O poder da fé

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Walkiria Araújo – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“Quando ele veio ao encontro do povo, um homem se lhe aproximou e, lançando-se de joelhos a seus pés, disse: Senhor, tem piedade do meu filho, que é lunático e sofre muito, pois cai muitas vezes no fogo e muitas vezes na água. Apresentei-o aos teus discípulos, mas eles não o puderam curar. Jesus respondeu. dizendo: Ó raça incrédula e depravada, até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei? Trazei-me aqui esse menino. – E tendo Jesus ameaçado o demônio, este saiu do menino, que no mesmo instante ficou são. Os discípulos vieram então ter com Jesus em particular e lhe perguntaram: Por que não pudemos nós outros expulsar esse demônio? – Respondeu-lhes Jesus: Por causa da vossa incredulidade. Pois em verdade vos digo, se tivésseis a fé do tamanho de um grão de mostarda, diríeis a esta montanha: Transporta-te daí para ali e ela se transportaria, e nada vos seria impossível..” (S. MATEUS, cap. XVII, vv. 14 a 20.)

 

As grades são vigas de metal plantadas no cimento que impedem a passagem da criatura de um canto a outro. Pior do que as grades físicas são as grades mentais construídas pela criatura. Ela prende-se a acredita-se incapaz de poder sair. O conhecimento doutrinário nos objetiva a vida e nos faz ver que o porvir é sempre mais florido e que o campo de rosas é o resultado do que nós plantamos hoje.

Criaturas encarnadas encarceram-se em si mesmas tendo as chaves das grades em suas mãos, mas não as usam para sair. O conhecimento espírita representa a chave para a própria libertação. Não significando dizer que somente o espírita conhece a fórmula para tal deslindar, até porque não existem fórmulas mágicas. O que existe é a explicação do por que: Justiça das Reencarnações; o que deve ser feito para resolver: Amor, Paciência e Caridade e como deve ser o nosso proceder: mudança de conduta.

Sempre que somos questionados sobre a questão obsessiva, e não são raras vezes, lembramo-nos do Mestre Jesus e da célebre passagem do pai que leva seu filho a presença Dele e diz que o jovem cai diversas vezes no fogo e na água e que os discípulos não o puderam curar. Na sequência o Mestre pede que o tragam a Sua presença e após detectar a presença do espírito equivocado que ali estava aprisionando-se, aprisionando o jovem, levando-o ao processo de loucura, acaba por ser convencido, primeiro pelo Amor, amor do Cristo a envolvê-lo; depois pela coerência dos argumentos do Mestre. Afastando-se por fim do jovem, deixando-o para que ele também pudesse usar da chave do auto-perdão e abrir as suas grades internas.

A Justiça das Reencarnações nos promove o reencontro com as situações necessárias ao devido reajustamento com A Lei Divina. Não significando que o outro obrigatoriamente é o instrumento da execução da justiça, mas que nós não deveremos nutrir resistir ao mal que nos façam, agindo conforme nos preconiza o Cristo, não reagindo conforme o “demônio” que aliena o jovem. Alguém necessita quebrar o círculo vicioso da vingança, que sejamos nós que fomos apresentados ao conhecimento espírita e sabemos que o momento presente representa um fascículo dentre a grande enciclopédia chamada vida eterna.

Uma criatura que ama não tem espaço para odiar. Todos os casos, sem exceção, de cessação de episódios de obsessão passam pela prática do amor incondicional daquele que está sofrendo a injunção do verdugo. Quando amamos a própria constituição celular se modifica. Adquirimos mais saúde e vibramos em amor transmitindo e envolvendo a todos que nos circundando este amor. Estabelecemos trocas salutares com as pessoas. Aquele que se imanta a nós na prática obsessiva não só recebe de nós o amor que estamos emitindo, mas também daqueles que nos circundam e que trocam amor conosco, esta energia vigorosa. Não há coração tão endurecido que resista ao amor!

