O homem no mundo

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Walkiria Araújo – walkiria.wlac@yahoo.com.br 

“Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal? ‘Um sábio da antiguidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo.’” (Livro dos Espíritos, questão 919)

Antes de nos colocarmos no mundo, precisamos saber quem somos. Nossos pendores, nossas aspirações, para somente depois, nos projetarmos para o mundo. Porque, senão, seremos “algo” dirigido por outros, lhes seguindo a vontade sem analisarmos o que estamos fazendo. Este movimento de conhecer-se passa por quem somos na família, na sociedade, nas relações profissionais e na religião.

Vivemos um eterno movimento de crescimento. Movimento este que precisa ser calcado em bases sólidas. Mas, para isso, precisamos sair do estado de consciência de sono e passarmos para a consciência desperta. A consciência de sono está vinculada a busca da saciedade dos prazeres sensoriais: comer, dormir, etc… A consciência desperta, fala-nos do ser como parte integrante da sociedade, do aprofundamento da criatura e da busca pelo “eu divino” que habita em nós, mas que não perde a sua individualidade. É o entendimento do significado de fazer parte do grupo, mas não deixar de ser uma individualidade por causa disso.

Falando um pouco mais sobre o assunto, vemos criaturas, independente do grau de cultura, moldarem-se ao agrupamento que estão, seguindo-lhes a vontade sem procurarem raciocinar o que estão fazendo, em virtude do desejo de serem aceitos, seja por imaturidade espiritual, seja pelo anseio de se darem bem a todo custo. O ponto de análise é que a criatura passa a projetar não o que é realmente, mas o que os outros desejam que ela seja.

Não estamos falando das concessões, a título de boa convivência, que todos fazemos. Ora um cede, ora outro cede para que aja este movimento de tolerância e aprendizado recíprocos. Estamos falando no moldar-se ao agrupamento, a ponto de assumir a personalidade dominante do grupo, mesmo que isto esteja em desacordo com o que se acredita. Isso sendo mais comum do que se parece.

Ao reencarnarmos, trazemos as impressões já grafadas de outras encarnações, mas também absorvemos o que nos é transmitido pelo meio ambiente: “383 – Qual, para este [espírito], a utilidade de passar pelo estado da infância? Encarnado, com o objetivo de se aperfeiçoar, o Espírito, durante esse período, é mais acessível às impressões que recebe, capazes de lhe auxiliarem o adiantamento, para o que devem contribuir os incumbidos de educá-lo.” (Livro dos Espíritos). Por isso é tão importante aproveitarmos esta fase para ensinarmos, muito mais através dos exemplos que das palavras, quais as diretrizes a seguir.

A família é a primeira sociedade que conhecemos. Local em que grande parte do nosso caráter é formado. A criatura em reencarnado vem como molde maleável e moldável as impressões trazidas pelos seus educadores que permanecerão impregnadas ao longo do tempo. Ver-nos-emos reproduzindo comportamentos que nem acreditávamos que tínhamos absorvidos. A família serve como modelador dos relacionamentos futuros que a criatura terá com as outras pessoas.

Outro ponto delineador e que servirá de sustentáculo em nossas vidas é a religiosidade. Não estamos tratando da religião pura e simplesmente. Não é da prática da religião, mas da mudança que as ideias do Divino e da Sua Lei provocam em nossas vidas. Trazemos ao reencarnar a memória da religião, no sentido do religare com a Divindade. Mesmo aqueles que se afirmam ateus, o possuem. Mas por razões, as mais variadas possíveis, preferem afervorarem-se na negação. Mas reafirmamos ser a religiosidade o segundo grande pilar que possuímos para conseguir projetarmo-nos no mundo de forma segura.

O que se torna complicado é quando a criatura não possui um modelo equilibrado de família. Não estamos falando do modelo constitutivo de pai, mãe e filhos. Modelo esse, bastante modificado nos dias atuais. Pois hoje, agregam-se avós, enteados, etc. Estamos falando dessa relação de pertencimento tão importante ao desenvolvimento da criatura. Ou quando não encontramos no correspondente religioso as respostas para os nossos anseios. Seja porque estamos numa religião imposta e não estamos adequados, seja porque estamos na religião adequada, mas não nos predispomos ao movimento de mudança para que o religare aconteça.

Com isso, a criatura projeta-se para a sociedade e agrupamento profissional buscando suprir os prazeres imediatos, querendo matar a sede com a água do mar. Não com a água cristalina do conhecimento espírita que é sólida e representativa para o futuro.

