Solidariedade fraternal

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Walkiria Araújo – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“Também os fariseus vieram ter com ele para o tentarem e lhe disseram: Será permitido a um homem despedir sua mulher, por qualquer motivo? Ele respondeu: Não lestes que aquele que criou o homem desde o princípio os criou macho e fêmea e disse: Por esta razão, o homem deixará seu pai e sua mãe e se ligará à sua mulher e não farão os dois senão uma só carne? – Assim, já não serão duas, mas uma só carne. Não separe, pois, o homem o que Deus juntou. Mas, por que então, retrucaram eles, ordenava Moisés que o marido desse à sua mulher um escrito de separação e a despedisse? – Jesus respondeu: Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés permitiu despedísseis vossas mulheres; mas, no começo, não foi assim. – Por isso eu vos declaro que aquele que despede sua mulher, a não ser em caso de adultério, e desposa outra, comete adultério; e que aquele que desposa a mulher que outro despediu também comete adultério.” (S. MATEUS, cap. XIX, vv. 3 a 9.)

O princípio do respeito mútuo rege as relações sociais. Quando falamos da relação conjugal deveremos elevar este respeito à solidariedade fraternal que une os seres e faz-nos sair da nossa zona de conforto, dispondo-nos a adicionarmos vida na vida de outras vidas e sermos unidade com o outro.

Numa sociedade em que o poliamor[1] é difundido temos explicação em O Livro dos Espíritos (questão 701) que este tipo de fenômeno representa sensualidade, não uma afeição real. Consequentemente as criaturas acabam por não respeitarem-se. Fazendo uma análise desprovida de qualquer cunho religioso, verificaremos que sempre alguém estará em desvantagem, por exemplo, neste tipo de relação. Mas como tudo promana de nós, primeiro precisamos aprender a nos respeitar. Não podemos exigir do outro aquilo que não sentimos por nós mesmos. Numa sociedade que nos convida a sermos iguais a todo mundo mesmo que isto signifique perdermos a nossa identidade, passamos mais a vivermos as experiências que os outros entendem como sendo boas para nós, mas não a que entendemos que são boas segundo o nosso entendimento evolutivo.

Trazemos impressões bem marcadas de outras encarnações. Isto é o que faz, mesmo em tenra idade, fazermos algumas escolhas que os adultos que não compreendem a Doutrina Espírita acreditarem que estão diante de fatos fora do comum, mas que a reencarnação muito bem nos explica. Além dessas impressões trazidas de outras encarnações, temos no nosso núcleo familiar uma gama de exemplos trazidos pelos adultos que nos circundam. Estes exemplos falam de amor ou da falta dele; de respeito ou da falta dele, enfim, de como as relações familiares se estabelecem. Pensadores da área informam que não existe meio-termo: ou replicamos o mesmo comportamento vivenciado por anos no nosso núcleo familiar ou procuramos o oposto como forma de transgredir.

Assim, ainda imaturos para a vida a dois nos vemos compartilhando na sociedade e com a sociedade nossas experiências. Queremos ser aceitos, mas principalmente queremos ser amados. De acordo com o que trazemos de outras encarnações, somado ao que nos foi apresentado e como acolhemos estes exemplos delineamos aquele que será o (a) nosso (a) companheiro (a) de jornada. Em várias ocasiões, acabam por debulhar na criatura as frustrações e não procuram apascentar as emoções substituindo o turbilhão que ainda vive em si pelo companheirismo e a camaradagem esperados de um relacionamento maduro e equilibrado. Passado o alvoroço hormonal da paixão, ficarão o respeito e a admiração entre as criaturas.

Em tudo na vida há necessidade de investimento. Investirmos em nós para podermos bem investir no outro. Se quisermos paz, precisamos ser um agente de paz. Se quisermos amor, precisamos emanar amor. Se quisermos respeito, precisamos nos respeitar em primeiro lugar. É um processo recíproco desenvolvido entre as criaturas para que possamos através de uma experiência, a princípio, a dois, nos tornarmos uno para depois multiplicarmos este amor e nos tornarmos três, quatro, cinco e quantos mais se agregarem ao núcleo principal.

Entendemos que nas obras clássicas da Doutrina Espírita estão entabulados vários casos de reajuste através do casamento, mas a experiência nos mostra que os desajustes atuais vinculam-se muito mais ao egoísmo de parte a parte desta encarnação, onde ninguém quer ceder para não perder o terreno conquistado. Um relacionamento amoroso constitui-se na união de duas criaturas que se enxergam em meio a tantas outras e que decidem compartilhar a vida juntos.

