Walkiria Araújo – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“Se bem cada um traga em si o germe das qualidades necessárias para se tornar médium, tais qualidades existem em graus muito diferentes e o seu desempenho depende de causas que a ninguém é dado conseguir se verifiquem à vontade.” Allan Kardec, o Livro dos Médiuns – Introdução.

Quando nós falamos em mediunidade, estamos falando deste intercâmbio entre mentes que se processa de uma maneira muito sutil a primeira vista e de uma forma mais ostensiva para aqueles vinculados ao trabalho na forma de tarefa.

Alguns exclamam que não gostariam de ser médiuns, outros procuram as Casas Espíritas para conseguirem uma forma de o serem, mas poucos procuram compreender o significado da mediunidade em suas vidas. O Livro dos Médiuns apresenta-nos duas partes: Noções Preliminares e Das Manifestações Espíritas. A grande maioria pula a primeira parte seguindo para as Manifestações Espíritas, notadamente no capítulo intitulado Dos Médiuns (cap. XIV). Sendo que Kardec realizou esta sequência lógica por uma razão específica: mostrar-nos que nem todos os fenômenos que ocorrem podem ser considerados como mediúnicos e que se um for desmentido não significa que todo o resto também o será, mas para isso precisamos conhecer, por exemplo, como o “método” e o “sistema” se processam.

Estudando, compreenderemos que existem as manifestações físicas e as manifestações inteligentes. As primeiras são “… àquelas que se traduzem por efeitos sensíveis, tais como ruídos, o movimento e o deslocamento de corpos sólidos.” (item 60), podendo ainda ser espontâneas ou provocadas. As segundas provam “… um ato livre e voluntário, exprimindo uma intenção ou respondendo a um pensamento.” (item 66). Com isso verificamos que estamos cercados de fenômenos mediúnicos.

O livro Mecanismos da Mediunidade (André Luiz, psicografado por Chico Xavier), traz-nos nos seus capítulos 17 e 18 explicações sobre o tema. Ponto interessante quando ele nos fala sobre as simbioses espirituais vinculadas aos efeitos físicos ou da própria dificuldade de intercâmbio para realização de tal fenômeno. Entendendo que tais fenômenos, efeitos físicos, cumpriram seu papel, mas que hoje esparziram de tal forma que seus relatos são exíguos. Com relação à mediunidade de efeitos inteligentes vale destacar o subitem que ele trata sobre as ocorrências cotidianas, pois os médiuns os somos o tempo inteiro, inclusive nos momentos de desdobramento do corpo físico, enquanto este descansa, recompondo-se.

Mas se a vida nos reclama o convívio, se o trabalho nos impede a dedicação como gostaríamos, se enfim, não conseguimos nos dedicar ao trabalho mediúnico, devemos desistir ou como acontece em outros países, poderíamos por preço na mediunidade? Socorremos-nos de O Evangelho Segundo o Espiritismo para respondermos a esta pergunta, em seu capítulo XXVI, item 7, Mediunidade Gratuita, “Os médiuns atuais – pois que também os apóstolos tinham mediunidade igualmente receberam de Deus um dom gratuito: o de serem intérpretes dos Espíritos, para instrução dos homens, para lhes mostrar o caminho do bem e conduzi-los à fé, não para lhes vender palavras que não lhes pertencem, a eles médiuns, visto que não são fruto de suas concepções, nem de suas pesquisas, nem de seus trabalhos pessoais.”

Para firmar o pensamento, no item 10, do referido capítulo encontramos: “Procure, pois, aquele que carece do que viver, recursos em qualquer parte, menos na mediunidade; não lhe consagre, se assim for preciso, senão o tempo de que materialmente possa dispor. Os Espíritos lhe levarão em conta o devotamento e os sacrifícios, ao passo que se afastam dos que esperam fazer deles uma escada por onde subam.”

Não temos o direito de colocar preço naquilo que não nos pertence, pelo menos naquilo que não nos pertence na integralidade. Como não podemos separar o que é parte dos espíritos e o que seria parte nossa, melhor colocarmos sempre na conta da caridade e no serviço de doação e amor ao próximo que é o que a mediunidade com Jesus nos convida a fazer.

Voltando ao Livro dos Médiuns verificamos que os médiuns exercemos influência nas comunicações mediúnicas, mas que esta influência pode ser bem canalizada e orientada de forma tal que servirá como fio condutor/orientador do comunicante, verdadeiro guia em terreno desconhecido equivalendo a um turista que ao chegar numa cidade sabe o que quer visitar, mas que precisa de ajuda para chegar ao seu destino e utilizar melhor os recursos que estão a sua disposição.

Capítulo a parte é a influência moral do médium. Uma visita só respeitará uma casa se o dono da casa também a respeitar. Assim, em linhas gerais, também é com relação à mediunidade. O desencarnado ao se deparar com alguém que procura viver uma encarnação de acordo com os preceitos cristãos, por mais agressiva que seja, saberá respeitar o vaso físico que lhe serve de instrumento para que ele possa traduzir seu pensamento e expressar seu sentimento.

O Espírito Verdade nos convida: “Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo.” (Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. VI, item 5). Para fazermos qualquer coisa precisamos o mínimo de conhecimento. Quando compramos um objeto qualquer, ele traz um manual de instruções, porque então, para trabalharmos com a mediunidade, recurso sutil, que trata da transmissão mente a mente e tendo recursos valiosíssimos, com o Livro dos Médiuns e outros iremos abrir mão e agir por intuição como alguns afirmam? O conhecimento liberta e traz-nos para o mundo ampliado do conhecimento do todo e de nós mesmos.

Aproveitemos os recursos que temos nas mãos. As obras da codificação, os livros psicografados por Chico Xavier e por tantos outros que vieram acrescentar o entendimento da mediunidade e peguemos da nossa charrua e aremos o nosso solo.

Tribuna Espírita – Novembro/Dezembro 2016

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