Dentro dessa busca de compreensão dO Homem no Mundo, cabe ressaltar os médiuns. Criaturas que em virtude das percepções mediúnicas conseguimos absorver o psiquismo ambiente de uma forma amplificada. Com isso, necessitamos ter mais vigilância e bons condicionamentos psicológicos para ao absorvermos não nos deixarmos ir pelo grupo dominante (encarnados e de desencarnados).

Então como o homem deve comportar-se no mundo? A questão 919 “a”, nos orienta: “Fazei o que eu fazia, quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar.”

“Presentes” nos são ofertados, muitas vezes, em regime de imposição (são as expiações), outros são escolhas que fazemos porque já entendemos que precisamos mudar de significado a encarnação (são as provas), mas transformarmos o recebido em algo bom, depende exclusivamente de nós. Significa aprendizado. Por isso, quando falamos que a doutrina nos apresenta a Justiça das Reencarnações, não estamos trazendo uma propositura para o futuro, mas de uma esperança para o presente. Vendo de uma forma clara que não existe atalhos na busca da perfeição e que só a alcançaremos quando tivermos chegado ao cume da nossa montanha interior.

Tribuna Espírita – Setembro/Outubro 2016

Somos todos adotados

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Octávio Caúmo Serrano             caumo@caumo.com

Aprendemos ao longo da história milenar que o homem é uma alma reencarnada. Uma afirmativa, por exemplo, de Sócrates, 400 anos antes de Jesus e 2250 anos antes de o Espiritismo, organizado por Allan Kardec que nasceu em 3 de outubro de 1804, vir para ressuscitar a Lei da Reencarnação, arquivada e esquecida nos escaninhos do passado remoto.

Quando um casal se une para produzir um corpo, constrói uma nova casa para o abrigo de alguma alma milenar que virá morar nela, após cuidadosa programação, levando-se em conta seu passado espiritual e necessidades evolutivas que precisa experimentar. Traz, portanto, um psiquismo já plenamente povoado de ações, boas e más, caracterizadas como virtudes e defeitos que já estão nele incorporados, porque estes são os tesouros do céu, que o ladrão não consegue roubar.

Nossas experiências ficam acumuladas no inconsciente para toda eternidade. Daí porque vale a pena o esforço de renovação para melhorar-nos porque se incorpora para sempre em nós e nunca mais o perdemos. Uma conquista definitiva. Uma vez paciente seremos dono da paciência; para sempre. Uma vez humilde, dono definitivo da virtude da humildade. Por todos os milhões de séculos que ainda nos restarão viver.

Embutido nesse passado, há amiúde resgates ligados à fertilidade e à impotência dos humanos, o que os impedem de criar o novo corpo no qual virá morar essa velha alma que deseja continuar suas experiências. É para as mulheres um momento de frustração inconsolável porque, sem dúvida, é na maternidade que elas experimentam o seu mais sublime momento de vida. A alegria é tanta quando ficam grávidas que por mais feias que sejam suas feições humanas elas se enriquecem de uma beleza que transparece pelos poros, com olhos mais brilhantes e suavidade no semblante. Conclui-se que é por terem no seu corpo, durante esses nove meses, duas almas em vez de uma.

Há um recurso ainda mal compreendido para preencher essa decepção causada pela infertilidade que é a adoção. Embora aprendamos que o corpo herda do corpo, mas o espírito tem sua própria história, ainda há um tabu no momento da adoção. Temem que o adotado seja filho de algum malfeitor e traga com ele uma carga maligna herdada do genitor. Embora saibamos que caráter não se transmite por DNA, há sempre alguma apreensão.

Em O livro dos Espíritos, na pergunta 203, foi feita a seguinte indagação: “Os pais transmitem aos filhos uma porção de suas almas ou apenas lhes concedem a vida animal, à qual uma alma nova vem, mais tarde, adicionar a vida moral?” Resposta, “Os pais transmitem apenas a vida animal, pois a alma é indivisível. Um pai estúpido poderá ter filhos inteligentes e vice-versa,”
A seguir, na questão 207 há outra dúvida: “Os pais frequentemente transmitem a seus filhos uma semelhança física; transmitem, também, uma semelhança moral?”  Resposta, “Não, pois têm almas (ou espíritos) diferentes O corpo deriva do corpo, mas o espírito não deriva do espírito. Entre os descendentes das raças há apenas consanguinidade.”

Mas como explicar que às vezes há semelhanças morais entre pais e filhos? Na questão 207a está dito que são espíritos simpáticos, atraídos pela afinidade de suas inclinações.

