Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante – walkirialucia.wlac@outlook.com

“É que o viver não se circunscreve ao movimento do corpo, nem à exibição de certos títulos convencionais. Estende-se a vida a esferas mais altas, a outros campos de realização superior com a espiritualidade sublime. A mesma cena evangélica diariamente se repete em muitos setores. Grande número de aprendizes, plenamente integrados no conhecimento do dever que lhes compete, tocam a pedir orientação dos Mensageiros Divinos, quanto à melhor maneira de agir na Terra… a resposta, porém, está neles mesmos, em seus corações que temem a responsabilidade, a decisão e o serviço áspero… Se já foste banhado pela claridade da fé viva, se foste beneficiado pelos princípios da salvação, executa o que aprendeste do nosso Divino Mestre: Faze isso, e viverás”. (Livro Caminho, Verdade e Vida, Cap. 157 – Faze isso e viverás.)

Em Missão dos Espíritas, Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XX, item 4, encontramos que devemos pegar de nossa charrua e não temer as labaredas de fogo que estejam sobre as nossas cabeças por que o bom pastor saberá nos defender dos verdugos imoladores.

A vida constitui-se num processo de escolha bendita. Bendita porque é baseada no aprendizado trazido de outras encarnações, adicionado ao que foi conquistado nessa, fruto do nosso livre arbítrio. Livre arbítrio este que aumenta em nossas vidas em linha direta e ascensional enquanto diminuiu o determinismo, sendo este último, fruto da Lei de Conservação, que serve como mola orientadora e propulsora a princípio e posteriormente, como fio condutor de salvaguarda da encarnação.

A nossa consciência nos conclama a uma mudança de conduta. Mas em virtude dos desejos atuais redirecionamos a encarnação e adequamos o pensamento ao que melhor nos convém momentaneamente, deixando de vislumbrar com os olhos do todo espiritual e enxergando somente a parte que é objeto de nosso desejo momentâneo. Supervalorizando situações, fugindo de outras e criando problemas desnecessários em virtude de más escolhas. Mas algo singular durante este caminhar nos acontece: um sentimento de vazio que não consegue ser preenchido com coisas ou prazeres transitórios se avizinha de nós. Os momentos de solidão a dois, a três, em coletividade. É o aplauso e a glória exteriores, mas que na intimidade nos sentimos a sós.

A vida é a mesma para todos nós. Os desafios com os seus agravantes e atenuantes são os mesmos para todos. Então, porque uns resolvem lutar pela vida, por exemplo, mesmo tendo diagnóstico de uma doença terminal e outros que por uma simples arranhadura no pé ficam se sentindo os próprios abandonados pela Criação Divina?

A princípio, temos como entendimento, que a Luz Divina do Amor do Cristo toca os primeiros e estes se permitem ser tocados também e segundo, os entendidos do comportamento humano dizem, que nos momentos de crise a criatura “liga” um dispositivo de auto-proteção e entra no modo de “auto-conservação” desenvolvendo mecanismos de auto-defesa e sobrevivência. Por isso, vemos criaturas sobreviverem a situações críticas, quando tudo parecia perdido. Mas insistimos na pergunta, porque alguns conseguem “ligar” este dispositivo e outros não? Por que já compreenderam o valor da vida. Emmanuel neste trecho transcrito nos fala que a vida se estende as mais altas esferas. Assim, quando passamos a enxergar a vida não só como um momento presente, mas um todo, passamos a valorizá-la mais, atribuindo ao fato à importância devida e valorizando o que realmente tem valor: a Vida.

Na continuidade da mensagem o Insigne Mestre nos concita a reflexionarmos a questão da responsabilidade e da aspereza do serviço. Pois se engana que só encontraremos espinhos na vida diária, eles também existirão entre os companheiros de lide, mas que isto não será um empecilho para continuarmos. O nosso objetivo em tudo que estamos fazendo deve ser a realização de algo maior, para isso, precisamos direcionar as nossas atitudes, fazendo com que o ponto de partida e de chegada estejam pautados na moral cristã e que nós sejamos o agente do bem.

No item 4 do Evangelho já citado encontramos: “A fé é a virtude que desloca montanhas, disse Jesus. Todavia, mais pesados do que as maiores montanhas, jazem depositados nos corações dos homens a impureza e todos os vícios que derivam da impureza.” O mal que devemos temer não é o que provêm dos outros, mas o que está em nós. Por isso, quando dizemos na Oração do Pai Nosso: Livra-nos do Mal, entendamos, que é o mal que está em nós e que representa o plug esperando pela tomada de outra criatura que se vincula em sintonia conosco.

O Valor da Vida é o que atribuímos a ela. Como nos comportamos perante ela. Quem e o que selecionamos para fazer parte de nossas vidas. Pois estamos aqui, encarnados neste momento, como oportunidade de crescimento e aprendizado. Fazendo os reajustes necessários com a Lei Divina e avançando rumo à perfeição. O Valor da Vida: Alguns a consideram importante, pelo valor da conta bancária que possuem; outros pelo número de pessoas que possuem ao seu derredor. O Valor da Vida constitui-se no bem que fazemos e como fazemos o bem em nós. Amarmos o próximo. Respeitarmos o próximo e respeitarmos a Deus. Amor a Vida. Valor a Vida. Valor de Vida. Valor na Vida.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – maio 2017

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