Nascer de Novo

Deixe um comentário

 

Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com 

“167. Qual o fim objetivado com a reencarnação? Expiação, melhoramento progressivo da Humanidade. Sem isto, onde a justiça?”. (Livro dos Espíritos)

Nós reencarnamos com o objetivo de evoluir. Através de um processo de aprendizado e expurgo das faltas passadas. Esse processo se dá através das expiações, das provas e das missões.

Missionários não são somente os Apóstolos da Caridade, nomes já conhecidos em nosso meio: Bezerra de Menezes, Chico Xavier, etc. Mas todo aquele que trata com amor abdicando de si mesmo em detrimento do próximo independente se este próximo é uma coletividade ou uma única pessoa. Então um pai, uma mãe, um irmão, um parente que abdica de si em detrimento de seu filho ou de uma criatura que está sob sua tutela, está cumprindo uma missão.

Estamos trabalhando e desenvolvendo nossas habilidades através das provas. Em comum acordo com a Divindade solicitamos que sejamos avaliados em nossa teoria. São as situações testes que temos dificuldades em vivenciar, mas que uma voz íntima nos convida há prosseguir um pouco mais, pois esta mesma voz nos fala do conhecimento já adquirido e da possibilidade real de superação, através do livre arbítrio tomos a decisão em perseverar um pouco mais. Tendo como resultado o sucesso, o aprendizado e o progresso almejado. Forjando na criatura o alicerce necessário diante das expiações da vida.

A expiação é um compromisso antes de tudo consciencial com um passado delituoso em que conspurcamos a Lei e precisamos fazer o devido reajuste que já está em regime de moratória, sendo abatido pelos méritos conquistados em virtude do bem feito, das provas bem cumpridas e das missões realizadas. É um processo de expurgo compulsório, mas necessário para a evolução.

Ao falarmos de Melhoramento Progressivo da Humanidade, estamos nos reportando ao processo contínuo de evolução, pois a humanidade como um todo avança intelectualmente e chegará um ponto que moralmente sairá desse estágio estacionário que se encontra. “6. – Nestes tempos, porém, não se trata de uma mudança parcial, de uma renovação limitada a certa região, ou a um povo, a uma raça. Trata-se de um movimento universal, a operar-se no sentido do progresso moral. Aliás, todos sabem quanto ainda deixa a desejar a atual ordem de coisas. Depois de se haver, de certo modo, considerado todo o bem-estar material, produto da inteligência, logra-se compreender que o complemento desse bem-estar somente pode achar-se no desenvolvimento moral.” (Livro A Gênese, cap. 18 – São chegados os tempos, Sinais dos Tempos). Por isso, mais do que nunca, precisamos ser a mudança que cobramos.

A necessidade reencarnatória então se vincula ao processo ascensional do ser humano que se opera individualmente, como processo propulsor da criatura rumo à perfeição e em conjunto, como resultado dos esforços de todos, como também, exercendo o fiel cumprimento da Lei de Evolução que rege a criatura e os Planetas. Assim, nosso limite reencarnatório está vinculado a nossa depuração; não existe uma quantidade predeterminada para cada criatura, pois se assim o fosse, a criatura não procuraria se melhorar, esperaria a última encarnação para fazer o início da transformação e alcançaria, sem fazer esforço, o mesmo patamar daquele que se modificou desde as primeiras.

Também podemos reencarnar neste, mas em outros Planetas. Temos como exemplo os Capelinos, que vieram da Constelação do Cocheiro. Ponto importante a ser destacado é a constituição do nosso perispírito. Este será formado pelo Mundo no qual habitamos. Tais informações são pertinentes e encontram-se melhor detalhadas nas questões 166 a 222 de O Livro dos Espíritos – Pluralidade das Existências. Quando compreendemos o porquê de estarmos aqui, a nossa participação e consequentemente o resultado de nossas escolhas. Ficando mais transparente o entendimento de itens, por exemplo, 18 a 23, capítulo IV – Nascer de Novo de O Evangelho Segundo o Espiritismo, quando nos fala da destinação do homem no além-túmulo e nos apresenta a individualidade, com progressão indefinida. Parecendo-nos lógico e justo.

