Pobres de Espírito

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Walkiria Araújo – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“Bem-aventurados os pobres de espírito, pois que deles é o Reino dos Céus.” — (Mateus, capítulo V, versículo 3.)

O Mestre, muito hábil em suas palavras utilizava-se dos recursos materiais e principalmente mentais dos que os circundava para poder transmitir a mensagem que se perpetuaria durante o passar dos tempos. Assim foi também com relação a essa. Não era sobre a pobreza material que Ele falava. Ele nos falava da humildade moral daqueles que tinham a capacidade de reconhecer os próprios erros, defeitos e limitações e que promovem o movimento de modificação, não esperando o porvir para modificarem.

“Se se recusam a admitir o mundo invisível e uma potência extra-humana, não é que isso lhes esteja fora do alcance; é que o orgulho se lhes revolta a ideia de uma coisa acima da qual não possam colocar-se e que os faria descer do pedestal onde se contemplam.”[1] Guardamos sim, uma vaga lembrança de quem fomos em outras encarnações[2], o que ocorre é que possuímos o véu do esquecimento a nos facilitar os passos. Pois, se nos enxergássemos tal qual somos, ficaríamos chocados com o que veríamos. As ideias inatas existem para comprovar que as nossas tendências instintivas correspondem a quem nós somos de verdade.

A própria existência de Deus e da vida futura[3], é uma lembrança que nos acompanha. Então porque ainda existem criaturas que afirmam serem descrentes da existência de Deus e mais ainda, chegam ao absurdo de afirmar que a criação é fruto do acaso, indo mais além, defendem a ideia de que a morte do corpo físico também representa a morte da criatura. Por quê? Numa resposta curta: orgulho. Gostamos de ter o controle total sobre tudo e admitir que exista uma força superior a nós faz com que este controle total acabe. É todo um castelo de areia que desmorona na nossa frente.

Os próprios apóstolos não abarcavam todo o significado das palavras do Mestre. Pois o interrogaram sobre quem era o maior no Reino dos Céus e sabiamente o Mestre respondeu, tomando de uma criança, que quem quisesse ser o maior se assemelhassem a ela. Mostrando assim, que “para ser o maior no seu conceito, era necessário fazer-se o menor, o servidor, esquecendo-se de si mesmo e altruisticamente colocando o seu irmão no lugar onde desejasse estar.”[4] Mas este desprendimento, esta renúncia, só nasce das almas que aprenderam a amar sem julgar, no qual o amor/renúncia faz parte da vida da criatura.

A própria mãe dos filhos de Zebedeu pede para que os seus dois filhos tenham assento, um a direita e outro a esquerda do Mestre, reconhecendo a Superioridade Dele, mas por outro lado ela não compreendia o que significava caminhar junto ao Mestre. Tanto que Ele a questiona, inquirindo se os filhos dela eram capazes de beber do cálice que Ele, Jesus, iria tomar. Deixando explícito que o cálice de fel que nos é apresentado durante a encarnação representa os momentos de verdadeiro testemunho, no qual há um confronto entre quem nós somos, as Leis Divinas e o nosso desejo em fazer algo. Às vezes, é o testemunho/exemplo de espíritos abnegados como o Mestre; na grande maioria das vezes é o testemunho/reajuste, comum a todos nós.

Quando optamos por seguir as Leis modificando a matriz que se encontra mal alinhada sorvemos do cálice de fel como consequência do expurgo necessário e absorção/substituição do bem em nós, ambas as “substâncias” não podem coabitar juntas. Circunstâncias que nos movimentam a encarnação e convida-nos a análise de conduta. Da nossa própria e do semelhante. Algumas destas circunstâncias constituem-se na pedra de toque da encarnação da criatura.

Cada um possui o seu cálice. Cada um de nós temos os erros do passado a nos reajustarmos, mais além, todos nós que nos dispomos a ajudar também encontramos dificuldades doloridas para a sua execução. Pois estamos remando contra a maré de erros seculares, cristalizados na prática social e que se tornam comuns no comportamento vigente, mas que não representam a normalidade das Leis Divinas. Algumas destas vezes, inclusive, indo de encontro destas mentes que defendem o nada ou a existência do acaso para justificar tudo que existe.

