Walkiria Araújo – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“Se me amais, guardai os meus mandamentos; e eu rogarei a meu Pai e ele vos enviará outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco: – O Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque o não vê e absolutamente o não conhece. Mas, quanto a vós, conhecê-lo-eis, porque ficará convosco e estará em vós. Porém, o Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito. (S. JOÃO, cap. XIV, vv. 15 a 17 e 26.)

Minha vida é ruim; meu cônjuge não me compreende; os problemas só se avolumam ninguém me ama no meu lar; meus filhos são verdadeiros espinhos na minha caminhada, porque resolvi tê-los? São afirmações que nos deparamos rotineiramente, inclusive proferidas no meio espírita. Por vezes, sentimo-nos desalentados e acreditando que a felicidade não foi feita para nós. Será então que os versículos de João estariam errados?

As doutrinas espiritualistas nos trazem algumas afirmativas importantes. Falam-nos da Crença em Deus, da Imortalidade da Alma e da Justiça Divina. Mas somente a Doutrina Espírita nos dá uma explicação completa sobre estas três afirmativas quando agrega a Reencarnação, a Comunicabilidade com os Espíritos e a Habitabilidade dos Mundos.

Pois Deus somente não existe, mas Ele é soberanamente Justo e Bom com todas as criaturas permitindo-nos quantas oportunidades forem necessárias de reencarnarmos para podermos aprender o jeito certo de fazer (Reencarnação). Temos a comprovação e o estímulo através das comunicações espirituais, daqueles que nos antecederam para o Plano Espiritual, sendo que em nenhum momento isto significa um adeus, mas um até breve (Comunicabilidade). Se uma bactéria pode sobreviver em outro planeta, porque não o ser humano também não o poderia? Só porque não conseguimos restringir através do nosso olhar a forma da criatura, não significa que ela não esteja ali. Não foi o próprio Jesus que afirmou: Haverá muitas moradas na casa de meu Pai? (Habitabilidade dos Mundos).

Tais informações ratificam a mensagem trazida por Mateus (cap. XI, vv. 28 a 30) e inspiram-nos esperança. Saber que mesmo diante das aflições e das agruras do dia-a-dia podemos recorrer ao Mestre Jesus e que sentiremos alívio faz-nos caminhar com passos mais firmes. Mostra-nos também que a responsabilidade pelo avanço evolutivo é nossa, não do outro. Pois encontraremos alívio para nossas dores, mas ninguém irá retirá-las de nós. O processo de expurgo é nosso.

A passagem torna-se mais emblemática, pois concita-nos a tomar de Seu jugo e aprender com Ele que é brando e humilde de coração. Neste momento nos é mostrado o caminho a seguir. Primeiro precisamos observar a Lei Divina, pois qualquer transgressão representa causa de reajuste; posteriormente precisamos desenvolver a brandura e a humildade de coração. Desenvolvermos o processo de aceitação diante das passagens da encarnação, num processo de avançar, mas de entendimento. Compreendendo aquilo que não pode ser modificado, aprendendo a esperar em Cristo a solução.

Para reforçar a ideia temos a afirmação: Pois é suave o meu jugo e leve o meu fardo. Em si a Lei é fácil de ser compreendida e sua execução passa pelo dever, o amor e a caridade. Quando começamos a incorporar as afirmativas trazidas no primeiro e segundo parágrafos como verdades que o são em nossas vidas, passamos a observar tudo o que nos acontece sob um novo prisma, o da não afetação. Não significa que não provoque sofrimento, significa que não nos afeta a existência ao ponto de nos estagnar.

Em João cap. XIV, vv. 15 a 17 e 26, encontramos uma passagem que se soma a este pensamento: “Se me amais, guardai os meus mandamentos; e eu rogarei a meu Pai e ele vos enviará outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco: – O Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque o não vê e absolutamente o não conhece. Mas, quanto a vós, conhecê-lo-eis, porque ficará convosco e estará em vós. Porém, o Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito.”

As duas primeiras Revelações estão baseadas em homens: Moisés e Jesus (explicação detalhada Livro A Gênese, Cap. I), a terceira revelação é a Doutrina Espírita ou Doutrina dos Espíritos. Ela é o Consolador Prometido que apascenta as nossas dores e acalma a nossa mente em desalinho. E permanece conosco, pois não há como matar uma ideia trazida por um corpo de espíritos. É uma filosofia de vida que nos impregna a consciência e nos acompanha a vida há muito tempo. Muitos de nós reencarnamos com esse pensamento, não sendo a primeira vez que temos contato com a informação. Mata-se o corpo, mas a ideia permanece.

Fazendo reavivar a mensagem trazida por Jesus através de suas palavras, mas principalmente, através de seus exemplos. Quando ele se fazia acompanhar de mulheres, deficientes, ladrões e tantos outros tidos como indignos pela sociedade da época, criaturas que procuravam modificar a sua conduta e desejavam somente encontrar um fio condutor para esta modificação; o Mestre mostrava que todos somos iguais perante Deus e semelhante à Zaqueu, subimos na árvore da consciência e buscamos contato com a Luz Divina, na figura luminífera do Cristo, para que a partir deste momento reconheçamos os nossos erros, façamos as pazes com a nossa consciência e prossigamos, rumo a perfeição.

Jornal O Clarim – abril 2017