo próprio Jesus que ao terceiro dia Ele voltaria para dar provas de tudo o que havia dito e vivenciado até aquele momento, duvidaram das palavras das mulheres que encontraram o túmulo vazio.

Temos as obras da codificação a nos orientar, temos as obras suplementares a reforçarem a mensagem, temos Jesus a nos amparar, temos por fim, os exemplos que nos ladeiam a caminhada, mas, mesmo assim, duvidamos da mensagem trazida pelo Mestre e ratificada pela Doutrina Espírita. Questionamos se realmente estamos fazendo o certo, quando não revidamos uma ofensa, quando não nos juntamos à maioria e agredimos o outro, quando não somos “normais” e “iguais a todo mundo” e fraudamos o que quer que seja para nos darmos bem.

A mensagem de Jesus caminha ao nosso lado, quando vemos o semelhante agindo de acordo com as Leis, quando verificamos a Lei de Causa e Efeito se fazendo presente não só em nossas vidas, mas na dos nossos semelhantes, que sem problema nenhum aparente, desenvolvem casos de doenças inexplicáveis pela ciência ou de pouco explicação e desencarnam, mesmo com todos os cuidados necessários para a pronta recuperação.

Alguns cobram a volta do Mestre a Terra, mas esquecemos que a Sua mensagem e em consequência Ele mesmo se faz presente por todo o sempre. Parecemos os homens da estrada, conhecemos muito sobre a mensagem, nos indignos com os que consideramos os traidores do Cristo, mas não o enxergamos caminhando ao nosso lado, trazendo o lenitivo diante das dores, através das mãos amigas e compassivas que nos acolhem o sofrimento e nos ajudam na caminhada; quando podemos ter a oportunidade de sermos úteis nos mais variados campos da assistência social e chegam as mais diferentes histórias de criaturas que encontravam na nossa mão amiga a ajuda necessária para não desfalecer.

Jesus representa este amigo oculto, mas muito presente em nossas vidas. Guarda-nos, orienta-nos e quando não está presente, envia-nos os seus emissários do bem. Sejam os espíritos bem amados que nos sustentam os passos, sejam os exemplos e o aconchego do abraço amigo dos que nos pareiam a caminhada. O Mestre há muito revisitou o mar de dores e lágrimas que se constitui o Planeta Terra, trazendo-nos a mensagem renovadora do bem através da caridade. Caridade sem olhar a quem. Zaqueu, a mulher adúltera e outros, principalmente os anônimos. A história Dele é rica.

Hoje, mais uma vez, nós seus irmãos, muito mais por paternidade celeste, pois ainda estamos distantes da Tua excelsitude, vivemos o nosso caminho do Gólgota, com a diferença que ainda ferimos o nosso próximo. Não aprendemos a viver a nossa dor de forma silenciosa e praguejamos contra outro irmão, igual a nós, que sofre e espera pela Tua presença em sua vida. Voltar, acreditamos que já voltastes, na verdade, nem fostes, estais presente em nossas vidas desde sempre. Pena que só te enxergamos nos momentos de dores. Desejamos que a Tua presença seja uma constante em nossas vidas, mas desejamos, em primeiro lugar, que consigamos ser uma constante na Tua. Elevando-nos até ti e vivendo a Lei de Deus em toda sua integralidade.

Jornal O Clarim – setembro de 2016

Os milagres

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Walkiria Araújo – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“A Ciência e a Religião são as duas alavancas da inteligência humana: uma revela as leis do mundo material e a outra as do mundo moral. Tendo, no entanto, essas leis o mesmo princípio, que é Deus, não podem contradizer-se. Se fossem a negação uma da outra, uma necessariamente estaria em erro e a outra com a verdade, porquanto Deus não pode pretender a destruição de sua própria obra”. (Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. I, Aliança da Ciência e da Religião)

 O capítulo treze de o livro A Gênese é dedicado a questão dos Milagres. O Milagre como significado em essência seria a derrogação da Lei Divina, pois representaria um fato sobrenatural oposto às leis da Natureza[1]. Mas isto corresponde há um equívoco com relação ao entendimento. Na acepção etimológica, a palavra milagre (de mirari, admirar) significa: admirável, coisa extraordinária, surpreendente[2]. Este último correspondendo à realidade. O que nós não temos capacidade em fazer, o classificamos como algo admirável ou extraordinário, mas não impossível de ser feito ou que vá contra a Lei Divina.