Faz cair por terra o princípio de raças, pois a categoria social não qualifica a criatura, mas as suas atitudes que a diferenciam. Que a Doutrina Reencarnacionista ou do Nascer de Novo não destrói os laços de família, mas os amplia. (Questão 205, O Livro dos Espíritos). Criando uma rede de amor ao nosso redor. Não temos somente sob o mesmo teto os seres que já amamos, mas podemos compartilhar no trabalho, no Centro Espírita e em tantos outros locais com figuras caras ao sentimento e que nos dizem muito sem precisar falar nada. A Doutrina Reencarnacionista ou do Nascer de Novo proporciona-nos este veio de amor.

Para aqueles que acreditam que a parecença moral também se transmite, O Livro dos Espíritos, questão 207, explica-nos que não. O que existe é uma reunião de espíritos simpáticos. De criaturas que possuem a mesma sintonia de ideias. O corpo procede do corpo, mas o espírito não procede do espírito. A reencarnação possibilita-nos oportunidades. Oportunidade de aqui estarmos fortalecendo laços já construídos, criando novos laços e desfazendo nós.

O Evangelho no item 23, do já referido capítulo vai mais além. Faz uma comparação entre a Doutrina Materialista, que apresenta o nada como realidade futura; a Doutrina Panteísta, que fala da absorção no todo Universal; a Doutrina da Igreja que já evolui trazendo a individualização, mas apresenta-nos uma fixação definitiva do que a criatura será. Sendo a mais consoladora e a que nos parece mais justa a Doutrina Espírita. Mas como a criatura não pode viver encarnada indefinidamente, necessita reencarnar. Reencarnando, utilizar-se-á de corpos distintos e estabelecerá laços necessários ao aprendizado de aperfeiçoamento evolutivo. São possibilidades infinitas. A doutrina do Nascer de Novo possibilita-nos a chance de aprendermos e evoluirmos constantemente. Só este fato nos consola e nos ampara, dando-nos esperança e coragem para prosseguir.

Tribuna Espírita março/abril 2017

Espiritismo e fantasias

1 Comentário

Octávio Caúmo Serrano

O que se vê de doutor em Espiritismo que nunca estudou nada é uma festa!

Se alguém lhe perguntar sobre assuntos referentes à espiritualidade ele sempre terá uma tese pronta e sobre a qual discorrerá como um especialista. Fala de reencarnação, de carmas, de ação e reação, de morte e vida, de enterro e cremação. Para tudo ele tem uma resposta irretocável. Quase uma lei.

Este último item, por exemplo, a cremação. Pergunta-se a um e ele diz que não tem problema. Como disse Sócrates aos discípulos: “O corpo? Joguem fora. Eu lá não estarei.”  Mas se perguntarmos a outro, ele desaconselha totalmente porque se o espírito não estiver totalmente desapegado da matéria irá sofrer as dores das queimaduras! Recomendam, atribuindo a Chico Xavier a orientação, que se esperem setenta e duas horas antes de queimar o corpo.

Por que setenta e duas horas se há espíritos desencarnados há décadas ainda apegados ao corpo e ao mundo material? Nem sabem que estão mortos. O diagnóstico seguro da separação do espírito do corpo só poderá ser dado se houver um vidente que garanta o desligamento total. Mas nessa hipótese, é uma questão de confiar ou não no médium consultado. Setenta e duas horas parecem realmente interessantes, mas para confirmar que o falecido está morto mesmo e não em letargia, como Lázaro de Betânia, amigo de Jesus; o irmão de Marta e Maria. Muitos corpos, quando da exumação para colocar seus restos em ossuários, estavam virados de bruços evidenciando que o morto se movimentou debaixo da terra. Se não o houvessem enterrado rapidamente talvez teria despertado. Ou seja, para confirmar a morte do corpo, mas não que o espírito já se tenha desligado. Para isso nenhum prazo é seguro. O desapego só se dá quando o encarnado trata o mundo material com desprendimento.

Sabe-se que o ato de sepultar pessoas faz parte das tradições, a ponto de um imperador muçulmano megalomaníaco  de nome Shah Jahan construir um monumento, que está entre as sete maravilhas do planeta, para servir de túmulo à sua esposa Mumtaz Mahal que faleceu ao dar a luz seu 14º filho,  nos anos 1600; o Taj Mahal, em Agra, na Índia. O mesmo se deu com as campas dos judeus, os Patriarcas e suas esposas, com as pirâmides egípcias, para servir de morada eterna para os faraós; isso se repete em todas as raças e religiões. A maioria das famílias tem jazigos próprios para seus mortos.

O poder econômico também tem grande influência sobre essa prática, porque o lucro com o morto é permanente. Nos finados as velas e as flores triplicam de preço, mas as pessoas consideram um menosprezo visitar sua campa sem levar-lhe uma oferenda. Nunca se deram flores em vida, mas não querem repetir o descaso.

