Consolador

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Walkiria Araújo – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“Se me amais, guardai os meus mandamentos; e eu rogarei a meu Pai e ele vos enviará outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco: – O Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque o não vê e absolutamente o não conhece. Mas, quanto a vós, conhecê-lo-eis, porque ficará convosco e estará em vós. Porém, o Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito. (S. JOÃO, cap. XIV, vv. 15 a 17 e 26.)

Minha vida é ruim; meu cônjuge não me compreende; os problemas só se avolumam ninguém me ama no meu lar; meus filhos são verdadeiros espinhos na minha caminhada, porque resolvi tê-los? São afirmações que nos deparamos rotineiramente, inclusive proferidas no meio espírita. Por vezes, sentimo-nos desalentados e acreditando que a felicidade não foi feita para nós. Será então que os versículos de João estariam errados?

As doutrinas espiritualistas nos trazem algumas afirmativas importantes. Falam-nos da Crença em Deus, da Imortalidade da Alma e da Justiça Divina. Mas somente a Doutrina Espírita nos dá uma explicação completa sobre estas três afirmativas quando agrega a Reencarnação, a Comunicabilidade com os Espíritos e a Habitabilidade dos Mundos.

Pois Deus somente não existe, mas Ele é soberanamente Justo e Bom com todas as criaturas permitindo-nos quantas oportunidades forem necessárias de reencarnarmos para podermos aprender o jeito certo de fazer (Reencarnação). Temos a comprovação e o estímulo através das comunicações espirituais, daqueles que nos antecederam para o Plano Espiritual, sendo que em nenhum momento isto significa um adeus, mas um até breve (Comunicabilidade). Se uma bactéria pode sobreviver em outro planeta, porque não o ser humano também não o poderia? Só porque não conseguimos restringir através do nosso olhar a forma da criatura, não significa que ela não esteja ali. Não foi o próprio Jesus que afirmou: Haverá muitas moradas na casa de meu Pai? (Habitabilidade dos Mundos).

Tais informações ratificam a mensagem trazida por Mateus (cap. XI, vv. 28 a 30) e inspiram-nos esperança. Saber que mesmo diante das aflições e das agruras do dia-a-dia podemos recorrer ao Mestre Jesus e que sentiremos alívio faz-nos caminhar com passos mais firmes. Mostra-nos também que a responsabilidade pelo avanço evolutivo é nossa, não do outro. Pois encontraremos alívio para nossas dores, mas ninguém irá retirá-las de nós. O processo de expurgo é nosso.

A passagem torna-se mais emblemática, pois concita-nos a tomar de Seu jugo e aprender com Ele que é brando e humilde de coração. Neste momento nos é mostrado o caminho a seguir. Primeiro precisamos observar a Lei Divina, pois qualquer transgressão representa causa de reajuste; posteriormente precisamos desenvolver a brandura e a humildade de coração. Desenvolvermos o processo de aceitação diante das passagens da encarnação, num processo de avançar, mas de entendimento. Compreendendo aquilo que não pode ser modificado, aprendendo a esperar em Cristo a solução.

Para reforçar a ideia temos a afirmação: Pois é suave o meu jugo e leve o meu fardo. Em si a Lei é fácil de ser compreendida e sua execução passa pelo dever, o amor e a caridade. Quando começamos a incorporar as afirmativas trazidas no primeiro e segundo parágrafos como verdades que o são em nossas vidas, passamos a observar tudo o que nos acontece sob um novo prisma, o da não afetação. Não significa que não provoque sofrimento, significa que não nos afeta a existência ao ponto de nos estagnar.

Em João cap. XIV, vv. 15 a 17 e 26, encontramos uma passagem que se soma a este pensamento: “Se me amais, guardai os meus mandamentos; e eu rogarei a meu Pai e ele vos enviará outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco: – O Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque o não vê e absolutamente o não conhece. Mas, quanto a vós, conhecê-lo-eis, porque ficará convosco e estará em vós. Porém, o Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito.”

