Octavio Caumo Serrano  caumo@caumo.com

Quem fui, quem sou, quem serei? Intrigante indagação…

Depois de conhecer o Espiritismo e ser informados que vivemos muitas vezes em mundos materiais com a finalidade de melhorar espiritualmente, nasce uma incontrolável curiosidade de saber quem fomos nós em encarnações passadas e o que seremos futuramente.

Uma explicação que nossa doutrina oferece é que o espírito  não perde suas conquistas nem piora e, portanto, estamos no nosso apogeu espiritual. Nunca fomos melhores. Daí, uma perda de tempo querer saber quem fomos. Mesmo que tenhamos sido socialmente alguém mais importante, nunca fomos melhores do que somos hoje, moral e espiritualmente. Remexer no passado é correr risco de ter decepções.

Aprendemos com o Espiritismo que devemos fazer as mais diferentes experiências para atingir todo conhecimento e aprimoramento que nos qualifiquem a buscar cada vez mais evolução. Por isso, uma virtude conquistada numa encarnação fica incorporada ao nosso ser pela eternidade. É uma conquista definitiva que não mais perdemos. Se hoje ainda somos egoístas, orgulhosos ou impacientes, é porque sempre o fomos. Se deixarmos de sê-lo, a partir de agora, nunca mais iremos fracassar nesses quesitos.

Esclarecido porque somos ainda imperfeitos e sofridos, nasce outra pergunta: – Como será nossa próxima encarnação? A resposta é ainda mais fácil de ser dada. Ela será a consequência do que estamos vivendo e de como nos comportamos diante dos problemas e oportunidades da encarnação atual. Colheremos o que estamos plantando. É da Lei. E cada divida que saldarmos deixa de existir. A quitação é definitiva.

Temos um momento precioso para preparar o que teremos de ser na volta à matéria, o que ainda se dará muitas vezes e por muitos milênios. Este momento chama-se agora. Cada segundo vivido é uma possibilidade de preparação para coisas boas que viveremos na encarnação seguinte. Ou más, porque segundo o livre arbítrio cada um decide o que deseja para si. Somos orientados, aconselhados, mas temos nossa própria vivência. E a conduta que mais nos convém é decisão nossa. Ninguém nos leva para o bom ou mau caminho, por mais que insista, se nós mesmos não aceitarmos a sugestão.

O que tem caracterizado o ser humano destes tempos é a incompetência para cuidar de si e a facilidade de ser sugestionado quanto ao seu destino, sem que tenha ele mesmo uma firmeza que o leve a optar pelo melhor. Não o melhor material e provisório, que é o maior alvo de nossas ambições, mas o melhor definitivo porque é construção espiritual e o que realmente  nos interessa. O resto a traça come, a ferrugem consome e o ladrão leva, já nos ensinou Jesus Cristo.

A escola onde aprendemos e o hospital onde nos curamos é aqui mesmo. Um privilégio estar encarnado nesta etapa da humanidade quando o Evangelho de Jesus renasce na Terra com as lições do Espiritismo. Só ignora quem quer, porque a verdade veio para todos.

Jornal O Clarim – Outubro de 2016