Os túmulos buscam expressar a importância social do morto e demandam cara manutenção, Mesmo os cemitérios modernos, onde a padronização prevalece, custa caro para manter o jardim viçoso, já que essas campas só tem uma pedra com nomes e datas, encravada num gramado. Sem mencionar os cultos que devem ser feitos no 7º, 30º e 365º dias, e ser repetido todo ano. Simbologia da boa lembrança que, geralmente, não acontece durante todo o ano.

Enquanto faltam terrenos para a construção de casas para os vivos e ruas para desafogar o trânsito, enormes áreas são desperdiçadas com as mortalhas, inclusive de muitos que nunca tiveram um lar enquanto estavam entre nós. Terrenos bem localizados, em áreas centrais das grandes cidades, usados como necrópoles, servindo de ostentação para classes privilegiadas e oferecendo oportunidade para bandidos roubarem metais e outras utilidades, depenando os túmulos. Locais abandonados durante todo o ano, com mato tomando conta dos monumentos. Ninguém pensa neles antes de novembro de cada ano. Nesse mês, roçam, pintam, enfeitam! E o morto nem mora lá…

Nossos mortos devem ter sua campa no nosso coração, se é que em verdade nos amamos em vida.  Caso contrário, esquecê-los, perdoá-los ou pedir perdão é o melhor a fazer e deixar que a Lei da vida decida sobre um eventual reencontro, desde que possa ser útil às partes envolvidas. Como novo tempo de aprendizado, sem a ideia de maldade, porque Deus não castiga ninguém. Só nos dá novas oportunidades de crescimento espiritual. Reencarnar é um dos mais expressivos gestos de misericórdia com que o Pai Celeste nos contempla. Acreditemos ou não!

Quem desejar dar lições de Espiritismo primeiramente esclareça-se na doutrina para não falar tolices e orientar mal as pessoas. Não é assunto para quem frequenta uma reunião por semana para ouvir palestra e, como quem vai à missa, acredita-se espírita. Quem não estuda o Espiritismo não é espírita; é mero simpatizante. Não deve ensinar o que não sabe.

Neste abril comemora-se 160 anos do lançamento de O Livro dos Espíritos. Agradeçamos a Allan Kardec pelo extraordinário presente que deu à humanidade organizando a mensagem dos Espíritos. Um dia o mundo será novamente dividido: Antes e depois do Espiritismo! E a humanidade estará liberta!

Tribuna Espírita março/abril 2017

 

Ponto a Ponto 29/4/2017 – Octávio

Deixe um comentário

Ponto a Ponto 1/4/2014 – Walkiria

Deixe um comentário

O valor da vida

1 Comentário

Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante – walkirialucia.wlac@outlook.com

“É que o viver não se circunscreve ao movimento do corpo, nem à exibição de certos títulos convencionais. Estende-se a vida a esferas mais altas, a outros campos de realização superior com a espiritualidade sublime. A mesma cena evangélica diariamente se repete em muitos setores. Grande número de aprendizes, plenamente integrados no conhecimento do dever que lhes compete, tocam a pedir orientação dos Mensageiros Divinos, quanto à melhor maneira de agir na Terra… a resposta, porém, está neles mesmos, em seus corações que temem a responsabilidade, a decisão e o serviço áspero… Se já foste banhado pela claridade da fé viva, se foste beneficiado pelos princípios da salvação, executa o que aprendeste do nosso Divino Mestre: Faze isso, e viverás”. (Livro Caminho, Verdade e Vida, Cap. 157 – Faze isso e viverás.)

Em Missão dos Espíritas, Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XX, item 4, encontramos que devemos pegar de nossa charrua e não temer as labaredas de fogo que estejam sobre as nossas cabeças por que o bom pastor saberá nos defender dos verdugos imoladores.

A vida constitui-se num processo de escolha bendita. Bendita porque é baseada no aprendizado trazido de outras encarnações, adicionado ao que foi conquistado nessa, fruto do nosso livre arbítrio. Livre arbítrio este que aumenta em nossas vidas em linha direta e ascensional enquanto diminuiu o determinismo, sendo este último, fruto da Lei de Conservação, que serve como mola orientadora e propulsora a princípio e posteriormente, como fio condutor de salvaguarda da encarnação.