As duas primeiras Revelações estão baseadas em homens: Moisés e Jesus (explicação detalhada Livro A Gênese, Cap. I), a terceira revelação é a Doutrina Espírita ou Doutrina dos Espíritos. Ela é o Consolador Prometido que apascenta as nossas dores e acalma a nossa mente em desalinho. E permanece conosco, pois não há como matar uma ideia trazida por um corpo de espíritos. É uma filosofia de vida que nos impregna a consciência e nos acompanha a vida há muito tempo. Muitos de nós reencarnamos com esse pensamento, não sendo a primeira vez que temos contato com a informação. Mata-se o corpo, mas a ideia permanece.

Fazendo reavivar a mensagem trazida por Jesus através de suas palavras, mas principalmente, através de seus exemplos. Quando ele se fazia acompanhar de mulheres, deficientes, ladrões e tantos outros tidos como indignos pela sociedade da época, criaturas que procuravam modificar a sua conduta e desejavam somente encontrar um fio condutor para esta modificação; o Mestre mostrava que todos somos iguais perante Deus e semelhante à Zaqueu, subimos na árvore da consciência e buscamos contato com a Luz Divina, na figura luminífera do Cristo, para que a partir deste momento reconheçamos os nossos erros, façamos as pazes com a nossa consciência e prossigamos, rumo a perfeição.

Jornal O Clarim – abril 2017

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Conexão mental

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Walkiria Araújo – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“A prece faculta uma imediata mudança de comportamento, em razão das energias que a constituem, acalmando interiormente e predispondo à luta de autocrescimento.”. (Livro Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda, cap. 35 – Pedir e Consentir)

Entendendo que a prece é um fenômeno eminentemente emocional, mas com conseqüências não só emocionais, mas físicas e espirituais também, verificamos que a oração quando ungida de propósito superior proporciona-nos imediatamente uma pausa no que estamos sentindo, alívio e na sequência, um profundo bem estar que não conseguimos explicar de onde ele provém.

Quando oramos, saímos da faixa vibratória perturbadora que nos encontramos e ascendemos, através de uma conexão mental elevada, a outra superior. Os bons amigos espirituais que velam por nós e que desejam o nosso bem, neste momento, envolvem-nos em eflúvios de paz e amor, fazendo-nos sentir mais leves, dissipando as substâncias deletérias produzidas por nós que serviam de retroalimentação para nós e de alimentação para aqueles que sintonizavam nesta faixa vibratória precária.

Kardec, sabiamente, no último capítulo do Evangelho Segundo o Espiritismo incluiu uma Coletânea de Preces Espíritas. Nós, lidadores do movimento espírita, sabemos que não existem fórmulas mágicas para nos conectarmos com os bons amigos espirituais. Que, em síntese, “ …a oração tudo pode, pelo que realiza no interior do ser, alterando a sua capacidade de entender a vida e os acontecimentos diários.” Isso posto, não haveria necessidade de palavras pré-estabelecidas, bastaria a criatura entrar em contato com o seu interior e deixar fluir o que lhe viesse a mente.

Mas como afirmamos anteriormente, Kardec conhecendo a criatura humana, sabia que muitos dos que aportavam ao movimento espírita, precisavam de uma base, de uma orientação. Então porque não oferecer através de uma coletânea de preces? Mais ainda, antes de cada prece, ele faz uma explicação sucinta e muito clara do porquê daquela prece, sendo mais importante esta explicação do que a própria prece. Existem também aqueles que estão vivenciando agruras tamanhas que se sentem incapacitados de orar. Tendo um fio condutor, a criatura consegue com mais facilidade orar, desvinculando-se das mentes em desalinho que ora comungam com seus pensamentos.