É um processo de adequação, renúncia, entendimento, abdicação e de muito aprendizado. Se realmente nos dedicarmos, teremos conquistado um (a) parceiro (a) de vida espiritual que estará conosco nas próximas encarnações, sobre outra roupagem, mais nos ladeando a caminhada. Mas como bem transcrito na passagem de Mateus, se o que une as criaturas for o interesse e o respeito não encontra mais moradia é preferível que as criaturas desfaçam os laços físicos, pois os laços espirituais já foram rompidos a tempos ou talvez nunca foram estabelecidos.

O casamento é uma proposta de vida, mas que realmente precisamos estar amadurecidos para dar tal passo. Da mesma maneira que possuímos sentimos e que queremos ser respeitados devemos respeito o outro. Mesmo que clamem ao nosso redor dizendo que podemos fazer isto ou aquilo porque somos livres, lembremos sempre: somos livres, mas temos responsabilidade plena sobre os nossos atos. Que a solidariedade fraternal seja o ápice buscado na relação conjugal, para que, mesmo que tudo escassei, que a solidariedade nos conduza a conduta íntima.

[1] Tipo de relacionamento simultâneo entre três ou mais pessoas ao mesmo tempo e com o conhecimento de todos.

Jornal O Clarim – março 2017

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O ódio

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Walkiria Araújo – walkiria.wlac@yahoo.com.br

O ódio aprisiona aquele que o mantém em relação a quem lhe padece a injunção penosa. Sendo recíproco, torna-se cadeia cruel para ambos. Caso, no entanto, algum dos envolvidos na situação perturbadora consiga superar os sentimentos doentios, evidentemente sairá dessa cela escura planando em outro espaço de claridade e vida. E isso se dá mediante o resgate pelo amor ao seu próximo, àquele mesmo a quem feriu, impensadamente ou não, procurando reabilitar-se. Deus sempre faculta ao livre-arbítrio do ser a melhor maneira de reparar os erros, impondo-lhe, quando a falência de propósitos e atos se faz amiúde, recursos mais vigorosos que são ao mesmo tempo terapêuticos para o Espírito rebelde.” (Livro Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda, cap. 11 – Reconciliação)

O tema o ódio e as suas complicações durante a encarnação ou após é tratado no Evangelho Segundo o Espiritismo, em todo seu capitulo XII, Amai os Vossos Inimigos, em especial no item dez. Também encontramos explicação no livro O Céu e o Inferno, Segunda Parte, a partir do capítulo quatro.

Fomos educados a não sentirmos ódio dos outros. Sendo que o mais correto seria sermos educados a não nutrirmos o ódio. Pois, quando este sentimento encontra guarita em nossos corações sentimo-nos criaturas impuras. Idéia atávica provinda de outras religiões. A negação de algo não significa que não o sintamos. Representa muito mais um processo infantil de nossa parte de não enxergarmos o problema para não termos que resolver. Então, qual deve ser a nossa atitude quando nos virmos nutrindo e embalando esse sentimento, associando ainda, com o ressentimento e a mágoa?

Antes de mergulharmos no entendimento que a doutrina nos traz, lembremos que o ódio nos traz marcas profundas. Marcas físicas (os desarranjos orgânicos, os infartos, as gastrites, as úlceras, as enxaquecas e várias outras doenças fomentadas), marcas emocionais (tendo a ansiedade como um exemplo) e marcas psicológicas (transtornos fóbicos, transtorno obsessivo compulsivo, transtorno bipolar, transtorno alimentar, entre outros). Sem falar das marcas espirituais, que são as obsessões. Tais marcas nos acompanham no pós-desencarne e dependendo da incrustação mental ocasionadas por elas gerarão mossas nas futuras encarnações.

Joanna de Ângelis nos traz uma bela explicação no livro Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda, texto que encabeça este artigo. Verifiquemos que a proposta trazida pela nobre mentora é uma modificação do olhar nosso perante a situação. Atribuindo-lhe num primeiro momento o devido valor que o fato ocorrido tem, para depois podermos trabalhar interiormente o sentimento, não permitindo que a incrustação mental se enraíze, para que depois, não tenhamos que fazer o processo de depuração através dos mecanismos já conhecidos da doença. Pois não nos enganemos: a doença surge da necessidade de reajuste com a Lei Divina, mais antes é o melhor mecanismo educador que possuímos, colocando-nos no rumo correto da redenção interior, fazendo com que a criatura possa transladar do primata ao anjo.