Quem não puder ter filho não tenha preconceito contra a adoção, porque filho legítimo ou adotivo será um homem de bem, ou não, conforme a educação que se lhe dê. É provável que um adotado nos cause até mais alegria porque, se for correta e naturalmente informado dos antecedentes, saberá ser agradecido e procurará corresponder ao amor que lhe foi ofertado. Ao contrário do chamado legítimo, que quando é contrariado nas suas necessidades logo solta aquela conhecida frase absolutamente inverídica: “Eu não pedi pra nascer.” Às vezes pediu e até implorou.

Quando o adotivo está na categoria dos espíritos afins, como relatado na questão 207a acima, poderá ser até mais parecido com os pais do que aqueles que foram gerados no ventre da mãe genitora. Serão mais amigos e sabe-se lá porque chegaram a esse lar. No livro da psicóloga americana Helen Wambach, “Vida antes da vida”, ela relata nas entrevistas por regressão hipnótica, alguns casos de pessoas que sabiam que iriam nascer de uma mãe com a qual eles não tinham compromisso, mas que logo depois seriam adotados por outras pessoas com as quais tinha comprometimentos anteriores. A Lei de Deus é muito bem feita!

Nunca se esqueça: FILHO ADOTADO, TROFÉU DE AMOR. Título do Capítulo 13 do nosso livro “Pontos de Vista” de março de 1996. Se já existíamos antes de nascer, somos todos adotados.

Tribuna Espírita – Setembro/Outubro 2016

 

Quando a lógica é falsa

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Octávio Caumo Serrano – caumo@caumo.com

No plano encarnado há sempre uma preocupação com o controle da natalidade, a fim de que as pessoas não gerem filhos além dos que podem cuidar. Isso inclui dar-lhes boa educação, alimentação, saúde e instrução; no mínimo.

Ocorre que nós ignoramos os compromissos das vidas passadas e isso parece fazer sentido. Mas se levarmos em conta as necessidades de resgate, entendendo-se tal como renovação de aprendizado, nem sempre uma vida de privilégios materiais ajuda o espírito que volta. É possível que ele já tenha vivido na fartura e conforto e haja fracassado. O inverso agora lhe será conveniente e educador. É algo que talvez ele mesmo tenha pedido.

Assistimos certa vez a esta passagem: Na Federação Espírita do Estado de São Paulo, na antiga sede da Rua Japurá, uma atendente social censurou a assistida que buscava enxoval e outras ajudas e que há quatro anos seguidos aparecia grávida de diferentes parceiros. –Você! De novo, comentou a confreira. E a moça, desapontada, justificou-se.

Logo depois, quando ela se foi, a diretora Da. Oslavia Braz Leoniz, pilastra básica da obra que ali se realizava, chamou aquela colaboradora e a advertiu: – Que importa a você quantos filhos ela tem! Você está aqui para ajudar e não para julgar ou censurar. Saiba que ela tem os filhos que você poderia e deveria ter, mas não tem, preocupada com a situação financeira. Limita sua prole para dar a poucos uma situação melhor, porque seus filhos terão de ser doutores; engenheiro, médico, advogado. Mas ela só vai poder produzir operários. Faxineiros, mecânicos, pedreiros, lavadeiras, coveiros… Mas saiba que o mundo não vive só de doutores. Você mesmo utiliza operários em sua vida, todos os dias.

A roupa que você veste, alguém coseu e a verdura que você come, alguém plantou, transportou, comercializou, até chegar à sua casa. E tem mais. Há Espíritos que precisam nascer e querem fazê-lo logo, para seguir seu aprimoramento. Com as crises econômicas as famílias reduzem-se e nascer está cada vez mais difícil. Hoje até mãe solteira ficou importante. Há Espíritos que dizem: – Só quero nascer. O resto deixa comigo!

Por outro lado, observamos com esta passagem que falta maior harmonização entre os dois conceitos: material e espiritual. Hoje há tanta esterilidade e impotência, porque os que podiam ter e não quiseram hoje voltam e querem ter, mas não podem. Que adotem, então. O amor é o mesmo e a recompensa divina é igual. A solidariedade diminui as dores alheias. Se você conhece alguém que não gostaria de ter o filho que carrega, não a deixe abortá-lo. Aconselhe que o tenha e ajude para que possa ser adotado. Por você ou alguém do seu relacionamento que sonha com o filho que não chega até o seu ventre.

