Octávio Caúmo Serrano

Houve mudanças; e agora?

Sempre que há transição política, o discurso é o mesmo. Imputam-se erros aos antecessores e anunciam-se medidas duras para corrigir os enganos cometidos. Resolvida essa parte tudo vai melhorar. Verdadeiro quanto às intenções, mas falso quanto aos resultados.

As providências são sempre as mesmas, porque as alegações também não mudam: Falta dinheiro. As estatais nunca são eficientes porque na hora da dificuldade o governo as ampara. Não podem falir nem ser protestadas. Daí, onde há um funcionário na empresa particular, são necessários vários na estatal para fazer o mesmo serviço. E com os privilégios da estabilidade que o particular não tem. Por isso tantos estudantes de curso superior que só pensam em concurso público, sem qualquer intenção de trabalhar na área em que estudam.

Falta dinheiro para tudo, menos para festividades e inaugurações de obras que promovem os que administram o dinheiro do povo como se deles fosse. Enaltecem-se enquanto simplesmente cumprem seu dever.

Por isso, repete-se o discurso habitual. É preciso aumentar impostos, dilatar o prazo para as aposentadorias, ressuscitar a CPMF, onerar as grandes riquezas (mesmo as que foram conquistadas com honestidade, ou são heranças de direito), cortar cargos, aumentar a gasolina, etc. etc. Novidade? Nenhuma.

Prometem as indispensáveis reformas: Tributária, política, educação (já que o modelo faliu e as universidades chegam a diplomar analfabetos), saúde e tantas outras, mas nada funcionará sem a reforma que o Espiritismo proclama como básica e inadiável: A reforma íntima que nada mais é que a reforma moral do ser humano, pois transforma o homem numa pessoa decente.

Enquanto os eleitos não entenderem que ali estão com permissão Superior e que é uma honra ser escolhido para ajudar a dirigir os destinos do povo, nada mudará. Enquanto o político não souber que Deus lhe presta uma homenagem dividindo com ele (o político) a administração da sociedade para melhorá-la e fazê-la crescer, nada mudará. As mudanças de superfície, de nomes, de partidos, são ilusórias e paliativas. São só barganhas. Se de um lado são necessárias psicologicamente para nos dar a ilusão de alternativa, na essência é apenas uma prorrogação para sobrevivência até que se cumpra o tempo da transição do planeta, o que já está ocorrendo e que será mais sentida daqui a cinquenta anos. Os novos governantes dos países já estão sendo escolhidos na espiritualidade e brevemente começarão a nascer entre nós. Os que aí estão nada sabem de relações humanas. Só entendem de dinheiro. E é aí que se perdem.

Enquanto os políticos gastarem fortunas para se eleger em troca dos salários atuais e as empresas financiarem campanhas, nada mudará. Fica clara a intenção de receber com vantagens o dinheiro investido. Não cremos que os empresários o façam por altruísmo ou amor à Pátria. A maioria dos que compõem o novo governo já foi contemplada com esse tipo de incentivo. A favor de quem irá legislar? Num país com esse tipo de sistema de governo não dá para acreditar que o povo seja importante. Ou dá?

A mudança não começou agora e nem é algo brasileiro. Se nos socorrermos do capítulo final do livro A Gênese – Os tempos são chegados, sinais dos tempos, dias finais, falando da nova geração, escrito em 1868, há quase 150 anos, já naquela época nos era explicado que os tempos estavam iminentes e o sinal já podia ser percebido. Não entendemos porque o processo é lento e nós somos imediatistas. Agora, em pleno apocalipse, tudo fica evidente. As dores aumentam porque o tempo de reforma está acelerado.

Não queremos tirar a esperança do leitor, mas advertir que não devemos nos iludir que teremos dias muito diferentes dos que tivemos até agora. Não fizemos por merecê-los. Fomos longe demais por muito tempo com a desonestidade e isso não é algo que se conserte de repente. Daqui a alguns anos estaremos reclamando tudo igual e nos queixando  da próxima crise que brevemente se instalará; no Brasil e no mundo. É de crise em crise que somos despertados e crescemos, individual e coletivamente. Como pessoas e como sociedades.

O que está acontecendo já é um sinal de dias melhores porque a desonestidade que sempre existiu e era posta debaixo do tapete agora vem à tona e “respeitáveis” e intocáveis homens da nossa política estão sendo incriminados e presos. E é um fenômeno internacional. Aqui é a corrupção, mais além os desentendimentos religiosos e a luta pelas terras, acola as invasões de povos que foram escravizados e humilhados no passado que cobram os resgates a que têm direito. Sem falar dos acidentes climáticos, fome e miséria em tantos lugares do mundo. Nós mesmos temos os carmas da escravidão que até hoje nos pesa.  Temos de amparar os negros que foram maltratados com cotas nas escolas, nas mídias, nas empresas, etc. Deveríamos dar a eles ensino e condições de vida de qualidade e nenhuma cota seria necessária.

Preparemo-nos para reformas mais profundos envolvendo toda a Terra. Especialmente a América do Sul. Somos o supermercado do planeta. A Europa com superpopulação, terras cansadas e preconceitos de toda ordem tem dias contados. A Comunidade Europeia foi a última tentativa; e não deu certo. No Japão não cabe mais gente, o mesmo acontecendo em nações como Índia, China, Rússia. Além de clima inóspito. Nos Estados Unidos o problema é econômico. Voltados para a tecnologia estão esgotando suas reservas e ainda têm gastos com temperaturas extremas, com frio intenso ou calor insuportável.

Tudo isto parece mera especulação, mas os mais jovens testemunharão os acontecimentos. E nós, os mais velhos, ao reencarnarmos na Terra (se méritos tivermos) quiçá possamos conferir a história, sem nem mesmo imaginar que teríamos vivido este momento especial.

Jamais percamos a fé e a paciência. Deus segue no comando do Universo.

Tribuna Espírita – julho/agosto 2016

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