Assim, ele dividiu em cinco partes: PRECES GERAIS: Oração Dominical, Reuniões Espíritas, Para os Médiuns. PRECES POR AQUELE MESMO QUE ORA: Destacamos as preces pelos Aos anjos guardiães e aos Espíritos Protetores, Para Afastar os Maus Espíritos, Nas Aflições da Vida, etc. PRECES POR OUTREM: Destacamos a prece Por Alguém que Esteja em Aflição. PRECES PELOS QUE JÁ NÃO SÃO DA TERRA: Por Alguém que Acaba de Morrer. PRECES PELOS DOENTES E PELOS OBSEDIADOS: Pelos Doentes, Pelos Obsediados. Podemos orar por nós mesmos e pelos outros, estejam estes encarnados ou desencarnados.

Se eu não entender o que significam as palavras, serei um bárbaro para aquele a quem falo e aquele que me fala será para mim um bárbaro. – Se oro numa língua que não entendo, meu coração ora, mas a minha inteligência não colhe fruto. – Se louvais a Deus apenas de coração, como é que um homem do número daqueles que só entendem a sua própria língua responderá amém no fim da vossa ação de graças, uma vez que ele não entende o que dizeis? – Não é que a vossa ação não seja boa, mas os outros não se edificam com ela. (S. PAULO, 1ª aos Coríntios, cap. XIV, vv. 11, 14, 16 e 17.)

Mas para que a conexão mental se estabeleça deveremos envolver as nossas palavras no sentimento correspondente. Isto pode parecer primário para muitas pessoas, mas se pensarmos que até bem pouco tempo cronológico as Missas eram feitas em latim, verificamos que a questão da própria pregação evangélica, não importando o seguimento religioso, era revestida de uma forma que ficavam aquém do entendimento da maioria, dificultando assim a conexão primeira esperada no momento de uma prece. A oração deve ser realizada de uma maneira simples para que todos possam compreender e assim se imantar do bem emanado, facilitando a troca de energia entre as criaturas.

Pois existem pregações feitas em nosso idioma, mas que são tão rebuscadas que o nosso conhecimento fica aquém e não entendemos. Existem outras, que estão ao nosso alcance, mas que mesmos assim não nos sentimos tocados. Ou porque aquele que está emitindo as palavras produz só palavras, sem conteúdo emocional que corrobore o seu pensamento; ou porque não estamos sintonizando na faixa de amor emitida naquele momento, e poderia o próprio Jesus estar palestrando que diríamos que não estávamos entendendo uma palavra. Temos que nos sentir edificados, ou seja, que a nossa prece nos induza ao bem e a virtude. Provoque o desejo de modificação em nós.

O ato de orar traz-nos um momento de reflexão, mesmo que inconsciente. Voltamo-nos para as grandes realizações do bem, para o amor. Para a justiça, a caridade. É um momento de apaziguar conosco mesmo. Hoje, verificamos que o que as pessoas mais buscam não é mais a felicidade, mas a paz. São muitos os relatos de “eu não tenho paz”. Mas a verdade é muito mais abrangente do que se imagina, quando se diz: A paz do mundo começa em mim! Somos dínamos criadores, emanamos initerruptamente energia. Precisamos de mecanismos de alimentação desta máquina humana, sendo uma delas a prece.

A prece anima os aflitos, consola os desventurados, ampara os que se consideram deserdados do mundo. Enfim, coloca de pé os que se consideram a parte da Criação, como se isso fosse possível. Pois, somos todos filhos benditos do Pai, que não deixa nenhum à margem, mas sim responsável pelas suas próprias escolhas e permite-nos retornarmos ao caminho tantas vezes quanto quisermos até que por definitivo caminhemos resolutos pelo caminho do bem. A prece constitui-se uma das vigas sustentadoras da nossa encarnação. Balsamizando nossas dores, elevando-nos ao alto, para que possamos, em pensamento, já que ainda não conseguimos em atitudes, estarmos nas estâncias mais elevadas da Criação Divina.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – abril 2017

 

Temos de nos proteger

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Octávio Caumo Serrano caumo@caumo.com
É preciso usar todos os recursos para nos defender.