Os jovens respondem afirmativamente ao questionamento do Mestre. Interessante que Jesus afirma que eles irão sim beber, deixando claro que os testemunhos que consideramos acima das nossas forças atualmente, farão parte do exercício diário da prática do bem em nossas vidas. Mesmo assim, responde que não cabe a Ele decidir quem estará a sua direita ou esquerda, mas a Deus.

Baseadas nestas passagens começamos também a avaliar a conduta de muitos frequentadores das Instituições Espíritas. Acreditam, por exemplo, que por estarem na Instituição e tomarem passe estão imunes ao comportamento alheio em desalinho. Ou, pensam que a leitura das obras espíritas os candidatam a uma condição superior aos dos demais. A leitura dá a instrução, a compreensão leva a modificação. Ler e não mudar de atitude representa um malfeitor que tem conhecimento das leis e mesmo assim comete delitos.

Precisamos sair da posição cômoda de “espíritas não praticantes” e nos tornarmos espíritas verdadeiros. “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más.”[5] A verdade nos visita a todos. O cálice é uma bela representatividade do arcabouço necessário para o aprendizado.

Jornal O Clarim – Outubro de 2016

[1] Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo VIII, item 2

[2] Questão 218 de O Livro dos Espíritos

[3] Questão 221, de O Livro dos Espíritos

[4] Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda, capítulo 8

[5] Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XVII, item 4

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Escravidão

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Walkiria Araújo – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“Há homens que sejam, por natureza, destinados a serem de propriedade de outros homens? Toda sujeição absoluta de um homem a outro homem é contrária à lei de Deus. A escravidão é um abuso da força e desaparecerá com o progresso, como desaparecerão, pouco a pouco, todos os abusos.

A lei humana que consagra a escravidão é uma lei anti-natural, visto que assemelha o homem ao animal e o degrada moral e fisicamente.” — (Questão 829, O Livro dos Espíritos)

Encontramos em O Livro dos Espíritos, nas questões 829 a 832 a explicação sobre o tema Escravidão. A escravidão indo muito mais além de um documento de posse de uma criatura com relação à outra, representa uma sujeição física, emocional, sendo o mais comum física/emocional, traz ao entendimento humano a explicação de tantos desaires emocionais ocorridos outrora e que não podem sofrer solução de continuidade.

As criaturas utilizam-se do poder que possuem. Em vez de apararem as arestas expiatórias, exercendo a prática do perdão para com aquela criatura que se encontram subjugada a si física e/ou emocionalmente aproveitam-se da ocasião para vingarem-se e agredir, agredindo-se também. Envenenando-se em primeiro lugar.

A escravidão é contrária a Lei de Deus, pois essa se constitui em submeter o outro a sua vontade, não lhe permitindo a liberdade de escolha. Antigamente a sujeição física era caracterizada pelo uso das correntes e pelo documento de posse dos senhores com relação aos seus escravos, infelizmente, ainda vemos isso na atualidade, maquiado por outros nomes e significados, que não de escravidão, mas que constituem sim, escravidão.

Há a escravidão psicológica. Mais terrível que a física, pois alguns que se encontram aprisionados e tolhidos em sua liberdade, ainda sonham e tem esperança de um porvir melhor. Sendo esse o móvel que os matem vivos, lutando para se libertarem do que lhes tolhem os passos. Alguns chegam ao ponto de irem ao holocausto físico por acreditarem em suas idéias e defende-las perante a sociedade vigente que abona um comportamento errado. Sendo representantes dos ocultos da sociedade, trazem a baila o que se encontra na periferia moral da criatura humana.

Inclusive, na questão seguinte (830), verificamos que a explicação dos costumes para justificar a escravidão, seja ela qual for, não é acatada pelos amigos espirituais que respondem aos questionamentos de O Livro dos Espíritos. Os Insignes Mestres da humanidade são taxativos em sua resposta: “O mal é sempre o mal e não há sofisma que faça se torne boa uma ação má. A responsabilidade, porém, do mal é relativa aos meios de que o homem disponha para compreendê-lo. …”

Sempre existirá o poder de escolha de nossa parte, o que o Espiritismo tão bem explica através do livre arbítrio. Não podemos nos acomodar perante o erro, se já compreendemos que é um erro. Isso vale para tudo na vida. Nos nossos pequenos atos, nos grandes momentos de testemunho particular. Alguns desses, só presenciados pela nossa consciência e pelos espíritos que se avizinham de nós por simpatia.