Avançando um pouco mais e nesse momento trazendo a luz da doutrina a nos clarear o entendimento verificamos que fogo não se combate fogo. O que combate fogo é água. Sendo que no nosso caso, é a água da paz, do amor e do entendimento. Processo esse que começa por nós mesmos. Pois uma mente em desalinho não consegue raciocinar com equilíbrio. Por isso, a misericórdia divina nos proporciona o afastamento, ora momentâneo, durante a encarnação; ora por um período mais longo, entre encarnações.

Mas alguns optam por não aproveitarem este período de afastamento para que haja a diluição do sentimento ódio e permitirem que outros sentimentos floresçam, através de novas experiências. Ficam em busca daqueles que foram seus algozes durante a encarnação e tornam-se verdadeiros sicários do mundo espiritual. Cobrando o que acreditam ter o direito de cobrar, esquecendo-se de que um dia também foram algoz de outro e se não o foram estão tornando-se agora.

Um dos livros mais emblemáticos que trata do assunto intitula-se Libertação, de autoria espiritual de André Luiz, psicografado por Chico Xavier. Existem outros da lavra de Manoel Philomeno de Miranda e outros autores espirituais. Resolvemos por bem destacar o primeiro em virtude dele nos apresentar um espírito extremamente endurecido, o qual vivia nas regiões mantidas pelos nossos pensamentos em desalinho, mostrando-nos também a influenciação perniciosa entre criaturas que se querem bem (pois nem todas as relações afins são com finalidades benéficas), mas que estão vinculadas pela vingança e por fim, como o arrependimento é o primeiro e mais importante passo para a libertação.

Quando odiamos, nos imantamos do veneno que é o ódio, sorvemos a grandes goladas e retardamos os nossos passos colocando o foco das nossas energias em algo já vivido. É brasa quente: mesmo depois que soltamos, ela continua a produzir suas consequências. Se não usarmos os efeitos da cânfora do amor e do perdão para aliviar e cicatrizar a ferida a brasa continuará a nos machucar mesmo não estando mais em nossas mãos.

O processo é antes de substituição do que de retirada. Substituirmos o ódio pelo amor, pela benevolência, pela caridade. Quanto mais amamos menos ódio sentimos dos nossos semelhantes. Somos dínamos pulsantes que produzimos ininterruptamente. Quando passamos a colocar a máquina da nossa existência produzindo algo de bom vamos depurando as engrenagens da encarnação e nos candidatando a condições melhores durante a encarnação. Fazendo a nossa própria separação do joio e do trigo, modificamo-nos interiormente, modificando o nosso campo mental e as nossas atitudes.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – março 2017

O céu e o inferno

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Walkiria Araújo – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“A classificação dos Espíritos se baseia no grau de adiantamento deles, nas qualidades que já adquiriram e nas imperfeições de que ainda terão de despojar-se. Esta classificação, aliás, nada tem de absoluta. Apenas no seu conjunto cada categoria apresenta caráter definido. De um grau a outro a transição é insensível e, nos limites extremos, os matizes se apagam, como nos reinos da Natureza, como nas cores do arco-íris, ou, também, como nos diferentes períodos da vida do homem. Podem, pois, formar-se maior ou menor número de classes, conforme o ponto de vista donde se considere a questão. Dá-se aqui o que se dá com todos os sistemas de classificação científica, que podem ser mais ou menos completos, mais ou menos racionais, mais ou menos cômodos para a inteligência. Sejam, porém, quais forem, em nada alteram as bases da ciência.” (Livro dos Espíritos, questão 100)

Uma das grandes belezas da Doutrina Espírita é a justiça que podemos encontrar na sua explicação sobre a Lei Divina. Não existem favoritos na criação, somos mensurados por aquilo que fizemos de bom, por aquilo que deixamos de fazer ou pelo mal que executamos. Mais ainda, não estamos de forma perpétua em nenhuma classificação. O sairmos de uma fase e acendermos a outra depende somente de nós.

O processo de reabilitação moral constitui-se meta obrigatória da criatura humana. Etapa primeira e principal que norteia todas as outras durante a encarnação. Não podemos nos furtar desta mole que nos impulsiona e que nos coloca definitivamente no processo de evolução. O ser humano saiu do primarismo e ruma a angelitude. Foi-nos apresentado um Céu e um Inferno, de deleites (o primeiro) e de dores supremas e eternas (o segundo) que não estão de acordo com a amorabilidade, justiça equânime e bondade infinita de Deus para conosco.