A paciência nos dá a lucidez de enxergarmos o momento presente como uma passagem necessária. Um aprendizado que durará o tempo necessário para que possamos absorver da experiência o arcabouço de entendimento que forjará o nosso comportamento futuro. Que por sua vez trará outra gama de conhecimentos e aprendizados que serão cumulativos. A prática da caridade é o antídoto por excelência, pois nos avizinhamos da dor do outro, vemos que o sofrimento bate em todas as portas e que ao ajudar, ajudamo-nos; ao enxugar as lágrimas do próximo estamos enxugando as nossas próprias.

Por fim, a mudança de conduta. O principal do conhecimento espírita é a proposta de modificarmos o nosso proceder. Muito mais do que recitar os postulados espíritas, precisamos vivenciá-los. “Fé inabalável é aquela que pode encarar a razão face a face em todas as épocas da humanidade.” Parafraseando o eminente Mestre Lionês, penso que espírita verdadeiro é aquele que pode se auto-analisar e sem contradita, ver que hoje, é melhor que ontem e tem a certeza que amanhã será melhor do que hoje.

Vivemos num grande processo evolutivo. Não devemos nos permitir o movimento de estagnação mental, mesmo que os convites estejam pululando ao nosso redor. Mesmo que eles sejam de dentro do movimento espírita. No próximo ano o Livro dos Espíritos fará 160 anos que está a aclarar as nossas mentes e nos trazer respostas. Muitos de nós o estamos vendo pela segunda vez. Não percamos a oportunidade. Quando o tumulto do furacão vier através das agressões, obsessões ou de quaisquer perturbações, esperemos ele passar com confiança e fé, depositando “… mais confiança em Deus do que em si próprio, por saber que, simples instrumento da vontade divina, nada pode[mos] sem Deus.” (Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XIX, item 4). Façamos o melhor que sabemos e confiemos em Deus sempre.

Jornal O Clarim – janeiro de 2017

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O lado oculto

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Walkiria Araújo – walkiria.wlac@yahoo.com.br

 “Num plano onde campeiam tantas glórias fáceis, a do cristão é mais profunda, mais difícil. A vitória do seguidor de Jesus é quase sempre no lado inverso dos triunfos mundanos. É o lado oculto. Raros conseguem vê-lo com olhos mortais.” (Livro Caminho, Verdade e Vida, cap. 119 – Glória Cristã)

A adoração não se constitui uma prática de genuflexão física. É a alma que se coloca de joelhos no altar da vida e reverencia a figura de Deus através do amor emanado dos corações ao próximo. De que vale glorificar o nome de Deus, se não correspondermos em atitudes as nossas palavras? Não existem barganhas com a Divindade. Não existe barganha com a Lei Divina.

Num mundo onde as glórias passageiras são cada vez mais exaltadas, quando procuramos nos identificar com a Moral do Cristo acabamos por vivenciar uma contramão com a prática social vigente. O Mestre nos apresenta uma proposta de mudança e nos mostra o Reino de Deus, afirmando que poderemos conquistá-lo desde já, através da conquista de si mesmo: Lá o maior será o que se fizer menor. Não busquemos o primeiro lugar. Ensina-nos que o mais importante não é ser reconhecido pelos que estão ao nosso redor, mas que deveremos ter a aprovação da nossa consciência.

Vivemos buscando a aceitação do mundo, mas não buscamos a ratificação de nós mesmos. Questão 850 de O Livro dos Espíritos: A posição social não constitui às vezes, para o homem, obstáculo à inteira liberdade de seus atos? “É fora de dúvida que o mundo tem suas exigências, Deus é justo e tudo leva em conta. Deixa-vos, entretanto, a responsabilidade de nenhum esforço empregardes para vencer os obstáculos.” Quanto maior a responsabilidade dos nossos atos, maior serão as consequências deles. Nosso compromisso é com a Lei, respeitando as convenções sociais, mas nunca fugindo do compromisso assumido com a nossa consciência.

