Walkiria Araújo – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“E, chamando-os a si, disse-lhes por parábolas: Como pode Satanás expulsar Satanás? Jesus falou isso porque eles estavam dizendo: ‘Ele está com um espírito imundo’.” — (MARCOS, capítulo 3, versículo 23 e 30.)

O capítulo III do Livro de Marcos nos traz a passagem em que Jesus vê na sinagoga um homem com o braço atrofiado e o chama a Sua presença e o cura. Só que o fato ocorre no dia de sábado (Lembrai-vos de santificar o dia de Sábado[1]), dia proibido nas escrituras. A fama de que Jesus curava já era disseminada e uma grande multidão o cercava, não só a ele mais também aos discípulos. Quando ele adentra uma casa a multidão novamente os cercou, impedidos inclusive, deles se alimentarem. Os descontentes com as curas de Jesus afirmaram que ele estava acompanhado pelo demônio gerando a resposta que Ele deu.

Este mesmo título encontramos no Livro Caminho, Verdade e Vida, capítulo 146. É interessante como o nobre espírito Emmanuel aborda a questão da comunicabilidade com o mundo espiritual, destacando a comunicação com os espíritos que se encontram infelizes e como os lidadores deste trabalho necessitam de paciência para poderem ajudar. Destaca ainda, que os antagonistas nos classificaram dos mais diversos nomes como feiticeiros ou filhos de Belzebu, como o próprio Mestre foi classificado, mas que não devemos perder o foco nem a persistência em ajudar.

A Doutrina Espírita nos traz O livro O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo, que em seus dezenove capítulos, divididos em duas partes traz-nos explicação sobre os mitos de Céu, Inferno e Purgatório, as Penas Futuras, o mito dos Anjos e dos Demônios. Várias comunicações obtidas das mais diferentes categorias de espíritos e mostra-nos como nos encontramos no pós-desencarne em virtude das nossas atitudes atuais.

Muitos irão nos tratar de loucos por estabelecermos comunicação com os que não se utilizam da roupagem carnal, mas parcela desses mudará de opinião quando tiver alguém muito amado que desencarne e que o que ficou na retaguarda deseje uma mensagem. A opinião muda de acordo com o momento que a pessoa esteja vivendo. Poucos se mantêm pensando da mesma forma quando há um realinhamento das situações.

Para nós, lidadores daqueles que vivem no invisível corporal, mas no visível moral e individualidades eternas como nós, precisamos ter a cautela para no afã de querer trazer notícias para os encarnados, não respeitarmos o momento individual da criatura no pós-desencarne. Cada um de nós tem um tempo muito pessoal para se adaptar a nova realidade, dependendo muito da construção moral que fizemos enquanto encarnados e do acumulado que trazemos de outras encarnações.

Sabemos que não existem penas eternas, até porque o processo de evolução da criatura é constante e a criatura não retroage[2], por isso o de que necessita a criatura neste momento é do tempo necessário para entendimento do momento atual. O que não podemos é desistir de ajudar em virtude da demora no resultado ou pelas agressões dos adversários da luz, como Emmanuel cataloga os que se contrapõe ao trabalho. Aduzimos que estes adversários se encontram nos dois planos e precisamos estar atentos para que não desmotivemos com relação ao trabalho em virtude de opiniões contrárias ou depreciativas.

Devemos a tais criaturas desencarnadas o mesmo respeito que temos para com aqueles encarnados que se avizinham de nós e buscam a nossa ajuda. Tendo paciência, sendo discretos, dando atenção, agindo de forma amorosa, não nos importando com a opinião depreciativa dos outros. Os desencarnados são almas dos encarnados que se despojaram do corpo físico e que possuem as mesmas necessidades morais que nós.

O Livro dos Médiuns, capítulo V – Das Manifestações Físicas Espontâneas, item 90, traz-nos a seguinte passagem: “Se se trata de um Espírito infeliz, manda a caridade que lhe dispensemos as atenções que mereça. Se é um engraçado de mau gosto, podemos proceder desembaraçadamente com ele. Se um malvado, devemos rogar a Deus que o torne melhor. Qualquer que seja o caso, a prece nunca deixa de dar bom resultado.” Referido item trata especificamente dos fenômenos de efeito físico e qual o tipo de criaturas que os podem produzir.

Encontramos os mais variados tipos de criaturas que convivem conosco (dos dois planos) e precisamos utilizar do bom-senso para avaliarmos a situação e sabermos como agir diante dela. Existem pessoas que em si, vivem suas dores de forma tão pragmática que as extenuam com relação ao próximo; existem aqueles que utilizam um quê de maldade e até de sarcasmo perante a vida; por fim, existem aquelas que se encontram na base do entendimento sobre o amor e a caridade e produzem mal-estar por onde passam.

Especificamente no trato com o invisível precisamos aprender a detectar quem nos visita o muito íntimo de relação, para podermos assim agir com a resposta adequada. Resposta esta: mental, emocional e física. Para que sejamos donos de nós mesmos, responsabilidade inalienável sobre todos os atos de nossas vidas. Por fim, o Livro dos Espíritos nos traz a questão 833, tratando do assunto: Liberdade de Pensar. Os Insignes Mestres da Humanidade afirmam que a liberdade de pensar é ilimitada, trazendo-nos a resposta e a afirmação: o que fazemos promana de nós. O que ocorre, são mentes que se associam a execução de nossos atos. Por isso, não atribuamos o que fazemos a influência “do Invisível”, mas afirmemos que estamos agindo de comum acordo: nós e o “invisível” e que esse só potencializa o que desejamos fazer.

[1] Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo I, item 2

[2] Questão 612 de O Livro dos Espíritos

Tribuna Espírita – julho/agosto 2016