O Livro dos Espíritos em suas questões 614 a 616 nos fala sobre a Lei Natural que se constitui como sendo a própria Lei de Deus. Destacando que é imutável e eterna como o próprio Deus. Dando-nos uma estabilidade e mantendo a harmonia no Universo. Destaca ainda, que Deus não se engana e que não pode prescrever algo num determinado período e prescrever outra coisa em outro momento. Mais a frente, na questão 619, explicam-nos que todos podemos conhecer a Lei de Deus, mas que nem todos a compreendemos. Isto é um fator transitório. Os espíritos imperfeitos tem a intuição de Deus, mas não o compreendem. Os bons espíritos já o compreendem[3].

Então a questão não é que existam milagres, mas que nós homens temos dificuldade em compreender a Lei de Deus. Tudo passa pelo desconhecimento, pela não aceitação e pela recusa, de caso pensado, sobre as Leis Divinas. Agimos como crianças que não queremos reconhecer a Divindade ou sua Lei para não termos que nos modificar. Acabamos por colocar em outros ombros a responsabilidade sobre as nossas atitudes para não termos que resolver.

A Gênese nos traz com relação ao sentido teológico que Milagre é algo inexplicável, insólito, isolado e excepcional. Neste momento voltamos ao item que encabeça este artigo. Não pode haver uma contradição entre a Ciência e a Religião, pois ambas provêm de Deus. Sabendo que Ele possui a perfeição absoluta não poderia criar brechas em sua Lei e com isso contradizer-se. Então, a Ciência e a Religião andam de mãos dadas e completam-se em entendimento. Seria considerado um prodígio, um verdadeiro milagre antigamente a imposição de mãos e a cura pelos passes. Hoje vemos instituições sérias como Universidades em todo o Brasil estudando e afirmando que isso é possível. Vemos médicos pesquisadores a exemplo do Dr. Bernie Siegal afirmando que “… o corpo responde às mensagens mentais, conscientes ou inconscientes. Em geral, as mensagens dizem ‘viva’ ou ‘morra’. … E consegue [mecanismos de sobrevivência] realmente bloquear nossas defesas, reduzindo as funções orgânicas e encaminhando-nos para a morte, quando sentimos que a vida já não vale a pena.”[4]

Estamos falando de algo concreto, mas que para um grupo de criaturas, ainda acreditam que estamos falando de verdadeiros milagres. Mas trata-se da Lei Natural que se descortina aos nossos olhos, mostra-nos a solução da problemática da dor e nos orienta o caminho a seguir. Quando ouviríamos num consultório médico que o restabelecimento, a cura mesmo da doença está muito mais vinculada à postura do paciente perante a doença do que ao tratamento ministrado? Se o paciente não tiver uma postura de saúde e uma mudança de atitude a doença poderá até ser curada num primeiro momento, mas voltará de forma mais agressiva, até que se modifique a matriz na criatura humana.

A questão do milagre também é tratada com relação à prática mediúnica em geral, o Livro dos Médiuns, em seu capítulo 2 nos fala do Maravilhoso e do Sobrenatural. A frase que destacamos do referido capítulo é que todo efeito inteligente há de ter uma causa inteligente. Uma mesa não fala. Objetos inanimados obtêm vida fictícia em virtude dos fluidos dos encarnados e desencarnados manipulados pelos desencarnados que fazem com que o objeto se mova ou até responda as perguntas que lhe são feitas. Os próprios médiuns de efeito inteligente trazem a baila do entendimento o mundo que existe, mas que as criaturas ignoram (algumas) ou querem ignorar (a maioria dos descrentes). “Para os que consideram a matéria a única potência da Natureza, tudo o que não pode ser explicado pelas leis da matéria é maravilhoso, ou sobrenatural, e, para eles, maravilhoso é sinônimo de superstição.”[5]

Isto não significa que tudo que for apresentado como fenômeno mediúnico o seja. Significa que o fenômeno mediúnico existe e como tudo na vida pode ser reproduzido de forma similar. A nosso ver, a reprodução pelos prestidigitadores (como o Livro dos Médiuns os tratam), serve como prova que o fenômeno é real. Só copiamos algo verdadeiro. Mas a questão não está propriamente na reprodução do real, mas que o fenômeno mediúnico não constitui em nada um ato sobrenatural ou maravilhoso. Antes é, algo que faz parte da Lei de Deus.

“O de que necessitam as religiões não é do sobrenatural, mas do princípio espiritual, que erradamente costumam confundir com o maravilhoso e sem o qual não há religião possível.”[6] O que precisamos não é de algo que fuja do normal para compreendermos a Lei de Deus, muito pelo contrário. Precisamos ajustar o comportamento, nos reajustarmos com a Lei e estarmos de acordo com a verdade irrefutável que é Justiça Divina equânime para todos nós, sabendo que vivemos hoje o resultado de nossos atos e necessitamos do devido alinhamento com o bem e a verdade.