A lógica do óbvio, muitas vezes, depende de situações, condições e pontos de vista. Nada é absoluto. Tudo pode ser observado e analisado por diferentes maneiras, porque toda pergunta tem sempre dez ou mais respostas. Todas corretas, conforme o momento e o discernimento dos envolvidos com o problema.

Uma observação final. Nossos conceitos sobre planejamento familiar são ideias de encarnados. Teremos a mesma opinião quando estivermos na erraticidade desejosos de renascer para crescer mais um pouco e ninguém se apresente para receber-nos como pais? Alguém sabe responder!

Jornal O Clarim – Novembro de 2016

 

Cielo, infierno y purgatório

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En las cuestiones 1.013 a 1.016 del Libro de los Espíritus  hay explicaciones sobre estos estados del alma.

Octávio Caumo Serrano | caumo@caumo.com

A cada mes de noviembre, cuando nos recordamos de los finados, una pregunta que hacemos habitualmente es como y donde están, en el otro plan de la vida, nuestros parientes y amigos que fallecieron. ¿Estarían bien? ¿Sufriendo? ¡Cómo saber!

La Iglesia de Roma admite que “aquéllos que no están completamente puros deben pasar por una purificación. La esencia de ese dogma se define por estas palabras: la salvación está garantizada, sin embargo los creyentes en Jesucristo, responsables por faltas ligeros, necesitan sufrir algún tipo de ajuste”. En otras palabras, están salvos del fuego eterno, pero no salvos del fuego del purgatorio. El Diccionario Aurélio así define el purgatorio: “Lugar de purificación de las almas de los justos antes de admitidos en la bienaventuranza”.

Fue preguntado a los espíritus, en las cuestiones 1.013 a 1.016 de El Libro de los Espíritus, por qué ellos no nos enseñan con clareza, manteniendo poca variación de lo que los disfraces del mundo divulgan. Y una vez más ellos contestaron que no estamos listos para ciertas revelaciones y también porque no hay para cada concibe una palabra adecuada. El lenguaje humano es demasiado pobre. De allí haber, mismo entre los encarnados, tanta dificultad de entendimiento.

A lo largo del libro, los espíritus hacen hincapié en esta advertencia.  Luego en el comienzo, en la cuestión 23, por ejemplo, es dicho: “¿Lo qué es el espíritu?”. Respuesta: “¿Es el principio inteligente del Universo”; 23a – “Cuál es la naturaleza íntima del espíritu?”. Los venerables dijeron: “No es fácil analizar el espíritu por medio de vuestro lenguaje. Para vosotros él no es nada, porque no es una cosa tangible”.

En la cuestión 28 vuelven a hablar de la dificultad para explicarnos lo que aún no podemos comprender. Vean: “¿Ya que el propio espíritu consiste en algo, no sería más exacto designar los dos elementos generales por materia inerte y materia inteligente?”. Contestaron que las palabras poco se les importan. Cabría a nosotros formular un lenguaje con lo cual pudiésemos entendernos. “Vuestro lenguaje es incompleta para exprimir lo que no les toca el sentido”.

En las explicaciones en cuanto al cielo, infierno y purgatorio, la reclamación es la misma. Sabemos que el purgatorio fue creado para no punir concluyentemente los que colaboraban con la Iglesia. No eran tan buenos para ser mandados al cielo y no había sentido enviar  a un amigo al infierno. Qué no nos explicaron es lo que el alma haría en el purgatorio de modo a tener méritos para salir de allí y ganar el cielo sin restricciones. No dicen cómo sería esa purificación.

Con la aparición del Espiritismo, aprendemos que cielo e infierno son estados de alma y podemos salir de un para entrar en otro en intervalo de segundos. Están en el íntimo de cada criatura y depende de su momento espiritual estar feliz (en el cielo) o infeliz (en el infierno). En cuanto al purgatorio, nuestra doctrina explica en la pregunta 1.013, y respectivo comentario de Kardec, que “es el tiempo de expiación”. “Casi siempre es en la propia Tierra que hacéis vuestro purgatorio, donde Dios os hace expiar todos sus errores. (…) Lo qué el hombre llama de purgatorio es una figura por la cual se debe entender no un lugar determinado, sino el estado de los espíritus imperfectos que están en rescate hasta alcanzar la purificación completa”.

Se ve que en el purgatorio espiritista hay una dinámica y no pasividad. Los dolores del mundo nos obligan a cambiar de pensamiento y actitudes porque vamos sintiendo más serenidad a la medida que superamos nuestros defectos y cobardías, nacidos de la ignorancia. Vamos venciendo a nosotros mismos para llegar al cielo que existe en nuestro corazón. Es un estado pleno de dicha por tener la conciencia tranquila. La conquista es lograda con nuestro esfuerzo y no solamente por un cursillo inoperante que nada añade. No crecemos por el tiempo de casa, sino que por la renovación.