A nossa consciência nos conclama a uma mudança de conduta. Mas em virtude dos desejos atuais redirecionamos a encarnação e adequamos o pensamento ao que melhor nos convém momentaneamente, deixando de vislumbrar com os olhos do todo espiritual e enxergando somente a parte que é objeto de nosso desejo momentâneo. Supervalorizando situações, fugindo de outras e criando problemas desnecessários em virtude de más escolhas. Mas algo singular durante este caminhar nos acontece: um sentimento de vazio que não consegue ser preenchido com coisas ou prazeres transitórios se avizinha de nós. Os momentos de solidão a dois, a três, em coletividade. É o aplauso e a glória exteriores, mas que na intimidade nos sentimos a sós.

A vida é a mesma para todos nós. Os desafios com os seus agravantes e atenuantes são os mesmos para todos. Então, porque uns resolvem lutar pela vida, por exemplo, mesmo tendo diagnóstico de uma doença terminal e outros que por uma simples arranhadura no pé ficam se sentindo os próprios abandonados pela Criação Divina?

A princípio, temos como entendimento, que a Luz Divina do Amor do Cristo toca os primeiros e estes se permitem ser tocados também e segundo, os entendidos do comportamento humano dizem, que nos momentos de crise a criatura “liga” um dispositivo de auto-proteção e entra no modo de “auto-conservação” desenvolvendo mecanismos de auto-defesa e sobrevivência. Por isso, vemos criaturas sobreviverem a situações críticas, quando tudo parecia perdido. Mas insistimos na pergunta, porque alguns conseguem “ligar” este dispositivo e outros não? Por que já compreenderam o valor da vida. Emmanuel neste trecho transcrito nos fala que a vida se estende as mais altas esferas. Assim, quando passamos a enxergar a vida não só como um momento presente, mas um todo, passamos a valorizá-la mais, atribuindo ao fato à importância devida e valorizando o que realmente tem valor: a Vida.

Na continuidade da mensagem o Insigne Mestre nos concita a reflexionarmos a questão da responsabilidade e da aspereza do serviço. Pois se engana que só encontraremos espinhos na vida diária, eles também existirão entre os companheiros de lide, mas que isto não será um empecilho para continuarmos. O nosso objetivo em tudo que estamos fazendo deve ser a realização de algo maior, para isso, precisamos direcionar as nossas atitudes, fazendo com que o ponto de partida e de chegada estejam pautados na moral cristã e que nós sejamos o agente do bem.

No item 4 do Evangelho já citado encontramos: “A fé é a virtude que desloca montanhas, disse Jesus. Todavia, mais pesados do que as maiores montanhas, jazem depositados nos corações dos homens a impureza e todos os vícios que derivam da impureza.” O mal que devemos temer não é o que provêm dos outros, mas o que está em nós. Por isso, quando dizemos na Oração do Pai Nosso: Livra-nos do Mal, entendamos, que é o mal que está em nós e que representa o plug esperando pela tomada de outra criatura que se vincula em sintonia conosco.

O Valor da Vida é o que atribuímos a ela. Como nos comportamos perante ela. Quem e o que selecionamos para fazer parte de nossas vidas. Pois estamos aqui, encarnados neste momento, como oportunidade de crescimento e aprendizado. Fazendo os reajustes necessários com a Lei Divina e avançando rumo à perfeição. O Valor da Vida: Alguns a consideram importante, pelo valor da conta bancária que possuem; outros pelo número de pessoas que possuem ao seu derredor. O Valor da Vida constitui-se no bem que fazemos e como fazemos o bem em nós. Amarmos o próximo. Respeitarmos o próximo e respeitarmos a Deus. Amor a Vida. Valor a Vida. Valor de Vida. Valor na Vida.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – maio 2017

Não vim destruir a Lei

1 Comentário

Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante – walkirialucia.wlac@outlook.com

 “Não penseis que eu tenha vindo destruir a lei ou os profetas: não os vim destruir, mas cumpri-los: – porquanto, em verdade vos digo que o céu e a Terra não passarão, sem que tudo o que se acha na lei esteja perfeitamente cumprido, enquanto reste um único iota e um único ponto. (S. MATEUS, cap. V, vv. 17 e 18.)

Esta é uma passagem evangélica que não pode ser dissociada na leitura das questões 614 e 615 de O Livro dos Espíritos, pois que seu entendimento ficaria incompleto ou permitiria uma interpretação errônea.