[1] Dicionário Priberam

[2] Livro A Gênese, capítulo 13, item 1

[3] Itens 101 e 107 de O Livro dos Espíritos

[4] Livro Amor, Medicina e Milagres

[5] Livro dos Médiuns, capítulo II, item 10

[6] Livro A Gênese, capítulo XIII, item 18

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – setembro 2016

Progresso moral e progresso material

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Octavio Caumo Serrano

Quem é mau, nunca foi bom. Mas pode melhorar, se o quiser.

Quem é bom só o é porque aprendeu um dia. Na atual existência ou nalguma passada. Como fomos criados, todos, simples e sem nenhum conhecimento, tudo o que hoje somos é resultado do aprendizado que fizemos nas múltiplas encarnações que já vivemos, nos dois sexos, em diferentes posições sociais, raciais e intelectuais.

Uma das mais controvertidas opiniões é quanto ao retrocesso do espírito de uma para outra encarnação. Por exemplo, Emmanuel, que foi o mentor do nosso Chico Xavier, depois de ser o senador romano Publius Lentulos renasceu na figura de Nestório, o escravo egípcio. Há quem afirme que teria sido um retrocesso. Vamos esclarecer-nos com o socorro de O Livro dos Espíritos.

Pergunta 193. Um homem em suas novas existências pode descer mais baixo do ponto em que estava? Resposta: Em termos de posição social sim; como Espírito, não. Por isso Emmanuel diz que foi mais proveitosa sua vida como escravo do que como Senador, ocasião em que não quis comprometer sua posição social e perdeu a oportunidade de interceder em favor de Jesus, apesar dos apelos de sua esposa.

Como confirmação, temos a questão 194. A alma de um homem de bem pode, numa nova encarnação, animar o corpo de um criminoso? Resposta: Não, pois ela não pode degenerar. O inverso sim é provável e é mesmo o grande objetivo da nova experiência. No item “a” da mesma questão é perguntado se a alma de um homem perverso pode transformar-se na de um homem de bem, foi respondido que sim, caso tenha se arrependido e então é uma recompensa.  No comentário é acrescentado que a marcha do Espírito é progressiva e ele nunca retrograda.

Esta informação é animadora, porque deixa claro que as conquistas de cada encarnação se incorporam ao Espírito de maneira permanente. Quem conseguir adquirir, por exemplo, a virtude da paciência, passará a ser paciente por toda a eternidade. Por isso quando alguém comete um delito e o desculpam alegando que era uma pessoa boa, na verdade não era. Estava se esforçando para ser bom, mas não resistiu aos assédios do mal, caindo na sua vibração temporária, ainda não sedimentada.

O mal dos espíritas, e o plano das trevas explora muito esta faceta, como está na questão 195, é imaginar que por ter toda a eternidade, podem adiar indefinidamente o seu progresso. Não é inteligente. Se trocarmos prazeres mundanos, provisórios e efêmeros por atributos que permanecerão conosco para sempre, demonstraremos fé e compreensão sobre a verdadeira finalidade da vida que agora experimentamos. Incorporar virtudes que ainda não conquistamos mediante a anulação de vícios e defeitos que ainda nos dominam. Não é pelo número de encarnações que progrediremos, mas pela utilidade que dermos a cada uma delas. Há pessoas que crescem em apenas uma tudo o que não conseguimos em cinco, dez, vinte. Nossa sociedade está cheia de exemplos como esses.

Progredimos impulsionados pelas dificuldades e pelo sofrimento. Até compreendermos que eles só existem porque resultam dos nossos equívocos. Depois deixarão de ser inimigos para ser aliados e seremos gratos pela ajuda que nos dão. A dor ainda será por muito tempo a mais convincente professora da humanidade. Temos aprendido mais pela dor do que pelo amor. Infelizmente.

Jornal O Clarim – setembro de 2016

 

 

Una fábrica de gente

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Cuando cada madre sepa lo que es un hijo, y que él reencarna con un pasado, pasará a educarlo de manera diferente.

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

Fuimos invitados en el cierre del año 2015 a decir algunas palabras en la Maternidad Cándida Vargas, en João Pessoa (PB). Un lugar muy especial.

En el auditorio había empleados, enfermeras, encargados de departamentos, entre otros, y abordamos sobre la importancia de una institución como aquélla, pues es en las maternidades que llegan las futuras mamás, llevando en la barriga una semilla con la esperanza de salir de allá cargando en los brazos una persona, ya ampliamente imaginada por su pensamiento.