Quando nos dizemos cristãos, explicitamente estamos afirmando que seguimos o Cristo. Seguimos o Cristo em toda sua expressão. Não podemos seguir somente numa parte ou quando nos convêm. Precisamos segui-lO sempre. Isto não significa dizer que conseguiremos sempre, pois ainda não estamos no mesmo grau evolutivo do Mestre, mas precisamos perseverar, sempre. Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más.” (Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XVII, item 4)

Além disso, possuímos uma nuvem de testemunhas. Precisamos observar os nossos atos e verificarmos qual a nuvem de testemunhas que estão nos acompanhando. Por mais que existam criaturas que tentem e até consigam fraudar as reais intenções com relação à prática espírita, não conseguem enganar a si nem aqueles que se associam mentalmente a eles por todo o tempo nem o tempo todo. O livro Tormentos da Obsessão (Manoel P. de Miranda/Divaldo Franco) conta-nos a história do Sanatório Esperança, instituição criada para abrigar médiuns, doutrinadores, palestrantes, enfim, trabalhadores espíritas em geral que faliram nos trabalhos abraçados. Leitura que deveria constituir-se obrigatória para todos nós.

Sabemos que por vezes a caminhada torna-se difícil e gostaríamos de voar por cima dos nossos problemas. Mas não podemos voar acima dos nossos problemas a não ser através da prática do bem. Colocando-nos no lugar do outro, saímos de nós mesmos e “planamos” sobre eles. Saindo de nós mesmos cuidamos da dor do outro enquanto mãos amorosas cuidam das nossas dores. Todos estamos interligados na Obra da Criação.

O agricultor plantou a semente de um pé de rosa. Ele não sabia se seria amarela, vermelha ou branca. Mas sabia que seria rosa. Um dia, de tanto ele aguar e adubar a semente germinou. Cresceu. Deu muitas rosas. Para seu espanto nasceram das três cores. Seu perfume encantava ao agricultor e aos seus vizinhos. Todos gostavam do que sentiam. Quiseram levar as rosas para casa, mas esqueceram-se dos espinhos. Alguns, no primeiro machucão deles desistiram de ter as rosas. Outros foram mais persistentes, desistindo logo mais. Outros, por fim, compreenderam que a grande beleza da rosa constitui-se em ser perfeita com seus espinhos.

Na humanidade o grande agricultor é Deus que nos concebe a possibilidade de reencarnarmos com as mais diversas características: boas e más. As primeiras constituindo-se no amor adquirido e constituído em nós. As segundas são os desvios do caminho que solicitam realinhamento. Não somos perfeitos, neste estágio evolutivo que nos encontramos. Ainda não somos somente pétalas, exalando só perfume; nem também o somos só espinhos, machucando as pessoas. Assim é a vida. Assim somos todos nós. Exalamos o que somos e os que estão ao nosso lado hora terão o perfume, ora terão os espinhos. Mas em tudo, fazemos parte da criação.

Estar encarnado constitui-se uma benção. Não uma benção sem méritos. Mas uma consequência exata do Amor Misericordioso do Pai, que nos permite uma nova oportunidade a cada raiar do dia, a cada amanhecer, quando abrimos os olhos e vemos uma gama de oportunidades que nasce junto com o dia, no qual encontraremos outras rosas e juntos formaremos o grande roseiral da criação divina.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – janeiro 2017

O determinismo e o livre arbítrio

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Octavio Caumo Serrano caumo@caumo.com

Desde que fomos criados lá atrás na eternidade dos tempos, começamos nossa evolução. De simples e sem nenhum conhecimento, caminhamos para a angelitude, um longo trajeto que cada um percorrerá no seu próprio ritmo. De início uma lei soberana nos impulsiona ao progresso: Chama-se DETERMINISMO. Ele nos leva ao conhecimento e ao progresso e todo dia aprendemos algo novo, automaticamente, mesmo sem darmos maior atenção. O conhecimento se amplia pelo simples fato de estarmos vivendo.