Por isso, cabe-nos uma explicação simplificada sobre a temática Céu e Inferno. A criatura acredita-se vinculada de forma perpétua a tal ou qual classe em virtude da separação apregoada que existe um Céu e um Inferno e que as criaturas estão fadadas, após o desenlace, de acordo com o que fizeram enquanto estavam encarnadas, a irem para estes lugares e lá permanecerem. Encontramos em todas as Obras da Codificação explicação sobre o tema, mais em o livro O Céu e O Inferno, capítulos três e quatro, respectivamente, encontramos de forma didática a explicação da constituição do Céu e do Inferno segundo alguns entendem. Do empréstimo, se assim se pode dizer, das doutrinas pagãs, houve a junção dos castigos impostos e de todas estas crenças, criou-se o inferno como nos foi apresentado.

Seria insano imaginar que Deus, soberanamente justo e bom degredaria a criatura humana a uma situação eterna sem condição de remição, se nós permitimos que o outro que nos agride tenha essa remição, mesmo sendo criaturas imperfeitas e estando ainda neste processo de evolução. Ultrapassado este ponto, fica a questão: Mas a própria criatura pode escolher não evoluir? No Livro dos Espíritos, na questão cento e dezoito, falando sobre a degenerescência da criatura humana, os Insignes Mestres da Humanidade falam-nos na última frase que a criatura pode permanecer estacionária, mas não retrograda. A maioria se apega somente a esta frase e esquece-se do que lhe antecede na explicação: “… à medida que avançam, compreendem o que os distanciava da perfeição. Concluindo uma prova, o Espírito fica com a ciência que daí lhe veio e não a esquece. Pode permanecer estacionário, mas não retrograda.”

Quando avançamos em algo não há o que se falar em retroceder. Quando conhecemos a felicidade, mesmo que seja em forma de esboço, não há o que se falar em não querer fazer parte dela. O que ocorre é que em virtude dos sofrimentos, mágoas, tristezas e tantos outros males que nos atordoam os passos da caminhada, ficamos hipnotizados (sendo este o princípio da obsessão) por um fato, uma situação, por autossugestão ou por outra pessoa e esquecemo-nos de todo o resto. Pelo tempo que estamos vivenciando tal fato, acreditamo-nos estacionados naquela situação. Alguns, inclusive acabam por acreditar que estão vivendo eternamente aquele momento.

Mas sabemos que a ideia de eternidade é perene. Na sequência das questões do referido livro, encontramos uma bela explicação de Kardec sobre o que os espíritos entendem acerca da palavra eternidade, questão cento e vinte e cinco: “… [ eternidade é] a ideia que os Espíritos inferiores fazem da perpetuidade de seus sofrimentos, cujo termo não lhes é dado ver, ideia que revive todas as vezes que sucumbem numa prova.” Então, a ideia de ficar-se estacionado eternamente, cai por terra, inclusive, porque a criatura mesmo tendo adormecido alguns dos valores morais já adquiridos não deixa de evoluir intelectualmente. Não existe esta criatura que durma e acorde da mesma forma. Sempre aprendemos algo, mesmo que afirmemos que não.

O Céu de delícias e contemplação também se afigura como fruto da imaginação daqueles que buscam saciar o lado infantil: viver sem sofrer, agir sem precisarem vincular-se as consequências de seus atos. O descanso após o trabalho é algo desejado por todos nós. Quando falamos de uma encarnação composta de sucessos e desaires, a criatura deseja um período no qual possa recobrar suas forças, pensamento este natural. Mas alguns, sendo esta uma das razões que a ideia antiga do céu ainda perdura no imaginário popular, acreditam que exista este Céu de delícias esperando após o desenlace físico e que ele será coroado com um mundo de prazeres ou a contemplação eterna do Criador.

Nem uma coisa nem outra nos espera. O processo evolutivo se ocorre nos dois planos. Não deixamos de evoluir. Nem o Céu, nem o Inferno. Somente o trabalho e o estudo para a solidificação do homem novo.

Tribuna Espírita – Janeiro/Fevereiro 2017

Autoelogio – Vaidade ou discernimento?

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Octávio Caúmo Serrano        caumo@caumo.com

O autoelogio ou elogio por terceiros seria algo proibido?

Quando abraçamos o Espiritismo, passamos a ter de revestir-nos de uma capa de modéstia que é, muitas vezes, artificial. Não combina com nossa maneira natural de ser e acaba por nos deixar meio hipócritas. Mas isso não deveria acontecer. Ele nos ensina a sermos verdadeiros e a dar o devido dimensionamento às nossas qualidades e defeitos porque só nos conhecendo, como preceitua a questão 919 de O Livro  dos Espíritos é que poderemos conhecer nosso verdadeiro tamanho espiritual.

É nessa mesma questão, no item “a”, que o lúcido Santo Agostinho nos propõe uma autoanálise a fim de nos descobrirmos e, a partir daí, empregarmos nossas virtudes no bem comum e combate das nossas deficiências para aproveitar a oportunidade desta nova encarnação. E só com uma análise baseada na verdade e no bom senso é que poderemos tomar providências que nos ajudem. Hora do sim, sim, não, não!

