Walkiria Araújo – walkirialucia.wlac@outlook.com 

“167. Qual o fim objetivado com a reencarnação? Expiação, melhoramento progressivo da Humanidade. Sem isto, onde a justiça?”. (Livro dos Espíritos)

Nós reencarnamos com o objetivo de evoluir. Através de um processo de aprendizado e expurgo das faltas passadas. Esse processo se dá através das expiações, das provas e das missões.

Missionários não são somente os Apóstolos da Caridade, nomes já conhecidos em nosso meio: Bezerra de Menezes, Chico Xavier, etc. Mas todo aquele que trata com amor abdicando de si mesmo em detrimento do próximo independente se este próximo é uma coletividade ou uma única pessoa. Então um pai, uma mãe, um irmão, um parente que abdica de si em detrimento de seu filho ou de uma criatura que está sob sua tutela, está cumprindo uma missão.

Estamos trabalhando e desenvolvendo nossas habilidades através das provas. Em comum acordo com a Divindade solicitamos que sejamos avaliados em nossa teoria. São as situações testes que temos dificuldades em vivenciar, mas que uma voz íntima nos convida há prosseguir um pouco mais, pois esta mesma voz nos fala do conhecimento já adquirido e da possibilidade real de superação, através do livre arbítrio tomos a decisão em perseverar um pouco mais. Tendo como resultado o sucesso, o aprendizado e o progresso almejado. Forjando na criatura o alicerce necessário diante das expiações da vida.

A expiação é um compromisso antes de tudo consciencial com um passado delituoso em que conspurcamos a Lei e precisamos fazer o devido reajuste que já está em regime de moratória, sendo abatido pelos méritos conquistados em virtude do bem feito, das provas bem cumpridas e das missões realizadas. É um processo de expurgo compulsório, mas necessário para a evolução.

Ao falarmos de Melhoramento Progressivo da Humanidade, estamos nos reportando ao processo contínuo de evolução, pois a humanidade como um todo avança intelectualmente e chegará um ponto que moralmente sairá desse estágio estacionário que se encontra. “6. – Nestes tempos, porém, não se trata de uma mudança parcial, de uma renovação limitada a certa região, ou a um povo, a uma raça. Trata-se de um movimento universal, a operar-se no sentido do progresso moral. Aliás, todos sabem quanto ainda deixa a desejar a atual ordem de coisas. Depois de se haver, de certo modo, considerado todo o bem-estar material, produto da inteligência, logra-se compreender que o complemento desse bem-estar somente pode achar-se no desenvolvimento moral.” (Livro A Gênese, cap. 18 – São chegados os tempos, Sinais dos Tempos). Por isso, mais do que nunca, precisamos ser a mudança que cobramos.

A necessidade reencarnatória então se vincula ao processo ascensional do ser humano que se opera individualmente, como processo propulsor da criatura rumo à perfeição e em conjunto, como resultado dos esforços de todos, como também, exercendo o fiel cumprimento da Lei de Evolução que rege a criatura e os Planetas. Assim, nosso limite reencarnatório está vinculado a nossa depuração; não existe uma quantidade predeterminada para cada criatura, pois se assim o fosse, a criatura não procuraria se melhorar, esperaria a última encarnação para fazer o início da transformação e alcançaria, sem fazer esforço, o mesmo patamar daquele que se modificou desde as primeiras.

Também podemos reencarnar neste, mas em outros Planetas. Temos como exemplo os Capelinos, que vieram da Constelação do Cocheiro. Ponto importante a ser destacado é a constituição do nosso perispírito. Este será formado pelo Mundo no qual habitamos. Tais informações são pertinentes e encontram-se melhor detalhadas nas questões 166 a 222 de O Livro dos Espíritos – Pluralidade das Existências. Quando compreendemos o porquê de estarmos aqui, a nossa participação e consequentemente o resultado de nossas escolhas. Ficando mais transparente o entendimento de itens, por exemplo, 18 a 23, capítulo IV – Nascer de Novo de O Evangelho Segundo o Espiritismo, quando nos fala da destinação do homem no além-túmulo e nos apresenta a individualidade, com progressão indefinida. Parecendo-nos lógico e justo.

Faz cair por terra o princípio de raças, pois a categoria social não qualifica a criatura, mas as suas atitudes que a diferenciam. Que a Doutrina Reencarnacionista ou do Nascer de Novo não destrói os laços de família, mas os amplia. (Questão 205, O Livro dos Espíritos). Criando uma rede de amor ao nosso redor. Não temos somente sob o mesmo teto os seres que já amamos, mas podemos compartilhar no trabalho, no Centro Espírita e em tantos outros locais com figuras caras ao sentimento e que nos dizem muito sem precisar falar nada. A Doutrina Reencarnacionista ou do Nascer de Novo proporciona-nos este veio de amor.

Para aqueles que acreditam que a parecença moral também se transmite, O Livro dos Espíritos, questão 207, explica-nos que não. O que existe é uma reunião de espíritos simpáticos. De criaturas que possuem a mesma sintonia de ideias. O corpo procede do corpo, mas o espírito não procede do espírito. A reencarnação possibilita-nos oportunidades. Oportunidade de aqui estarmos fortalecendo laços já construídos, criando novos laços e desfazendo nós.

O Evangelho no item 23, do já referido capítulo vai mais além. Faz uma comparação entre a Doutrina Materialista, que apresenta o nada como realidade futura; a Doutrina Panteísta, que fala da absorção no todo Universal; a Doutrina da Igreja que já evolui trazendo a individualização, mas apresenta-nos uma fixação definitiva do que a criatura será. Sendo a mais consoladora e a que nos parece mais justa a Doutrina Espírita. Mas como a criatura não pode viver encarnada indefinidamente, necessita reencarnar. Reencarnando, utilizar-se-á de corpos distintos e estabelecerá laços necessários ao aprendizado de aperfeiçoamento evolutivo. São possibilidades infinitas. A doutrina do Nascer de Novo possibilita-nos a chance de aprendermos e evoluirmos constantemente. Só este fato nos consola e nos ampara, dando-nos esperança e coragem para prosseguir.

Tribuna Espírita março/abril 2017

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