Passada essa fase primitiva, começa a despontar em nós, produto da razão, a lei do livre-arbítrio que agora decide sobre a vida segundo nossa própria vontade. Inicialmente é um livre arbítrio acanhado que vai se ampliando conforme vamos crescendo. Passamos a ser donos da nossa vontade com mais competência porque já sabemos decidir sobre  o que é melhor para nós. Não apenas enquanto no mundo, mas todo o contexto que nos envolve segundo o critério da vida eterna. Preparar nesta encarnação o que teremos de viver numa outra.  Investirmos em qualidades morais e espirituais que nos poupem de maiores sofrimento s no futuro.

O objetivo desse crescimento é atingir um dia a super intuição que é o conhecimento amplo das situações que vamos viver. Intuição, diferente do que muitos imaginam, não é o que vem de fora como mensagem enviada pelos espíritos: isto é inspiração. A intuição é conquista individual e um dia seremos como Jesus que já detinha a super intuição. Quando Ele se referiu ao Templo de Jerusalém dizendo que não ficaria pedra sobre pedra, ele sabia que algo que começa errado não termina bem. Não há porque nos iludirmos.

Se observarmos as pessoas com as quais nos relacionamos podemos ver a diferença de intuição que cada uma possui. Há aquelas que quando você lhe pede um conselho ela afirma com segurança: Não vai dar certo. E não insista porque não vai dar mesmo. É o óbvio que o ser intuitivo percebe com a maior naturalidade o que para o ser comum é algo ainda misterioso e imprevisível. Por isso um é bom conselheiro outro não.

Durante a vigência do determinismo vivemos nos diferentes reinos da natureza aprendendo sobre sobrevivência, perpetuação da espécie, adaptação às mais variadas situações, condições de relacionamento. E vamos progredindo pelo aprendizado compulsório. Levantamos, vivemos um dia e ao voltar par casa somos uma pessoa diferente; com novos conhecimentos do que é bom e do que é ruim.

Bem mais à frente, o livre arbítrio começa a ser exercido para obtermos o que mais nos convém, provocando o bem ou o mal, mas sempre submetidos à lei de causa e efeito que estabelece uma reação de acordo com cada uma de nossas ações. Temos de definir o que mais vale a pena para nós e nos causa mais prazer e menos sofrimento.

Um dia, quando vivermos o Evangelho na sua essência total, passaremos a ter o domínio total do livre-arbítrio, porque só teremos interesse na prática do bem. O mal deixa de fazer parte das nossas cogitações porque já aprendemos como são funestas as consequência de sua prática. Estaremos mais perto de Jesus. Será impossível para nós praticamos o mal contra quem quer que seja, contra o ambiente e contra nós mesmos. Não seremos mais atingidos pela mágoa, tristeza, raiva, desejos de vingança ou qualquer outro sentimento que nos fazem mal e nos adoecem.

Quando o mundo coletivo chegar nesse ponto, o mal desaparecerá do planeta. Nem roubos, nem estupros, nem crimes, nem suicídios, nem sequestros. O amor ao próximo como a si mesmo, será natural em toda a sociedade.

Tenhamos fé porque este tempo está se formando.

Jornal O Clarim – janeiro de 2017

 

 

La misión del Espiritismo

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¡Un prefacio de luz para un libro que alumbra!

Octávio Caumo Serrano | caumo@caumo.com

Analicemos el Prefacio del Evangelio Según el Espiritismo, este mensaje de amor dirigido a todos los hombres, que define claramente por qué vinimos al mundo. La Doctrina de los Espíritus llegó en hora cierta, para restablecer verdades que se perdieron a lo largo del tiempo, derrotados por intereses mezquinos, equivocados y separatistas.