En la cuestión 1.016 y 1.017 hay más explicaciones sobre el cielo, cuya consulta se queda por cuenta del lector, caso tenga interés en añadir aún algo sobre el asunto.

El resumen de este análisis es que no hay conquista sin lucha; no hay privilegios y el anhelado cielo solo puede ser alcanzado por méritos espirituales, por actitudes de fraternidad, por el amor que dedicamos al prójimo y jamás por pagos que damos a un falso dios que no tiene interés en nuestras ofertas materiales como inversión para la obtención de la dicha. En vez de hacer promesas, tengamos actitudes; en vez de encender una vela, ofertemos un pan; en vez de nos azotemos con penitencias que ayudemos al semejante. Aprendamos a sacar el Evangelio teorético de la mente para dinamizarlo con nuestras manos. Realizar más y discursar menos. De teoréticos el mundo está lleno. Vean nuestros políticos. Lo que hace  falta son benefactores laboriosos que realmente auxilien a sus hermanos. Solo así estaremos en el cielo; ¡mismo encarnados!

El mundo material, pregunta 86 del libro de los Espíritus, es secundario. Es un regalo de Dios para que caminemos más deprisa objetivando la perfección. No desaprovechemos esta preciosa oportunidad. Podrá tardar mucho para repetirse.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Noviembre 2016

Céu, Inferno e Purgatório

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Nas questões 1.013 a 1.016 de “O Livro dos Espíritos” há explicações sobre estes estados da alma.

Octávio Caumo Serrano | caumo@caumo.com
A cada mês de novembro, quando nos lembramos dos finados, uma pergunta que fazemos habitualmente é como e onde estão, no outro plano da vida, nossos parentes e amigos que faleceram. Estariam bem? Sofrendo? Como saber!

A Igreja de Roma admite que “aqueles que não estão completamente puros devem passar por uma purificação. A essência desse dogma define-se por estas palavras: a salvação está garantida, mas os crentes em Jesus, responsáveis por faltas leves, precisam sofrer algum tipo de ajuste”. Noutras palavras, estão salvos do fogo eterno, mas não salvos do fogo do purgatório. O Dicionário Aurélio assim define o purgatório: “Lugar de purificação das almas dos justos antes de admitidas na bem-aventurança”.

Foi perguntado aos espíritos, nas questões 1.013 a 1.016 de O Livro dos Espíritos, por que eles não nos ensinam com clareza, mantendo pouca variação do que as fantasias do mundo divulgam. E mais uma vez eles responderam que não estamos preparados para certas revelações e também porque não há para cada ideia uma palavra adequada. A linguagem humana é pobre demais. Daí haver, mesmo entre os encarnados, tanta dificuldade de entendimento.

Ao longo de todo o livro, os espíritos enfatizam essa ressalva. Logo no começo, na questão 23, por exemplo, é dito: “O que é o espírito?”. Resposta: “é o princípio inteligente do Universo”; 23a – “Qual é a natureza íntima do espírito?”. Os veneráveis disseram: “Não é fácil analisar o espírito por meio da vossa linguagem. Para vós ele não é nada, porque não é uma coisa palpável”.

Na questão 28 voltam a reclamar da dificuldade para nos explicar o que ainda não podemos compreender. Vejam: “Já que o próprio espírito consiste em alguma coisa, não seria mais exato designar os dois elementos gerais por matéria inerte e matéria inteligente?”. Eles responderam que as palavras pouco lhes importam. Caberia a nós formularmos uma linguagem com a qual pudéssemos nos entender. “Vossa linguagem é incompleta para exprimir o que não lhes toca o sentido”.

Nas explicações quanto ao céu, inferno e purgatório, a reclamação é a mesma. Sabemos que o purgatório foi criado para não punir definitivamente os que colaboravam com a Igreja. Não eram tão bons para serem mandados ao céu e não havia sentido enviar um amigo para o inferno. O que não nos explicaram é o que essa alma faria no purgatório de modo a criar méritos para sair dali e ganhar o céu irrestrito. Não dizem como se daria essa purificação.