Generalizou-se no movimento espírita, o que aceito em parte, que o elogio é desnecessário na análise do trabalho executado pelos obreiros da doutrina. Mas, já diz antiga trova de Lopes Filho, do livro Orvalho de Luz que “enaltecer e louvar são quais remédios terrenos que não se deve aplicar nunca demais, nem de menos”. Psicografia de Chico Xavier incluída no livro Calendário Espírita, por Espíritos Diversos.

O elogio natural, fundamentado, sem exageros, com argumentação sincera, sem bajulação, pode, por que não, servir de estímulo para quem faz o trabalho. Afinal, quantas vezes isto representa esforço de extrema dedicação do companheiro para apresentar bem a tarefa  que lhe foi confiada. Diferente do aplauso automatizado nas reuniões que muitas vezes não condiz com o trabalho feito.

Ao fazer a autoanálise aconselhada por Agostinho não devemos apenas ver defeitos,  mas também regozijar-nos com as qualidades que já incorporamos à nossa personalidade. Afinal trata-se de prêmio pelo nosso esforço de renovação e da nossa disposição para o trabalho que procuraremos fazer cada vez melhor. Só cada um, individualmente, sabe o esforço que tais conquistas exigem.

Da parte do elogiado, sem afetar-se, cabe-lhe analisar a justeza do que ouviu e se, conhecendo-se, está também de acordo. Sabemos quando vamos bem e quando vamos mal, sem que nos digam. Mas já que ouvir é estimulante, que, pelo menos, esteja de acordo com o que também pensamos e era nosso objetivo. Não se trata de tietagem como nos meios artísticos onde a alucinação coletiva muitas vezes falseia a realidade. É algo discreto, consistente e que nasce no coração de quem se sentiu atingido pela mensagem que, não raro, chega numa hora de necessidade. Podemos mudar o comportamento, os objetivos e o futuro de uma pessoa que esta vulnerável com uma frase que o atinge em certas circunstâncias ditando-lhe novos rumos de vida.  Justo que ela se sinta agradecida e entusiasmada e queira agradecer.

Conhecer-se; isto é o mais importante. O resto administre com sabedoria, sem falsa modéstia nem exagerada arrogância.

Jornal O Clarim – Março 2017

El tiempo de los dolores

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Hay tantas razones para agradecer y tan pocas para quejarse, pero nosotros nos concentramos en las pequeñas infelicidades.

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

O deberíamos dar como título “¿El mundo de los dolores?” Preferimos usar “el tiempo” por su relatividad. Es algo que en verdad no existe y solo es percibido por las mentes humanas, especialmente mientras encarnadas. Es común en las reuniones de adoctrinamiento de espíritus que oigamos a alguien que ha desencarnado hace mucho, siglos incluso, referirse a lo pasado como siendo ahora. Relata su día a día vivido en tiempos remotos cual si los hechos estuviesen ocurriendo en aquel momento. ¡Podríamos decir qué él se perdió en el tiempo o se perdió del tiempo!

Todo es un constante venir a ser y nada sufre interrupción por acontecimientos del cotidiano que, a veces, por nuestra pequeña capacidad de raciocinio, los definimos como tragedias. Todos los días el sol del oriente se transfiere para el occidente, cambiando de lugar con la luna, para en el día siguiente regresar como lo hiciera en la noche pasada; desde que el mundo es mundo y lo será por toda la eternidad. Un día nuestro planeta desaparecerá, porque todo lo que nace un día muere, dure más o dure menos. El espíritu, al contrario, es inmortal, por eso sobreviviremos.»

Hoy el asunto de los medios de comunicación, de las calles, de los hogares, de la sociedad, es la crisis. Nadie percibe qué es una crisis igual a las que vivimos desde otros tiempos: para los pobres, desheredados y explotados; para los perezosos que se abaten y se entregan ante las más pequeñas dificultades; para los flacos que anhelan lograr todo con facilidad.

La crisis real a ser lamentada es la crisis de moral y de vergüenza que hay en la humanidad y que es tan percibida en esta nuestra maravillosa tierra del Crucero.

Hay tantas razones para agradecer y tan pocas para quejarse, pero nosotros nos concentramos en las pequeñas infelicidades. Tenemos miente sana y podemos planear nuestra propia directriz; sin embargo no percibimos qué solo por eso somos felices. Cuando nacemos, nuestros padres ciertamente se pusieron ansiosos para vernos y conferir si estábamos perfectos. Unos estaban enteros físicamente, otros no, pero todos estaban completos como almas eternas y podrían aprovechar su encarnación aunque con limitaciones físicas. Por eso las redes sociales exhiben vídeos de deficientes que tienen miembros de menos, incluso ceguera, pero que abren sus propios caminos como tenacidad y viven con alegría, agradecidos por la vida dando ejemplo a los que son cobardes.