“Los Espíritus del Señor, que son las virtudes de los cielos, como un inmenso ejército que se mueve al recibir el orden de comando, se esparcen sobre toda la Tierra. Semejantes a estrellas cadentes, vienen a alumbrar el camino y abrir los ojos de los ciegos.

“Yo os digo, en verdad, que son llegados los tiempos en que todas las cosas deben ser restablecidas en su verdadero sentido, para disipar las tinieblas, aturullar los orgullosos y glorificar los justos.

“Las grandes voces del cielo resuenan como el toque de la trompeta, y los coros de los ángeles se reúnen. Hombres, nosotros os convidamos al divino concierto: que vuestras manos tomen la lira, que vuestras voces se unan, y, en un himno sagrado, se extiendan y vibren, de un extremo del Universo al otro.

“Hombres, hermanos amados, estamos juntos de vosotras. Os améis también unos a los otros y digáis del fondo de vuestro corazón, haciendo la voluntad del Padre que está en el Cielo: ¡Señor! ¡Señor! Y podréis entrar en el Reino de los Cielos”. (El Espíritu De Verdad)

***

Este alerta traído por el guía espiritual de Allan Kardec deja establecido que el Espiritismo vino a renovar el hombre, haciéndolo entender quién sea y cual su función en el mundo de los “vivos”. Crecer y renovarse para volverse cristiano.

Los recursos de que se sirve el Espiritismo son la divulgación de las verdades que nos dan conocimiento claro de quien somos nosotros, qué nos compete hacer en este breve momento de nuestra eternidad y para donde iremos después de aquí.

Aunque sea laudable el trabajo de caridad material ejecutado por las entidades espiritistas, cuando distribuyen ropas, alimentos, curas espirituales, no es ésta la prioridad de la Doctrina de los Espíritus. Ella no vino a cuidar de los cuerpos, sino de las almas. El Evangelio de Jesucristo que tuvo su esencia renovada y actualizada por el Espiritismo, dice lo mismo. “¡Va y no peques más”; “nadie saldrá de aquí mientras no pague hasta el último ceitil”; “Ama el próximo cómo a ti mismo!”.

El servicio a las necesidades básicas del hombre es de la alzada de todas las personas, independientemente de su creencia. Es un deber individual del ser humano que pretenda ostentar el título de cristiano. Ser espiritista es eficiente recurso para alcanzar ese objetivo, sin embargo, cuando los poderes constituidos cumplan integralmente su deber social, las necesidades materiales del hombre estarán plenamente atendidas. Quedará a él, en ese momento, la tarea del propio esmero, lo que no puede ser transferida a terceros. Esta hora que el Espiritismo muestra su verdadera fuerza. Tiene las más claras recetas para la conocida reforma íntima del hombre, que nada más es de lo que la construcción de su buen carácter.

La vivencia del Espiritismo por el propio hombre irá a hacerlo mejor a cada día. Hemos usado tiempo demás intentando aplicar la doctrina en los otros, con sabias recetas de reforma moral para los que nos oyen, olvidándonos de vivirlas en nosotros mismos. La vieja frase aún es válida: “Entramos en el Espiritismo, sin embargo el Espiritismo aún no entró en nosotros”; “Haga lo que yo digo, pero no haga lo que yo hago”, si es que anhela mejorarse. Tribunos teoréticos de discursos envidiables, que manejamos el verbo con sabiduría y elocuencia, seguimos pecando en las más elementales actitudes. Hasta nuestra mansedumbre es muchas veces mentirosa, artificial. No resiste a la más pequeña contrariedad, porque nos sentimos los dueños de la verdad.

Muchos de nosotros que hacemos discursos con recetas para arreglo de la humanidad deberíamos ser oyentes en vez de aconsejadores. Quizá aprendiésemos más si parásemos para pensar honestamente e hiciésemos el autoanálisis propuesta en la pregunta 919a del Libro de los Espíritus. De corderos tenemos solamente la piel.

