Walkiria Araújo – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“A prece faculta uma imediata mudança de comportamento, em razão das energias que a constituem, acalmando interiormente e predispondo à luta de autocrescimento.”. (Livro Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda, cap. 35 – Pedir e Consentir)

Entendendo que a prece é um fenômeno eminentemente emocional, mas com conseqüências não só emocionais, mas físicas e espirituais também, verificamos que a oração quando ungida de propósito superior proporciona-nos imediatamente uma pausa no que estamos sentindo, alívio e na sequência, um profundo bem estar que não conseguimos explicar de onde ele provém.

Quando oramos, saímos da faixa vibratória perturbadora que nos encontramos e ascendemos, através de uma conexão mental elevada, a outra superior. Os bons amigos espirituais que velam por nós e que desejam o nosso bem, neste momento, envolvem-nos em eflúvios de paz e amor, fazendo-nos sentir mais leves, dissipando as substâncias deletérias produzidas por nós que serviam de retroalimentação para nós e de alimentação para aqueles que sintonizavam nesta faixa vibratória precária.

Kardec, sabiamente, no último capítulo do Evangelho Segundo o Espiritismo incluiu uma Coletânea de Preces Espíritas. Nós, lidadores do movimento espírita, sabemos que não existem fórmulas mágicas para nos conectarmos com os bons amigos espirituais. Que, em síntese, “ …a oração tudo pode, pelo que realiza no interior do ser, alterando a sua capacidade de entender a vida e os acontecimentos diários.” Isso posto, não haveria necessidade de palavras pré-estabelecidas, bastaria a criatura entrar em contato com o seu interior e deixar fluir o que lhe viesse a mente.

Mas como afirmamos anteriormente, Kardec conhecendo a criatura humana, sabia que muitos dos que aportavam ao movimento espírita, precisavam de uma base, de uma orientação. Então porque não oferecer através de uma coletânea de preces? Mais ainda, antes de cada prece, ele faz uma explicação sucinta e muito clara do porquê daquela prece, sendo mais importante esta explicação do que a própria prece. Existem também aqueles que estão vivenciando agruras tamanhas que se sentem incapacitados de orar. Tendo um fio condutor, a criatura consegue com mais facilidade orar, desvinculando-se das mentes em desalinho que ora comungam com seus pensamentos.

Assim, ele dividiu em cinco partes: PRECES GERAIS: Oração Dominical, Reuniões Espíritas, Para os Médiuns. PRECES POR AQUELE MESMO QUE ORA: Destacamos as preces pelos Aos anjos guardiães e aos Espíritos Protetores, Para Afastar os Maus Espíritos, Nas Aflições da Vida, etc. PRECES POR OUTREM: Destacamos a prece Por Alguém que Esteja em Aflição. PRECES PELOS QUE JÁ NÃO SÃO DA TERRA: Por Alguém que Acaba de Morrer. PRECES PELOS DOENTES E PELOS OBSEDIADOS: Pelos Doentes, Pelos Obsediados. Podemos orar por nós mesmos e pelos outros, estejam estes encarnados ou desencarnados.

Se eu não entender o que significam as palavras, serei um bárbaro para aquele a quem falo e aquele que me fala será para mim um bárbaro. – Se oro numa língua que não entendo, meu coração ora, mas a minha inteligência não colhe fruto. – Se louvais a Deus apenas de coração, como é que um homem do número daqueles que só entendem a sua própria língua responderá amém no fim da vossa ação de graças, uma vez que ele não entende o que dizeis? – Não é que a vossa ação não seja boa, mas os outros não se edificam com ela. (S. PAULO, 1ª aos Coríntios, cap. XIV, vv. 11, 14, 16 e 17.)

Mas para que a conexão mental se estabeleça deveremos envolver as nossas palavras no sentimento correspondente. Isto pode parecer primário para muitas pessoas, mas se pensarmos que até bem pouco tempo cronológico as Missas eram feitas em latim, verificamos que a questão da própria pregação evangélica, não importando o seguimento religioso, era revestida de uma forma que ficavam aquém do entendimento da maioria, dificultando assim a conexão primeira esperada no momento de uma prece. A oração deve ser realizada de uma maneira simples para que todos possam compreender e assim se imantar do bem emanado, facilitando a troca de energia entre as criaturas.

Pois existem pregações feitas em nosso idioma, mas que são tão rebuscadas que o nosso conhecimento fica aquém e não entendemos. Existem outras, que estão ao nosso alcance, mas que mesmos assim não nos sentimos tocados. Ou porque aquele que está emitindo as palavras produz só palavras, sem conteúdo emocional que corrobore o seu pensamento; ou porque não estamos sintonizando na faixa de amor emitida naquele momento, e poderia o próprio Jesus estar palestrando que diríamos que não estávamos entendendo uma palavra. Temos que nos sentir edificados, ou seja, que a nossa prece nos induza ao bem e a virtude. Provoque o desejo de modificação em nós.

O ato de orar traz-nos um momento de reflexão, mesmo que inconsciente. Voltamo-nos para as grandes realizações do bem, para o amor. Para a justiça, a caridade. É um momento de apaziguar conosco mesmo. Hoje, verificamos que o que as pessoas mais buscam não é mais a felicidade, mas a paz. São muitos os relatos de “eu não tenho paz”. Mas a verdade é muito mais abrangente do que se imagina, quando se diz: A paz do mundo começa em mim! Somos dínamos criadores, emanamos initerruptamente energia. Precisamos de mecanismos de alimentação desta máquina humana, sendo uma delas a prece.

A prece anima os aflitos, consola os desventurados, ampara os que se consideram deserdados do mundo. Enfim, coloca de pé os que se consideram a parte da Criação, como se isso fosse possível. Pois, somos todos filhos benditos do Pai, que não deixa nenhum à margem, mas sim responsável pelas suas próprias escolhas e permite-nos retornarmos ao caminho tantas vezes quanto quisermos até que por definitivo caminhemos resolutos pelo caminho do bem. A prece constitui-se uma das vigas sustentadoras da nossa encarnação. Balsamizando nossas dores, elevando-nos ao alto, para que possamos, em pensamento, já que ainda não conseguimos em atitudes, estarmos nas estâncias mais elevadas da Criação Divina.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – abril 2017

 

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