En este mes, recordamos el Codificador Allan Kardec, una vez más, porque fue el 31 de marzo de 1869, con poco más de sesenta y cuatro años, que él ha desencarnado por el rompimiento de un aneurisma. Fulminado, cuando lleno de entusiasmo, preparaba el cambio de la Sociedad Parisiense de Estudios Espiritistas para un sitio más amplio, a fin de dinamizar la divulgación del Espiritismo. ¿Por qué su vida fue cortada en un momento tan importante para él y para la humanidad, qué tanto bebía de las revelaciones de los espíritus traídas por su intermedio? Ciertamente porque el tiempo que él tenía para la tarea a que vino ya se había agotado y también porque lo que había sido revelado ya era suficiente para un gran avance en la sociedad de nuestro tiempo que, lamentablemente, aún no aplica en el día a día la sabiduría propuesta por los espíritus.

El estudio serio, asiduo y secuenciado de esta Doctrina lleva el hombre a un entendimiento sobre sí que aun  jamás había tenido. Ninguna explicación para la muerte es tan lúcida como la información espiritista. Todo es consecuencia de actos anteriores, en la aplicación clara de la ley de acción y reacción que tiene grandes implicaciones cuando se trata de ademanes espirituales. Causa y efecto o sembradura y cosecha serían sinónimas de la primera. Nadie sufre por los males causados por los otros, ni paga deudas que no haya contraído. Ya dijo Jesucristo a sus seguidores cuando le preguntaron sobre el ciego que él había curado si el pecado fuera de él o de sus padres. Él explica que venía de vida pasada. Como aclaración delante de legos, dijo que ni él ni sus padres eran causadores de aquel mal, sino que era necesario que la ley si cumpliese. Habla claramente de errores pasados de aquella misma alma que ahora vivía en otro cuerpo.

El mundo de los dolores o el tiempo de los dolores tienen más a ver con las acciones que generan consecuencias malas de lo que con fatalidad o algo impredecible u ocasional. Es como en la lección que explica que el buen árbol es conocido por los frutos que producen y vice versa.

Ninguno de nosotros necesita temer la crisis, desde que se empeñe con esfuerzo y honestidad en la conquista de sus necesidades, comedidamente, sin exagero. Y de la misma forma que la dicha no está en la llegada, sino en el trayecto, si luchamos por algo y no tenemos éxito ya ganamos la experiencia por el esfuerzo de la lucha. Será nuestra mejor conquista. Ésa el ladrón no roba, la herrumbre no corroe, la polilla no come y los regímenes políticos no consiguen destruir. Como luego nos vamos de aqui, nos calificamos a volver más competentes y con más méritos para una nueva vida que, luego más, tendremos que vivir. Si somos agentes activos en la mejoría del mundo nos calificamos a vivir en un lugar mejor que éste de lo cual tanto exigimos. Y él no tiene culpa, pues es el reflejo de los hombres que lo habitan. El mundo en que vivimos es la suma de las conciencias humanas. Si bien observado, considerándose la manera como lo tratamos, él hasta que es muy generoso con esta mal agradecida humanidad teniendo que recobrarse todos los días para sanar las destrucciones causadas por los hombres.

No hable de crisis. Sonría a produzca. Produzca riqueza, produzca amigos, amor y simpatía. Tenga la conciencia en paz y todo lo más deje por cuenta de Dios. Él resuelve.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Marzo 2017

O tempo das dores

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Há tantas razões para agradecer e tão poucas para reclamar, mas nós nos concentramos nas pequenas infelicidades.

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

 

Ou será que deveríamos dar como título “O mundo das dores”? Preferimos usar “o tempo” devido à sua relatividade. É algo que na verdade não existe e só é percebido pelas mentes humanas, especialmente enquanto encarnadas. É comum nas reuniões de doutrinação de espíritos ouvirmos alguém que desencarnou há muito tempo, séculos inclusive, referir-se aos episódios passados como sendo agora. Relata seu dia a dia vivido em tempos remotos como se os fatos estivessem ocorrendo naquele momento. Poderíamos dizer que ele se perdeu no tempo ou se perdeu do tempo!