Num mundo conturbado e violento como o que estamos vivendo, toda proteção é necessária. Seja no que concerne à vida social, à vida profissional e à vida espiritual. Contamos hoje com seguros e aparelhagens de todo tipo para cuidar da nossa vida e patrimônio e proteger o que com tanto esforço conseguimos e pensamos  amparar nossos descendentes na nossa velhice ou caso faltemos.

Instalamos anti-virus nos equipamentos de informática contra invasores de arquivos e contas bancárias. Estamos vigilantes contra e-mails maliciosos que vêm fantasiados de seriedade, convidando-nos a atualizar cadastros, informando que nosso nome está com problemas, que nosso veículo foi multado, que o orçamento (que nunca solicitamos) está anexado à mensagem, que o correio tentou entregar nossa encomenda e a casa estava fechada, etc. etc. A imaginação da delinquência não tem limite.

Nossos patrimônios são guardados por vigilantes, cercas elétricas, seguros, alarmes, câmeras, sem que isso nos garanta ficar livres da maldade do mundo que conta com almas de baixo caráter, mas extremamente inteligentes. Como os hackers que invadem as contas de grandes organizações, aparentemente protegidas com segurança absoluta.

Recomendam as autoridades que não permaneçamos conversando em veículos estacionados na via pública, que não deixemos pertences, mesmo sem valor, no interior dos carros, que não usemos celular caminhando na via pública, que evitemos lugares ermos e tantas outras advertências para dificultar a ação da bandidagem. Mas nem sempre isso é suficiente.

Há uma proteção, todavia, mais segura do que as resultantes das providências acima que é o cuidado que a espiritualidade tem com seus fiéis auxiliares. Podemos ser parceiros de Deus na organização e aprimoramento do mundo. Cabem a nós as ajudas materiais que a espiritualidade recomenda. O agasalho, o alimento, o abrigo e a palavra aconselhadora para estimular o aflito ou desanimado dando-lhe diretrizes para reagir e buscar a felicidade. Os espíritos podem, nesses casos, inspirar-nos para o trabalho, segredar-nos caminhos que devemos tomar, mas as providências são da nossa alçada e responsabilidade. Se já sabemos ouvir, ouviremos.

À medida que vamos sendo bons obreiros na sua seara gozaremos de proteção, pois passamos a ser importantes na organização socorrista a que pertencem. Por isso somos poupados em acidentes, vamos por caminhos diferentes do imaginado e temos proteção contra assaltos. Sabemos tudo o que nos acontece, mas jamais ficamos sabendo de quantos males fomos poupados por ser colaboradores nos trabalhos divinos. De quantas doenças fomos curados sem nem mesmo saber que as tínhamos. O segredo é ser merecedor de proteção. Sem ter tais méritos, por mais cuidado que tenhamos ainda estaremos vulneráveis.

Nem trancas, nem cadeados, nem câmeras ou cercas eletrificadas podem cuidar de nós melhor do que a espiritualidade que nos tem como parceiros. Será que acreditamos nisso? “Ajuda-te e o céu te ajudará”, recomendou Jesus. Será que já temos fé suficiente para confiar em Deus? Oração e vigilância, uma atitude imprescindível nas vinte e quatro horas de cada dia!

Jornal O Clarim – abril 2017

 

Trabajo y evolución

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Desarrollo material y crecimiento espiritual.

Octavio Caumo Serrano | caumo@caumo.com

Cuando estudiábamos el Capítulo XXV del Evangelio Según el Espiritismo, “Busquéis y hallaréis”, con sus subtítulos “ Ayuda te y el cielo te ayudará”, “Miréis las aves del campo”, etc., meditamos mucho sobre nuestro viaje por la Tierra y constatamos como ella es sacrificial. Entendemos, por otro lado, que no podría ser diferente, porque somos espíritus imperfectos y habitamos en un planeta de pruebas y expiaciones en proceso de aprendizaje.

