Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante – walkirialucia.wlac@outlook.com

 “Não penseis que eu tenha vindo destruir a lei ou os profetas: não os vim destruir, mas cumpri-los: – porquanto, em verdade vos digo que o céu e a Terra não passarão, sem que tudo o que se acha na lei esteja perfeitamente cumprido, enquanto reste um único iota e um único ponto. (S. MATEUS, cap. V, vv. 17 e 18.)

Esta é uma passagem evangélica que não pode ser dissociada na leitura das questões 614 e 615 de O Livro dos Espíritos, pois que seu entendimento ficaria incompleto ou permitiria uma interpretação errônea.

Constituindo-se como Lei Natural a própria Lei de Deus, fio condutor para a verdadeira felicidade, entendemos que a afirmação trazida no Evangelho de Mateus vincula-se a Lei de Deus que é eterna e imutável como o próprio Deus o é. Por isso, o Mestre Rabi esta com toda a razão ao afirmar que não vinha destruir a Lei, mas fazer com que ela fosse cumprida. Cumprida em essência. Fazendo com os que daquela época compreendessem melhor, através dos seus exemplos, qual o verdadeiro sentido das palavras.

Tendo em Moisés a Primeira Revelação, em Jesus a Segunda e sendo o Espiritismo a Terceira, depreendemos que as informações se complementam e se corroboram com a presença da anterior. O livro A Gênese, um dos Pentateuco da Codificação traz-nos, em especial no seu capítulo I – Caráter da Revelação Espírita (capítulo esse que nos valemos em apoio das nossas afirmações neste artigo) uma bela explicação sobre o que vem a ser revelação, que em linhas gerais, seria divulgar algo que as outras pessoas não sabiam e não faz parte do conhecimento das criaturas em geral. Mostra-nos também a importância de cada um individualmente e da soma de forças para termos hoje o corpo de doutrina que conhecemos.

Moisés há seu tempo conseguiu trazer a figura do Deus único. Seu apostolado esta dividido na doutrina que regula as relações sociais, a qual ele trazia um tom divinal para poder exercer controle social e moral perante o agrupamento que ele geria e a própria Lei de Deus, que são os Dez Mandamentos. Os quais, podemos resumi-los em Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Moisés foi o legislador primitivo da fé que nós conhecemos hoje.

Jesus acrescentou à mensagem de Moisés a revelação da vida futura e as penas e recompensas que aguardam o homem após o seu desencarne. Grande passo para a humanidade, pois fazia com que a criatura vislumbrasse um porvir e passasse a ter esperança. Joanna de Ângelis, no livro Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda, cap. I, nos traz uma bela definição do apostolado de Jesus: “Jesus não foi o biótipo de legislador convencional. Ele não veio submeter a Humanidade nem submeter-se às leis vigentes. Era portador de uma revolução que tem por base o amor na sua essencialidade mais excelente e sutil, e que adotado transforma os alicerces morais do indivíduo e da sociedade.”

Mais ainda, ele apresentava a sociedade da época que a educação não poderia ser “punitiva-destrutiva”, mas “educativa-reabilitadora”. Pensamento este totalmente de acordo com a doutrina espírita. Estamos encarnados num processo de reajuste com a Lei de Deus sim, mas principalmente, estamos num processo de aprendizado constante. Educando-nos sem culpa e sendo responsáveis pelos nossos atos. Assim, nos reabilitamos com a Lei e conosco mesmos.

O Espiritismo nasce como emanação dos próprios espíritos, pois que se constitui como Doutrina dos Espíritos. Emanando deles e não podendo lhes matar, traz em si a própria semente da eternidade. O Espiritismo permite-nos conhecer o mundo dos invisíveis, a sua natureza, como nos encontramos quando desencarnamos. Apresenta-nos uma nova explicação da destinação da criatura. Não somos dados jogados ao acaso. Em tudo existe uma razão lógica e coerente regendo e nos guiando os passos. As relações sociais devem basear-se no amor recíproco dos antigos cristãos.

As duas primeiras estavam baseadas em homens. E para os olhos da humanidade, o homem é sempre falho. Mas a terceira constitui-se num corpo formado pelos espíritos. E assim a Divindade o quis para que se tornasse uma verdade que permanecesse entre nós. É inegável o contributo de Moisés para o corpo de Doutrina que possuímos hoje, pois a célula de justiça estava intrínseca em seu pensamento e de acordo com o seu entendimento e as pessoas da época, procurou realizar justiça social e consequentemente moral para com os que conviviam com ele. Representando assim a Lei na forma rudimentar. Jesus nos apresentou a ética do Amor em tudo quanto fossemos fazer, sendo esse o norteador de seu apostolado. O Espiritismo nos traz o Fora da Caridade não há Salvação, elencando neste princípio, vários outros princípios.

Mesmo que não existissem as comunicações das reuniões mediúnicas, mesmo que Chico Xavier não tivesse psicografado mais de quatrocentos livros, a lógica dos fatos nos provaria que o encadeamento histórico corrobora o avanço da mensagem, mais ainda, a comprovação do que já foi dito. Hoje, a imprensa divulga notícia que a NASA descobre novo sistema solar com sete planetas com tamanhos semelhantes ao da Terra. Ainda existe muito a ser descoberto, a criatura que se disponha a ter olhos de enxergar, verá que o mundo não se constitui somente no que vemos, sendo assim, existe muito mais em nosso derredor. Não é porque desconhecemos algo que iremos afirmar a existência. Pensamento este, ampliado com relação à existência dos espíritos e sua eternidade, como também a possibilidade reencarnatória.

Jornal O Clarim – Maio 2017

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