Tudo é um constante vir a ser e nada sofre interrupção por acontecimentos do cotidiano que, às vezes, por nossa pequena capacidade de raciocínio, os definimos como tragédias. Todos os dias o sol do oriente se transfere para o ocidente, trocando de lugar com a lua, para no dia seguinte retornar como o fizera na noite passada; desde que o mundo é mundo e o será por toda a eternidade. Um dia nosso planeta desaparecerá, porque tudo o que nasce um dia morre, dure mais ou dure menos. O espírito, ao contrário, é imortal, por isso sobreviveremos.

Hoje, o assunto da mídia, das esquinas, dos lares, da sociedade, é a crise. Ninguém percebe que é uma crise igual a que vivemos desde outros tempos: para os pobres, deserdados e explorados; para os preguiçosos que se abatem e se entregam ante as menores dificuldades; para os fracos que desejam obter tudo com facilidade.

A crise real a ser lamentada é a crise de moral e de vergonha que graça na humanidade e que tão notada nesta maravilhosa terra do Cruzeiro.

Há tantas razões para agradecer e tão poucas para reclamar, mas nós nos concentramos nas pequenas infelicidades. Temos mente sadia e podemos traçar nossa própria diretriz; no entanto não percebemos que só por isso somos felizes. Quando nascemos, nossos pais certamente ficaram ansiosos para nos ver e conferir se estávamos perfeitos. Uns estavam inteiros fisicamente, outros não, mas todos estavam completos como almas eternas e poderiam aproveitar a sua encarnação mesmo tendo limitações físicas. Por isso as redes sociais amiúde exibem vídeos de deficientes que têm membros de menos, inclusive cegueira, mas que abrem seus próprios caminhos como tenacidade e vivem com alegria, agradecidos pela vida dando exemplo aos que são fracos.

Neste mês, recordamos do Codificador Allan Kardec, mais uma vez, porque foi em 31 de março de 1869, com pouco mais de sessenta e quatro anos, que ele desencarnou pelo rompimento de um aneurisma. Fulminado, quando cheio de entusiasmo, preparava a mudança da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas para um lugar mais amplo, a fim de dinamizar a divulgação do Espiritismo. Por que sua vida foi ceifada num momento tão importante para ele e para a humanidade, que tanto bebia das revelações trazidas pelos espíritos por seu intermédio? Certamente porque o tempo que ele tinha para a tarefa a que veio havia se esgotado e também porque o que havia sido revelado já era suficiente para um grande avanço na sociedade do nosso tempo que, infelizmente, ainda não aplica no dia a dia a sabedoria proposta pelos espíritos.

O estudo sério, assíduo e sequenciado desta Doutrina leva o homem a um entendimento sobre si mesmo que ele jamais havia tido. Nenhuma explicação para a morte é tão lúcida como a informação espírita. Tudo é consequência de atos anteriores, na aplicação clara da lei de ação e reação que tem fortes implicações quando se trata de gestos espirituais. Causa e efeito ou semeadura e colheita seriam sinônimas da primeira. Ninguém sofre pelos males causados pelo outro, nem paga dívidas que não haja contraído. Já disse Jesus aos seus seguidores quando lhe perguntaram sobre o cego que ele havia curado se o pecado fora dele ou dos pais. Jesus explica que vinha de vida passada. Como esclarecimento diante de leigos, Ele disse que nem ele nem os pais eram causadores daquele mal, mas era preciso que a lei se cumprisse. Fala claramente de erros anteriores daquela mesma alma que agora habitava outro corpo.

O mundo das dores ou o tempo das dores têm mais a ver com as ações que geram consequências más, do que fatalidade ou algo imprevisível ou ocasional. É como na lição que explica que a boa árvore é conhecida pelos frutos que produz e vice versa.

Nenhum de nós precisa temer a crise, desde que se empenhe com esforço e honestidade na conquista de suas necessidades, comedidamente, sem ganância desenfreada. E da mesma forma que a felicidade não está na chegada, mas no trajeto, se lutarmos por algo e não tivermos sucesso já ganhamos a experiência resultante da luta e do esforço. Será a nossa maior conquista. Essa o ladrão não rouba, a ferrugem não corrói, a traça não come e os regimes políticos não conseguem destruir. Como daqui a pouco vamos embora, qualificamo-nos a voltar mais competentes e com mais méritos para uma nova vida que, logo mais, teremos que viver. Quem for um agente ativo na melhoria do mundo se qualifica a viver num lugar melhor que este, do qual tanto reclamamos. E ele não tem culpa, pois é o reflexo dos homens que o habitam. O mundo em que vivemos é a soma das consciências humanas. Se bem observado, considerando-se a maneira como o tratamos, ele até que é bastante generoso com esta mal agradecida humanidade tendo que se recuperar todos os dias para sanar as destruições causadas pelos homens.