Cada una llega con sus angustias y sus sueños. Unas de primer viaje, otras con cierta experiencia. Gracias a las tecnologías, el ultrasonidos ya informa mucha cosa sobre el cuerpo de aquél que va ser gente en poco tiempo. El sexo, si el niño está perfecto, se hay enfermedad que necesita de servicio inmediato, aún en el vientre de la madre o inmediatamente después el nacimiento. En fin, muchas noticias valiosas para anticipar el porvenir del bebé.

Hablamos de la importancia del amor en aquella casa de salud, donde muchas veces el trabajo se hace con sacrificio, hasta mismo improvisaciones por la falta de empleados, lo que obliga otros a suplir la falta de condiciones cuando no hay medicamentos, aparatos, espacios, entre muchos otros problemas. El amor, sin embargo, nunca puede faltar. De la parte de la parturienta, debe ser agradecida de lo que recibe, porque no sabe que aquella enfermera o sicóloga o cocinera que hoy está de malhumor, dejó en el hogar un hijo enfermo o una madre de edad necesitando de atención, pero vino a dar cuenta de su responsabilidad.

El doctor, obstetra, no puede exasperarse delante de una madre de primer viaje, asustada por el desconocido. Qué para él es un trabajo de rutina, para la futura mamá es una experiencia única llena de expectativas. Y las primeras vibraciones que el niño que llega al mundo debe recibir son de afecto para que se sienta bienvenido. Hasta la primera palmada debe ser data con amor y un pedido de disculpas, para que el bebé no se imagine agredido.

Una cosa que sentimos falta en una maternidad es la información a cada candidata a ser madre para que ella sepa que el cuerpo que ella y su compañero produjeron está adecuado para un alma que vendrá a morar en él. Es antigua y ya trae al mundo una historia personal y única, muchas veces inter-relacionada con padres, abuelos, etc. Cuando cada madre sepa lo que es un hijo, pasará a educarlo de manera diferente. No más como un inocente desconocido, puro e inmaculado, sino como un alma que vuelve a la Tierra para nuevas experiencias y que necesita mucho del auxilio y a veces del rigor de los que van a educarla. Trae virtudes que necesitan ser ejercitadas y defectos que demandan corrección.

Quien imaginar que eso es utopía o invención del Espiritismo recurra a las lecciones del filósofo griego Sócrates y su principal discípulo, Platón, y verá que cuatrocientos años antes de Jesucristo eso ya era enseñado. Quien se poner indeciso sepa que, exceptuándose católicos y protestantes en la actualidad, prácticamente todas las religiones de la Tierra hablan de la reencarnación. Eso no es invención del Espiritismo. Esta doctrina solamente explica una lógica que algunos aún no entendieron o prefieren negar por conveniencia. Pero no se preocupen, pues incluso esos cristianos tienen serias dudas y grande curiosidad sobre el asunto. La prueba está en la audiencia de las novelas que tratan del asunto. Los medios de divulgación venden la mercancía que el público compra. Y se compramos es porque vemos sentido.

Siempre que surgir una oportunidad, diga a la nueva madre algunos aspectos de esa realidad. Aun cuando ella no crea, la duda se quedará peleando con la propia razón. Y al observar el comportamiento de su bebé ella misma va a sacar sus conclusiones.

La madre es la primera maestra y la primera educadora, el hogar es la primera escuela que el nuevo visitante frecuenta. Amor incondicional ni siempre es decir sí y aprobar todo. Hacer todos los gustos del niño en la suposición de que se trata de un ser lindo e inocente. En el capítulo de la infancia, en El Libro de los Espíritus, hay lecciones valiosas para que las madres sepan cómo educar a sus niños. Mejor verlo llorar delante un “no” mientras aún pequeño a verlo llorar más tarde cuando la vida cobrarlo en aquello que no fue orientado o en facilidades que tuvo, imaginando que el mundo iría a darle de todo indefinidamente sin que necesitase hacer cualquier esfuerzo.

¡Madre! No engañe a su hijo haciéndolo pensar que la vida es fácil, porque no es. Descubrirse, conocerse y saber exactamente sobre son sus poderes y limitaciones es lo más importante que podemos enseñar a un hijo. Cuidado para que más tarde usted no haga la clásica pregunta: – ¿Dónde fue qué yo erré? Buena suerte.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Setiembre 2016

Uma fábrica de gente

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Ria_setembro_2016

 

Quando cada mãe souber o que é um filho, e que ele reencarna com um passado, passará a educá-lo de maneira diferente.

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

Fomos convidados no encerramento do ano de 2015 a dizer algumas palavras na Maternidade Cândida Vargas, em João Pessoa (PB). Um lugar muito especial.