Este escrito no se destina a la condena de nadie; es mea-culpa para nuestra propia ponderación porque, a veces, viviendo distraídos perdemos nuestro mejor momento. Arrebatamos con el conocimiento y el entusiasmo fácil para divulgarlos, con frases de efecto y expresiva citación bibliográfica, dejamos pasar, distraídos, su vivencia. Y cuando alguien elogia nuestra facilidad de comunicación aumenta aún más el peligro. Nos sentimos como faros para la humanidad y ni percibimos qué aún no alumbramos ni a nosotros mismos.

Como ejemplo de lo que dijimos, reproducimos nuestro soneto “Predicaciones” de la página 16 del libro Luz en el Túnel de 1998, nuestro primer libro de poesías editado en João Pessoa (PB): “Cuando me pongo en la tribuna a dar consejo / Voy informando de paciencia y caridad / para que un día todo la comunidad / Sea feliz y a mí me tenga como espejo. / Lamentablemente, ésta no es la realidad. / El tiempo pasa y yo ya soy un hombre viejo / Y, sin embargo, casi nunca soy coherente / Entre qué enseño y lo que vivo, de verdad. / Pero yo espero que aquél que hoy me escucha / Gane coraje para seguir en su lucha / Y sepa siempre perdonar el enemigo. / De mi parte, cargando la cruz al dorso / Intento vivir, y esto me cuesta un grande esfuerzo, / Aún que sea sólo el diez por ciento de lo que digo”.

Que Dios me ayude para que yo consiga aplicar en mí un poco del discurso que ofrezco a los otros. En mi comportamiento en el hogar, en el trabajo, en la escuela, en la calle o en la agrupación religiosa donde hago mis más importantes experiencias de amor al prójimo. Que mi teoría sea vivida en la práctica. ¡Ah, Dios mío! Fortalezca me para que yo consiga. ¡Feliz Año Nuevo!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Enero 2017

A missão do Espiritismo

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rie_janeiro_2017

Um prefácio de luz para um livro que ilumina!

Octávio Caumo Serrano | caumo@caumo.com

Analisemos o Prefácio de O Evangelho Segundo o Espiritismo, esta mensagem de amor dirigida a todos os homens que define claramente por que viemos ao mundo. A Doutrina dos Espíritos chegou na hora certa, a fim de restabelecer verdades que se deterioraram ao longo do tempo, derrotadas por interesses mesquinhos, equivocados e separatistas.

“Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos céus, como um imenso exército que se movimenta ao receber a ordem de comando, espalham-se sobre toda a face da Terra. Semelhantes a estrelas cadentes, vêm iluminar o caminho e abrir os olhos dos cegos.

“Eu vos digo, em verdade, que são chegados os tempos em que todas as coisas devem ser restabelecidas no seu verdadeiro sentido, para dissipar as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos.

“As grandes vozes do céu ressoam como o toque da trombeta, e os coros dos anjos se reúnem. Homens, nós vos convidamos ao divino concerto: que vossas mãos tomem a lira, que vossas vozes se unam, e, num hino sagrado, se estendam e vibrem, de um extremo do Universo ao outro.

“Homens, irmãos amados, estamos juntos de vós. Amai-vos também uns aos outros e dizei do fundo de vosso coração, fazendo a vontade do Pai que está no Céu: Senhor! Senhor! E podereis entrar no Reino dos Céus”. (O Espírito De Verdade)

***

Este alerta trazido pelo guia espiritual de Allan Kardec deixa estabelecido que o Espiritismo veio para renovar o homem, fazendo-o entender quem é e qual a sua função no mundo dos “vivos”. Crescer e renovar-se para tornar-se cristão.

Os recursos de que se serve o Espiritismo são a divulgação das verdades que nos dão conhecimento claro de quem somos nós, o que nos compete fazer neste breve momento da nossa eternidade e para onde iremos depois daqui.