Com o advento do Espiritismo, aprendemos que céu e inferno são estados de alma e podemos sair de um para entrar noutro num intervalo de segundos. Eles estão no íntimo de cada criatura e depende do seu momento espiritual estar feliz (no céu) ou desditoso (no inferno). Quanto ao purgatório, nossa doutrina explica na pergunta 1.013, e respectivo comentário de Kardec, que “é o tempo de expiação”. “Quase sempre é na própria Terra que fazeis vosso purgatório, onde Deus vos faz expiar todos os seus erros. (…) O que o homem chama de purgatório é uma figura pela qual se deve entender não um lugar determinado, mas o estado dos espíritos imperfeitos que estão em resgate até alcançar a purificação completa”.

Vê-se que no purgatório espírita há uma dinâmica e não passividade. As dores do mundo nos obrigam a mudar de pensamento e atitudes porque vamos sentindo mais serenidade à medida que superamos nossos defeitos e fraquezas, nascidos da ignorância. Vamos vencendo a nós mesmos para chegar ao céu que existe em nosso coração. É um estado pleno de felicidade por termos a consciência tranquila. A conquista é obtida com nosso esforço e não apenas por um estágio inoperante que nada acrescenta. Não crescemos pelo tempo de casa, mas pela renovação.

Na questão 1.016 e 1.017 há mais explicações sobre o céu, cuja consulta fica por conta do leitor, caso tenha interesse em acrescentar ainda algo sobre o assunto.

O resumo desta análise é que não há conquista sem luta; não há privilégios e o almejado céu só pode ser atingido por méritos espirituais, por atitudes de fraternidade, pelo amor que dedicamos ao próximo e jamais por pagamentos que damos a um pseudo deus que não tem interesse em nossas ofertas materiais como investimento para a obtenção da felicidade. Em vez de fazer promessas, tenhamos atitudes; em vez de acender uma vela, ofertemos um pão; em vez de nos flagelarmos com penitências, doemo-nos ao semelhante. Aprendamos a tirar o Evangelho teórico da mente para dinamizá-lo com as nossas mãos. Realizar mais e discursar menos. De teóricos o mundo está cheio. Vejam os nossos políticos. O que falta são benfeitores operosos que realmente socorram seus irmãos. Só assim estaremos no céu; mesmo encarnados!

O mundo material, pergunta 86 de O livro dos Espíritos, é secundário. É um presente de Deus para que caminhemos mais depressa objetivando a perfeição. Não desperdicemos esta preciosa oportunidade. Ela poderá demorar muito para se repetir.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Novembro 2016

Não se pode servir a Deus e a Mamon

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Walkiria Araújo – walkiria.wlac@yahoo.com.br 

“Caminhando Jesus e os seus Discípulos, chagaram a um povoado onde certa mulher chamada Marta o recebeu em sua casa. Maria, sua irmã, ficou sentada aos pés do Senhor, ouvindo a sua palavra. Marta, porém, estava ocupada com muito serviço. E, aproximando-se Dele, perguntou: ‘Senhor, não te importas que minha irmã tenha me deixado sozinha com o serviço? Dize-lhe que me ajude!’ Respondeu o Senhor: ‘Marta! Marta! Você está preocupada e inquieta com muitas coisas; todavia apenas uma é necessária. Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada.” (Lucas, cap. X, VV 38 a 42)

O Mestre Jesus nos convida a reflexionar o que se constitui a melhor parte de nossas vidas nos dias atuais. Com o exemplo de Maria ele nos propõe a fazer a escolha certa. A separarmos o que é transitório do que é permanente. Para que na noite mesma que nos tomarem a alma (Lucas, 12:20) não sejamos tomados de assalto e acreditemos que a Lei é injusta para conosco.

Joanna de Ângelis no Livro Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda, cap. 22 – Propriedade nos diz: “Por instinto de conservação da vida, [a criatura] apega-se aos recursos que lhe passam pelo caminho: afetivos, emocionais, materiais e, sem as reservas morais suficientes, submete-se-lhes, escravizando-se, para depois vencer, a ingentes lutas, a situação calamitosa a que se atirou.” Quando falamos de apego, normalmente destacamos o apego aos bens materias, mas esquecemo-nos das questões afetivas e emocionais que nos envolvem e acreditamo-nos possuidores das pessoas e das próprias emoções dessas pessoas. Até a mediunidade. Somos medianeiros, mediadores, transmissores, mas não nos constituímos proprietários dos espíritos.

Esta ideia de propriedade de uns sobre os outros ainda é tão forte que alguns submetem e são submetidos a situações de verdadeiras agressões travestidas de amor que são simbioses das quais ambos são prisioneiros. Pois aquele que aprisiona acaba se aprisionando a rituais excessivos e a circunstâncias deprimentes para não perder o outro e aquele que se acredita ser o submetido, algumas vezes, acomoda-se por estar sempre sendo servido e isto impede o crescimento psico-emocional da criatura. Na verdade, de ambos. Criam-se algemas que aprisionam, aprisionando-se. Verdadeiro círculo vicioso que se não for quebrado gerará conflitos para outras encarnações.