No auditório havia funcionários, enfermeiras, encarregados de departamentos, entre outros, e abordamos sobre a importância de uma instituição como aquela, pois é nas maternidades que chegam as futuras mamães, levando na barriga uma semente com a esperança de sair de lá carregando nos braços uma pessoa, já amplamente imaginada pelo pensamento.

Cada uma chega com suas angústias e seus sonhos. Umas de primeira viagem, outras com certa experiência. Graças às tecnologias, a ultrassonografia já informa muita coisa sobre o corpo daquele que vai virar gente em pouco tempo. O sexo, se a criança está perfeita, se há enfermidade que precisa de atendimento imediato, ainda no ventre da mãe ou imediatamente após o nascimento. Enfim, muitas notícias valiosas para antecipar o futuro do bebê.

Falamos da importância do amor naquela casa de saúde, onde muitas vezes o trabalho é feito com sacrifício, até mesmo improvisações devido à falta de funcionários, o que obriga outros a suprir a lacuna e às condições quando faltam medicamentos, aparelhos, espaços entre muitos outros problemas. O amor, porém, nunca pode faltar. Da parte da parturiente, ela deve ser agradecida pelo que recebe, porque ignora que aquela enfermeira ou psicóloga ou cozinheira que hoje está de mau humor, deixou no lar um filho enfermo ou uma mãe idosa precisando de atenção, mas veio dar conta da sua responsabilidade.

O doutor, obstetra, não pode irritar-se diante de uma mãe de primeira viagem, assustada diante do desconhecido. O que para ele é um trabalho de rotina, para a futura mamãe é uma experiência única cheia de expectativas. E as primeiras vibrações que a criança que chega ao mundo deve receber são de afeto para que se sinta bem-vinda. Até a primeira palmada deve ser dada com amor e um pedido de desculpas, para que o bebê não se imagine agredido.

Uma coisa que sentimos falta numa maternidade é a informação a cada candidata a mãe para que ela saiba que o corpo que ela e o companheiro produziram está adequado para a alma que virá morar nele. É antiga e já traz ao mundo uma história pessoal e única, muitas vezes inter-relacionada com pais, avós, etc. Quando cada mãe souber o que é um filho, passará a educá-lo de maneira diferente. Não mais como um inocente desconhecido, puro e imaculado, mas como uma alma que volta à Terra para novas experiências e que precisa muito da ajuda e às vezes do rigor dos que vão educá-la. Traz virtudes que precisam ser exercitadas e defeitos que demandam correção.

Quem imaginar que isso é utopia ou invenção do Espiritismo recorra às lições do filósofo grego Sócrates e seu principal discípulo, Platão, e verá que quatrocentos anos antes de Jesus isso já era ensinado. Quem ficar indeciso saiba que, excetuando-se católicos e protestantes na atualidade, praticamente todas as religiões da Terra falam da reencarnação. Isso não é invenção do Espiritismo. Esta doutrina apenas explica uma lógica que alguns ainda não entenderam ou preferem negar por conveniência. Mas não se preocupem, pois mesmo esses cristãos têm sérias dúvidas e grande curiosidade sobre o assunto. A prova está na audiência das novelas que tratam do assunto. A mídia vende a mercadoria que o público compra. E se compramos é porque faz sentido.

Sempre que surgir uma oportunidade, diga à nova mãe alguns aspectos dessa realidade. Mesmo que ela não acredite, a dúvida ficará brigando com a própria razão. E ao observar o comportamento do seu bebê ela mesma vai tirar suas conclusões.

A mãe é a primeira professora e a primeira educadora, o lar é a primeira escola que o novo visitante frequenta. Amor incondicional nem sempre é dizer sim e aprovar tudo. Fazer todos os gostos da criança na suposição de que se trata de um lindo e ingênuo inocente. No capítulo da infância, em O Livro dos Espíritos, há lições valiosas para que as mães saibam como educar suas crianças. Melhor fazê-la chorar diante de um “não” enquanto ainda pequena a vê-la chorar mais tarde quando a vida cobrá-la naquilo que não foi orientada ou em facilidades que teve, imaginando que o mundo iria dar-lhe o mesmo indefinidamente e sem que precisasse fazer qualquer esforço.

Mãe! Não engane seu filho fazendo-o pensar que a vida é fácil, porque não é. Descobrir-se, conhecer-se e saber exatamente quais são seus poderes e limitações é o mais importante que podemos ensinar aos filhos. Cuidado porque senão mais tarde você fará a clássica pergunta: – Onde foi que eu errei? Boa sorte.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – setembro de 2016