Octavio Caumo Serrano

Quem é mau, nunca foi bom. Mas pode melhorar, se o quiser.

Quem é bom só o é porque aprendeu um dia. Na atual existência ou nalguma passada. Como fomos criados, todos, simples e sem nenhum conhecimento, tudo o que hoje somos é resultado do aprendizado que fizemos nas múltiplas encarnações que já vivemos, nos dois sexos, em diferentes posições sociais, raciais e intelectuais.

Uma das mais controvertidas opiniões é quanto ao retrocesso do espírito de uma para outra encarnação. Por exemplo, Emmanuel, que foi o mentor do nosso Chico Xavier, depois de ser o senador romano Publius Lentulos renasceu na figura de Nestório, o escravo egípcio. Há quem afirme que teria sido um retrocesso. Vamos esclarecer-nos com o socorro de O Livro dos Espíritos.

Pergunta 193. Um homem em suas novas existências pode descer mais baixo do ponto em que estava? Resposta: Em termos de posição social sim; como Espírito, não. Por isso Emmanuel diz que foi mais proveitosa sua vida como escravo do que como Senador, ocasião em que não quis comprometer sua posição social e perdeu a oportunidade de interceder em favor de Jesus, apesar dos apelos de sua esposa.

Como confirmação, temos a questão 194. A alma de um homem de bem pode, numa nova encarnação, animar o corpo de um criminoso? Resposta: Não, pois ela não pode degenerar. O inverso sim é provável e é mesmo o grande objetivo da nova experiência. No item “a” da mesma questão é perguntado se a alma de um homem perverso pode transformar-se na de um homem de bem, foi respondido que sim, caso tenha se arrependido e então é uma recompensa.  No comentário é acrescentado que a marcha do Espírito é progressiva e ele nunca retrograda.

Esta informação é animadora, porque deixa claro que as conquistas de cada encarnação se incorporam ao Espírito de maneira permanente. Quem conseguir adquirir, por exemplo, a virtude da paciência, passará a ser paciente por toda a eternidade. Por isso quando alguém comete um delito e o desculpam alegando que era uma pessoa boa, na verdade não era. Estava se esforçando para ser bom, mas não resistiu aos assédios do mal, caindo na sua vibração temporária, ainda não sedimentada.

O mal dos espíritas, e o plano das trevas explora muito esta faceta, como está na questão 195, é imaginar que por ter toda a eternidade, podem adiar indefinidamente o seu progresso. Não é inteligente. Se trocarmos prazeres mundanos, provisórios e efêmeros por atributos que permanecerão conosco para sempre, demonstraremos fé e compreensão sobre a verdadeira finalidade da vida que agora experimentamos. Incorporar virtudes que ainda não conquistamos mediante a anulação de vícios e defeitos que ainda nos dominam. Não é pelo número de encarnações que progrediremos, mas pela utilidade que dermos a cada uma delas. Há pessoas que crescem em apenas uma tudo o que não conseguimos em cinco, dez, vinte. Nossa sociedade está cheia de exemplos como esses.

Progredimos impulsionados pelas dificuldades e pelo sofrimento. Até compreendermos que eles só existem porque resultam dos nossos equívocos. Depois deixarão de ser inimigos para ser aliados e seremos gratos pela ajuda que nos dão. A dor ainda será por muito tempo a mais convincente professora da humanidade. Temos aprendido mais pela dor do que pelo amor. Infelizmente.

Jornal O Clarim – setembro de 2016