Na continuidade do referido capítulo, Joanna de Ângelis nos fala que “O ser humano tem o dever de selecionar os objetivos existenciais, colocando-os em ordem de acordo com a qualidade e o significado de todos eles, para empenhar-se em destacar aqueles que são primaciais, exigindo todo o empenho, e aqueloutros que são secundários, podendo ser conduzidos com naturalidade, sem maior sofreguidão.” Quando passamos a ordenar e destacamos qual o objetivo da nossa existência, começamos a valorar o que está ao nosso redor, elevando a patamar superior o que realmente tem importância e deixando como secundário aquilo que faz parte da nossa existência, mas como veículo de aperfeiçoamento, não como objetivo principal da nossa evolução. Por isso, lemos no Evangelho Segundo o Espiritismo que aquele que tem fé no futuro caminha com passos firmes, porque consegue vislumbrar o objetivo visado e caminha com profunda resolução, pois sabe que alcançará o que deseja.

A questão não é a negação do patrimônio, mas a busca por Deus. Não pregamos a pobreza, pois ela por si só representa um grande fator de reajuste pelo próprio restringimento que provoca; não defendemos a riqueza como fonte de felicidade, pois ela nos traz o facilitador do poder e da comodidade que normalmente exaltam o orgulho e a ambição. Tudo na vida possui um fim providencial. O problema não está em possuir, está na forma como isto foi conseguido e como agimos depois que conseguimos. Nas lágrimas que derramamos ou nas lágrimas que fizemos derramar para conquistarmos o almejado.

Até mesmo a busca pelo conhecimento científico dever ser ponderada e buscada. A questão 898 de O Livro dos Espíritos nos apresenta informação sobre isto. Mesmo que a aquisição deste conhecimento diga respeito somente às coisas e as necessidades materias, temos a oportunidade de auxiliar ao nosso irmão e de evoluirmos, primeiro intelectualmente e depois espiritualmente. Pois através do conhecimento adquirido abrimos campo mental para novas experiências e se assim o quisermos amadurecemos como criaturas espirituais e nos colocamos num novo prisma de visão. O conhecimento não se torna obrigatório para o aprimoramento moral, mas sendo um facilitador abre o campo de visão dando o subsídio intelectual no qual a criatura irá buscar as respostas científicas para o que o sentimento está mostrando.

A diferença entre o remédio e o veneno é a dosagem na maioria das vezes. Maria escolheu a melhor parte, pois se dispôs a aquisição do tesouro que o ladrão não rouba e que a traça não corroe, mas que serve como arcabouço, verdadeira viga de sustentação para a formação do caráter da criatura. Ajudando-nos a prosseguir e fornecendo-nos o ânimo necessário para acreditarmos que o futuro dependerá da soma de tudo o que plantarmos no presente. A boa semente, naquele momento, foi planta, na hora certa, germinando, produzindo frutos de esperança em Maria e servindo de exemplo para os outros. E quanto a nós, qual parte queremos? Queremos servir a Deus ou a Mamon?

Jornal O Clarim – Novembro de 2016

A juventude nos dias atuais

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Walkiria Araújo – walkiria.wlac@yahoo.com.br 

“O adolescente atual é Espírito envelhecido, acostumado a realizações, nem sempre meritórias, o que lhe produz anseios e desgostos aparentemente inexplicáveis, insegurança e medo sem justificativa, que são remanescentes de sua consciência de culpa, em razão dos atos praticados, que ora veio reparar, superando os limites e avançando com outro direcionamento pelo caminho da iluminação interior, que é o essencial objetivo da vida.” (Livro Adolescência e Vida, Joanna de Ângelis/Divaldo Franco, cap. 3 – O adolescente e o seu projeto de vida)

A adolescência segundo a Organização Mundial de Saúde é o período compreendido entre 10 e 19 anos; segundo a Organização das Nações Unidas é entre 15 e 24 anos. Já o Estatuto da Criança e do Adolescente define adolescência como o período compreendido entre os 12 e os 18 anos de idade. Encontramos esta temática em O Livro dos Espíritos nas questões 379 a 385.