Não fale em crise. Sorria a produza. Produza bens, produza amigos, amor e simpatia. Tenha a consciência em paz e tudo o mais deixe por conta de Deus. Ele resolve.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – março 2017

 

E se um dia o mundo acabar?

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Octávio Caúmo Serrano – caumo@caumo.com

Muitos se referem ao mundo como sendo o Universo, quando na verdade o nosso mundo é apenas este pequeno planeta. E como cada um tem sua própria humanidade, não acontecerá o mesmo nos diferentes mundos. A cada um segundo suas obras, sua destinação e sua era!

Mas se o nosso planeta acabar? O que vai acontecer conosco? Imaginemos que uma guerra nuclear destrua a vida na terra.  Vamos todos morrer, evidentemente. Mas o que é morrer? Os espíritos dizem que é desencarnar, ou seja, morre o corpo, mas o espírito, eterno e imortal, continua vivendo. Não há força bélica que possa destruir as almas.

E o que vai ser de nós, espíritos, se a vida na Terra terminar? Ficaremos na erraticidade (o plano espiritual) aguardando transferência para outro planeta similar ao nosso, já que existem inúmeros, a fim de lá reencarnarmos e continuar nossa espiritualização. A ciência já os está descobrindo e dizendo até onde estão alguns deles. Nunca vamos desaparecer nem ficar órfãos de oportunidades de aprimoramento. Além disso, não nos esqueçamos de que também evoluímos no plano imaterial. Já diz o Livro dos Espíritos que o mundo material é secundário e nem precisaria existir (questão 86). Serve apenas para apressar nosso progresso.

E para o planeta quais seriam as consequências? Ficaria um tempo impróprio para a vida humana devido à radiação, águas poluídas, impossibilidade de nascer alimento, ar impróprio, como já aconteceu no início da sua criação. Mas com o tempo também se renovaria e ficaria adequado para receber novamente corpos similares aos nossos  para a vida de espíritos em processo evolutivo. Jesus, o Governador da Terra, que a administra com tanto carinho e tudo oferece aos seus irmãos, ficaria certamente decepcionado com a ingratidão da humanidade terráquea porque, mesmo em se considerando que a tragédia seria da autoria de uns poucos fanáticos, traria consequências para todos os continentes.

Depois de mais de quatro bilhões de anos para chegar a este estágio, quando se prepara para progredir e ser um mundo de regeneração, voltaria à estaca zero; retrocederia aos tempos da formação quando a vida era impossível como a conhecemos na condição atual. Mas nós, seus atuais habitantes conservaríamos a nossa individualidade e o conhecimento que já acumulamos. Nada perderíamos do que conquistamos com nosso esforço. Seria como se mudássemos de um bairro, escola, emprego, cidade ou país; continuaríamos nós mesmos com tudo o que já aprendemos. Ou como se saíssemos de uma região que é alagada para a construção de uma represa e fôssemos transferidos para um novo local, onde ocuparíamos novas casas. O espírito nunca perde o que conquistou e não retrograda. Nesse sentido, já aprendemos com o Espiritismo no comentário da pergunta 194 a.

Há uma apreensão na espiritualidade quanto a esta possibilidade e os auxiliares de Jesus empenham-se em aconselhar os homens, inspirando-os a pensar de maneira menos egoística e mais fraterna, mostrando-lhes que se matam pelos supérfluos e se esquecem de crescer como almas. Pena que andemos meio surdos. Mas algo de bom já está acontecendo. Quando vemos depois de tanto tempo os Estados Unidos e Cuba entendendo-se, concluímos que já houve algum despertar.

O entendimento e a aceitação do que foi dito neste texto, dá-nos mais esperanças e leva-nos a uma serenidade que não poderíamos ter sem conhecer os desígnios de Deus em relação aos seus diletos filhos. Como podemos nos imaginar abandonados por um Pai misericordioso como esse que nos criou como a sua obra suprema?

Ninguém se aflija, pois o caos não existe e o fim de tudo representa o começo de algo. É um constante vir a ser. Depois da escuridão da noite só nos resta aguardar um novo amanhecer e contemplar a beleza dessa nova alvorada. Depois da tempestade vem a bonança. Quando o sol se deita e lua vem clarear-nos. Nunca estamos na escuridão; a menos que a nossa alma esteja em trevas.

Queremos crer que ainda reste um pouco de bom senso na nossa equivocada humanidade e ela já se deu conta de que é preciso rever valores para que o mundo tenha mais harmonia. Mas jamais percamos a fé.

Tribuna Espírita _ janeiro fevereiro 2017

 

 

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