Walkiria Araújo – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles; mas os olhos deles foram impedidos de reconhecê-los. Ele [Jesus] lhes disse: Como vocês custam a entender e como demoram a crer em tudo o que os profetas falaram! E começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que constava a respeito das escrituras. Quando estava à mesa com eles, tomou o pão, deu graças, partiu-o e o deu a eles. Então os olhos deles foram abertos e o reconheceram, e ele desapareceu da vista deles.” (Lucas, capítulo 24, versículos 15, 16, 25, 27, 30 e 31)

O capítulo vinte e quatro do Livro de Lucas é dedicado ao momento esperado da aparição de Jesus após a sua crucificação. Atemos-nos não a aparição propriamente dita, mas ao significado do Mestre caminhar junto a Cleopas e outro homem e estes não o reconheceram. Encontramos também retratado esta análise em o livro Caminho, Verdade e Vida, cap. 25, sob o mesmo título.

Jesus caminha junto a nós. Somos viajores do Planeta Terra em experiências de aprendizado e ajustamento junto a Lei Divina. O Mestre inspira-nos o comportamento e mostra-nos o caminho a seguir. Faz-nos corrigir os passos quando nos comparamos a Ele e ao Seu comportamento e consequentemente reajustamos a rota. O que era vacilante, torna-se seguro, tendo como consequência a firmeza diante dos percalços.

Mas nem sempre é assim ou nem sempre foi assim para aqueles que já assumiram esta postura de equilíbrio e constância. Vivemos, com raras exceções, a colocar o Mestre num pedestal quase que inatingível. Mesmo nós espíritas. A questão 625 de o Livro dos Espíritos é muito clara quando nos afirma que Ele é o nosso Modelo e Guia. Não é um modelo e guia para o futuro, mas para agora. A exemplo dos discípulos do Mestre, que mesmo avisados pelo próprio Jesus que ao terceiro dia Ele voltaria para dar provas de tudo o que havia dito e vivenciado até aquele momento, duvidaram das palavras das mulheres que encontraram o túmulo vazio.

Temos as obras da codificação a nos orientar, temos as obras suplementares a reforçarem a mensagem, temos Jesus a nos amparar, temos por fim, os exemplos que nos ladeiam a caminhada, mas, mesmo assim, duvidamos da mensagem trazida pelo Mestre e ratificada pela Doutrina Espírita. Questionamos se realmente estamos fazendo o certo, quando não revidamos uma ofensa, quando não nos juntamos à maioria e agredimos o outro, quando não somos “normais” e “iguais a todo mundo” e fraudamos o que quer que seja para nos darmos bem.

A mensagem de Jesus caminha ao nosso lado, quando vemos o semelhante agindo de acordo com as Leis, quando verificamos a Lei de Causa e Efeito se fazendo presente não só em nossas vidas, mas na dos nossos semelhantes, que sem problema nenhum aparente, desenvolvem casos de doenças inexplicáveis pela ciência ou de pouco explicação e desencarnam, mesmo com todos os cuidados necessários para a pronta recuperação.

Alguns cobram a volta do Mestre a Terra, mas esquecemos que a Sua mensagem e em consequência Ele mesmo se faz presente por todo o sempre. Parecemos os homens da estrada, conhecemos muito sobre a mensagem, nos indignos com os que consideramos os traidores do Cristo, mas não o enxergamos caminhando ao nosso lado, trazendo o lenitivo diante das dores, através das mãos amigas e compassivas que nos acolhem o sofrimento e nos ajudam na caminhada; quando podemos ter a oportunidade de sermos úteis nos mais variados campos da assistência social e chegam as mais diferentes histórias de criaturas que encontravam na nossa mão amiga a ajuda necessária para não desfalecer.

Jesus representa este amigo oculto, mas muito presente em nossas vidas. Guarda-nos, orienta-nos e quando não está presente, envia-nos os seus emissários do bem. Sejam os espíritos bem amados que nos sustentam os passos, sejam os exemplos e o aconchego do abraço amigo dos que nos pareiam a caminhada. O Mestre há muito revisitou o mar de dores e lágrimas que se constitui o Planeta Terra, trazendo-nos a mensagem renovadora do bem através da caridade. Caridade sem olhar a quem. Zaqueu, a mulher adúltera e outros, principalmente os anônimos. A história Dele é rica.

Hoje, mais uma vez, nós seus irmãos, muito mais por paternidade celeste, pois ainda estamos distantes da Tua excelsitude, vivemos o nosso caminho do Gólgota, com a diferença que ainda ferimos o nosso próximo. Não aprendemos a viver a nossa dor de forma silenciosa e praguejamos contra outro irmão, igual a nós, que sofre e espera pela Tua presença em sua vida. Voltar, acreditamos que já voltastes, na verdade, nem fostes, estais presente em nossas vidas desde sempre. Pena que só te enxergamos nos momentos de dores. Desejamos que a Tua presença seja uma constante em nossas vidas, mas desejamos, em primeiro lugar, que consigamos ser uma constante na Tua. Elevando-nos até ti e vivendo a Lei de Deus em toda sua integralidade.

Jornal O Clarim – setembro de 2016