Esta explicação de o mal ser sempre o mal, vinculado ao pensamento escravagista mostra-nos que podemos optar por fazer ou não fazer. Agir ou não desta ou daquela forma. No recesso do lar, no qual a forma patriarcal arcaica deixa de existir nos dias atuais e as famílias desenham uma nova estrutura, que toma corpo, mas que ainda não se solidificou, gerando grandes abalos, a busca pelo poder e o uso da desforra quando se tem ocasião provocam a escravidão.

Nos locais de trabalho que não se utiliza mais os dizeres: “Sabe com quem você está falando?” porque o interlocutor já sabe que o outro detém poder e irá usá-lo contra quem se opuser, vemos vozes se levantarem. Criaturas desprovidas do poder social, mas possuidoras de poder moral modificar o lar, o local de trabalho ou qualquer outro agrupamento social que faça parte através do próprio comportamento e do uso das leis materiais que os amparam.

Não podemos nos contaminar com o mal dos maus; precisamos ser o bem dos bons; dos bons espíritos, dos tarefeiros do bem que velam pela a humanidade e que nunca aceitaram a escravidão como uma prática correta de estabelecer e padronizar as relações sociais. A debilidade momentânea intelectual não chancela o direito de submeter uma criatura à outra. Pelo contrário, o trabalho deve ser o inverso: se possuímos mais subsídios que os usemos para ajudar a avançar o nosso próximo, o apoiando no que pudermos.

Por mais que o processo de escravidão seja cultural não significa que tais criaturas que sejam os subjulgadores do próximo estejam livres do devido reajustamento com as Leis Divinas. Será levada em consideração a boa-fé e a humanidade com que trate os subjuldados, como também o seu grau de entendimento sobre as Leis. Não somos animais irracionais, somos individualidades universais que povoamos o Universo, filhos de Deus. É inadmissível a crença que um Pai Amoroso, soberanamente justo e bom criasse criaturas destinadas à escravidão, a subjugação a outros irmãos.

O que nos separa na escala espírita (questões 100 a 113 de O Livro dos Espíritos) são as qualidades que já adquirimos e as imperfeições que ainda temos que nos despojar. Em nenhum momento se fala da cor da pele, da condição social ou do sexo que a pessoa possua. Até porque o Espiritismo nos mostra a justiça das reencarnações. Estamos utilizando vestimentas que nos permitem avançar no processo evolutivo. Hoje estamos vestindo esta roupagem que vemos no espelho; amanhã, quem sabe? Tudo dependerá do nosso comportamento hoje. Como estamos agindo e como estamos aproveitando as oportunidades que a Divindade nos oferta no processo evolutivo.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Outubro de 2016

Uma nova encarnação

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Octavio Caumo Serrano  caumo@caumo.com

Quem fui, quem sou, quem serei? Intrigante indagação…

Depois de conhecer o Espiritismo e ser informados que vivemos muitas vezes em mundos materiais com a finalidade de melhorar espiritualmente, nasce uma incontrolável curiosidade de saber quem fomos nós em encarnações passadas e o que seremos futuramente.

Uma explicação que nossa doutrina oferece é que o espírito  não perde suas conquistas nem piora e, portanto, estamos no nosso apogeu espiritual. Nunca fomos melhores. Daí, uma perda de tempo querer saber quem fomos. Mesmo que tenhamos sido socialmente alguém mais importante, nunca fomos melhores do que somos hoje, moral e espiritualmente. Remexer no passado é correr risco de ter decepções.

Aprendemos com o Espiritismo que devemos fazer as mais diferentes experiências para atingir todo conhecimento e aprimoramento que nos qualifiquem a buscar cada vez mais evolução. Por isso, uma virtude conquistada numa encarnação fica incorporada ao nosso ser pela eternidade. É uma conquista definitiva que não mais perdemos. Se hoje ainda somos egoístas, orgulhosos ou impacientes, é porque sempre o fomos. Se deixarmos de sê-lo, a partir de agora, nunca mais iremos fracassar nesses quesitos.

Esclarecido porque somos ainda imperfeitos e sofridos, nasce outra pergunta: – Como será nossa próxima encarnação? A resposta é ainda mais fácil de ser dada. Ela será a consequência do que estamos vivendo e de como nos comportamos diante dos problemas e oportunidades da encarnação atual. Colheremos o que estamos plantando. É da Lei. E cada divida que saldarmos deixa de existir. A quitação é definitiva.