Observamos que cuando Jesucristo dijo y darse os a”, “busquéis y hallaréis”, “batáis y abrirse os a”, él no resaltó que debemos pedir solamente lo qué nos haga bien espiritualmente. Pedimos lo que anhelamos, aunque Dios nos dé solamente lo que necesitamos. Por eso ni siempre nos gusta la forma como Dios nos atiende. Pedimos una cruz pequeña, sin embargo él nos da hombros fuertes; pedimos a Él que solucione nuestros problemas, pero Él nos da discernimiento para que nosotros mismos los resolvamos; pedimos facilidades y Él nos ofrece el trabajo que lleva al aprendizaje.

En el Evangelio se pone claro que precisamos de la actividad como recurso para desarrollo del propio intelecto. Es con las experiencias que hacemos, buscando resolver problemas que crecemos. De allí la comprobación de la anterioridad de las almas y del acúmulo de conocimientos que llevamos hacia la espiritualidad, que nos sirven de guía en la vuelta al mundo material. Si al morir el alma ella si acabase, todas las almas nacerían sin  cualquier conocimiento. La humanidad permanecería siempre igual porque el aprendizaje de una vida se perdería. Nunca saldríamos de la infancia espiritual.

Todavía, a pesar de ser almas milenarias, aprendemos casi nada. Y como necesitamos mantener la supervivencia material, alimentándonos, vistiéndonos, abrigándonos, estudiando, y eso solo conseguimos con las ganancias del trabajo, descuidamos del crecimiento espiritual, porque éste exige de nosotros virtudes aún no conquistadas. La fe aún no se impregnó en nuestro ser. Y es ella que nos haría entender la importancia de virtudes como resignación, humildad, paciencia y desprendimiento. Peleamos con las mismas armas de los otros y somos lo opuesto de lo que debemos ser: impacientes, orgullosos, egoístas, prepotentes, belicosos, defendiéndonos con uñas y dientes, como hacen los leones que se matan por un pedazo de la caza.

Nos explica Kardec, en el referido capítulo, que el hombre en la infancia de la Humanidad solo aplica su inteligencia en la busca de alimentos, en medios de preservarse de las intemperies y defenderse de los enemigos. Pero como él tiene el deseo constante de mejorar es impelido a pesquisas para mejorar su situación. De allí las invenciones que surgen en el mundo permanentemente, siempre en el sentido de dar al hombre conforto para su progreso y bienestar. Él realza, sin embargo, que el progreso que el hombre realiza individualmente durante su permanencia en la Tierra es insignificante y hasta imperceptible para muchos. No es sin más ni más que los espíritus ya enseñan que el reconocimiento de un defecto es indicación de evolución. Nadie imagina que en una, o en diez encarnaciones, el hombre pueda dejar de ser inferior, librándose de la mayoría de los defectos que tiene el ser humano actual. Ni hablamos de la esclavitud a los vicios (tabaco, alcohol, sensualidad, gula, drogas), ya que ésos son más fáciles de vencer porque están fuera del hombre. Los defectos están en el alma; son miasmas espirituales y solamente con el esfuerzo de modificación interior, como enseña el Espiritismo, es posible eliminarlos. Se combate el defecto sustituyéndolo por una virtud. O somos una cosa u otra. Para tener éxito, intentemos comenzar por los menos graves como la impaciencia, la insatisfacción, el dolor íntimo. Vencidos éstos, elijamos otros igualmente graves y les combatamos uno a uno.

El mundo material es importante porque es en él que hacemos fundamentales experiencias. Es la ganancia de uno que ofrece el empleo al otro; es la inteligencia del jefe que comanda la actividad coherente del subordinado. Esta dualidad, cuando ejercida con equilibrio, nada tiene de nociva. Un patrón humano tiene un auxiliar dedicado; un servidor eficiente tendrá siempre un señorío generoso.