Embora seja louvável o trabalho de caridade material executado pelas entidades espíritas, quando distribuem roupas, alimentos, curas espirituais, não é esta a prioridade da Doutrina dos Espíritos. Ela não veio para cuidar dos corpos, mas das almas. O Evangelho de Jesus, que teve sua essência renovada e atualizada pelo Espiritismo, afirma a mesma coisa. “Vai e não peques mais”; “ninguém sairá daqui enquanto não pagar até o último ceitil”; “Ama o próximo como a ti mesmo!”.

O atendimento às necessidades básicas do homem é da alçada de todas as pessoas, independentemente de sua crença. É um dever de solidariedade do ser humano que pretenda ostentar o título de cristão. Ser espírita é eficiente recurso para atingir esse objetivo, no entanto, quando os poderes constituídos cumprirem integralmente o seu dever social, as necessidades materiais do homem estarão plenamente atendidas. Restará a ele, nesse momento, a tarefa do próprio aprimoramento, o que não pode ser transferida a terceiros. É nesta hora que o Espiritismo mostra sua verdadeira força. Tem as mais claras receitas para a conhecida reforma íntima do homem, que nada mais é do que a construção do seu bom caráter.

A vivência do Espiritismo pelo próprio homem irá fazê-lo melhor a cada dia. Temos usado tempo demais tentando aplicar a doutrina nos outros, com sábias receitas de reforma moral para os que nos ouvem, esquecendo-nos de vivê-las em nós mesmos. A velha frase ainda é válida: “Entramos para o Espiritismo, mas o Espiritismo ainda não entrou em nós”; “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”, se é que deseja melhorar-se. Tribunos teóricos de discursos invejáveis que manejamos o verbo com sabedoria e eloquência, seguimos pecando nas mais elementares atitudes. Até a nossa mansuetude é muitas vezes mentirosa, artificial. Não resiste à menor contrariedade, porque nos sentimos os donos da verdade.

Muitos de nós que fazemos discursos com receitas para conserto da humanidade deveríamos ser ouvintes em vez de aconselhadores. Talvez aprendêssemos mais se parássemos para pensar honestamente e fizéssemos a autoanálise proposta na pergunta 919a de O Livro dos Espíritos. De cordeiros temos somente a pele.

Este escrito não se destina à condenação de ninguém; é mea-culpa para nossa própria reflexão porque, às vezes, vivendo distraídos perdemos nosso melhor momento. Empolgamos com o conhecimento e a verve fácil para divulgá-los, com frases de efeito e expressiva citação bibliográfica, deixamos passar, distraidamente, a sua vivência. E quando alguém elogia nossa facilidade de comunicação o perigo aumenta mais ainda. Sentimo-nos como faróis para a humanidade e nem percebemos que ainda não iluminamos nem a nós mesmos.

Como prova do que dissemos, reproduzimos nosso soneto “Pregações” da página 16 do livro Luz no Túnel de 1998, nosso primeiro livro de poesias editado em João Pessoa (PB): “Quando me ponho na tribuna a dar conselho / Vou informando de paciência e caridade / Para que um dia toda a comunidade / Seja feliz e a mim me tenha como espelho. / Infelizmente, não é esta a realidade. / O tempo passa e eu já sou um homem velho / E, no entanto, quase nunca sou parelho / Entre o que ensino e o que vivo, de verdade. / Mas eu espero que aquele que me escuta / Ganhe coragem para prosseguir na luta / E saiba sempre perdoar o inimigo. / De minha parte, carregando a cruz ao dorso / Tento viver, e isto me custa um grande esforço, / Ainda que seja dez por cento do que digo”.

Que Deus me ajude para que eu consiga aplicar em mim um pouco do discurso que ofereço aos outros. No meu comportamento no lar, no trabalho, na escola, na rua ou no agrupamento religioso onde faço minhas mais importantes experiências de amor ao próximo. Que minha teoria seja vivida na prática. Ah, meu Deus! Fortaleça-me para que eu consiga. Feliz Ano Novo!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – janeiro 2017