Constituindo-se como Lei Natural a própria Lei de Deus, fio condutor para a verdadeira felicidade, entendemos que a afirmação trazida no Evangelho de Mateus vincula-se a Lei de Deus que é eterna e imutável como o próprio Deus o é. Por isso, o Mestre Rabi esta com toda a razão ao afirmar que não vinha destruir a Lei, mas fazer com que ela fosse cumprida. Cumprida em essência. Fazendo com os que daquela época compreendessem melhor, através dos seus exemplos, qual o verdadeiro sentido das palavras.

Tendo em Moisés a Primeira Revelação, em Jesus a Segunda e sendo o Espiritismo a Terceira, depreendemos que as informações se complementam e se corroboram com a presença da anterior. O livro A Gênese, um dos Pentateuco da Codificação traz-nos, em especial no seu capítulo I – Caráter da Revelação Espírita (capítulo esse que nos valemos em apoio das nossas afirmações neste artigo) uma bela explicação sobre o que vem a ser revelação, que em linhas gerais, seria divulgar algo que as outras pessoas não sabiam e não faz parte do conhecimento das criaturas em geral. Mostra-nos também a importância de cada um individualmente e da soma de forças para termos hoje o corpo de doutrina que conhecemos.

Moisés há seu tempo conseguiu trazer a figura do Deus único. Seu apostolado esta dividido na doutrina que regula as relações sociais, a qual ele trazia um tom divinal para poder exercer controle social e moral perante o agrupamento que ele geria e a própria Lei de Deus, que são os Dez Mandamentos. Os quais, podemos resumi-los em Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Moisés foi o legislador primitivo da fé que nós conhecemos hoje.

Jesus acrescentou à mensagem de Moisés a revelação da vida futura e as penas e recompensas que aguardam o homem após o seu desencarne. Grande passo para a humanidade, pois fazia com que a criatura vislumbrasse um porvir e passasse a ter esperança. Joanna de Ângelis, no livro Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda, cap. I, nos traz uma bela definição do apostolado de Jesus: “Jesus não foi o biótipo de legislador convencional. Ele não veio submeter a Humanidade nem submeter-se às leis vigentes. Era portador de uma revolução que tem por base o amor na sua essencialidade mais excelente e sutil, e que adotado transforma os alicerces morais do indivíduo e da sociedade.”

Mais ainda, ele apresentava a sociedade da época que a educação não poderia ser “punitiva-destrutiva”, mas “educativa-reabilitadora”. Pensamento este totalmente de acordo com a doutrina espírita. Estamos encarnados num processo de reajuste com a Lei de Deus sim, mas principalmente, estamos num processo de aprendizado constante. Educando-nos sem culpa e sendo responsáveis pelos nossos atos. Assim, nos reabilitamos com a Lei e conosco mesmos.

O Espiritismo nasce como emanação dos próprios espíritos, pois que se constitui como Doutrina dos Espíritos. Emanando deles e não podendo lhes matar, traz em si a própria semente da eternidade. O Espiritismo permite-nos conhecer o mundo dos invisíveis, a sua natureza, como nos encontramos quando desencarnamos. Apresenta-nos uma nova explicação da destinação da criatura. Não somos dados jogados ao acaso. Em tudo existe uma razão lógica e coerente regendo e nos guiando os passos. As relações sociais devem basear-se no amor recíproco dos antigos cristãos.

As duas primeiras estavam baseadas em homens. E para os olhos da humanidade, o homem é sempre falho. Mas a terceira constitui-se num corpo formado pelos espíritos. E assim a Divindade o quis para que se tornasse uma verdade que permanecesse entre nós. É inegável o contributo de Moisés para o corpo de Doutrina que possuímos hoje, pois a célula de justiça estava intrínseca em seu pensamento e de acordo com o seu entendimento e as pessoas da época, procurou realizar justiça social e consequentemente moral para com os que conviviam com ele. Representando assim a Lei na forma rudimentar. Jesus nos apresentou a ética do Amor em tudo quanto fossemos fazer, sendo esse o norteador de seu apostolado. O Espiritismo nos traz o Fora da Caridade não há Salvação, elencando neste princípio, vários outros princípios.

Mesmo que não existissem as comunicações das reuniões mediúnicas, mesmo que Chico Xavier não tivesse psicografado mais de quatrocentos livros, a lógica dos fatos nos provaria que o encadeamento histórico corrobora o avanço da mensagem, mais ainda, a comprovação do que já foi dito. Hoje, a imprensa divulga notícia que a NASA descobre novo sistema solar com sete planetas com tamanhos semelhantes ao da Terra. Ainda existe muito a ser descoberto, a criatura que se disponha a ter olhos de enxergar, verá que o mundo não se constitui somente no que vemos, sendo assim, existe muito mais em nosso derredor. Não é porque desconhecemos algo que iremos afirmar a existência. Pensamento este, ampliado com relação à existência dos espíritos e sua eternidade, como também a possibilidade reencarnatória.