Temos um momento precioso para preparar o que teremos de ser na volta à matéria, o que ainda se dará muitas vezes e por muitos milênios. Este momento chama-se agora. Cada segundo vivido é uma possibilidade de preparação para coisas boas que viveremos na encarnação seguinte. Ou más, porque segundo o livre arbítrio cada um decide o que deseja para si. Somos orientados, aconselhados, mas temos nossa própria vivência. E a conduta que mais nos convém é decisão nossa. Ninguém nos leva para o bom ou mau caminho, por mais que insista, se nós mesmos não aceitarmos a sugestão.

O que tem caracterizado o ser humano destes tempos é a incompetência para cuidar de si e a facilidade de ser sugestionado quanto ao seu destino, sem que tenha ele mesmo uma firmeza que o leve a optar pelo melhor. Não o melhor material e provisório, que é o maior alvo de nossas ambições, mas o melhor definitivo porque é construção espiritual e o que realmente  nos interessa. O resto a traça come, a ferrugem consome e o ladrão leva, já nos ensinou Jesus Cristo.

A escola onde aprendemos e o hospital onde nos curamos é aqui mesmo. Um privilégio estar encarnado nesta etapa da humanidade quando o Evangelho de Jesus renasce na Terra com as lições do Espiritismo. Só ignora quem quer, porque a verdade veio para todos.

Jornal O Clarim – Outubro de 2016

 

Obsesivos; encarnados y desencarnados

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Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

Antes de comentar sobre el asunto del título, es importante recordemos que obsesión es una carretera de mano dupla.

Quien nos enseñó fue Allan Kardec, que hace 212 años nació en Lyon, en Francia, el día 3 de octubre. El obsesivo se liga al obsesionado, porque éste sintoniza con el obsesivo. Ambos tienen responsabilidad y no son simples víctimas sin motivo.

La obsesión se da entre encarnado y desencarnado, entre desencarnados o mismo entre encarnados. Al final, la inteligencia es el espíritu, esté él en un cuerpo o en la espiritualidad.

Son muchas las razones que definen el asedio obsesivo entre dos seres; con antecedentes o no. A veces, cuando una de las partes busca mejorarse, enoja a la otra; como ésta no consigue acompañarla, se empeña en convencerla de que el esfuerzo de renovación es un tiempo perdido; de aquélla, sacará placeres que podría disfrutar. Condensando, quien no consigue ascender, se satisface por derribar quien esté en el alto. El crecimiento del otro enoja su inferioridad.

Esto qué hasta ahora definimos puede ocurrir entre desencarnado y encarnado. Sin embargo, también es muy común entre dos seres “vivos”, los que aún habitan la materia densa y grosera, como la Tierra, un mundo de pruebas y expiaciones. Por eso la obsesión puede nacer incluso del celo. Es más común de lo que se imagina.

Puede tener causa, también, en una convivencia anterior, lo que lleva las partes a cobrar derechos que les fueron usurpados, juzgándose inocentes y lesionados por aquéllos que ahora cruzan su camino. Si las discordias no fueron solucionadas mientras estaban lado a lado, llevan para la espiritualidad las tristezas que se entrañaran en sus almas y se sienten en el derecho de exigir lo que les fue sacado.

En la espiritualidad prosiguen los desentendimientos entre los que no aceptaron el consejo de Jesucristo en el Sermón de la Montaña: “concilia te deprisa con tu adversario, mientras estás en el camino con él, para que no suceda qué el adversario te entregue al juez, y el juez te entregue al oficial, y te encierren en la prisión” (Mateo 5:25). ¡Esa prisión es también la obsesión, además de los traumas de conciencia! Feliz quien no tiene mal alguno a corregir o lamentar. Sale de la encarnación con todo arreglado.

Muchos dolores nacen también de la ingratitud y de la envidia. Dice el pueblo que “la envidia es el homenaje al valor” y que “el favor recibido es la víspera de la ingratitud”. Feliz quien sea grato y no se apoca por un favor recibido. Dice Freud que quien recibe una ayuda busca desentenderse con el bienhechor porque si son enemigos la deuda desaparece. Una actitud muy fea; sin embargo, común.