A afirmação que existe uma imperfeição dos órgãos infantis (questões 379 e 380) começa por nos trazer luz ao entendimento sobre a questão da adolescência. Isto servirá de base para o nosso delinear de pensamento sobre o tema. Se há uma limitação física dos órgãos, entendemos que por mais que o espírito ali reencarnado possua amplitude de conhecimento, este deverá ser tratado de forma adequada a sua faixa etária, deixando ao tempo do amadurecimento da razão as experiências de vida correlatas. Isso também proporciona que a criatura se torne “… mais acessível às impressões que recebe…” (questão 383). É um molde que precisa ser trabalhado, incumbindo aos pais/educadores familiares esta tarefa.

O período da adolescência é um período de transição e de conflitos. Há uma alteração física e psicológica na criatura. Ela sente-se inadaptada ao meio social. Não é mais criança, não lhe é mais permitido um comportamento infantil, até porque a sociedade, erroneamente, cobra-lhe um comportamento amadurecido; não é um adulto, porque a convenção social, a maturidade fisio-psicológica e a Lei não lhe permitem ser. Sente-se no meio do caminho. Isto lhe cria dilemas que conflitam com as reminiscências do passado e as informações recebidas no presente. Três fatores são importantes para delinear o comportamento da criatura: a família, a religiosidade e a sociedade.

Família: nós replicamos o comportamento emitido pelos nossos familiares, mesmo que de forma inconsciente. Se não somos acolhidos pela família, destacando a figura dos pais e dos que lhes fazem às vezes, crescemos sem o molde formador adequado. Precisamos delimitar muito bem o comportamento de educadores do menor sob nossa guarda. Para que o modelo espelhado traga segurança e o jovem tenha para quem recorrer e possa avaliar de forma judiciosa a macro sociedade a partir da micro que ele faz parte. Não defendemos com isso que o modelo apresentado deverá ser aquele constituído por pai, mãe e filho, até porque muitos jovens são criados, por exemplo, pelos avôs. Mas que o jovem consiga perceber claramente a relação de pertencimento que exista entre todos e que não importando o que aconteça na macro sociedade a micro irá acolhe-lo e dar-lhe o direcionamento adequado. Corrigindo quando for necessário e sustentando quando ele sentir que suas forças estão fraquejando.

Religiosidade: sem a função do religare que a religião proporciona, a criatura acredita-se vinculada somente à busca do prazer material não ansiando a algo melhor. O vazio existencial será preenchido por sensações de prazer imediato. É tentar matar a sede com a água salgada. A crença em Deus faz parte dos arquétipos da criatura. Já reencarnamos inúmeras vezes, o que nos tolda a visão é o orgulho de nos acharmos superiores ao que realmente somos. Por isso, além de apresentarmos a religião como estatuto de conduta para o jovem, deveremos vivenciá-la em nosso lar. Trazendo as boas práticas da leitura edificante, do culto do Evangelho no Lar e da participação regular do estudo dos livros da codificação na Instituição Espírita ao qual a família esteja vinculada. Tais práticas incutirão, neste jovem, também, o desejo de participar e de aprofundar o entendimento sobre esta Doutrina que nos enriquece e nos sustenta. Isto fará com que a princípio ele participe das mocidades espíritas e depois se engaje em outros trabalhos da Instituição. Através da prática do bem conseguimos vivenciar o religare com a Divindade.

Sociedade: somos seres gregários que necessitamos (mesmo que esta ideia esteja implícita) da ratificação do agrupamento social ao qual pertençamos. O que o ocorre é que se o link familiar e/ou religioso não corresponde aos nossos anseios teremos a tendência de buscar o agrupamento que servirá para extravasar as nossas demandas. Buscando o agrupamento que melhor se adéqüe, o jovem pode acabar se vinculando a criaturas que também estão em busca de se auto-afirmarem ou que estão desalinhadas psico-emocional e espiritualmente e estão buscando companhia. Os próprios meios de comunicação, o culto ao corpo, as músicas alucinantes, as drogas, a sexualidade em desalinho são facilitadores. Criou-se a cultura “Do sendo praticado as ocultas, não há problema!” e não é dessa forma. Errado sempre será errado, mesmo que só tenhamos a consciência como testemunha.

A juventude constitui-se um período de desafios, pois a criatura rompe algumas barreiras, solidifica outras experiências e procura criar a sua própria história, baseada na micro sociedade que teve como parâmetro. Mais importante do que o modelo que tivemos para a vida é o que extraímos de bom desse modelo e como, mesmo diante das situações mais adversas, conseguimos transformá-las em aprendizado e pontes que alavancarão a nossa evolução.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – novembro 2016