Jornal O Clarim – Maio 2017

O sexo e suas implicações

Deixe um comentário

Octávio Caumo Serrano

Em mundos materiais como a Terra, salvo exceções em alguns tipos de vida, geralmente são necessários uma fêmea e um macho para que se dê a procriação.

No reino animal, onde só existe instinto, o sexo se destina à perpetuação da espécie e vê-se que é apenas no período fértil,  conhecido como cio, que os animais se procuram para reprodução.  Não há neles um instinto de prazer, mas apenas cumprir um desígnio da natureza para que o seu tipo não desapareça. Vemos, por exemplo, que no Brasil entre setembro e março os pássaros se acasalam e constroem ninhos para deitar os ovos que produzirão novos pássaros do seu tipo.

Essa regra não é obedecida pelo homem, apesar das muitas tentativas da igreja para que o relacionamento se dê apenas para procriação, devendo ser evitados até os anticoncepcionais. Como o ser humano está num estágio superior ao dos animais, pois além do instinto é dotado de razão, o relacionamento pode servir também para maior aproximação e mais amor entre os envolvidos, sem que necessariamente gerem crias. Todavia, apesar de lícito, é preciso é que seja um sexo respeitoso, equilibrado, com parceria e naturalidade. Que una cada vez mais os envolvidos.

O que é de se lamentar é que atualmente o sexo virou comércio e está vulgarizado, sendo explorado pela mídia em jornal, revista, teatro, televisão, em humorísticos, novelas, filmes, etc., porque a exibição dos corpos, com destaque para os femininos, é importante fonte de faturamento para essa gama de empresários desprovidos de pudor e para os quais os meios justificam os seus objetivos. O lucro acima de tudo, em quaisquer condições.

O problema é que as almas envolvidas terão de pagar altos preços. E caso não seja já nesta encarnação lhes estarão reservados para as vidas futuras. Para quem imagina que morreu acabou, não há argumento que o convença. Mas para os que sabem que viveremos novas encarnações no futuro, e já vivemos outras anteriormente, ignorar que seus atos lhes trarão dolorosas consequências é, no mínimo, uma imprudência.

Com esses conhecimentos teremos mais condições de saber por que há homens impotentes, mulheres frígidas ou estéreis e não nos sentiremos traídos por Deus por que não nos dotou de capacidades tão normais na maioria das pessoas. Mães que querem ter filhos, fazem tratamento, mas não conseguem engravidar. Outras que até têm facilidade, mas não retém a cria que lhes escapa sem razões aparentes. Abortam apesar de todos os cuidados. Somente o Espiritismo que nos fala da lei de ação e reação pode nos explicar certos fenômenos que acontecem nas nossas vidas.

Se algum dos ouvintes está vivendo tais limitações, não se revolte. Ao casal que não pode procriar, resta o lindo caminho da adoção, que, sem mesmo que saibam, muitas vezes é programada já na espiritualidade, antes do nascimento na Terra. A psicóloga americana Helen Wambach, no seu livro “Vida Antes da Vida”, confirma isso e muitas outras coisas, mostrando que nossa encarnação não se faz ao acaso, mas é resultado de cuidadosa programação na qual até os menores detalhes estão previstos.  Esse conhecimento e a vivência feliz, apesar dessas limitações, corrigem falhas do passado qualificando-nos a voltar à normalidade em futuros renascimentos.

Quem desejar se ver livre dessas consequências numa encarnação futura, cultive nobreza no sexo, usando-o para criar, amar, educar, mas sempre com respeito ao parceiro. Quem lesa o outro nesse campo, está lesando a si mesmo, embora não acredite e até ria desta afirmação. O que você não quer para sua irmã, não faça à irmã do outro. Não faça hoje para não chorar amanhã.

O livro Vida e Sexo de Emmanuel por Chico Xavier explica tudo. Até a homossexualidade. Leiam. Outro interessante é Sexo e Destino que André Luiz ditou a Chico Xavier e Waldo Vieira. Não estamos julgando porque, nesse tema, como disse Jesus, quem nunca tiver pecado que atire a primeira pedra. É só um alerta. A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória!

Jornal O Clarim – Maio 2017

Older Entries