Día de éstos he recibido un inesperado mensaje, en estos términos:

“No imagina como mi corazón si alegra a cada vez que lo reveo; mucha gratitud. Soy muy grato a Dios por cruzar mi camino al de una persona tan íntegra y de carácter honesto y caritativo con aquéllos que viven a su vuelta. Son años sin reverlo y sin tener noticias. Bendito el Facebook que nos da la oportunidad de recordar tiempos buenos de nuestra vida. No sé si Ud. se recuerda quien soy. Lo conocí en 1978, en la empresa Fundibem (una fábrica que yo fundé en Diadema, SP, en el período de la dictadura militar de 1964) que guardo en mi corazón por las oportunidades de crecimiento y los lazos de amistad que allá creé. Fue mi primero empleo como mensajero; recuerdos de Doña Maria, su esposa, Tavinho, su hijo y un amigo, de las conmemoraciones de final de año en el Restaurante de las Colonias. Tiempo bueno, con finales de semana en su casa de campo en Mairiporã con los amigos(as) de trabajo. Éramos una gran familia bajo su regencia y solo me trae orgullo y satisfacción por haber hecho parte de ella. Muchas gracias. Soy casado hace 30 años, tengo tres hijos: el mayor, Felipe con 29 años, ya doctor, casado y que ya me dio un lindo nieto, Pedro Henrique, con 4 años; Matheus, con 20 años, cursando el 3r año de facultad, y una princesa, Letícia, con 18 años, en su primer año de facultad. Agradezco mucho a Dios por todo de bueno en mi vida y recordar que todo comenzó con Ud. que siempre nos dio buenos ejemplos. Recuerdo de nuestros partidos en la cancha que Ud. mandó construir para nuestra distracción. Recuerdo el nombre de cada empleado aún hoy; nuestra grande familia. Aún tengo esperanza de un día poder darle un grande y caluroso abrazo. Por ahora muy feliz por poder compartir estas palabras con Ud. Espero que no lo esté molestando, pues para mí es realmente un recuerdo que, como dicen, lava el alma. Un gran abrazo y, una vez más, muchas gracias. Que Dios lo proteja siempre. Mucha paz y salud. Beso en su corazón”. Marco Antonio de Oliveira – São Bernardo do Campo (SP).

Sin la intención de realzar mis parcas calidades, es confortador recibir una declaración como ésta, espontánea, casi cuarenta años después de vivida, porque en nuestro viajen a través de la vida damos y recibimos, dejando rastros. Las semillas lanzadas pueden ser buenas o malas y caer en terreno fértil o estéril cuando entonces coleccionamos amigos o desafectos. También tuve enemigos. Es imposible no tenerlos. Son inherentes a la vida que no nos permite tener solamente alegrías. Pero se para cada colección de adversarios hay un solo amigo grato como  Marco Antonio, el Marquito Office-boy, la vida ya valió la pena. En este caso, colaboré, aunque indirectamente, para que hubiese en el mundo más un hombre de bien. Ésta es una de las misiones de todos nosotros.

Cultivemos a nuestro rededor amigos en vez de obsesivos. Forman un hermoso marco para el cuadro de nuestra existencia.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Octubre 2016

 

Obsessores; encarnados e desencarnados

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rie-outubro-16

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

Antes de comentar sobre o assunto do título, é importante lembrarmos que obsessão é estrada de mão dupla.

 

Quem nos ensinou foi Allan Kardec, que há 212 anos nascia em Lyon, na França, no dia 3 de outubro. O obsessor se liga ao obsedado, porque este sintoniza com o obsessor. Ambos têm responsabilidade e não são simples vítimas sem motivo.

O processo obsessivo se dá entre encarnado e desencarnado, entre desencarnados ou mesmo entre encarnados. Afinal, a inteligência é o espírito, esteja ele num corpo ou na erraticidade.

São muitas as razões que definem o assédio obsessivo entre dois seres; com antecedentes ou não. Às vezes, quando uma das partes procura melhorar-se incomoda a outra; como esta não consegue acompanhá-la, empenha-se em convencê-la de que o esforço de renovação é tempo perdido; daquela, tirará prazeres que poderia desfrutar. Resumindo, quem não consegue subir, satisfaz-se por derrubar quem está no alto. O crescimento do outro agride a sua inferioridade.

O que até agora definimos pode ocorrer entre desencarnado e encarnado, mas também é muito comum entre dois seres “vivos”, os que ainda habitam a matéria densa e grosseira, como a Terra, um mundo de provas e expiações. Por isso a obsessão pode nascer inclusive do ciúme. É mais comum do que se imagina.