Un día me contaron un historia que reproduzco como ilustración: un hombre pescaba con caña y un empresario le preguntó: “¿Qué cantidad de peces piensa pescar?”. “Uno”, dijo el hombre, “para mi almuerzo”. “¿por qué no pesca dos? Vendería uno y podría comprar más cañas de pesca”. “¿Para qué?”, le preguntó el pescador. “Ora, para ganar dinero. Con el tiempo usted compraría una canoa, un barco motorizado y finalmente uno de estos pesqueros de alto-mar”. “¿Y después?”, preguntó el pescador. “Ganaría mucho dinero se pondría riquísimo y no necesitaría hacer más nada”. El hombre lo miró y dijo: “Pero yo ya no estoy haciendo nada”.

Desconocía la diferencia entre no hacer nada ociosamente y ganar el derecho de no hacer nada, después de luchas, conquistas y crecimiento intelectual. Para quien cree en vida única él está cierto. Sin embargo se consideremos la importancia de la reencarnación él está perdiendo más una oportunidad.

Hasta las aves, como enseñó Jesucristo, cuentan con las ofrendas de Dios. Pero no están exentas del esfuerzo para sacar el alimento de la fuente de la naturaleza. Está ahí toda la diferencia entre no hacer nada, porque es perezoso, ¡y conquistar el derecho de no hacer nada! Por lo menos para sobrevivir. Porque aunque no necesite del trabajo para sostenerse el hombre debe trabajar para servir, o del contrario atrofia el físico y herrumbra la inteligencia.

Todas esas orientaciones nos llegaron con clareza por el Espiritismo, doctrina codificada por Allan Kardec, que conmemora 160 años en éste 18 de abril. Oremos por él y agradezcamos a los espíritus que le dictaron la Codificación.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – abril 2017

Trabalho e Evolução

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Desenvolvimento material e crescimento espiritual.

Octavio Caumo Serrano | caumo@caumo.com

Quando estudávamos o Capítulo XXV de O Evangelho Segundo o Espiritismo, “Buscai e achareis”, com seus subtítulos “Ajuda-te e o céu te ajudará”, “Olhai as aves do campo” etc., meditamos profundamente sobre nossa passagem pela Terra e constatamos como ela é sacrificial. Entendemos, por outro lado, que não poderia ser diferente, porque somos espíritos imperfeitos e habitamos um planeta de provas e expiações em processo de aprendizado.

Observamos que quando Jesus disse “pedi e dar-se-vos-á”, “buscai e achareis”, “batei e abrir-se-vos-á”, ele não ressaltou que devemos pedir só o que nos faça bem espiritualmente. Nós pedimos o que desejamos, embora Deus nos dê só o que precisamos. Por isso nem sempre gostamos da forma como Deus nos atende. Nós pedimos uma cruz leve, mas ele nos dá ombros fortes; pedimos para Ele solucionar nossos problemas, mas Ele nos dá discernimento para que nos mesmos os resolvamos; pedimos facilidades e Ele nos oferece o trabalho que leva ao aprendizado.

No Evangelho fica claro que precisamos da atividade como recurso para desenvolvimento do próprio intelecto. São com as experiências que fazemos; procurando resolver problemas que crescemos. Daí a comprovação da anterioridade das almas e do acúmulo de conhecimentos que levamos para a erraticidade, que nos servem de guia na volta ao mundo material. Se a alma morresse e se acabasse, todas as almas nasceriam desprovidas de qualquer conhecimento. A humanidade permaneceria sempre igual porque o conhecimento de uma vida se perderia. Nunca sairíamos da infância espiritual.

