Ria_setembro_2016

 

Quando cada mãe souber o que é um filho, e que ele reencarna com um passado, passará a educá-lo de maneira diferente.

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

Fomos convidados no encerramento do ano de 2015 a dizer algumas palavras na Maternidade Cândida Vargas, em João Pessoa (PB). Um lugar muito especial.

No auditório havia funcionários, enfermeiras, encarregados de departamentos, entre outros, e abordamos sobre a importância de uma instituição como aquela, pois é nas maternidades que chegam as futuras mamães, levando na barriga uma semente com a esperança de sair de lá carregando nos braços uma pessoa, já amplamente imaginada pelo pensamento.

Cada uma chega com suas angústias e seus sonhos. Umas de primeira viagem, outras com certa experiência. Graças às tecnologias, a ultrassonografia já informa muita coisa sobre o corpo daquele que vai virar gente em pouco tempo. O sexo, se a criança está perfeita, se há enfermidade que precisa de atendimento imediato, ainda no ventre da mãe ou imediatamente após o nascimento. Enfim, muitas notícias valiosas para antecipar o futuro do bebê.

Falamos da importância do amor naquela casa de saúde, onde muitas vezes o trabalho é feito com sacrifício, até mesmo improvisações devido à falta de funcionários, o que obriga outros a suprir a lacuna e às condições quando faltam medicamentos, aparelhos, espaços entre muitos outros problemas. O amor, porém, nunca pode faltar. Da parte da parturiente, ela deve ser agradecida pelo que recebe, porque ignora que aquela enfermeira ou psicóloga ou cozinheira que hoje está de mau humor, deixou no lar um filho enfermo ou uma mãe idosa precisando de atenção, mas veio dar conta da sua responsabilidade.

O doutor, obstetra, não pode irritar-se diante de uma mãe de primeira viagem, assustada diante do desconhecido. O que para ele é um trabalho de rotina, para a futura mamãe é uma experiência única cheia de expectativas. E as primeiras vibrações que a criança que chega ao mundo deve receber são de afeto para que se sinta bem-vinda. Até a primeira palmada deve ser dada com amor e um pedido de desculpas, para que o bebê não se imagine agredido.

Uma coisa que sentimos falta numa maternidade é a informação a cada candidata a mãe para que ela saiba que o corpo que ela e o companheiro produziram está adequado para a alma que virá morar nele. É antiga e já traz ao mundo uma história pessoal e única, muitas vezes inter-relacionada com pais, avós, etc. Quando cada mãe souber o que é um filho, passará a educá-lo de maneira diferente. Não mais como um inocente desconhecido, puro e imaculado, mas como uma alma que volta à Terra para novas experiências e que precisa muito da ajuda e às vezes do rigor dos que vão educá-la. Traz virtudes que precisam ser exercitadas e defeitos que demandam correção.

Quem imaginar que isso é utopia ou invenção do Espiritismo recorra às lições do filósofo grego Sócrates e seu principal discípulo, Platão, e verá que quatrocentos anos antes de Jesus isso já era ensinado. Quem ficar indeciso saiba que, excetuando-se católicos e protestantes na atualidade, praticamente todas as religiões da Terra falam da reencarnação. Isso não é invenção do Espiritismo. Esta doutrina apenas explica uma lógica que alguns ainda não entenderam ou preferem negar por conveniência. Mas não se preocupem, pois mesmo esses cristãos têm sérias dúvidas e grande curiosidade sobre o assunto. A prova está na audiência das novelas que tratam do assunto. A mídia vende a mercadoria que o público compra. E se compramos é porque faz sentido.

Sempre que surgir uma oportunidade, diga à nova mãe alguns aspectos dessa realidade. Mesmo que ela não acredite, a dúvida ficará brigando com a própria razão. E ao observar o comportamento do seu bebê ela mesma vai tirar suas conclusões.

A mãe é a primeira professora e a primeira educadora, o lar é a primeira escola que o novo visitante frequenta. Amor incondicional nem sempre é dizer sim e aprovar tudo. Fazer todos os gostos da criança na suposição de que se trata de um lindo e ingênuo inocente. No capítulo da infância, em O Livro dos Espíritos, há lições valiosas para que as mães saibam como educar suas crianças. Melhor fazê-la chorar diante de um “não” enquanto ainda pequena a vê-la chorar mais tarde quando a vida cobrá-la naquilo que não foi orientada ou em facilidades que teve, imaginando que o mundo iria dar-lhe o mesmo indefinidamente e sem que precisasse fazer qualquer esforço.

Mãe! Não engane seu filho fazendo-o pensar que a vida é fácil, porque não é. Descobrir-se, conhecer-se e saber exatamente quais são seus poderes e limitações é o mais importante que podemos ensinar aos filhos. Cuidado porque senão mais tarde você fará a clássica pergunta: – Onde foi que eu errei? Boa sorte.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – setembro de 2016