Walkiria Araújo – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“Quando ele veio ao encontro do povo, um homem se lhe aproximou e, lançando-se de joelhos a seus pés, disse: Senhor, tem piedade do meu filho, que é lunático e sofre muito, pois cai muitas vezes no fogo e muitas vezes na água. Apresentei-o aos teus discípulos, mas eles não o puderam curar. Jesus respondeu. dizendo: Ó raça incrédula e depravada, até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei? Trazei-me aqui esse menino. – E tendo Jesus ameaçado o demônio, este saiu do menino, que no mesmo instante ficou são. Os discípulos vieram então ter com Jesus em particular e lhe perguntaram: Por que não pudemos nós outros expulsar esse demônio? – Respondeu-lhes Jesus: Por causa da vossa incredulidade. Pois em verdade vos digo, se tivésseis a fé do tamanho de um grão de mostarda, diríeis a esta montanha: Transporta-te daí para ali e ela se transportaria, e nada vos seria impossível..” (S. MATEUS, cap. XVII, vv. 14 a 20.)

 

As grades são vigas de metal plantadas no cimento que impedem a passagem da criatura de um canto a outro. Pior do que as grades físicas são as grades mentais construídas pela criatura. Ela prende-se a acredita-se incapaz de poder sair. O conhecimento doutrinário nos objetiva a vida e nos faz ver que o porvir é sempre mais florido e que o campo de rosas é o resultado do que nós plantamos hoje.

Criaturas encarnadas encarceram-se em si mesmas tendo as chaves das grades em suas mãos, mas não as usam para sair. O conhecimento espírita representa a chave para a própria libertação. Não significando dizer que somente o espírita conhece a fórmula para tal deslindar, até porque não existem fórmulas mágicas. O que existe é a explicação do por que: Justiça das Reencarnações; o que deve ser feito para resolver: Amor, Paciência e Caridade e como deve ser o nosso proceder: mudança de conduta.

Sempre que somos questionados sobre a questão obsessiva, e não são raras vezes, lembramo-nos do Mestre Jesus e da célebre passagem do pai que leva seu filho a presença Dele e diz que o jovem cai diversas vezes no fogo e na água e que os discípulos não o puderam curar. Na sequência o Mestre pede que o tragam a Sua presença e após detectar a presença do espírito equivocado que ali estava aprisionando-se, aprisionando o jovem, levando-o ao processo de loucura, acaba por ser convencido, primeiro pelo Amor, amor do Cristo a envolvê-lo; depois pela coerência dos argumentos do Mestre. Afastando-se por fim do jovem, deixando-o para que ele também pudesse usar da chave do auto-perdão e abrir as suas grades internas.

A Justiça das Reencarnações nos promove o reencontro com as situações necessárias ao devido reajustamento com A Lei Divina. Não significando que o outro obrigatoriamente é o instrumento da execução da justiça, mas que nós não deveremos nutrir resistir ao mal que nos façam, agindo conforme nos preconiza o Cristo, não reagindo conforme o “demônio” que aliena o jovem. Alguém necessita quebrar o círculo vicioso da vingança, que sejamos nós que fomos apresentados ao conhecimento espírita e sabemos que o momento presente representa um fascículo dentre a grande enciclopédia chamada vida eterna.

Uma criatura que ama não tem espaço para odiar. Todos os casos, sem exceção, de cessação de episódios de obsessão passam pela prática do amor incondicional daquele que está sofrendo a injunção do verdugo. Quando amamos a própria constituição celular se modifica. Adquirimos mais saúde e vibramos em amor transmitindo e envolvendo a todos que nos circundando este amor. Estabelecemos trocas salutares com as pessoas. Aquele que se imanta a nós na prática obsessiva não só recebe de nós o amor que estamos emitindo, mas também daqueles que nos circundam e que trocam amor conosco, esta energia vigorosa. Não há coração tão endurecido que resista ao amor!

A paciência nos dá a lucidez de enxergarmos o momento presente como uma passagem necessária. Um aprendizado que durará o tempo necessário para que possamos absorver da experiência o arcabouço de entendimento que forjará o nosso comportamento futuro. Que por sua vez trará outra gama de conhecimentos e aprendizados que serão cumulativos. A prática da caridade é o antídoto por excelência, pois nos avizinhamos da dor do outro, vemos que o sofrimento bate em todas as portas e que ao ajudar, ajudamo-nos; ao enxugar as lágrimas do próximo estamos enxugando as nossas próprias.

Por fim, a mudança de conduta. O principal do conhecimento espírita é a proposta de modificarmos o nosso proceder. Muito mais do que recitar os postulados espíritas, precisamos vivenciá-los. “Fé inabalável é aquela que pode encarar a razão face a face em todas as épocas da humanidade.” Parafraseando o eminente Mestre Lionês, penso que espírita verdadeiro é aquele que pode se auto-analisar e sem contradita, ver que hoje, é melhor que ontem e tem a certeza que amanhã será melhor do que hoje.

Vivemos num grande processo evolutivo. Não devemos nos permitir o movimento de estagnação mental, mesmo que os convites estejam pululando ao nosso redor. Mesmo que eles sejam de dentro do movimento espírita. No próximo ano o Livro dos Espíritos fará 160 anos que está a aclarar as nossas mentes e nos trazer respostas. Muitos de nós o estamos vendo pela segunda vez. Não percamos a oportunidade. Quando o tumulto do furacão vier através das agressões, obsessões ou de quaisquer perturbações, esperemos ele passar com confiança e fé, depositando “… mais confiança em Deus do que em si próprio, por saber que, simples instrumento da vontade divina, nada pode[mos] sem Deus.” (Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XIX, item 4). Façamos o melhor que sabemos e confiemos em Deus sempre.

Jornal O Clarim – janeiro de 2017

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