Todavia, apesar de sermos almas milenares, aprendemos quase nada. E como precisamos manter a sobrevivência material, alimentando-nos, vestindo-nos, abrigando-nos, estudando, e isso só conseguimos com os ganhos do trabalho, descuidamo-nos do crescimento espiritual, porque este exige de nós virtudes ainda não conquistadas. A fé ainda não se impregnou no nosso ser. E é ela que nos faria entender a importância de virtudes como resignação, humildade, paciência e desprendimento. Jogamos com as mesmas armas dos outros e somos o contrário do que deveríamos ser: impacientes, orgulhosos, egoístas, prepotentes, belicosos, defendendo-nos com unhas e dentes, como fazem os leões que se digladiam por um pedaço da caça.

Explica-nos Kardec, no referido capítulo, que o homem na infância da Humanidade só aplica a sua inteligência na procura de alimentos, nos meios de se preservar das intempéries e se defender dos inimigos. Mas como ele tem o desejo constante de melhorar é impelido a pesquisas para melhorar sua situação. Daí as invenções que surgem no mundo permanentemente, sempre no sentido de dar ao homem conforto para o seu progresso e bem-estar. Ele realça, porém, que o progresso que o homem realiza individualmente durante a sua permanência na Terra é insignificante e até imperceptível para muitos. Não é sem razão que os espíritos já ensinam que o reconhecimento de um defeito é indicação de evolução. Ninguém imagina que numa, ou mesmo em dez encarnações, o homem possa deixar de ser inferior, livrando-se da maioria dos defeitos que tem o ser humano atual. Nem falamos da escravidão aos vícios (tabagismo, alcoolismo, sensualidade, gula, drogas), já que esses são mais fáceis de vencer porque moram fora do homem. Os defeitos estão na alma; são miasmas espirituais e só com o esforço de modificação interior, como ensina o Espiritismo, é possível eliminá-los. Combate-se o defeito substituindo-o por uma virtude. Ou somos uma coisa ou outra. Para ter êxito, tentemos começar pelos menos graves como a impaciência, a insatisfação, a inconformação, a mágoa. Vencidos estes, elejamos outros igualmente graves e os combatamos um a um.

O mundo material é importante porque é nele que fazemos fundamentais experiências. É a ganância de um que oferece o emprego ao outro; é a inteligência do chefe que comanda a atividade coerente do subordinado. Esta dualidade, quando exercida com equilíbrio, nada tem de nociva. Um patrão humano tem um auxiliar dedicado; um servidor eficiente terá sempre um senhorio generoso.

Um dia me contaram um história que reproduzo como ilustração: um homem pescava com vara e um empresário lhe perguntou: “Quantos peixes pretende pescar?”. “Um”, disse o homem, “para o meu almoço”. “Por que não pesca dois? Venderia um e poderia comprar mais varas de pesca”. “Pra quê?”, redarguiu o pescador. “Ora, para ganhar dinheiro. Com o tempo você compraria uma canoa, um barco motorizado e finalmente um desses pesqueiros de alto-mar”. “E depois?”, perguntou o pescador. “Você ganharia muito dinheiro ficaria riquíssimo e não precisaria fazer mais nada”. O homem o olhou e disse: “Mas eu já não estou fazendo nada”.

Ele desconhecia a diferença entre não fazer nada ociosamente e ganhar o direito de não fazer nada, depois de lutas, conquistas e crescimento intelectual. Para quem acredita em vida única ele está certo. Mas se considerarmos a importância da reencarnação ele está jogando fora mais uma oportunidade

Até as aves, como ensinou Jesus, contam com as oferendas de Deus. Mas não estão isentas do esforço para tirar o alimento da fonte da natureza. Está aí toda a diferença entre não fazer nada, porque é preguiçoso, e conquistar o direito de não fazer nada! Pelo menos para sobreviver. Porque mesmo não precisando do trabalho para sustentar-se o homem deve trabalhar para servir, ou do contrário atrofia o físico e enferruja a inteligência.

Todas essas orientações nos chegaram com clareza pelo Espiritismo, doutrina codificada por Allan Kardec, que comemora 160 anos neste 18 de abril. Oremos por ele e agradeçamos aos espíritos que ditaram a codificação.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – abril 2017