Pode ter causa, também, numa convivência anterior, o que leva os envolvidos a cobrarem direitos que lhes foram usurpados, julgando-se inocentes e lesados por aqueles que agora cruzam seu caminho. Se as discórdias não foram solucionadas enquanto estavam lado a lado, levam para a espiritualidade as tristezas que se entranharam em suas almas e sentem-se no direito de reclamar o que lhes foi tirado.

Na espiritualidade prosseguem os desentendimentos entre os que não aceitaram o conselho de Jesus no Sermão da Montanha: “Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão” (Mateus 5:25). Essa prisão é também a obsessão, além dos traumas de consciência! Feliz quem não tem mal algum a corrigir ou lamentar. Sai da encarnação com tudo resolvido.

Muitas mágoas nascem também da ingratidão e da inveja. Diz o povo que “a inveja é a homenagem ao valor” e que “o favor recebido é a véspera da ingratidão”. Feliz quem é grato e não se diminui por um favor recebido. Diz Freud que quem recebe uma ajuda apressa-se em desentender-se com o benfeitor porque se forem inimigos a dívida desaparece. Gesto desprezível, mas comum.

Dia destes recebi uma inesperada mensagem, nos seguintes termos:

“Não faz ideia de como meu coração se alegra a cada vez que o revejo; muita gratidão. Sou muito grato a Deus por cruzar meu caminho ao de uma pessoa tão íntegra e de caráter honesto e caridoso com aqueles à sua volta. São anos sem revê-lo e sem ter notícias. Bendito Facebook que nos dá à oportunidade de relembrar passagens boas em nossa vida. Não sei se Sr. se recorda quem sou. Conheci-o em 1978, na empresa Fundibem (obs.: fábrica que eu fundei em Diadema, SP, no período da ditadura militar de 1964) que guardo em meu coração pelas oportunidades de crescimento e os laços de amizade que lá criei. Foi meu primeiro emprego como office-boy; saudades de D. Maria, sua esposa, Tavinho, seu filho e um amigo, das comemorações de final de ano no Restaurante das Colônias. Tempo bom, finais de semana em sua casa em Mairiporã com os amigos(as) de trabalho. Éramos uma grande família sob sua regência e só me traz orgulho e satisfação por ter feito parte dela. Meu muito obrigado. Sou casado há 30 anos, tenho três filhos: o mais velho Felipe com 29 anos, formado, casado e que já me deu um lindo neto, Pedro Henrique, com 4 aninhos; Matheus, com 20 anos, cursando 3º ano de faculdade; e uma princesa, Letícia, com 18 anos, no seu primeiro ano de faculdade. Agradeço muito a Deus por tudo de bom em minha vida e lembrar que tudo começou com o Sr. que sempre nos deu bons exemplos. Lembro das nossas peladas na quadra que o Sr. mandou construir para nosso divertimento. Lembro o nome de cada funcionário ainda hoje; nossa grande família. Ainda tenho esperança de um dia poder dar um grande e caloroso abraço no Sr. Por hora muito feliz por poder compartilhar dessas palavras com o Sr. Espero que não esteja incomodando, pois para mim é realmente uma lembrança que, como dizem, lava a alma. Um grande abraço e, mais uma vez, muito obrigado. Que Deus o proteja sempre, muita paz e saúde. Beijo em seu coração”. Marco Antonio de Oliveira – São Bernardo do Campo (SP).

Sem a intenção de realçar minhas parcas qualidades, é confortador receber um depoimento como este, espontâneo, quase quarenta anos depois de vivido, porque na nossa caminhada pela vida damos e recebemos, deixando rastros. As sementes lançadas podem ser boas ou más e cair em terreno fértil ou estéril quando então colecionamos amigos ou desafetos. Também tive inimigos. Impossível não tê-los. São inerentes à vida que não nos permite ter somente alegrias. Mas se para cada coleção de adversários houver um só amigo grato como o Marco Antonio, o Marquinho office-boy, a vida já valeu a pena. No caso, colaborei, mesmo indiretamente, para que houvesse no mundo mais um homem de bem. Esta é uma das missões de todos nós.

Cultivemos à nossa volta amigos em vez de obsessores. Formam uma bela moldura para o quadro da nossa existência.

RIE – Revista Interrnacional de Espiritismo – outubro 2016